A Guardiã Do Bem E Do Mal
3 Capítulo 3
–AH, finalmente chegou! – exclamou o Coelhão quando me viu.
–Você andou sendo um garoto mau, Jack – falou o Norte, arregaçando as mangas e mostrando os bíceps.
–Ah, da um tempo! – exclamei – eu não posso ficar o tempo inteiro aprisionado aqui verificando fadinhas e biscoitos queimados!
–Ah, você não pode mas nós podemos, é isso? – perguntou o Coelhão, pondo o seu bumerangue debaixo de meu nariz.
–Chega! – exclamou a Fada dos Dentes – o importante é que agora ele está aqui! Certo, Sandman?
Ele Fez um formato de “polegar para cima” usando seus sonhos.
–O que está acontecendo?
–Não importa o que está acontecendo, a sua obrigaç...
–Eu disse chega Norte! – exclamou novamente a Fada – eu mesma digo para ele o que está acontecendo. – ela pigarreou – Bem Jack, algumas coisas aconteceram enquanto você esteve fora. Notamos o movimento do Homem na Lua.
–O movimento do Homem na Lua? Como assim?
–Para simplificar: achamos que outro ser, igual a nós, acabou de nascer.
–Outro... igual a nós? Ta brincando né?
–Porque diabos brincaríamos com isso? Não se brinca com nada relacionado ao Homem na Lua. – disse o Coelhão. Ele pareceu ter se ofendido com o meu comentário.
–Não é possível. Pessoas iguais a nós nascem do nada? – perguntei, ignorando o Coelhão.
–Mas é claro! Se nasceu é porque então ele ou ela tem um destino pela frente. – me respondeu o Norte.
–E onde ele está?
–Não sabemos. Pode ter nascido em qualquer parte do mundo. — lamentou a Fada.
–E como faremos para encontrar então?
–Não encontramos ué – respondeu o Coelhão – dependendo do destino nós vamos ou não nos encontrar.
–Pra que diabos então vocês me chamaram?
–COMO VOCÊ OUSA AINDA FALAR ISSO, SEU...
–Chega Norte, caramba! – repreendeu a Fada – Jack, como guardião você tem que ter noção do que acontece pelo mundo, ainda mais se envolve as nossas crianças. Por mais grosseiro que o Norte seja, ele está certo, você tem responsabilidades. Tente ficar aqui, certo?
–Hunf... certo. – murmurei, e sai da sala.
Eu percebi que o Sandman saiu comigo também e, antes que percebesse, já estava desabafando:
–Mas que droga! Eles não percebem que eu não suporto ficar aqui? Eu saí na rua e, quando as crianças me viram, eu não soube como reagir! EU Sandman, EU! Eu não sou assim, nunca fui! Esse lugar está fazendo mal para mim.
Sandman fez um pássaro de sonho que voou até a minha orelha e deu uma bicadinha nela. Eu ri.
–Eu sei, eu sei. É para o bem das crianças. Mas eu não aguento tanta pressão. Mas realmente não é do meu feitio ficar reclamando. Ainda assim, obrigado por me escutar.
Ele deu um sorriso, fez um cavalo de sonho e saiu acenando pela janela montado nele. Eu olhei ele partir e percebi que já era noite.
Então eu saí do castelo. Só queria chegar em casa e tomar uma caneca de chocolate quente. Ah, por sinal, eu construí uma casa não muito longe do castelo – realmente não tinha um lugar melhor para mim. Não é muuuito grande, mas eu me sinto confortável nela.
Chegando lá eu me joguei no sofá esquecendo completamente da caneca de chocolate quente que eu havia planejado fazer, e então eu comecei a pensar. Por mais que eu não goste de concordar, o Norte tinha razão. Agora eu tenho responsabilidades. O problema é que essas responsabilidades me davam dor de cabeça.
Mas eu ignorei isso e comecei a refletir sobre o que haviam dito naquela reunião rápida. Um novo ser havia nascido. Comecei a imaginar como ele seria. Mas além da aparência, o que me deixava mais curioso era: qual o poder dele?
E então a simples curiosidade se tornou algo mais forte, e um objetivo surgiu na minha cabeça.
Queria vê-lo.
Levantei e olhei pela janela. Conseguia ver o castelo do Norte dali. Será que ficariam muito bravos?
“Ah, mas eu não vou fazer nada de errado” – pensei, dando o meu famoso sorriso travesso – “Vou estar apenas fazendo o que me pediram para fazer: ter noção do que está acontecendo pelo mundo”.
E com isso eu peguei o meu cajado e sai porta afora.
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