A Guardiã do Inferno.
1 Capítulo 1 — Encarcerada no inferno.
Notas iniciais
As correntes penduradas na sala fedida e suja se balançavam causando uma melodia assustadora e ensurdecedora, o vento era gélido e forte assim como toda a sala que a garota se encontrava sentada com o queixo apoiado no joelho, sussurrando baixo e se balançando com medo, com medo do que se escondia por trás daquelas paredes caindo aos pedaços assim que um feixe de luz surgiu.
─ Me tire daqui, me deixe sair, me tire daqui, eu não fiz nada... ─ sussurrava baixinho.
─ Bem vinda ao inferno Natalie. ─ a melodia da voz firme e assustadora como aqueles filmes antigos de terror alcançou a sala quase como um eco, a garota se assustou e observou as correntes e ganchos ali pendurados se balançarem com mais força, como se o vento que adentrava pelos tubos de ventilação fossem tão fortes á ponto de derruba-lós no chão.
─ Para, por favor, por favor, eu não aguento mais. ─ Natalie protegia agora seus ouvidos da melodia das correntes se colidindo por causa do balanço, fechou às pálpebras e gritou. ─ O QUE VOCÊ QUER DE MIM? O QUE EU TE FIZ?
─ Você não fez nada pequena criança.
─ Eu não aguento mais... faz isso parar. ─ sentia o choro acumulado descer pelo seu rosto e uma sombra se aproximar pelo feixe de luz que entrava vagarosamente a sala pequena, o homem alto e de pele alva entrou na sala fazendo a melodia estrondosa pararem em imediato.
─ Você tem medo...
─ Eu estou com medo de você. ─ gritou Natalie limitando-se a abrir as pálpebras cerradas.
─ Não tenha medo. ─ sorriu como aqueles sorrisos macabros de cinemas e vilões. ─ Abra os olhos criança e me olhe.
─ Não. ─ grunhiu com os dentes trincados.
─ Abra seus olhos Natalie. ─ foi como uma ordem e a garota abriu rapidamente suas pálpebras molhadas pelas lágrimas passageiras e pesadas. A figura grande estava parada em sua frente, a cor de sua pele continuava a mesma, alva como uma folha sem pauta, seus lábios estavam avermelhados e seus olhos não estavam por completo negros, mas era visível a escuridão que se escondia ali, o homem parado em sua frente usava uma roupa casual, tinha os cabelos negros desgrenhados e as mutilações em seu peitoral e abdômen haviam desaparecidos. Se não fosse pela sua cor desnatural pálida e seus olhos tão escuros, Pinhead era considerado um homem normal...
─ O quê você quer de mim?
─ De você não quero nada, é apenas uma humana que nem vísceras boas possui, não serve para exatamente nada nesse mundo à não ser descartamento...
─ Onde estou? E quem é você?
─ Você está no inferno e eu sou quem está no comando por aqui.
Inferno? Natalie engolia o seco e o bolo que se formava em sua garganta, encarou a figura de 1,75 bem superior à sua altura com as pálpebras cerradas e os dentes trincados. Levantou-se sobressaltada e agarrou um daqueles ganchos pendurados com restos de couro cabeludo nas pontas e partiu pra cima do homem grande que permanecia imóvel e agora sorrindo, acertou-o na barriga deixando o aço cravado em seu abdômen e se distanciou ficando parada na parede. Pinhead sorriu em ironia e puxou o aço sem nem gemer e jogou-o longe passando a mão em seu abdômen que sangrava um líquido preto.
─ Natalie você não pode me matar em minha terra, você não pode fazer nada que me machuque. ─ aproximou-se da garota que tremia e sentia suas pernas bambas quando os centímetros de distância diminuíam cada vez mais ─ Agora eu posso, eu posso rasgar sua pele bem devagar e provar cada parte do seu corpo após corta-lá, e quando estiver toda destroçada eu... Oh Natalie! você me faz ter pensamentos irregulares... ─ ele aproximou-se em milímetros de Natalie e sentiu seus pelos se eriçarem e todo seu corpo se arrupiar, esperou ouvir a respiração forte de Pinhead mas constatou que Pinhead não era um ser humano, ele não respirava e não possuía um coração para ficar pulsante à ponto de rasgar o peito e pular partindo para longe como se encontrava o de Natalie agora. ─ É uma pena que não posso toca-lá.
─ Você não pode me machucar certo?
─ Isso mesmo criança, se eu pudesse já teria arrancado seus órgãos fora e provado o almiscarado gosto ruim que eles possuem.
─ Mas eu posso. ─ puxou o gancho próximo do chão e cravou em sua coxa por ser o membro mais próximo que seu olhar alcançou, sentiu a dor se intensificar cada vez mais e gritou até suas cordas vocais se exaurirem, Pinhead gemeu e grunhiu atrás dela amaldiçoando-a por ser uma garota tão teimosa. Natalie deitou-se no chão e deixou que seus sentidos aos poucos deixassem sua cabeça e então o desmaio pela dor e o trauma de ter atingindo alguma artéria chegassem até ela. Pinhead gritava todos os nomes possíveis próximo dela e queria toca-lá para não perder a guardiã do leviatã, mais não podia e não queria toca-lá, esperou que Natalie desmaiasse e o sangue formasse uma poça clara no chão para poder se aproximar e tocar seus dedos pelo chão úmido levando-os molhados de sangue até a boca e provar o gosto que Natalie possuía, quando realizou seu desejo mútuo Pinhead teve a certeza que Natalie era a guardiã da caixa do inferno e do leviatã e não podia deixa-lá desfalecer.
¨¨666¨¨
Natalie sentiu sua cabeça pesar e sua perna arder assim que recobrou sua consciência, se viu enjaulada em um quarto branco sem janelas e apenas com duas portas brancas e sem maçanetas ocuparem uma das quatro paredes, tudo ali levava a cor branca e lembrava-a de uma sala hospitalar de internação, Natalie levantou-se com dificuldade repousando sua cabeça na cabeceira da cama e viu a sua coxa com um enorme curativo, usara ainda sua roupa desde o sequestro que agora se encontrava manchada e suja. Não sentiu o movimento de seus membros inferiores, tentou por tudo mover suas pernas mais não houve sucesso, Natalie suspeitou que havia ficado paraplégica e quis chorar sem fim. Seu estômago se embrulhava e roncava com a fome eminente e sua cabeça parecia que explodiria a qualquer momento.
─ Alguém aí? ─ gritou de desespero ─ Me ajude por favor!
Natalie sentia uma dor absurda em sua coxa e mordeu os lábios segurando o grito que se acumulava em sua garganta. A porta foi aberta e um mulher de pele escura adentrou a sala assustada, em seguida Pinhead surgiu ficando parado em um canto. A mulher tirou o curativo e Natalie se assustou com o tamanho do ferimento que se destacava em sua pele clara, a mulher colocou um pano com um líquido forte em cima e Natalie grunhiu de dor tentando afastar a mão que pressionava o pano no ferimento.
─ Isso vai parar a dor criança. ─ a mulher sussurrou trêmula e em seguida realizou outro curativo no local e deixou a sala de cabeça baixa.
─ É bom ver sua dor ─ o homem alto começou andando pela sala ─ E estou desejando tanto algum dia fazer senti-lá dor.
─ Me leve para casa.
─ Agora aqui é sua casa criança. ─ falou o homem grande revirando suas órbitas.
─ O quê exatamente você quer de mim? FALA! ─ Natalie gritou.
─ Seu grito não adiantará nada, aqui no inferno gritos fazem parte do cotidiano normal. Agora descanse Natalie.
─ Eu sinto fome. ─ falou a garota apertando seu abdômen.
─ Já irei providenciar criança. ─ disse e deixou a sala.
Natalie se viu novamente no silêncio absurdo que corria por aquela sala, tudo estava tão quieto e apenas a arritmia de seu coração e sua respiração desregular era ouvida, Natalie deveria está com sua cara horrenda, e seus cabelos escuros despenteados e totalmente suja. Fez um breve impulso para se levantar e continuou sem sentir seus movimentos inferiores, tateou o curativo da perna e beliscou levemente sua perna em busca de qualquer resquício de dor aguda, e sentiu, um alívio percorreu seu corpo e ela deitou sua cabeça novamente no travesseiro fofo fechando as pálpebras.
¨¨666¨¨
Pinhead observava a garota devorar um prato de qualquer coisa que preenchesse o vazio de seu estômago e estava realmente fascinado. Natalie não se limitava em parecer ter modos e incomodo ao olhar discretamente de lado o homem de pele pálida lhe fitando curioso, terminou sua refeição e tomou a água fria que havia em um copo de vidro longo sentindo sua fome ser minorada, deu um impulso novamente pra frente tentando ver se seus movimentos já haviam voltado e sem sucesso bufou.
─ Por que você não pode me tocar? ─ iniciou um diálogo com o homem moreno sentado em um banco que a observava.
─ Não posso tocar em humanos, isso traria minha obscuridade.
─ Você não é humano certo?
─ Você é esperta criança.
─ Você é o quê?
─ Um cenobita.
─ E o que é isso?
─ Cenobitas são exploradores das regiões profundas da experiência. Anjos para alguns, demônios para outros. Somos criaturas horrendas que dominam com excelência as artes da crueldade e tortura.
─ E o quê eu tenho de importância pra você? Eu sou uma humana imprestável com veias entupidas e cursante de uma faculdade mesquinha.
─ Eu sei disso. Mora sozinha com seu cachorro e leva uma vida miserável, seus pais morreram quando você ainda era pequena e você têm apenas três amigos.
Natalie tentava processar as informações complexas e exatamente certas que Pinhead lhe passava, ele sabia exatamente de sua vida, fechou as pálpebras e contou até três.
─ Esse é você mesmo? ─ referiu-se ao homem que Pinhead se encontrava.
─ Essa é a minha forma humana.
─ Por quê não mata-me?
─ Você servirá pra alguma coisa.
─ Eu quero voltar para casa.
─ Você não vai voltar mais... ─ Pinhead disse por fim e levantou-se em direção à saída.
¨¨666¨¨
Fale com o autor