A Guarda do Reino
1 Prólogo
Notas iniciais
Primeiro passo: Esteja no lugar certo, na hora certa.
Do lado de dentro do carro, com os vidros fechados e o som ligado em um nível quase absurdo, ainda era possível escutar as buzinas insistentes e os inúmeros insultos vindos de uma população revoltada.
Papai abriu um meio sorriso, tentando parecer tranquilo ao fato de que nosso final de semana em família ia por água abaixo. Porque esse era, sem dúvida alguma, o pior jeito de se aproveitar um sábado de manhã.
— Pai, não podemos ir a pé? — choraminguei.
Pelos meus cálculos, devíamos estar a uns dois quarteirões da portaria do castelo. E o que seria meia hora de carro, deveria ser minutos a pé.
— Hm… Mas aonde eu posso deixar o carro, querida? — papai parecia desolado. Justamente na sua folga (que acontecia bem raramente) tudo dava um jeitinho de dar errado.
— A pergunta deveria ser: se o senhor não arruma uma vaga aqui, a dois quarteirões do castelo, como arrumará depois que chegarmos lá perto?
Júlio parou por um momento, fixou o olhar no retrovisor do carro enquanto praguejava baixinho. Minha atenção também acabou voltada para o retrovisor, focando nas figuras que avançavam entre o trânsito parado.
Lá fora, marchando como soldados e gritando insultos a coroa, estavam os opositores à monarquia.
No mesmo instante em que um dos revoltosos sacou uma arma e atirou para cima, um avião cortou o céu disparando em direção ao castelo.
Meu coração batia acelerado. Aquilo, com toda certeza, não era uma manifestação qualquer.
Papai abriu o porta luvas e tirou de lá uma pistola, verificou se estava carregada e já se preparava para sair quando as pessoas paradas pelo congestionamento, se tocando de que a situação era realmente muito séria, decidiram transformar a avenida Dumon, a principal que cortava o castelo, em um verdadeiro pandemônio. Com pessoas se atropelando aos montes a cada tiro disparado pelos manifestantes.
Com um salto saímos apressados do carro. Papai nem precisou me olhar para que eu entendesse o recado: o rei estava com problemas e a minha família, como fazia há gerações, precisava ajudá-lo.
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