três

Quatro anos haviam se passado desde que Hayley entrou em Hogwarts. Ela tinha aulas particulares com Severus Snape e Albus Dumbledore todos os dias e era a aluna mais brilhante que o diretor já tinha visto – principalmente em DCAT e Poções. E inclusive ajudou muito Harry Potter e até achou um pouco estranho ao não se deparar com Lord das Trevas em seu terceiro ano.

Hay estava deitada em sua cama, no mesmo antigo orfanato Londrino, era seu ultimo ano ali, já que Dumbledore estava tentando promover a sua guarda para Mrs. Figgs uma velha bruxa aborta que morava na Rua dos Alfeneiros, vizinha dos Dursley, Hayley tinha um padrinho, Remo Lupin, mas não poderia morar com o mesmo, pois além de ser um pouco perigoso, se ela morasse com a Mrs. Figgs teria como vigiar Harry Potter mesmo fora de Hogwarts.

Bam bam bam

Hay olhou para a janela e correu para abrir a janela para Edwin, a coruja preta azulada de seu melhor amigo. Edwin soltou a carta em cima de sua cama e pousou no poleiro junto com Erin, sua coruja branca com penas douradas (presente de Dumbledore).

Hay, pequena,

Tenho taantas novidades pra você, mas você sabe que eu tenho preguiça de escrever cartas grandes então não contarei por aqui e aqui pela vizinhança é muito di-fícil de se encontrar um telefone.

Estou com saudades de você. Preciso muito te ver, muito mesmoo. Vamos sair pra algum lugar?

Amo Você xX C. Diggory

Hayley sorriu ao ler a carta. Desde seu primeiro ano ela conhecia Cedric Diggory, ele e Oliver Wood foram os únicos amigos que a garota se permitiu ter sem chamar a atenção. Cedric se tornou seu melhor amigo e era o único que sabia de seu segredo.

A garota pegou um pergaminho limpo e tinta em seu malão.

Ced, Pequeno,

Eu sei que você é preguiçoso e não gosta de escrever (como você se dá tão bem em Hogwarts?), te conheço mais que você mesmo esqueceu?

Também estou morrendo de saudades de você. Muita.

Sabe que topo tudo ao lado do meu Melhor Amigo. Aonde vamos? Vem logo, você sabe que sou ansiosa e curiosa, quero saber que novidades têm pra mim. Não demore tô com saudades de seu abraço.

Também te Amo... xX H. Cherry

Hayley levantou-se da cama e foi para o banheiro fazer sua higiene matinal. Ainda era cedo. Edwin chegaria à casa dos Diggory em breve, em pleno café da manhã, quem sabe. Edwin era uma das corujas mais rápidas que já tinha visto.

Hayley desceu ao refeitório do orfanato de pijama mesmo, não tinha amigos ali e era normal os órfãos descerem de pijama. Ninguém repararia na roupa da garota que ali nem amigos tinha. Porém nos últimos tempos a garota vinha chamando atenção dos garotos e quem a protegia era Cedric e Oliver, que também já tinha percebido o quanto a garota tinha mudado e ficado realmente atraente; Esses olhares agora eram constantes não só no orfanato como em Hogwarts também.

Assim que terminou de comer, subiu para o quarto e foi tomar banho. Despiu-se e entrou debaixo do chuveiro quente, assim que sentiu a agua quente tocar em seu corpo Hayley relaxou e se pegou desejando que o ano escolar que viria pela frente fosse tão bom, sossegado, relaxante e tranquilo quanto o anterior. Sem guerras, sem confusões, sem lutas, sem Voldemort. A garota deve ter passado uns quinze minutos em seu banho, saiu e enrolou-se em uma toalha branca, colocou outra em seus cabelos molhados.

A garota pegou em seu guarda-roupas uma roupa trouxa simples. Voltou para o banheiro pra arrumar seu cabelo. Estendeu as toalhas e começou a arrumar seus cabelos.

- Odeio quando você usa shorts curtos. – Disse uma voz de repente, Hay se assustou e puxou a varinha do bolso do short se virando instantaneamente. – Ei, ei, ei, calma, meu Amor! – O garoto de cabelos castanhos, que estava encostado na porta do banheiro, disse assustado.

- Cedric Diggory – Ralhou Hayley andando em sua direção com a varinha estendida – Nunca mais me assuste! – Ela parou com a varinha em seu pescoço. – Idiota. – Murmurou por fim, respirou fundo e colocou a varinha no bolso.

- Calma Hay! – Disse rindo e a abraçando.

- Para de rir, Cedric. – Ela o abraçou também. – Você sabe que da ultima vez eu acabei te machucando sem querer! Você sabe disso! — Hayley se soltou dele.

- Calma, vou tentar não fazer mais. Ok? – Ela assentiu. – Desculpe. – Acrescentou dando um beijinho em sua testa.

- Por que você chegou tão rápido? – A garota perguntou. – Você não costuma acordar cedo durante as férias. – Ela estranhou pegando um All Star no guarda-roupa

- Vim por pó-de-flú. – Respondeu tirando o resto de cinzas da roupa. –Ah, antes que eu me esqueça... Você fica linda em roupas trouxas, sabia? Pra falar a verdade você fica linda em qualquer tipo de roupa. – Falou Cedric e riu quando viu a garota corar.

- Pode parar que eu não caio nesse seu charminho, Diggory. – Respondeu Hayley rindo.

- Mas segundo você qualquer garota que eu quiser caí no meu charminho. – Ele arqueou a sobrancelha.

- O problema... – Respondeu Hayley se aproximando. Cruzou os braços ao redor do pescoço de Cedric e aproximou seu rosto do dele. – É que eu não sou qualquer garota. – Ela deu um sorrisinho e deu uma bitoca em seu nariz. Cedric abraçou sua cintura e ela se desvencilhou.

- Realmente, Hayley Cherry, você não é qualquer garota. – Ela riu.

- Aonde vamos?

- Três Vassouras? O Caldeirão Furado? – Sugeriu.

- Já sei... Nós almoçamos n’O Caldeirão Furado e depois vamos comprar nossos materiais no Beco Diagonal. O que acha?

- Ótima.

Hayley sorriu. Cedric era a única pessoa além de Albus e Severus que sabia de toda a verdade sobre ela. Sabia o que ela tinha feito por Harry, que vinha ajudando-o a derrotar o Lord das Trevas e que a glória ficava sempre para o Moreno.

Cedric sentou-se na cama enquanto Hay terminava de pentear o cabelo. Ficou observando-a pentear os cabelos levemente encaracolados e castanhos. Ela estava cada vez mais linda, cabelos castanhos e encaracolados até a cintura com algumas mechas levemente avermelhadas, corpo bem desenhado, curvas nos lugares certos, rosto delicado, sedutor e provocante, mas ao mesmo tempo voraz e triste.

A garota terminou de arrumar o cabelo e se virou.

- Como você é folgado, Diggory. – Reclamou quando viu que ele estava comendo a barra de chocolate que guardava embaixo de seu travesseiro. Cedric riu e Hayley pegou seus óculos de sol. Jogaram pó-de-flú na lareira do quarto da garota e falaram “O Caldeirão Furado”.

- Miss Cherry! – Cumprimentou Tom. – Veio cedo este ano. – Hay sorriu.

- Vim apenas dar um passeio com Cedric e comprar meus materiais. – Tom cumprimentou Cedric assim que ele passou pela lareira também. – Traz um almoço pra nós? – O dono do bar assentiu e Hay seguiu Cedric até uma mesa.

- O que queria tanto me contar? – perguntou Hay assim que se sentaram

- Bom, pra começo de conversa, você sabe que esse ano vai ter a Copa Mundial de Quadribol. – Hayley concordou – E papai conseguiu ingressos e como ele disse que queria te conhecer e blábláblá... Pediu pra você ir conosco! – Cedric sorriu e Hayley se contagiou.

- Mas Ced... – A garota hesitou fechando o sorriso. – Eu não vou poder ir... Posso até ir à sua casa conhecer seus pais e etecetera, mas não ir á Copa. Eu queria, juro que queria, mas Dumbledore não vai deixar, eu não posso me expor, ainda mais se o Potter for...

- Acho que ele não vai, Hay... – A garota o interrompeu.

- Cedric, é Quadribol, Harry ama Quadribol e jamais perderia a Copa.

- Não importa, Hay, é só uma Copa. Vamos, por favor?

- Ced, você sabe que eu não quero me expor.

- Não quer ou Dumbledore não deixa? – A garota hesitou.

- Os... Os dois. – Cedric respirou fundo.

- Ele não é seu dono, Hay.

- Eu estou tentando ajudar... Eu quero ajudar.

- Ele tem motivos egoístas, Hayley, porque você não pode ter ao menos reconhecimento? Tudo que você faz os créditos vão para o Potter!

- Eu não quero reconhecimento, quero ajudar, Cedric. E se Dumbledore diz que para ajudar a derrotar Voldemort eu tenho que ser uma perdedora, sem reconhecimento, sem amigos e sem merda nenhuma... – Cedric a interrompeu.

- Sem amigos? – Ele a olhou incrédulo. – E o Oliver? Huh? E eu? – Vociferou.

- Cedric... Eu não quis...

- Para! – A garota estremeceu, odiava brigar com Cedric. – Não sei por que eu ainda tento! Parece que quanto mais você convive com Snape e Dumbledore mais fechada para o mundo você fica. Você se fecha até para mim, Hayley! – A garota colocou a mão no rosto. Não chore, não chore!, pensou, Mostrar sentimentos é sinal de fraqueza, lembrou a si mesma. – Nem a chorar você se permite! – Disse Cedric vendo a garota segurar o choro. – O que está acontecendo com você? – Hayley o olhou, ele estava com algumas lágrimas nos olhos.

- Nada. – Respondeu firme. Cedric riu irônico.

- Ótimo. – Se levantou da cadeira e olhou para Hayley. – Só queria saber quem é você, Cherry? O que aconteceu com minha melhor amiga? – Cedric saiu da mesa e foi para o pátio que dava no Beco Diagonal. Respirou fundo e chutou a lata de lixo que tinha por ali. Segundos depois ouviu a voz de Hayley no mesmo pátio.

- Eu sou uma arma. Um objeto que eles tentam sempre aprimorar e melhorar esquecendo que eu tenho sentimentos e coração. – Cedric levantou a cabeça a tempo de ver uma única lágrima cair dos olhos da garota, que os apertou, impedindo de cair mais delas. – Não chame atenção. Não faça amigos! Não se prenda. Não se apaixone! O que eles acham que eu sou? Uma máquina, um robô? Só que eu aprendi a ser assim, fingir que está sempre tudo bem e magoar a única pessoa que me ama sem esperar que eu dê algo em troca. – Ela deu um sorrisinho de lado. – Eu nunca fui amada, cresci deslocada em um orfanato trouxa depois de passar o que eu passei e de repente me dizem que existe um mundo bruxo e que eu, uma simples garotinha deslocada, devo salva-lo das forças do mal. Porque eu posso fazer isso. Eles foram colocando poder dentro de mim, me ensinando a controlar os poderes de... – Ela hesitou — de meu ancestral, fazendo sempre eu me sentir forte. E por um tempo tudo que eu pensava de mim era isso. Sou forte. Mas até isso era mentira. Eu não sou forte. Eu sou poderosa, força é outra coisa. Sou uma garota, ou melhor, uma arma e ninguém se importa se eu estou feliz ou não. Eu tenho 14 anos e me tratam como se tivesse 140. E se eu não quiser nada disso? Huh? Eu só queria ser normal. Ter meus pais ao meu lado e não ter nada de especial, ser uma bruxa como qualquer outra. Você perguntou o que estava acontecendo comigo, eu estou sendo usada, é isso que esta acontecendo. Queria poder fazer o que quiser e estar me lixando para tudo. Mas não posso, porque por mais que às vezes pensem e até me convençam de que sou uma arma, eu sou uma adolescente louca e cheia de sentimentos. E eu amo Dumbledore e por mais louco que pareça eu amo Snape também. Mas amo principalmente o fato dos dois serem o mais próximo que eu tive de pais. De uma família, sabe? E eu quero que os dois se orgulhem de mim, e eu quero continuar fazendo isso, vou continuar lutando contra o Lord das Trevas, pois eu sei que um dia ele vai ser derrotado de verdade e tudo isso vai acabar. Mas até lá eu tenho que continuar a levar a vida dessa maneira, por isso não me questione, por favor, só fique do meu lado, Cedric. Eu preciso de você. – Cedric estava paralisado, Hayley nunca demonstrava fraqueza. – Você é tudo que eu tenho, meu melhor amigo, é a única pessoa que gosta de mim sem esperar que eu faça nada em troca, sem esperar que eu faça algum favor pra você. É a única pessoa que sabe tudo sobre mim, o que eu gosto e o que não gosto, sabe todos os meus segredos e tudo que eu sou. Porque eu não sei o que fazer longe de você, você é a única pessoa que tenho e não posso suportar a ideia de que se um dia Voldemort não for derrotado ele poderá te prejudicar, poderá fazer algo contra você. Sem você eu não sou nada, Ced. – Cedric finalmente se mexeu, voltando a realidade e correu até a garota que estava arrasada, ele a abraçou.

- Desculpe, Hayley, esta tudo bem, amor. – Ela apertou o abraço.

- É por você que eu luto, Cedric. – Ela sussurrou limpando outra lágrima que caiu.

- Chega – Pediu o garoto em resposta. – Passou, vai ficar tudo bem, você vai ver. Eu te amo. – Ele disse apertando o abraço e percebeu quando a força que Hayley fazia se perdeu. Ela começou a cair e Cedric a segurou. Estava desmaiada.

Cedric sabia exatamente o que estava acontecendo, não era a primeira vez que isso acontecia. Ele pegou o corpo da garota e voltou para o bar.

- Mr. Diggory o que aconteceu? – Perguntou Tom preocupado.

- Nada de mais, Tom. Ela ficou nervosa só isso, é normal. – Tom assentiu. – Entrega o almoço no quarto, ok? – Sem esperar ele subiu e entrou em um quarto deitou Hayley na cama e ficou observando-a, fazendo carinhos em seus cabelos.

Minutos depois a garota acordou. Seus olhos não estavam mais naquele tom de castanho e sim de um vermelho cor-de-sangue.

- Tudo bem? – Cedric perguntou e Hayley assentiu – O que você viu? – A garota suspirou.

Notas finais
haha, como sou do mal, vou terminar bem aqui u.u saushauus