A Grande Profecia

4 O Reencontro e o Elo


Notas iniciais
Aff, vocês devem querer me matar pela demora, né?
Mas calma, já voltei com cap novo.
Obrigada a Bellazita e Biah_123 pelos reviews. Espero mais deles nesse cap, okay?
A fic!

- Thalia! – Annabeth gritou, correndo para abraçar a garota.

- Assim você me amassa! Saudades? – essa tal de Thalia brincou, devolvendo o abraço caloroso.

Pelo menos elas não eram perigosas. Acho.

- Como conseguiu tantas Caçadoras em um ano? – Percy perguntou, observando as garotas atrás de Thalia com curiosidade.

- Você não lembra, Cabeça de Alga? Zeus prometeu que ia me ajudar a preencher as fileiras de Lady Ártemis. Ele cumpriu sua promessa.

- Porque está aqui Thalia? – Grover indagou, olhando meio abestado para as Caçadoras, que o olharam estranhamente.

- Que forma de tratar uma amiga, ein? Ok, eu vim aqui a pedido de Lady Ártemis. Ela disse que precisa resolver uns assuntos no Olimpo. As coisas parecem agitadas por lá.

Um trovão vibrou no céu. As ondas do mar aumentaram.

O que seria isso?

- Uma guerra entre os deuses novamente? – Annabeth pareceu muito preocupada, olhando diretamente para o céu. Outro trovão.

- Não sei dizer. Mas Lady Ártemis parecia bem preocupada – Thalia suspirou, pondo uma das mãos na testa. Tinha ares de cansaço – E um sonho me deixou inquieta. Prometeu está aprontando alguma coisa... Ele estava no Mundo Inferior falando com Hades e... Ei! Que caras são essas?

Ok Silícia, espire, inspire, espire.

Posso entrar em pânico agora? Como sete pessoas podem ter o mesmo sonho, em um período de 24 horas? Ai, ai, ai! Porque eu acho que isso vai dar problema?

- Problemas a vista! – anunciou Felipe, dando tapinhas nas costas de Nico. Este se afastou.

Thalia finalmente percebeu nossa presença, olhando meio confusa.

- Novatos? – apontou para nós.

Já disse que odeio ser chamada de novata? Não? Pois bem... Odeio ser chamada de novata!

- Percebeu só agora, olhos de águia?!? – Ninna disse sarcástica.

- Atrevidinha, ein? Filha de quem? Ares? – foi à vez de Thalia soar sarcástica.

— Olha aqui sua metida a caçadora... – Ninna já ai pular encima de Thalia, quando resolvi apelar.

- Ninna! Sem escândalo! Estamos em uma situação séria! 7 meios-sangues tiveram o mesmo sonho! Isso pode significar alguma coisa e seu gênio nervoso vai ter que se controlar!

Quando eu falava com esse tom de voz, Ninna sabia parar. E foi exatamente isso que ela fez. Parou.

- Certo! Vamos leva-las até Quíron. Ele vai ficar satisfeito ao vê-las! – Percy interrompeu o clima, disparando – Só Thalia pode vir conosco, as outras, vão para o chalé de Ártemis.

As Caçadoras se entreolharam, concordaram entre si e caminharam em direção ao acampamento.

- Agora que estamos sem minhas Caçadoras, vocês podem me explicar à situação? – Thalia falou, pondo as mãos na cintura de maneira autoritária.

Percy tomou à dianteira, contando tudo. Eu o acompanhei, junto de Annabeth. Completávamos as sentenças uma da outra e tentávamos raciocinar uma maneira de explicar o que estava acontecendo.

Quando terminamos, eu tinha minha cabeça um pouco dolorida. Nunca tivera que pensar tanto antes. Inutilmente, ao que parece.

- Olha, eu não faço ideia do que está acontecendo, e me parece sério – Felipe esfregou os olhos, bocejando. – Mas eu não estou conseguindo deduzir mais nada agora. Vou dormir! Adeus a todos! – declarou indo embora.

Refletindo melhor... eu também tinha ficado com sono. Meus olhos estavam começando a pesar e amanhã, com certeza Pólux me acordaria cedo para começar com as atividades do acampamento.

— Concordo com Felipe! Fui! – Ninna já estava longe quando disse isso. Apressadinha.

Então... Boa-Noite para todos! – Annabeth concluiu, pegando na mão de Percy e saindo da praia. Foi engraçado ver a cara corada dele.

Nico já nem estava mais ali, e só tinha sobrado eu e Thalia. Ela observava uma constelação que eu nunca tinha visto antes. Parecia uma garota correndo, com um arco nas costas.

— Hmm... Boa-Noite Thalia. – e fui.

Eu voltara para aquele salão sombrio, onde os tronos imponentes já não se encontravam tão imponentes. Alguns dos ossos espalhavam-se pelo chão escuro, deixando um rastro medonho. Apenas um deles estava ocupado.

Era o homem elegante que vira da ultima vez. Prometeu. Agora a iluminação parecia melhor e pude ver marcas em seu rosto. Era como se o estivessem arranhado. Será que tinha algo haver com o que Perséfone disse da outra vez? Corvos.

Um arrepio correu por minha espinha ao ver um gigante azul. O clima pareceu baixar vários graus.

— Hiperbóreo! Onde esstão os sseus irmãoss? – perguntou uma mulher-cobra. Não parecia ser a mesma que tinha me atacado. Era igualmente feia, mas tanto faz. Como Percy a chamara mesmo? Dracanae.

— Os irmãos de Métres não querer ajudar! Métres triste! – o gigante choramingou.

— Tudo bem Métres... Pode ir agora – Prometeu pronunciou com a voz mansa, simpática.

O hiperbóreo parou de choramingar e foi embora. O chão onde antes ele pisava, estava congelado. Assim que ele passou pelos portões, o clima esquentou rapidamente, tanto que comecei a suar.

— Foi mais fácil do que imaginei – Prometeu ponderou, esfregando o queixo. – Hades já não é mais o mesmo. Cansado demais com toda confusão que ele chama de reino. – ele deu uma risadinha. – Logo, logo, o Olimpo estará em minhas mãos! Os deuses vão pagar pelo que fizeram comigo.

Agora Prometeu me pareceu assustador. Eu quase podia ver uma aura negra o rodeando, alimentando seu desejo aparente de vingança.

A dracanae sibilou, enquanto farejava o ar.

— Ssinto cheiro de meiossangue!

Ela começou a olhar ao redor, procurando por um intruso. Eu.

Abri os olhos. Já era de manhã, talvez 5 ou 6 horas, já que o sol ainda não aparecera totalmente. Nem adiantaria mais tentar dormir. Em cerca de uma hora ou duas, os campistas já estariam caminhando, rumo as suas atividades.

Sai do chalé e sentei-me em sua varanda. Recostei-me na porta e esperei.

Mais ou menos vinte minutos depois, vi Percy conversando com Annabeth. Não imaginei que fosse uma conversa muito boa, pois ambos tinham as feições contorcidas.

Fui até eles.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntei. Eles me olharam. – A propósito... Bom-dia.

— Bom-dia Silícia – Annabeth sorriu minimamente, ainda com a testa franzida – Teve bons sonhos?

Ela não falava aquilo por educação, dava para ver. Ela parecia realmente interessada em saber sobre meus sonhos.

Tinha algo haver com ontem?

— Sonhei com Prometeu. Ele estava sentado no trono de Hades e... – olhei para os rostos deles, dando de cara com perfis abismados, preocupados e confusos. Entendi de imediato o que significava. – Ai não. Não me digam que também sonharam com isso!

Assentiram.

— Estávamos te procurando. – começou Annabeth – Já passamos pelo chalé de Ninna e no de Thalia, mas elas ainda estão dormindo. Filhos de Ares não gostam de ser acordados e Thalia muito menos.

— E agora, temos que passar no chalé de Hades e no de Nêmesis. – completou Percy – Vem com a gente?

É para já!

Nico estava acordado, mas sua cara de sono era evidente. Ele parecia pálido; mais do que o normal. Quando perguntamos o que tinha acontecido, ele respondeu impotente:

— Prenderam meu pai. Prometeu está controlando o Mundo Inferior agora.

Era o suficiente para sabermos que Nico tinha tido o mesmo sonho que nós. O chamamos para ir até o chalé de Nêmesis, mas ele preferiu ficar.

Felipe estava dormindo, junto com todo o seu chalé, ou seja, umas 6 pessoas além dele.

Povo preguiçoso! Coisas estranhas acontecendo e eles só dormindo!

Se bem que isso era quase um alívio. Podia significar que eles estavam tendo sonhos diferentes do que eu tinha partilhado com Percy, Nico e Annabeth.

Comprovei que estava errada uma hora depois.

Ninna apareceu junto de Thalia, as duas discutindo sobre algo que não me interessava a ponto de prestar atenção. Ninna disse que tinha tido outro sonho com Prometeu, e Thalia falou o mesmo.

E, segundos depois delas dizerem isso, me aparece Felipe, gritando para os quatro ventos que tinha tido um sonho. Era o mesmo.

— Cabeça de Alga! – berrou Ninna, chamando Percy. Ele franziu o cenho com o apelido que minha irmã usara. Thalia o tinha dito ontem.

— Ah não! Mais uma para me chamar assim! – ele lamentou, arrancando um sorriso mínimo, mas satisfeito, de Ninna.

— Deixe de ser reclamão! Agora me responda: Isso alguma vez já aconteceu? Já estou começando a me irritar! – Ninna cerrou os punhos, com a testa trincada de nervosismo.

Opa! Isso não era nem um pouquinho bom!

— Ninna, acalme-se – falou Felipe, antecipando-me ao chamar a atenção de Ninna. Ele sabia bem como eu, como era ver Ninna irritada.

E acredite, essa era a ultima coisa que você gostaria de ver.

— Nunca ouvi falar de algo assim. – respondeu Annabeth no lugar de Percy.

— E tudo pode significar algo – completou Thalia, olhando para o céu azul pensativa.

Eu tinha acabado de descobrir que era filha de um deus; Dionísio o deus do vinho e das festas para ser mais exata. Eu sabia o básico do básico sobre deuses da mitologia grega, e só sabia graças as minhas aulas de história da oitava série. Eu estava com sonhos estranhos, que aparentemente, estavam realmente acontecendo. Minha irmã era filha de outro deus. Sátiros (como a espécie de Grover se chamava) morriam de medo de mim.

A minha vida já tinha sido mais fácil. Muito mais fácil.

— Não deveríamos falar com o centauro? Ele pode ajudar – Felipe sugeriu inquieto. Dependendo do tamanho de sua inquietação, em alguns segundos ele começaria a bater o pé no chão, e remexeria incansavelmente os bolsos da calça.

E, como previ, é isso que ele está fazendo agora.

— Vamos esperar mais um pouco – falei, chamando a atenção de todos – Talvez os sonhos parem. É bom ter certeza de que eles vão continuar acontecendo.

Pareceram pensar e antes que alguém pudesse pronunciar algo, foi ouvido um balido.

— Bééé-éé!! Como estão? – era Grover, que pulava em nossa direção junto com uma garota. Uma garota exótica, mas bem bonita. Os olhos dela eram tão verdes que pareciam ter sido feitos das folhas das árvores.

— Oi Grover. Oi Juníper – cumprimentou Annabeth desanimadamente, acenando sua mão com suavidade.

— Meu amorzinho – começou Grover, mais do que meloso – Esses são os alunos novos que te contei: Ninna, Silícia e Felipe.

Juníper nos cumprimentou meio tímida. Ela parecia ser fofa.

Finalmente os campistas tinham começado a acordar, e vários deles já circulavam por ai. Vi Pólux saindo do nosso chalé. Ele acenou para mim, apontando para o relógio no próprio pulso. Só podia significar que...

— Ai gente! Tenho que ir! Tenho que treinar arco e flecha nesse instante! – falei apressada, enquanto corria. Pólux fazia o mesmo, e logo o alcancei. Ele não era a melhor pessoa para correr.

Chegamos dois minutos atrasados, e Gabriel West nos esperava. Ele nos ajudava a treinar, junto de seus meios-irmãos, e sendo filho de Apolo, era claro que ele era mais que ótimo. O rapaz era pequeno – talvez do meu tamanho –, o que não o deixava menos intimidador quando este empunhava seu arco.

Nos três dias em que estava aqui, eu tinha me identificado mais com o arco e fecha, já que com espadas eu me sentia insegura demais. Eu não sabia pilotar uma canoa e morria de medo dos pégasos, que sempre me olhavam como se eu fosse divertida. O único que parecia ser mais legal comigo era Vincky, o cavalo negro que tinha me levado para o acampamento dias atrás.

Eu não sabia o quanto os pégasos entendiam, mas Percy comentou algo sobre isso enquanto íamos almoçar.

— Cavalos entendem tudo. São mais espertos do que muitos aqui – ele olhou sugestivamente para a mesa de Ares, levando um soco na cabeça de Ninna, que nos acompanhava.

Eu gostava de cuidar dos campos de morango. Sentia-me confortável, além de sentir como se eu fosse dona de tudo aquilo, podendo controlar cada futuro morango que nasceria ali. Eu sabia que de certa forma, era verdade. Ser filha do deus do vinho ajudava.

Eu cuidava dos campos enquanto conversava com Katie Gardner e com Violla Jacques, filhas de Deméter. Violla vinha da França, e era seu primeiro ano no acampamento também. Era uma boa pessoa, apesar de ser meio preguiçosa.

— Ahhh – bocejou ela – Eu querrro dorrmir! – o sotaque dela era pesado. Ela dizia isso enquanto passava as mãos em um arbusto. Nasceram instantaneamente pequenas flores nele.

Quando eu vou fazer isso?

Depois, foi toda a confusão no banheiro. Entrei com as meninas de Afrodite e com as de Atena novamente, e Thalia nos acompanhou. Quando sai do banho, as filhas da deusa do amor pularam em mim, me arrumando, penteando meu cabelo, tentando me maquiar. Agora entendi o que Pólux quis dizer com sentir muito.

ÓTIMO! Tinha acabado de me tornar a bonequinha Barbie delas.

Annabeth e Thalia me ajudaram, apesar da segunda mais rir do que ajudar. Bem a tempo. Eu não estava a fim de aprender a usar um delineador.

Que cansativo!

Eu estava com medo de dormir. Ter de mergulhar em um mar de sonhos sinistros, que me interligavam com outros 6 meio-sangues. Meus amigos. Minha irmã.

— Por que não falaram com Quíron sobre os sonhos? – perguntou uma voz já conhecida por mim. Nico. Ele parecia ter acabado de tomar banho, com o cabelo escuro molhado e desarrumado.

— Queria esperar. – admiti – Ver se esse “elo” de sonhos que temos para.

Qual o motivo de Nico perguntar?

— Por que a pergunta Nico? – ele parecia estranho. Será que sabia o que estava acontecendo conosco? – Você sabe por que isso está acontecendo?

— Não. – respondeu ríspido, dando as costas para mim.

Ah pirralho, não me provoca.

Com uma onda de fúria desconhecida percorrendo todo o meu corpo, vi videiras crescerem abaixo de Nico, enroscando-se nele. Não pude evitar que um sorriso meio maroto surgisse em meus lábios.

O mesmo virou-se e me olhou incrédulo e raivoso, tentando a todo custo soltar-se. Sem sucesso.

— Só te solto quando você me responder: O que está acontecendo? Por que estamos tendo esses sonhos?

Nico me olhou com desdém, como se nem morto respondesse. A fúria cresceu, e as videiras cresceram e se enroscaram ainda mais, arrancando um gemido; que supus ser de dor, de Nico.

— Vou perguntar de novo. O que está acontecendo conosco? – desta vez, nem mesmo reconheci minha voz, mas a mantive firme.

Olhei fixamente para os olhos de Nico, que engoliu em seco. Ele cedera.

— Não sei ao certo se é isso, mas há uma boa probabilidade. Pode ser que a Grande Profecia esteja acontecendo.

É o que?

Notas finais
Mereço reviews?
Quem gostou levanta a mao e dá um UP! Ah, aproveita e deixa review =D
Bye bye