A Grande Guerra
12 O Poder do Inimigo é Ilimitado?!
Notas iniciais
Mahala assistiu Spark e Asus atacar novamente Schutz, demonstrando garra e vontade de vencer ainda que aquela fosse uma luta desesperadora. Ela pairava no ar alguns metros acima do chão, massageando o próprio pescoço que fora brutalmente apertado momentos atrás e que agora estava bastante vermelho e dolorido. A jovem Saiyajin viu quando Schutz repeliu a onda de ataques em sua direção com uma extrema facilidade, acertando uma cotovelada no rosto de Asus e arremessando Spark novamente longe, com um estalado soco no peito. Dois Super Saiyajins, no máximo de suas forças estavam sendo vencidos facilmente por um único inimigo, numa facilidade de dar dó. Ela desceu até o chão, fechando ambos os punhos, inconformada com o que seus olhos viam.
Esse miserável do Schutz Stafell... ele não é adversário para nós. Seremos vencidos em questão de minutos se ele quiser... Não é justo! Depois de tudo que passamos, morrer aqui?
– Você deveria ter mais fé em seus companheiros – falou uma voz feminina às suas costas.
Parada logo abaixo do umbral que conduzia novamente de volta ao interior do Palácio Imperial estava a jovem Sacerdotisa Lily, com ambas as mãos entrelaçadas na altura do peito como quem faz uma prece.
– Você por acaso tem o poder de ler mentes também? – perguntou a Saiyajin, olhando rapidamente para Lily, voltando novamente seus olhos para a batalha.
– Não. Mas nem preciso. Você não consegue esconder a sua aflição. A luta só está começando, mas ao que parece... você já desistiu.
– Olha aqui garota, não me entenda mal – Mahala rosnou, ríspida e irritada – mas não é uma questão de ter ou não ter fé! Aqueles dois já me mostraram diversas vezes o significado da palavra superação, mas vamos encarar os fatos: o adversário é forte demais! Nós não somos páreo para todo este poder!
As palavras de Mahala se provavam cada vez mais verdadeiras, à medida que o combate ia virando-se cada vez mais a favor do líder Krüger. Sem muitos esforços, ele deteve um poderoso soco de Spark voltando a seu rosto utilizando a palma da própria mão, desviando-o de sua trajetória original e em seguida afundando o corpo para a lateral esquerda, acertando as costas do Super Saiyajin com a sola do pé e o lançando longe graças à força da pancada. O corpo do guerreiro atingiu em cheio Asus, que estava se reerguendo após ter sido derrubado, ambos tombando no chão em meio a um baque úmido. A chuva continuava a cair forte, e ia lavando o sangue que já escorria no rosto de ambos os Saiyajins.
Com dificuldades, eles se levantaram novamente. Precisavam ser mais estratégicos, em vez de simplesmente ir para cima de um inimigo que havia se provado mais do que capaz de evitar golpes diretos, e eles sabiam muito bem disso. Apenas uma troca de olhares foi suficiente para que os dois guerreiros, já bastante familiarizados com batalhas bolassem um estratagema de luta. Spark se atirou contra Schutz, de punho fechado e armando um soco contra o adversário. Estando perto o suficiente para atingi-lo, no entanto, seu corpo pareceu se dissolver no ar, em meio ao que se assemelhava muito a uma miragem. O zanzoken pegou o Krüger desprevenido, que procurou Spark com os olhos, erguendo a cabeça. Havia feito uma suposição correta, Saiyajin havia realmente desviando-se de sua trajetória se elevando ao ar. No entanto, um estrondoso soco explodiu no rosto de Schutz, desferido por Asus que viera logo em seguida. Impiedosamente, ele lançou mais uma saraivada de golpes no oponente pego desprevenido, todos os golpes acertando em cheio tornando aquela uma magnífica sequência de acertos que fora finalizada com um chute na lateral de sua cabeça, mandando-o diretamente contra uma das paredes do castelo. Os dois Saiyajins ainda dispararam duas poderosas ondas de energia contra Schutz, causando um enorme estouro e uma grossa cortina de fumaça.
– Conseguimos! – exclamou Spark, socando o ar de alegria e sorrindo.
– Agora pegamos ele... – Asus concordou satisfeito.
No entanto, a alegria durou pouco. Mesmo tendo sido severamente atingido por todos os golpes e ainda as explosões de energia, Schutz não parecia ter tido nenhum ferimento que passasse do nível superficial. Ele deu um passo à frente, saindo do meio da fumaça que o cercava e limpou um pequeno filete de sangue púrpura que lhe escorria da boca com as costas de uma das mãos. Ele olhou incrédulo para a mancha de sangue, como se aquilo nunca tivesse ocorrido antes em toda sua vida. E agora, mais do que nunca, parecia extremamente irritado.
– Devo parabeniza-los, Saiyajins – ele disse, com uma expressão séria e ameaçadora – Em toda minha vida, apenas durante os treinamentos com meu pai e também na luta contra Khan que eu fui ferido. Agora está claro porque Totenkopf e Himmler foram vencidos por vocês. Mas não pensei que abrindo um corte em minha boca irão vencer esta luta. Vocês são vermes impertinentes... e serão exterminados por isso! Agora!!
Foi a vez de Schutz avançar, surgindo instantaneamente diante de Spark e segurando-o pela gola de seu uniforme. Acertou-lhe uma fortíssima cabeçada na testa, imediatamente abrindo uma ferida por onde escorreu sangue desenfreadamente. Não contente com isto, o castigou com mais alguns socos no rosto e uma joelhada no estômago. Em seguida o lançou longe novamente contra o chão, abrindo desta vez uma cratera em meio ao mármore polido repleto d’água da chuva. Partiu contra Asus, que foi capaz de bloquear o primeiro soco fechando ambos os braços em frente ao rosto, no entanto um estalado som irrompeu no ar, denunciando uma fratura nos ossos do antebraço que recebeu todo o impacto do golpe, neste caso o esquerdo. Ele gritou de dor, baixando a guarda por um instante que foi suficiente para que recebesse uma forte cotovelada no rosto e outros tantos socos por toda a cabeça e peito. O Krüger finalizou sua sequência de golpes chutando o Saiyajin na altura da garganta, que além de fazê-lo ficar sem ar, o arremessou longe pelo chão, seu corpo arrebentando o parapeito que delimitava o fim do pátio do Palácio e aparentemente despencando do enorme penhasco onde este havia sido construído.
– Isso já é demais! – Mahala exclamou, em desespero – Eu vou ajuda-los!
Lily fez menção de impedi-la, mas era tarde demais. Já havia se envolvido por sua aura de energia e se lançado contra o oponente, num ataque rudimentar e previsível e antes que sequer chegasse perto o bastante de Schutz para que pudesse fazer algo contra ele, foi repelida com um poderoso disparo de energia, que além de tê-la ferido bastante e fragmentado grande parte do peitoral de sua armadura Saiyajin, lançou seu corpo exatamente ao mesmo lugar de onde havia partido.
– Não se meta nesta luta, mulher. – sibilou o líder dos Krügers em meio a um olhar frio — Você pode até ser poderosa diante dos demais de sua espécie, mas nesta luta você não é nada além de um peso morto. Acabarei com você assim que destruir seus amigos. Como eu disse, não sobrará nada de nenhum de vocês três.
Ela não pôde fazer nada para sequer contra argumentar. Estava fraca e cansada e este último dano sofrido realmente havia feito muito estrago. Se limitou a fechar os próprios olhos, sentindo a água fria da chuva cair sobre sua face e seu corpo. A guerreira, cujo espírito combativo sempre fora tão elevado, estava a um passo de entregar os pontos e desistir.
Schutz então virou-se para Spark, o único que ainda fazia esforços para se levantar e se manter na luta, deixando para trás o corpo moribundo da Saiyajin. Ele estava visivelmente abatido, com um de seus olhos ligeiramente mais fechado do que o outro e com uma grande quantidade de sangue escorrendo de sua testa. Suas pernas fraquejavam e seu corpo tremia de fraqueza e frio, mas ainda assim se erguia para o combate. Ele iniciou uma corrida em direção à Schutz, armando um soco, mas antes de sequer conseguir desferi-lo foi atingido por outro, um gancho em seu queixo que o fez cambalear para trás e cuspir um pouco de sangue. Um outro murro o atingiu no estômago, o punho agora perfurando a armadura negra do jovem Saiyajin que caiu para trás, sentado no chão molhado. O maligno Krüger o observou com desprezo enquanto ele tentava se levantar mais uma vez, rastejando para trás num fútil movimento para evitar algum golpe que lhe fosse lançado.
– Você é um inseto bem resistente, moleque – disse o líder Krüger, com desprezo e desdém em sua voz – Mesmo estando diante da morte certa, você não se rende e insiste em continuar a ser massacrado. Eu admiro sua coragem, mas isso não passa de ignorância. Você apenas prolonga seu sofrimento com essa atitude.
– Eu não preciso... de sua falsa benevolência, seu animal! – o garoto devolveu, colocando-se precariamente de pé uma vez mais.
Schutz avançou outra vez, segurando Spark pelo rosto e afundando sua cabeça contra o chão, abrindo outra cratera no mesmo. Ainda o segurando pela face o jogou para o alto, elevando-se no ar instantaneamente para trás do garoto e segurando ambos os seus braços, colocando-o numa posição que lembrava um crucifixo e afundando o joelho no meio de sua coluna. Spark gritou de dor a plenos pulmões, incapaz de fazer qualquer coisa para reagir. Sentia a pressão do joelho de seu inimigo aumentando cada vez mais contra sua espinha dorsal e sabia que se continuasse preso naquele golpe, terminaria aleijado. Ele fechou os olhos, e num movimento feito por puro instinto ele impulsionou o próprio corpo para cima, acertando o rosto de Schutz com o próprio joelho e se libertando daquele golpe terrível. Ele se permitiu cair sem nem ao menos tentar flutuar, utilizando seu ki para disparar uma poderosa rajada dourada contra o adversário, que estando atordoado com o golpe que sofrera anteriormente, acabou recebendo o disparo em cheio. O corpo do jovem Saiyajin acertou o chão do pátio, ao mesmo tempo em que ele dava mais um gemido de dor. Schutz olhou para ele após se recompor do disparo, disposto a rasga-lo em dois e desceu do ar mirando o joelho diretamente no tronco de Spark. E faltando poucos centímetros para ele poder alcançar seu objetivo, foi atingido por outra rajada de energia dourada, em seu próprio rosto que o derrubou no chão. Asus estava de pé, diante do peitoril arruinado, com uma das mãos erguidas no ar.
– Não pense que só isso vai ser capaz de me tirar do combate, miserável! – gritou o orgulhoso guerreiro Saiyajin – Eu não vou desistir desta luta com tão pouco! Agora venha até aqui e me acerte como um homem se puder!
Schutz já estava farto daquilo. Porque aqueles Saiyajins simplesmente não morriam? Aqueles seres irritantes e desprezíveis só lhe causavam dor de cabeça e pareciam sempre ressurgir do nada para lançar ataques não previstos que o pegavam desprevenido. Aquilo tinha de acabar e ele faria o possível para que isso acontecesse.
Ele se levantou, com uma grande queimadura do lado direito de sua face e sem dizer nada avançou novamente contra Asus, deslocando-se no ar em alta velocidade e desferindo uma potente voadora. O Saiyajin saltou para o lado, evitando aquele poderoso golpe bem a tempo de ver o chão onde estava ser reduzido à escombros. Naquele instante, teve certeza de que não gostaria de ser atingido por mais nenhum golpe daquele adversário tão poderoso. Ele revidou, investindo contra Schutz e lançando uma inesperada sequência de socos e chutes que fora defendida completamente, mesmo ele tendo sido surpreendido. E antes que fosse atingido por algum contragolpe do Krüger, Asus saltou, tocando o chão com ambas as mãos e lançando-se de para trás em meio a uma cambalhota no ar. Em seguida, concentrou uma esfera de energia na mão direita, que tinha uma tonalidade alaranjada, como um pequenino sol que ardia fortemente.
– Quero ver como é que você se sai depois de receber este golpe, Schutz! Essa é a técnica mais forte de Asus, o mais poderoso Super Saiyajin deste planeta! Prepare-se para ser reduzido a pó com todo o poder de meu golpe!
A esfera cresceu numa velocidade absurda, ganhando proporções gigantescas num piscar de olhos. Em seguida o Saiyajin a lançou contra seu inimigo, e ela se deslocou numa velocidade extremamente elevada, apesar de seu tamanho.
– Receba a minha técnica suprema! Impacto Solar!
A enorme esfera, mesmo estando elevada diversos metros acima do chão, ainda assim ia criando um rastro de danos pelas pedras polidas do pátio, atingindo em cheio o alvo. Schutz havia erguido ambas as mãos e tentava conter aquela técnica espantosamente poderosa, fincando ambos os pés no chão molhado inutilmente. Seu corpo foi arrastado pela enorme esfera laranja, elevando-se aos céus levando consigo o corpo do adversário incapaz de poder segurar toda aquela energia e se distanciando cada vez mais do Palácio Imperial. Asus então ajoelhou-se, saboreando sua aparente vitória enquanto ofegava. E então, regrediu à forma básica da transformação do Super Saiyajin, a fim de poupar suas energias.
* * *
Quando o orgulhoso Saiyajin se colocou de pé novamente, ele caminhou em direção à sua companheira ferida. Ela estava fraca e mal respirava graças aos seus ferimentos. Quando chegou ao lado do corpo de Mahala, ele viu Lily com uma expressão preocupadíssima.
– Asus, eu sinto muito – disse a Sacerdotisa – Mas depois de todo o desgaste de hoje, eu não tenho forças suficientes para sarar as feridas dela por completo. Eu fiz tudo que eu pude, mas acho que no máximo pude amenizar um pouco a sua dor.
– Não se preocupe com isso – disse o Saiyajin, colocando a mão por dentro do peitoral altamente danificado de sua armadura e puxando uma pequenina esfera que parecia ser feita de cristal – Graças à proteção desta roupa de batalha, a Lágrima do Dragão ainda está inteira. Dê a ela, logo ela estará bem.
Os olhos de Lily brilharam de alegria diante daquilo. Imediatamente, ela pôs a esfera na mão ferida de Mahala e a apertou com força. A Saiyajin foi envolvida pelo brilho verde esmeralda e suas feridas imediatamente sararam. Mesmo tendo soltado a mão de Mahala o mais rápido possível, Lily também foi brevemente envolvida pelo poder curativo da Lágrima do Dragão.
Mahala sentou-se imediatamente, procurando por Schutz Stafell numa reação muito parecida com a de Asus ao ser curado por Lily, horas atrás. Ela olhou ao redor, dando falta do adversário e vendo o estado de Asus e de Spark, que agora também havia se levantado e caminhava em sua direção.
– Onde...? Onde está ele? Vocês o venceram?
– Não se preocupe com Schutz, Mahala – falou Spark, sorridente – Asus foi incrível! Ele lançou uma poderosa técnica que mandou aquele desgraçado para longe! Duvido que ele esteja inteiro depois dessa!
Asus, no entanto, não parecia tão tranquilo. Ele caminhou até Lily, parando diante dela.
– Garota, acha que tem energia suficiente para concertar o meu braço? – ele perguntou, sério.
– Acho que sim... Mesmo estando esgotada, acho que posso reparar uma fratura. Tem alguma coisa errada, Asus?
– Sim. Ele vai voltar. Essa luta ainda não acabou.
Todos olharam para ele, sem entender. Ele logo se adiantou em explicar, afim de não perder tempo.
– A minha técnica do Impacto Solar consiste em uma poderosa explosão atômica, que além de obviamente fazer um estrondo ensurdecedor causa um enorme clarão de luz branca. Alguém aí por acaso viu isso acontecer?
Spark foi o primeiro a se pronunciar, compreendendo o que Asus queria dizer.
– Então... Você está dizendo que ele de alguma forma conseguiu conter a sua técnica?
– Isso é óbvio. Se tivermos sorte, ele ainda estará sendo arrastado para longe pela minha esfera de energia, mas não se enganem. Ele vai conseguir se livrar dela e vai voltar para nos massacrar. Enquanto isso, em vez de perdermos tempo conversando é melhor nos prepararmos. Agora ande logo, garota, e cure meu braço de uma vez!
Lily não hesitou em obedecer, estendendo ambas as mãos em direção ao braço esquerdo e envolvendo-o com sua magia curativa. O Saiyajin sentiu um leve formigamento e um calor percorrendo seu membro e em seguida estava curado. Não havia mais fratura alguma. Lily então caiu sentada, com uma expressão de exaustão em seu rosto.
– Me desculpem – ela disse, em meio a um sorriso amarelo – Mas não tenho mais forças para curar o resto de suas feridas... Vocês terão de prosseguir o combate como estão.
– Será suficiente – respondeu Asus, seco – Ele deve ter gasto muita energia contendo meu Impacto Solar. Quando voltar aqui para acertar as contas conosco, com certeza não será mais o mesmo. E aí, vamos pegá-lo!
Spark aproveitou-se do breve intervalo da batalha para beber um gole d’água na fonte do pátio. Estava bastante ferido e exausto e tudo que queria era aquela luta tivesse chegado ao fim. Mas sabia que aquilo ainda não aconteceria, pois já conseguia sentir o ki de Schutz se aproximar novamente do Palácio. Agora só uma questão de pouco tempo para que a luta reiniciasse.
– Mahala – falou o jovem Saiyajin, se aproximando novamente da amiga – Por favor, sei que você ainda quer lutar, mas vou pedir para que deixe a luta nas minhas mãos e nas de Asus. Schutz Stafell não é um adversário que você possa enfrentar, mesmo com a nossa ajuda. Em vez disso, proteja a Lily, sim?
– Heh, você está certo – ela consentiu, sorrindo diante de sua impotência – Me dói o orgulho ter que admitir isso, mas eu não creio que eu tenha forças para lutar contra ele. Se vocês que são Super Saiyajins já estão levando uma surra, não sou eu que vou conseguir vencê-lo. Pode deixar Spark, eu irei proteger a garota a todo custo.
Spark sorriu, contente com a decisão da amiga. Poderia lutar agora mais sossegado, sabendo que Mahala e Lily não se envolveriam mais naquela luta. O bem estar das duas era algo que ele prezava bastante e definitivamente não iria querer que nenhuma das duas se ferisse ainda mais nas mãos daquele maldoso inimigo.
Asus, que estava até então de braços cruzados, adiantou-se alguns passos e focou seus olhos numa direção fixa. E em seguida anunciou, sem muita emoção.
– Ele chegou.
Num velocíssimo movimento, Schutz Stafell aterrissou diante dos dois Saiyajins, olhando-os diretamente nos olhos.
– Aquela foi uma técnica muito perigosa... – ele disse, olhando de relance para as próprias mãos, agora repletas de queimaduras – Se tivesse sido atingido em cheio, com certeza teria me ferido gravemente. Não esperava que vocês pudessem ter tanto poder. De agora em diante, lutarei mais a sério.
Spark e Asus não podiam acreditar no que viam. Embora estivesse com as palmas das mãos feridas, Schutz Stafell não estava nem um pouco cansado ou ferido. Parecia impossível, mas mesmo o Impacto Solar de Asus, uma técnica tão poderosa, não fora capaz de sequer enfraquecer aquele adversário.
– Maldito...! Será possível que nada pode pará-lo!? – exclamou o jovem Saiyajin bondoso sem conseguir aceitar o que seus olhos viam.
– Este homem é um monstro do inferno... Nunca pensei que ele pudesse ser tão forte... – concordou seu rival, tão surpreso quanto – Esta luta vai ser muito mais difícil para nós agora do que eu esperava... Spark, é bom que você não contenha seu poder, ou estaremos perdidos!
Os dois liberaram seus kis, sendo envolvidos pelas respectivas auras douradas. Spark exprimiu todo seu poder, enquanto Asus voltava ao nível avançado do Super Saiyajin. A batalha estava prestes a ser reiniciada.
Sem avisar, Schutz investiu diretamente contra Asus, numa velocidade espantosa e acima do normal, o acertando um fortíssimo soco no estômago sem ao menos dar chances para o Saiyajin se defender. A força do golpe foi tanta que, além de ter cuspido uma grande quantidade de sangue imediatamente, Asus tombou de joelhos, segurando a barriga com ambas as mãos e sem ar. O líder Krüger ainda o atingiu novamente, com um golpe com a lateral da mão em seu pescoço, o atirando para longe, seu corpo rolando pelo chão como se ele fosse um reles boneco de pano. Spark então avançou contra Schutz e desferiu um potente soco, mas este foi facilmente evitado. O líder dos Krügers se limitou a se deslocar um pouco mais para trás, num movimento quase instantâneo. O jovem Saiyajin tentou novamente, obtendo o mesmo resultado, só que desta vez Schutz desviou-se para o lado.
– Maldito! Fique parado e lute!! – ele esbravejou, indo para cima uma terceira vez.
Schutz evitou o outro ataque de Spark, mas desta vez devolveu a gentileza, acertando-o no estômago com uma joelhada que o mandou alguns metros acima, ressurgindo às costas do guerreiro em menos de um piscar de olhos e o castigando com uma cotovelada, que o mandou de volta ao chão onde permaneceu de bruços. E antes que sequer pudesse se levantar, foi atingido por um pisão nas costas que causou enormes rachaduras por todo o chão. Spark gritou de dor, enquanto uma grande quantidade de sangue saltava de sua boca e se espalhava em meio à água de chuva empoçada. Schutz ainda o ergueu pelos cabelos, o jovem Saiyajin já não oferecendo mais resistência alguma e o socou nas costas, acertando seu rim. E aquele era apenas o primeiro, de uma longa sucessão de golpes.
A cada soco que tomava, Spark gritava mais. Seus olhos estavam arregalados e de sua boca escorria o sague de suas próprias hemorragias internas. Mesmo assim, o Krüger não deixava de atingi-lo, por pura perversão. Schutz bateu por diversas vezes nas costas do garoto, até rachar a sua armadura por completo e em seguida o jogou longe, como um lixo qualquer.
Mahala e Lily não podiam acreditar naquilo. Ao que tudo indicava, aquela batalha havia terminado da pior forma possível: tanto Spark quanto Asus, as últimas esperanças da sobrevivência do planeta pareciam estar derrotados. O olhar da Sacerdotisa correu pelos dois combatentes que jaziam no chão, fazendo forças para se levantar, com seus corpos cobertos de feridas sangrentas e não conteve as próprias lágrimas.
Por favor! Deuses ouçam a minha súplica! Se este tiver de ser nosso fim, então aceitaremos isto de bom grado, mas por favor... Eu imploro, não deixem que estes dois sofram ainda mais! Eles já lutaram tanto...
– Como vocês podem ver – disse Schutz, parado diante de ambos os Super Saiyajins – apenas precisei lutar um pouco mais a sério para derrota-los sem sequer terem chances de reagir. Mas pagarão caro por sua impertinência e não vai mais gozar da minha misericórdia. Serão meus brinquedos até que eu perca o interesse, e sofrerão as piores dores de suas vidas em minhas mãos!
– Cala... essa boca... miserável! – balbuciou Spark, jogado no chão – Misericórdia...? Você...? Isso só não é piada porque não tem a menor graça...
Com muita dificuldade, ele se levantou novamente. Mal aguentava manter o corpo de pé, com a postura arqueada para frente e os braços caídos. Seu olho direito estava completamente fechado e o esquerdo, entreaberto.
– Olhe bem para você, criatura patética – falou Schutz com desprezo – Nem sequer consegue mais manter a própria postura, o que espera fazer contra mim? Já estou farto de vocês Saiyajins e desta luta idiota e sem graça, mas acima de tudo, eu já estou farto de você! Morra! Dê lembranças aos seus amigos quando chegar no Inferno!
Schutz Stafell ergueu a mão, disparando instantaneamente uma rajada de ki de cor púrpura contra Spark, que apenas a observou vir em sua direção. Não havia mais forças para esquivar, nem para rebater aquele ataque para longe. Mahala e Lily estavam distantes demais para poder fazer qualquer coisa para ajuda-lo e Asus ainda se contorcia pelo chão com a boca completamente suja de sangue. E então, veio o inevitável: a energia se chocou com o corpo do jovem Saiyajin indefeso, envolvendo-o numa explosão e lançando seu corpo à distância, metade da proteção do seu peito havia sido vaporizada. E quando tocou o chão molhado, seus cabelos já havia voltado a tonalidade preta de sempre e seus olhos estavam completamente brancos.
– Não... não é possível.... – Mahala exclamou, levando ambas as mãos à boca, enquanto Lily caia de joelhos e se entregava ao choro. Mas foi Asus quem deu o veredito final.
– Spark... ele está morto!
* * *
Eu... eu estou morto?
Era estranho não sentir mais nada. Flutuar no vazio sem ver, ouvir, sentir ou falar. A dor que envolvia cada centímetro de seu corpo havia finalmente o abandonado e suas feridas desaparecido. Mas agora se sentia no nada, como se fosse uma poeira no meio da imensidão do Universo.
Então, isso é morrer? Esta é a sensação de não estar mais vivo?
Suavemente, como uma pluma, seu corpo foi descendo até algo que parecia ser uma superfície. Estava agora de pé, no meio daquele nada, que lentamente foi ficando cada vez mais claro e quente, assumindo formas que antes não existiam. E então, quando menos esperava, lá estava no meio de um lindo campo aberto.
Era uma enorme planície, com relva à perder de vista. Haviam árvores com as folhas mais verdes e cheias de vida que Spark já tinha visto, além de uma enorme cachoeira de águas cristalinas. O céu era púrpura, coberto não de estrelas, mas de outros planetas e satélites menores. O mais incrível era como aquele lugar transmitia paz, uma paz que Spark já havia se esquecido.
– Seja bem vindo, nobre guerreiro Saiyajin – disse uma voz bondosa às suas costas, Spark virando-se imediatamente.
Um ser diferente estava parado diante dele, sorrindo. Era alto e tinha a pele roxa, longos cabelos brancos e brincos redondos nas suas orelhas pontiagudas. Vestia uma túnica vermelha com uma faixa laranja amarrada na cintura, por cima de vestes azul turquesa e calçava botas amarelas. Seu olhar transmitia apenas bons sentimentos.
– Quem...? Quem é você? – perguntou o confuso Saiyajin.
– Permita que eu me apresente. Sou o Supremo Senhor Kaioh da galáxia do Leste, ou simplesmente Kibitoshin. Sou o guardião supremo desta galáxia, e é meu dever protegê-la de ameaças extremas. Você está no Planeta Supremo, a morada de todos os Supremos Senhores Kaioh, e esta é uma honra para pouquíssimos seres vivos em toda a história do Universo.
– Mas... como eu vim parar aqui? Eu estava lutando contra Schutz Stafell em Omega-003 e a última coisa que me lembro é ter sido atingido em cheio... por acaso eu estou morto?
– Não ainda – Kibitoshin respondeu, em meio a um sorriso – Realmente você foi atingido por esta técnica e caiu na batalha, e embora tenhamos separado sua alma de seu corpo, você ainda não está morto.
– O que?! – berrou Spark, arregalando os olhos e caindo sentado para trás, incrédulo — Quer dizer que meu corpo ainda está lá e quem está aqui é a minha alma?! Mas que tipo de bruxaria é essa?!
– Ora meu jovem amigo, não se deve subestimar os poderes dos Supremos Kaiohs – ele tornou a rir – Mas na verdade, no momento que você foi atingido pelo golpe, sua alma saiu de seu corpo instantaneamente, sem a nossa intervenção. Você foi parar no que podemos chamar de limiar da vida e da morte.
– Limiar... da vida e da morte?
– Sim. Tenho certeza que você já ouviu dizer que pessoas quando escapam da morte por um triz costumam ver fenômenos estranhos, luzes brancas, prever o futuro ou mesmo visualizar o passado. Tudo isso caracteriza algo que as pessoas chamam de Experiência de Quase-Morte. E não é a primeira vez que você para neste limiar, Spark.
– É... você tem razão – Spark pensou, levando a mão esquerda ao queixo por alguns instantes – A primeira vez que eu vi isso foi há três anos, durante minha luta contra Asus, na arena da Fortaleza. Eu tive visões de um homem, um Saiyajin que decidia lutar contra Freeza e tentar impedir a destruição do Planeta Vegeta... mas ele era morto em vão. Vi também uma luta na Terra, entre Saiyajins e terráqueos. Um deles era um Namekuseijin. Mas a visão que mais me marcou foi a transformação de um guerreiro chamado Goku em Super Saiyajin, durante a batalha final contra Freeza... graças a estas visões, hoje eu sei que não somos os únicos Saiyajins no Universo e que quem quer que seja este Goku, ele é real e não uma lenda. No entanto eu nunca entendi o porque que eu tive essas visões naquele momento.
Kibitoshin sorriu novamente, tocando o ombro de Spark como se ele fosse um velho amigo seu.
– Tudo que você viu naquele dia, Spark, era real. E o motivo pelo qual você viu aquelas coisas foi porque eu queria prepara-lo para as batalhas que estavam por vir...
– Me preparar par as batalhas...? Então quer dizer que...?
– Sim. Foi graças a mim que você teve aquelas visões. Era imperativo que você pudesse compreender o que era exatamente o Super Saiyajin, como seria a transformação, além de te mostrar os danos que um tirano com poderes elevados pode causar ao Universo. Freeza foi um ser terrível, e definitivamente você não pode permitir que Schutz Stafell se torne um tirano similar.
– Eu?! Mas porque eu?! – Spark agora estava visivelmente irritado, tirando bruscamente a mão de Kibitoshin de seu próprio ombro – Pensei que você tivesse acabado de dizer que era o Supremo Guardião da Galáxia! Porque é que quando as coisas começaram a ficar feias em Omega-003 você não foi lá ajudar? Essa é a sua função!
– Ah, Spark... quem dera as coisas fossem assim tão fáceis... Mesmo nós, os Supremos Senhores Kaioh, seguimos regras. A menos que a crise ameace a existência de todas as formas de vida do Universo, nós não devemos nos intrometer. Mas isso não significa que eu esteja sendo negligente com meu cargo. Por isso escolhi você.
Spark deu de ombros, virando-se de costas para Kibitoshin por um momento e olhando o belo planeta ao seu redor, travando os punhos ao pensar que era igual ao que foi, um dia, o mundo dos Kelfos. Agora, Omega-003 era um palco de matanças.
– Mas de que adianta agora? Eu estou semimorto, com minha alma num Planeta que eu não faço ideia de onde é enquanto meu corpo está jogado no chão. Mesmo que você me mande de volta, nem eu nem Asus temos poder suficiente para lutar contra Schutz. Que herói eu fui, não? Você deve estar desapontado...
– Não... eu não estou, Spark. Na verdade, eu estou orgulhoso de você, de até onde você chegou e acima de tudo, orgulhoso de seu bom coração. Você e Goku tem muitas qualidades em comum. Tenho certeza que ele também estaria orgulhoso de você se estivesse aqui.
– Pela forma como você fala, é como se você o conhecesse... – observou Spark, olhando Kibitoshin nos olhos, levemente desconfiado.
– Heh... Vamos dizer que eu e ele já nos encontramos no passado – o Supremo Kaioh sorriu, fechando os olhos por um momento.
– Então porque não chama ele para nos ajudar? Porque você não usa algum de seus poderes Supremos e chama pela ajuda de Goku? Ele é o guerreiro que derrotou Freeza, com certeza ele poderia nos ajudar!
Kibitoshin não respondeu nada, em vez disso apenas sorriu e cruzou os braços, olhando por cima do ombro de Spark. E então, uma voz feminina falou às costas do jovem Saiyajin, uma voz que fez com que ele sentisse um inesperado frio na barriga.
– Mas será possível moleque, que até aqui no Outro Mundo você só faz reclamar?
O tom de voz autoritário era único. E ao virar-se de frente, Spark se encheu de alegria na mesma proporção que seus olhos se encheram d’água, ao contemplar a imagem da instrutora Saiyajin de cabelos azulados, trajando sua armadura de batalha favorita.
– Mestra Lenia!! É você mesmo!!
Lenia sorriu, de braços cruzados. Havia uma auréola dourada pairando alguns centímetros acima de sua cabeça, e ela estava acompanhada por uma velha bruxa baixinha que estava sentada em cima de uma bola de cristal.
– Sim, é claro que sou eu! – respondeu a Saiyajin, que ao contrário de Spark, continha a própria emoção muito bem – Você tem lutado muito bem, garoto. Todos nós estivemos assistindo suas lutas daqui e vou dizer, estou muito orgulhosa de você. Só que agora não é o momento para que você simplesmente abaixe a guarda e pare de lutar. Você ainda tem que vencer Schutz Stafell e vingar todos os inocentes que foram mortos em Omega-003 por aqueles monstros.
– Mas Mestra Lenia... eu não consigo! Por mais que eu tente ataca-lo, Schutz Stafell é mais poderoso do que eu e Asus lutando juntos! Não somos páreo para ele, estamos perdidos!
– Seu moleque preguiçoso! Por acaso você se esqueceu? Os poderes dos Saiyajins alcançam níveis inimagináveis! O inferno onde eu estou agora está transbordando de seres poderosos que foram vencidos por Saiyajins! Este tal Goku que você tanto idolatra despachou uma grande quantidade de bandidos lá pra baixo também.
Por mais que aquele assunto fosse sério, Spark não conseguiu deixar de cair para trás ao ouvir a palavra “inferno”, para a surpresa de Kibitoshin. Ele se levantou o mais rápido possível, não conseguindo disfarçar a sua expressão de espanto.
– Quer dizer que... você foi parar no inferno, Mestra Lenia?!
– Ora garoto, e qual é o espanto? – ela cruzou os braços novamente, desta vez fechando os olhos – Eu nunca fui uma santa desde jovem, e também trabalhei para Freeza antes dele destruir nosso planeta como todos os demais de nossa espécie, sendo assim eu dizimei planetas inteiros juntamente com Tank nesta época. Mesmo eu tendo deixado de matar e ainda ter passado anos sendo uma mãe substituta para você, isso não me absolve da minha vida de crimes. Mas até que não é tão ruim... já no primeiro dia eu, Tank e alguns outros Saiyajins andamos acertando as contas com Freeza e até mesmo reencontramos o Rei Vegeta por lá.
Spark continuava um tanto quanto chocado com aquelas revelações, embora Lenia tivesse dado um leve sorriso de satisfação, principalmente no momento em que ela dizia ter lutado contra Freeza. No entanto, Kibitoshin o trouxe de volta ao foco da conversa.
– Ouça Spark... o motivo pelo qual eu te trouxe aqui foi para que você se enchesse novamente de esperança para poder vencer o combate e não se esquecer da maior dádiva que cerca a sua raça: o poder dos Super Saiyajins não tem limites.
– Sim, ele está certo – Lenia concordou, continuando do ponto onde o Supremo Senhor Kaioh havia parado – Você e Asus são os dois guerreiros mais poderosos que eu conheci em vida, e foi exatamente isso que eu disse antes de me sacrificar por vocês dois. Agora é chegado o momento em que você vai fazer valer este sacrifício Spark. Busque a força dentro de você e aumente seu poder de forma inexplicável como você andou fazendo durante toda a sua vida. Faça seu espírito arder em chamas e lute com seus sentimentos. Lute com paixão. E eu tenho certeza que nenhum adversário neste Universo será páreo para você.
A vontade de Spark era de abraçar Lenia com todas as suas forças, e mostrar a ela o quanto ele era grato pelas lições que lhe foram passadas, mas ele se conteve. Se limitou a acenar positivamente com a cabeça para sua mestra, sorrindo confiante.
– Não vou te decepcionar, Mestra! Nem a você, nem ao Senhor Kibitoshin! Eu vou vencer esta luta nem que seja a última coisa que eu faça!
– É assim que eu quero te ouvir falando – a instrutora sorriu satisfeita.
– Bom, está na hora de você voltar Spark. – falou o Supremo Kaioh, tão satisfeito quanto Lenia — Estaremos contando com você, e te olharemos daqui deste mundo. Vovó Uranai, poderia levar a alma de Spark de volta ao seu corpo, por favor?
– Como quiser, Kibitoshin. – respondeu a velha bruxa, abrindo a boca pela primeira vez desde que havia chegado com a alma de Lenia – Vamos garoto. Isto só vai levar um breve instante.
Ela tocou o braço de Spark com uma mão e o ombro de Lenia com a outra e então sumiram os três num piscar de olhos, deixando Kibitoshin sozinho novamente no Planeta Supremo. Em seguida, outro ser muito parecido com o Supremo Senhor Kaioh saiu detrás de uma árvore próxima. Ele era velho e baixinho, andava com uma postura meio arqueada e possuía um pequenino bigode. Também era roxo e com orelhas pontiagudas mas não possuía longos cabelos. Em vez disso, havia um pequenino moicano em sua cabeça. Sua túnica também era diferente, azul marinho em vez de vermelha, mas as vestes turquesa eram bem similares.
– Então ‘cê acha que esse moleque aí dá conta sozinho do tal do Schutz Stafell? Ele pode até ser Super Saiyajin mas não é nenhum Goku não! – disse o velho, numa forma de falar que às vezes soava um tanto cômica.
– Ah! Supremo Senhor Kaioh de Quinze Gerações Passadas, não sabia que estava aí...
– Eu estive aqui o tempo todo vigiando ‘cês dois aí. Mas então meu filho, para de me enrolar e fala logo, acha mesmo que esse menino consegue vencer o Krüger ou não?
– Se ele vai conseguir vencer a luta... isso eu não sei. Mas que ele pode vencer, disso eu não tenho dúvidas. O senhor disse que ele não é o Goku e realmente... tanto em níveis de maturidade como guerreiro e nível de poder, eles estão mesmo bem distantes um do outro... mas Spark possui um coração bondoso que zela pelas pessoas. E por mais que os Saiyajins aumentem seu poder da raiva que sentem durante as lutas, o poder de Spark flui diretamente de seu coração. E é por isso que eu acredito na vitória dele.
O velho Kaioh deu um muxoxo, saindo de perto de Kibitoshin andando em sua postura arqueada e com as mãos atrás das costas.
– Em vez de a gente perder tempo imaginando as coisas, vamo logo assistir a luta então, homem! Trás a bola de cristal pra cá e vamo ver isso... se você bota tanta fé no menino, eu quero ver como vai ser o desfecho dessa luta.
* * *
O corpo de Asus foi lançado violentamente contra uma das paredes do Palácio, muitos metros acima do chão. Estava em seu limite, com o corpo coberto de escoriações e feridas e já sem nada de sua proteção peitoral. Mesmo assim, ainda era castigado por diversos socos na barriga enquanto cuspia mais e mais sangue. Seu corpo era cada vez mais forçado contra a poderosa parede de pedras, que ia trincando cada vez que o Saiyajin era atingido por um golpe.
Schutz deteve sua sequência, seus olhos deslizando desde a figura precária de Asus até a parede da construção, que exibia diversas rachaduras.
– Então este realmente é um Palácio virtualmente indestrutível... – ele observou, enquanto segurava Asus pela garganta – Ouvi rumores de meu pai, que dizia que este lugar havia sido enfeitiçado por todo tipo de magia para que resistisse eternamente. Mesmo sendo os Kelfos uma raça pacífica, eles se prepararam para eventuais problemas... Possivelmente depois da primeira Grande Guerra.
Asus deu um gemido fraco de dor, enquanto deixava escorrer da boca um misto de saliva e sangue misturados. Seus olhos estavam quase fechando graças a exaustão física, mas mesmo assim ele se mantinha transformado em Super Saiyajin. Seu orgulho o impedia de se render, embora agora já não pudesse fazer nada para lutar. Schutz o olhou com desdém e nojo, quando a consistente e viscosa mistura vermelha escorreu da boca de Asus e caiu em sua mão e apertou seu pescoço com ainda mais força, antes de acertar mais uma joelhada em seu estômago com toda a força e soltá-lo para que despencasse do céu como uma pedra. Ao atingir o chão novamente, os cabelos de Asus assumiram a tonalidade escura de sempre. Estava completamente esgotado e sem forças.
– Mas que droga... nós perdemos... – lamentou-se Mahala, ao ver Schutz descer lentamente do ar em direção ao vencido Asus, possivelmente se preparando para o golpe final – Se ao menos eu fosse mais forte... droga, será possível que não há nada que eu possa fazer?
Lily ainda estava de joelhos, com lágrimas nos olhos, quando de repente se virou bruscamente em direção ao corpo aparentemente sem vida de Spark, que ainda jazia exatamente no mesmo lugar, com ambos os olhos totalmente brancos. Ela olhou para ele, caído, e em seguida olhou para Asus, que mal conseguia respirar. Olhou novamente para Spark e desta vez virou-se para Mahala. E em seguida, se colocou novamente de pé.
– Talvez tenha algo... que nós duas possamos fazer – disse a Sacerdotisa, cujo tom de voz transmitia que ela havia encontrando um último recurso e apostaria tudo nele – Preciso que você distraia Schutz o máximo de tempo possível, enquanto eu vou trazer Spark de volta à luta.
– Spark? Mas ele está morto! — Mahala replicou – Por acaso você pode ressuscitar os mortos?
– Por um momento eu também achei isso, mas... eu senti! É como se a vida que tivesse abandonado seu corpo por um tempo tivesse retornado! Ouça, não podemos perder tempo. O corpo de Spark está bastante ferido, se não fizermos nada ele vai morrer graças aos seus machucados! Apenas faça o que eu pedi, e pode deixar Spark comigo!
– Mas e quanto a você? Pensei que não tivesse mais forças para curar feridas.
– Já disse que não precisa se preocupar, apenas deixe Spark comigo! Eu não pude ser muito útil durante esta Guerra, na verdade eu não tenho forças para sequer fazer algo pela minha própria proteção. Mas, se eu puder mudar o rumo desta luta e assim salvar o destino deste Planeta... eu farei sem me importar com as consequências! Agora vai, não perca mais tempo!
Mahala finalmente consentiu. Liberou todo o ki que ainda tinha em seu corpo, se envolvendo com sua aura transparente e projetou seu próprio corpo em direção à Schutz, parando diante dele com a postura de combate erguida.
– Porque você não vem lutar contra alguém que possa pelo menos esquivar dos seus golpes, seu miserável? – ela gritou,
– Então você ainda tem forças para ficar falando asneiras por aí? Engraçado, minutos atrás eu pensei que tivesse te matado... como você consegue se manter em pé? Por acaso... teria sido aquela intrometida da Sacerdotisa que curou você?
Schutz direcionou seu olhar em direção à Lily, que estava correndo em direção a Spark, mas Mahala se colocou no meio do caminho.
– É a mim que você quer!
Em seguida, se lançou contra o oponente, desferindo uma veloz sequência de golpes que foi facilmente evitada pelo líder Krüger, que esquivava com ambos os braços cruzados para poder ridiculariza-la ainda mais. Mas a jovem Saiyajin não se importava com isto. Sua missão agora era apenas ganhar tempo para Lily.
A Sacerdotisa alcançou o corpo prostrado de Spark. Seu estado era lastimável, mas ela não tinha tempo para se compadecer pelos ferimentos do rapaz. Era chegada a hora de trazê-lo de volta. Estava depositando toda a sua fé, assim como sua vida naquele que ela mais amava, e tudo que ela queria acreditar naquele momento é que ele faria a diferença no combate final.
Spark... eu sei que você queria muito poder viver numa era de paz ao meu lado, ou pelo menos queria que eu tivesse conseguido ver esta era chegar... mas agora, já não há mais outra alternativa. Eu sei que você irá vencer, como você sempre venceu todos os seus adversários... espero que possa me perdoar por não estar mais aqui, mas eu estarei sempre olhando você do Outro Mundo!
Num gesto gentil e amável, Lily repousou ambas as mãos sobre o peito ferido de Spark, fechando então os olhos e tentando não prestar atenção nos sons de pancadas e nos gemidos de dor femininos que irrompiam no ar. Em vez disso, se concentrou com todo seu espírito na tarefa de curar o enfermo Saiyajin no chão. Logo, as palmas de suas mãos começaram a brilhar, primeiro fracamente para em seguida ir aumentando em potência, até envolver todo o corpo de Spark numa luz esverdeada. Ela estava trêmula e fraca, e mesmo com a chuva fria que não dava um instante de trégua sequer, Lily estava conseguindo suar. Sentia as próprias forças se esvaindo, mas ainda assim não poderia se render ao cansaço e a exaustão. E quando finalmente acumulou toda a quantidade de energia que possuía, ela utilizou sua técnica de cura, em meio à um grito:
– Volte à vida, Spark!
O brilho verde ficou ainda mais intenso e por um instante, o ki de Lily ardeu como nunca antes em toda sua vida. A luz de sua técnica de cura fora tanta que foi suficiente para desviar a atenção de ambos Schutz e Mahala, que olharam em direção à Sacerdotisa Kelfo que entregava todas as suas forças ao jovem Saiyajin. E após um breve momento de silêncio, eis que o corpo do jovem guerreiro voltou a se mexer.
Primeiro foram as mãos, em seguida ele fechou novamente os olhos que haviam estado abertos durante todo este tempo, para então reabri-los e ter a turva visão de Lily, pálida e completamente exaurida de todas as forças do próprio corpo. Uma sensação tão familiar para Spark, recuperar-se de feridas mortais graças aquela linda garota Kelfa. Exatamente como fora há três anos atrás.
Ambos sorriram um para o outro e em seguida Lily tombou por cima do corpo ainda muito machucado do Saiyajin. Ela havia curado suas feridas mortais, mas Spark estava longe de estar sequer cinquenta por cento recuperado. Ele deu um gemido de dor ao receber o peso da Kelfo por cima de si, mas mesmo assim a abraçou com firmeza. Ele não sabia ao certo ainda o que havia acontecido, e em sua cabeça ele tentava distinguir o que poderia ser real ou não, entre o ataque que havia recebido de Schutz Stafell, o encontro com o Supremo Senhor Kaioh e com sua Mestra Lenia no Outro Mundo, entretanto a única coisa que importava naquele instante era o fato de Lily estar caída sobre ele. E seu ki enfraquecendo à cada pulsação.
Notas finais
É com algum atraso - mas ainda assim com muito orgulho - que eu disponibilizo o décimo segundo capítulo de A Grande Guerra!
Eis o penúltimo capítulo. Agora que a fic finalmente está chegando ao fim, estou escrevendo os capítulos com mais calma. Como é de costume para mim, eu sempre busco assistir episódios marcantes e filmes memoráveis para poder ganhar inspiração. Eu havia dito no final do capítulo anterior que gostaria muito de inserir um pouco do feeling da batalha contra Freeza nesta luta final, então andei re-assistindo os episódios da luta de Goku. Também assisti os dois últimos filmes de Broly para poder ganhar inspiração para alguns movimentos de batalha, e o resultado está aí. Está me dando um gostoso trabalho, escrever estes últimos capítulos e espero que meus esforços sejam recompensados: tomara que eu consiga agradar a todos vocês que acompanham a fic.
A novidade deste capítulo foi a presença de alguns personagens da série oficial que embora secundários, mas ainda assim apresentam um papel importante em suas respectivas funções. Eu já queria inserir o Kibitoshin de alguma forma no enredo já tem um tempo, e foi só uma questão de amadurecimento de algumas idéias para poder fazê-lo entrar em cena. O Supremo Kaioh de Quinze Gerações Passadas e a Vovó Uranai foram consequência destas idéias também. E... eu não resisti e trouxe a Lenia de volta para mais um capítulo! Mesmo ela estando no Outro Mundo, mas eu não deixei de gostar desta personagem e achei que ela merecia reaparecer. E como no universo de Dragon Ball, não existe muita diferença mesmo entre estar vivo e estar morto... então aí está ela. Espero que tenham matado as saudades! rsrsrs
Aí agora vem a pergunta: "quando é que sai o último capítulo?". A resposta sincera é: não sei. Calma! Não estou parando de escrever novamente! Mas, eu já havia dito que depois do último capítulo, ainda haverão dois epílogos - serão menores que os capítulos normalmente são, mas ainda assim serão importantes - que fecharão a saga de Omega-003. E eu só irei publicar o último capítulo juntamente com estes dois epílogos. Peço desculpas por este meu capricho, mas eu prometo trabalhar duro estes dias para poder fazer um desfecho digno à minha série.
No mais, continuem acompanhando! Leiam e comentem! Não me canso de dizer que o seu review é importante! O que tiver gostado, o que não tiver... não se acanhe e exponha sua opinião! Irei ler com prazer!
Abraços!
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