A Grande Aventura
1 Capítulo 1
Buryür era um jovem anão, como todos que ele conhecia. Tinha 20 anos de idade e já trabalhava nas minas de Doherimm — A Montanha de Ferro(apesar de a maioria da cidade ser subterrânea). Ele fazia aquilo todos os dias, mas parecia não gostar da mineração. Sabia tudo sobre todos os tipos de rochas, cristais e gemas, e nunca tinha visto nenhum perigo aparente, e desejava profundamente mais emoção em sua vida. Seu pai, Dorngein, foi morto por um Golem de Ferro, durante uma aventura nas sombrias Montanhas Sanguinárias, o que faz Buryür ter uma extrema antipatia com objetos animados e seres que foram postos a vida por meios não naturais(como o próprio golem).
Buryür sempre teve um grande apreço por armas de tiro, e planejava entrar para o Exército de Doherimm. Também gostava de animais, e não suportava ver um animal sofrendo: pra ele, antes os animais do que os próprios anões.
Ante a tantos boatos sobre um dragão desolador no mundo fora dos vastos túneis, Buryür vê a chance de sair de sua vida chata e conseguir algum bom feito, mesmo que mínimo. Mas é claro que não o faria de uma hora pra outra, ele não era burro: queria comprar equipamentos e comida antecipadamente para levar em sua jornada. Ele tinha uma velha balestra em sua casa, uma herança de seu pai, no qual ele tinha um grande cuidado. Era velha, e não tinha flechas o acompanhando — teria que comprar mais algumas, caso não quisesse ser morto logo no primeiro dia.
Chegando à taberna, Buryür pede um caneco de cerveja(sua bebida preferida), e conta entusiasmado para os colegas de mineração sobre como ele acha que vai ser a sua grande aventura.
– Assim que eu sair de Doherimm, vou caminhando em direção à Sambúrdia — cidade próxima à Montanha de Ferro — e ver o que consigo fazer por lá. Depois vou para a capital, conseguir informações sobre esse tal dragão.
Após algumas horas conversando, ele prepara tudo para a viagem: já tinha a comida, as munições para a balestra e até comprou uma pequena adaga, para alguma emergência. Então, Buryür vai caminhando para a saída da Montanha. Ele estava nervoso, como nunca havia estado antes. Talvez pela loucura que estava fazendo, talvez por abandonar toda a vida que ele conhecia para começar uma fora de casa. Assim que colocou o pé pro lado de fora da montanha, sentiu uma brisa fria em seu rosto, o sol tocando a sua pele. Ele se sentia mais vivo do que nunca, e entusiasmado para dar inicio à sua grande jornada.
Depois de sair da Montanha de Ferro, Buryür olha em volta, procurando orientação. Ele sabia que tinha que ir em direção ao leste, e foi pra lá que começou a caminhar. Logo que se aproximou da fronteira, vários pensamentos tomaram conta de sua cabeça. Antes mesmo de sair de casa ele já sentia falta das cosias que fazia(apesar de não gostar de muitas), como a mineração, os jogos na taberna, a cerveja vermelha depois de um cansativo dia de trabalho, e tudo o mais. Porém, era aquilo que ele realmente desejava: uma aventura, assim como seu pai.
Assim que atravessou o lago que dividia Doherimm e Sambúrdia, Buryür adentrou a floresta samburdiana e continuou sua jornada. A carga que carregava era pesada — mas isso não diminuía a velocidade de seus passos — e ele ainda não tinha almoçado, tinha que comer logo se não quisesse ficar sem forcas e ser abatido por qualquer perigo da floresta. Enquanto comia e descansava um pouco, Buryür sente cheiro de carne podre, e um barulho de folhas balançando.
Depois de ter certeza que não era sua comida que estava estragada, ele ouve um uivo, e logo depois algo que parecia ser um cão gritando de dor. E então, decide ver o que estava acontecendo: pegou sua balestra e foi andando em direção ao cheiro ruim. O que viu era horrível: pacotes brancos de algo que pareciam ser corpos de animais mortos, exalando um cheiro insuportável de carne podre, pendurados em galhos de árvores por uma linha quase transparente, e no chão, mais um pacote, porém este estava se mexendo, e soltando um som que estava sendo abafado. Buryür pega sua adaga e rasga a parte de cima do pacote, mas antes que pudesse ver qualquer coisa, leva uma pancada na nuca e fica inconsciente.
Quando acorda, ele está em um lugar apertado, e quase não se movia. Gritava e gritava, mas parece que ninguém ouvia seus gritos. Depois de desistir de chamar por ajuda, ele percebe certa movimentação do lado de fora, e logo depois uma lâmina abre onde ele estava, e ele consegue se libertar.
– Quem é você? O que aconteceu comigo? — Buryür se referia a uma elfa — O que aconteceu aqui?
– Sou Elenvar, por coincidência a pessoa que te salvou — disse a elfa, secamente — Você foi abatido por uma aranha gigante. Não é muito raro aqui na floresta, e você não deveria ter saído da trilha.
– Tá, tá, tá, obrigado por me salvar, que seja. Vou voltar, tenho coisas a fazer — ele logo tem sua fala interrompida.
– Eu lhe ajudei a não virar comida de aranha, e agora você vai me ajudar a libertar esses animais daqui.
Ela puxa uma faca e corta o fio que prendia um dos pacotes de teia às arvores, com esperança de encontrar algum animal que não tenha sido morto pelo veneno da aranha. Depois de derrubar todos, vai abrindo um a um pacote, empenhada a achar algum animal vivo, quando Buryür começa a ajudar, terminando de abrir o que ele tinha visto antes de ser abatido pela criatura grotesca.
– Um lobo. — disse Burÿur, que logo pôs seus ouvidos sobre o peito do animal, tentando ouvir seus batimentos cardíacos — E está vivo! Rápido, me ajude com ele!
– Temos que ser rápidos. Tire ele daqui, eu vou procurar algumas ervas pra parar o efeito do veneno da aranha dentro dele. Rápido!
O anão se apressa pra tirar o lobo de dentro do pacote de teias que havia se solidificado em volta do lobo, e logo o põe no ombro e começa a carrega-lo para seu acampamento improvisado, que estava próximo dali. Depois de poucos minutos Elenvar os acha, com um punhado de plantas na mão. "Aqui, faça-o comer isso, vai parar o veneno", disse ela. Buryür fez um grande esforço pra abrir a boca do animal, pois ele estava totalmente paralisado, e além de tudo era muito forte.
– Agora é só esperar as ervas fazerem efeito...
– Certo... Quem é você, e o que estava fazendo nessa floresta? – pergunta a elfa, acabando de se sentar no chão, próxima ao lobo – Anões são um povo de minas e montanhas, florestas não são seu forte.
– Meu nome é Buryür, elfa, e meus objetivos não são de seu interesse. Não é só porque me salvou que vou lhe dizer o que eu quero. Você é uma elfa, e o fato de você ter me livrado da aranha gigante não muda nada entre nós. Saiba que depois que o lobo estiver bem, vou continuar seguindo o meu destino — Buryür pega um pedaço de carne de sua mochila e começa a comer
– Anões, desde sempre trogloditas antissociais. — De fato, os anões passaram todas as eras dentro de suas cavernas, sempre procurando por metais e pedras preciosas, com o simples intuito de satisfazer sua ganância. — Estou surpreendida de ver um anão aqui na floresta, ainda mais um que se preocupa com as outras formas de vida. Quando não estão em seus túneis, estão na taberna bebendo.
– Olha aqui sua elfazinha de araque, quem você pensa que é para falar de mim e de meus irmãos? – Buryür não tinha notado que o que Elenvar disse foi um elogio, mas isso não importava mais. O lobo começa a se mexer, e logo levanta, cambaleando. Elenvar e Buryür se alertam, e logo a elfa levanta para ajudar o animal, o segurando para não cair.
– Pegue e dê algo pra ele comer! Está fraco, e não se aguenta em pé.
O anão dá a carne que tinha em sua mão, e em um bote, o lobo pega todo o pedaço da carne, mastiga rapidamente e engole.
– Ele está com fome. Vai buscar mais plantas pra ele comer, não posso gastar todo o meu estoque de comida, minha viagem será longa — e então Buryür pega mais uma carne e dá para o animal, que a come do mesmo jeito de antes. — Ande logo elfa, não vê que o animal está famint... — Quando olha para trás, Elenvar já havia enchido uma cesta com frutas de todo o tipo. — Rápida você, hein. Vamos, dê essas coisas pra ele comer!
Elenvar põe a cesta próxima ao lobo, que vai comendo as frutas aos poucos, até parar. Parecia que sua fome já havia passado.
– O lobo está de pé, essa é a hora de eu partir.
– Tudo bem então. Eu realmente não sei por que lhe salvei das garras da aranha. Acho que o fiz apenas por causa dos animais.
– Tanto faz, que seja. Se é um obrigado que você quer ouvir, elfa, salvou o anão errado — Buryür começa a jogar as coisas dentro da mochila, e se prepara pra continuar a viagem — Adeus, elfa! Cuide muito bem do lobo!
Após achar novamente a trilha, o anão retoma sua jornada em direção à capital de Sambúrdia, e depois de um dia e meio da caminhada, finalmente enxerga ao longe os muros do castelo(a floresta já não era tão densa como no início da jornada). "Enfim, Sambúrdia."
O sol brilhava intensamente, quando Buryür avistou uma bela mulher banhando-se em um pequeno lago, que ficava a alguns metros da trilha. Não quis interromper tal momento para pedir alguma informação, então continuou andando. Assim que chegou finalmente aos portões de Sambúrdia, um guarda o intercepta:
– Bom dia, senhor anão! O que deseja fazer em Sambúrdia nessa bela tarde?
– Olá! Belo dia esse, não? Pois bem, sou um aventureiro, e vim até sua cidade para descobrir algo sobre esse tão famoso dragão que todos tem falado tanto por aí. Também busco uma boa estalagem e uma taberna com sua melhor cerveja!
– Pois bem, isso é o que Sambúrdia tem de melhor! Entre e sinta-se em casa, meu caro senhor. Você está livre para entrar e sair a hora que quiser! Odeio interceptar a passagem das pessoas, mas cá entre nós, há um homem perigoso andando por essas bandas, portanto, fique alerta. Oficial Belzer ao seu dispor!
– Tudo bem, nada passa despercebido pelo grande Buryür! Às suas ordens, Oficial!
Quando Buryür entra na cidadela, percebe que Sambúrdia realmente faz jus ao apelido — O Grande Celeiro. Era um lugar calmo: haviam fazendas, celeiros, estábulos e plantações. As pessoas eram pacatas e felizes cuidando de suas vidas, e a ninguém incomodavam. A praça central estava cheia: elfos, halflings e humanos principalmente vendendo suas mercadorias em uma espécie de feira, onde expunham ervas, frutas de todos os tipos, e gado. Era difícil ver algo através da multidão(ainda mais porque ele era pequeno perante aos outros), mas Buryür logo achou uma taberna.
Era um lugar escuro, o ambiente sombrio, não parecia que ele estava em Sambúrdia. Vestiu seu capuz e foi em direção ao balcão. Esbarrou na perna de alguém, que olhou para ele com ódio, e disse rancorosamente "Cuidado por onde anda, anão!"
Ao sentar em um banco em frente ao balcão ele pede um caneco bem grande de cerveja vermelha. De repente surge um goblin na sua frente. Estava fumando, usava uma espécie de alargador em uma das grandes orelhas, e um tapa-olho no olho direito. Jogou a cerveja de qualquer forma dentro do caneco, olhando fixamente nos olhos do anão.
– Bom dia. Você tem alguma informação sobre... — o goblin vira as costas para Buryür e vai atender outra pessoa — o dragão?
– Dragão? — um homem com um capuz azul-marinho dirige-se a Buryür — O que sabe sobre o dragão?
– Ainda não sei nada sobre ele, humano. Vim até aqui pra coletar informações sobre ele. — Buryür acende um charuto e começa a fumar — E você, o que sabe?
– Os rumores são falsos. Ele não é do jeito que todos dizem ser.
De repente, um elfo assustado entra na taverna. Estava com o brasão de Sambúrdia(um escudo azul com uma grande cruz amarela no meio) estampado em sua roupa, parecia ser alguém ligado à realeza.
– Nossa cidade está sendo atacada! Todos os soldados e aventureiros, rápido, dirijam-se ao portão leste da cidadela! Esse talvez possa ser o último suspiro de Sambúrdia!
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