A Good Shifter
12 Sexy Metal
Notas iniciais
Stiles acordou depois de um sonho estranho, não foi exatamente um pesadelo, mas o angustiou de forma que ele estava suado e grudento, sua cama estava vazia e não tinha nem sinal de Derek no local. O relógio marcava um pouco mais de dez da manhã e pelo que Stiles lembrava, era sábado, Derek não tinha que trabalhar até o meio dia, então ele ainda deveria estar em casa. O humano repassou seu sonho, o gosto da bile não deixava sua garganta e a imagem de Kate machucando Derek de novo o assombrava. John, Scott e Allison estavam na cozinha conversando e preparando um monte de comida, Stiles quase esqueceu que seu aniversário era hoje, ano após ano ele tentava realmente esquecer e logo nesse, ele tinha conseguido, para ser lembrado por um coro animado puxado pela menina Argent, um frio na espinha o empertigou.
– Vamos lá Stiles, dê um sorriso pelo menos! — Alli o abraçou e o menino continuou sem reação, a sensação ruim de tê-la em sua casa de surpresa o fez pensar imediatamente em Derek.
– Onde está o Der? — o garoto perguntou para o pai, John podia sentir algo estranho vindo do filho, mas não conseguiu identificar, apenas se preocupou.
– Ele saiu bem cedo, disse que tinha algumas coisas para resolver. — Stiles mordeu o lábio inferior e assentiu.
– Você tá bem cara? — Scott perguntou preocupado.
– Sonado, eu vou tomar banho, continuem fazendo a coisa de vocês. — ele não esperou uma resposta e voltou para o quarto.
Derek estava quase no fim do seu turno na livraria, tinha trocado justamente para poder se encontrar com Peter e então fazer algum progresso real com Cora, ele só não esperava receber uma ligação tão aflita de Stiles.
– Onde você foi? — o menino estava ofegante do outro lado da linha.
– Hey, você está bem? — Derek sentiu um aperto esquisito no peito.
– Onde você está, Derek? — a voz de Stiles vacilou, Derek sentiu a aflição de longe.
– Na livraria, eu precisei vir mais cedo, deixei um bilhete no banheiro. — Stiles soltou o ar com força, Derek ainda não conseguia entender o motivo daquilo. — Você está bem? Eu fiz algo errado? — o garoto riu do outro lado da linha deixando o lobo mais confuso.
– Não, eu tive um pesadelo. — a voz de Stiles parecia mais frágil do que Derek tinha ouvido desde que o conheceu.
– Você precisa de mim? Eu posso ir para casa. — Stiles estalou a língua.
– Não, meu pai, Scott e Alli estão aqui. Tome seu tempo, eu vou ficar bem. — Derek sabia que sim, Stiles podia se cuidar, mas ele queria poder estar lá para ele.
– Eu chego para o jantar, me ligue se precisar de qualquer coisa. — Stiles suspirou.
– Não se preocupe, eu estou bem, foi só um pesadelo. — Derek não tinha certeza se podia acreditar.
Peter apareceu novamente com Danny, estava se tornando um hábito para Derek encontrar os dois juntos e por mais estranho que parecesse, o Hale mais velho parecia feliz e isso deixara Derek feliz de algum jeito. Seu tio merecia depois de tudo.
– Por que no shopping? — Peter perguntou ao encontrá-lo em um dos restaurantes.
– Hoje é aniversário do Stiles, pensei que tinha convidado vocês. — Derek deu de ombros.
– Sim, Peter comentou. Eu não sei o que comprar para ele, no entanto. — Danny parecia indeciso.
– Eu vou procurar por alguma coisa, não é como se Stiles já não tivesse um monte de coisas que ele deseja. — Danny começou a fazer perguntas sobre as preferências do namorado de Derek.
– Voltando ao assunto. — Peter chamou a atenção dos dois que começaram a discutir sobre diversos presentes. — Cora me ligou, eu acredito que ela vai estar livre semana que vem, esse final de semana ela disse que estaria com o namorado.
– Cora tem um namorado? — Derek estava surpreso.
– Parece que sim, ele é mais velho e trabalha por aqui, acho que eles viajaram no fim de semana, eu não sei ao certo. — Danny respondeu naturalmente.
– Bom, o que você combinou com ela? — Derek tentou não pensar na sua irmã namorando, tendo uma vida ou pior, tendo seu coração partido por um idiota.
– Eu disse que falaria com você, talvez ouvir sobre um lugar que você queira levá-la. — Peter começou a comer.
– Casa do Stiles, almoço ou jantar, qualquer dia do fim de semana é bom para mim. — Derek olhou a hora.
– Peter vai marcar e então te liga. Você deveria ir, Stiles pode ficar preocupado. — Danny comentou.
– Vejo vocês mais tarde. — Derek se despediu, era bom saber que Danny podia ser um dominante tão bom a ponto de saber o que ele precisa, mesmo sem possuir uma relação com ele.
Stiles passou o dia inteiro no quarto, estava deprimido como em todos os aniversários, seu pai até tentou tirá-lo da cama, mas não foi possível, não quando Stiles fingia dormir ou xingava quando Scott o importunava. A verdade é que Stiles queria Derek ali ou sua mãe, os dois seria perfeito, mas ele tinha que lidar com a realidade, ele precisava lidar com isso, mais de vinte anos e ele simplesmente não conseguia lidar com nada disso.
Derek tinha rodado boa parte do shopping tentando tomar coragem. Ele nunca precisou fazer isso pelo seu dominante, ele nunca foi instruído a comprar alguma coisa que pudesse ser inserida em cena, ele nem ao menos precisava pensar no que iria acontecer, mas ele podia se lembrar da reação de Stiles ao discutirem isso na lista de torções e ele gostava da ideia de ver Stiles surpreso e feliz.
Foi exatamente a ideia de ver Stiles feliz, imaginar seu dono sorrindo e alisando seus cabelos, os bagunçando e murmurando o quanto ele era bom, o lobo perfeito que ele passou a acreditar que era, que o fez entrar naquela loja e engolir qualquer nervosismo que fizesse seu estômago retorcer e agitar.
Era uma grande loja e tinham todos os tipos de sessões femininas que Derek poderia pensar existir na vida, ele chegou a ficar perdido muitas vezes, até finalmente chegar onde queria. Engoliu em seco ao ver algumas mulheres conversando animadas sobre peças muito espalhafatosas para o que ele estava pensando.
Seu coração estava espancando o peito, enquanto seus joelhos tremiam e a sensação de que tudo aquilo era uma loucura o fazia querer se virar e correr para casa, para o conforto de Stiles, para alguém que o guiasse, o dissesse que estava tudo bem, mas ele não o fez e se obrigou a continuar a caminhar e chegar finalmente onde as peças delicadas e em tons fechados o aguardavam.
– Boa tarde, o senhor precisa de ajuda? — Derek se virou e encontrou uma garota morena e baixa, a estatura frágil e ao mesmo tempo o olhar arrogante e seguro de si, seu estômago deu voltas e ele desejou não ter entrado naquela loja. — Derek. — a garota desfez a expressão receptiva de vendedora e pareceu surpresa, talvez um pouco assustada.
– Cora. — a voz do lobo falhou.
– Meu Deus! Derek! — a garota engasgou um soluço antes de se atirar contra o irmão, o lobo não teve reação. — Eu senti tanto sua falta. — ela estava chorando contra seu peito, o apertando em um abraço excessivamente forte.
– Eu sinto muito. — ele conseguiu dizer antes de abraçá-la de volta.
– Está tudo bem, — ela não se afastou, pelo contrário, o puxou o mais próximo de si que conseguiu – eu sei o que o papai fez, eu não te culpa. — Derek se obrigou a se afastar, ver sua irmã caçula chorar era muito para ele.
– Eu não precisava ter sumido. — ele secou as lágrimas da irmã com o polegar.
– Eu odeio quando você toma as responsabilidades para si. Isso foi uma coisa de família Derek, ninguém além do papai tem culpa. — o lobo não queria discutir.
– Você trabalha aqui. — ele mudou de assunto.
– Na verdade não, eu estou ajudando a dona, Lizzy é minha amiga e sua gerente faltou, eu estou nesse lado da cidade por causa do meu namorado então, não me custa nada ajudar. — ela deu de ombros e enfiou as mãos nos bolsos da calça jeans. — O que você veio fazer aqui? — Derek engasgou e Cora se apressou em dar tapas em suas costas e tentar fazê-lo voltar a respirar.
– Tudo bem, passou. — ele puxou o ar algumas vezes e olhou ao redor, não tinha muita gente na loja.
– Não me assuste assim. — ela ria.
– Eu não sei por quê entrei aqui. — ele desconversou.
– Eu ainda posso ouvir a mentira nas batidas do seu coração maninho. — o lobo revirou os olhos.
– Cora. — ele advertiu envergonhado.
– Tudo bem Derek, eu posso entender. Tio Peter tinha um monte de lingeries no apartamento dele quando eu o visitei, ele dizia que era para suas dommes, ele até me deixou ir há uma dessas festas uma vez. Eu posso entender. — ela parecia relaxada.
– Eu não estou aqui para comprar nada para uma mulher. — Derek sabia que não podia mentir, que Cora saberia.
– Seu domme? — ela não hesitou em perguntar, mas Derek podia sentir um desconforto no fundo do estômago.
– Stiles não gosta de usar lingerie. — Cora observou o calor subir pelas bochechas do irmão e arqueou uma das sobrancelhas.
– Vamos às compras então. — ela o puxou pelo pulso.
– Sem perguntas? — Derek não podia acreditar que ela não estava julgando.
– Só uma. — Derek gelou. — Você está feliz? — o lobo franziu o cenho.
– Stiles é bom para mim. — ela puxou Derek para mais um abraço.
– Vamos às compras, maninho. — ela se afastou emocionada e Derek sentiu seu coração aquecer, como ele poderia ter perdido tanto?
Cora parecia muito familiarizada com toda a loja e estoque e foi bem mais reconfortante escolher qualquer coisa em um lugar onde ninguém poderia vê-los, por outro lado, Derek ainda se sentia constrangido e travado. Não era uma tarefa fácil deixar sua irmã escolher o que ele vestiria no aniversário do seu namorado.
– Eu não faço ideia de como escolher a coisa certa. — Derek gaguejou e Cora separou algumas coisas.
– Você teve alguma ideia? Algo que o chame atenção? A cor? — eram muitas questões.
– Não, eu nunca fiz isso antes. — ele admitiu em um suspiro. — É horrível falar sobre isso com você. — Cora riu.
– Eu não acho estranho, tudo bem? É bem sexy na verdade. Não que eu queira ver você vestindo nem nada, mas a ideia é animadora. — Derek gemeu envergonhado.
– Não faça isso, sério. — ele sentou em um dos bancos, a frustração começando a aparecer.
– O que você acha disso? — Cora ofereceu um conjunto de cinta liga e fio dental vermelho, Derek torceu o nariz.
– Vulgar. — ele não sabia se tudo aquilo era uma boa ideia mais.
– Me conte o que eu perdi, enquanto procuro algo que o agrade. — ela voltou a remexer nas araras de roupas.
– Eu morei com o Peter um tempo, — Derek não queria dividir tudo. — ele era compreensível. — ele deu de ombros e Cora se voltou para ele com outros conjuntos.
– Isso combina com os seus olhos, mas eu gosto da azul. — ela entregou conjuntos muito pequenos de seda para Derek que os descartou rapidamente. — Você sumiu por quatro anos, o que estava fazendo? — ela se voltou para mais peças.
– Eu gosto dessa. — ele pegou um modelo branco de renda, calcinha lembrando um shortinho e um par de meias se seda da mesma cor. — Eu estive com uma dominante, ela não era legal. — ele evitou se aprofundar.
– Eu não sei se você fica bem de branco, parece um pouco delicado demais. — ela puxou três conjuntos pretos e entregou ao lobo. — Ela te machucava muito? — o tom infantil na voz da garota lembrou das noites em que Cora se escondia debaixo das cobertas de Derek quando seus pais brigavam.
– Eu queria poder te dizer que eu estive bem nesses últimos anos lobinha, mas não foi assim que aconteceu, Kate não era boa para mim, mas Stiles, ele me salvou. — a voz de Derek era apenas um sussurro quando Cora suspirou e se virou parecendo animada.
– Eu acho que preto combina com você, essa principalmente. — ela entregou o par de meias de seda, com renda nas coxas e a cinta liga escura e de material resistente, acompanhado tinha uma calcinha de renda escura, justa e um pouco menor do que Derek esperava na bunda, nada vulgar na verdade, mas ele não sabia como se sentiria vestindo o material.
– Eu gosto. — Derek avaliou a irmã, talvez ela fosse muito mais sensível e compreensível do que ele imaginava.
– Você pode experimentar, eu vou esperar lá fora, ver se acho mais alguma coisa. — ele assentiu.
– Cora. — a garota parou quando o lobo já estava sem camisa.
– Sim, maninho? — ele sorriu.
– Eu senti sua falta. — a garota sorriu e voltou a abraçá-lo.
– Não mais que eu. — ele a deixou sair e começou a experimentar as peças.
Não era confortável no início e ele se perguntava se Stiles realmente ia gostar de vê-lo vestindo aquilo, mas ele procurou não se questionar demais, a ideia de agradar e surpreender positivamente seu dono e namorado era o suficiente para toda a insegurança sumir.
– Eu vou levar. — Derek entregou tudo nas mãos de Cora quando saiu da área restrita a funcionários.
– Ótimo, eu vou agilizar os dados, ok? Me espere lá na frente. — Derek assentiu. — Hey! — Cora o chamou novamente.
– Algo errado? — ele franziu o cenho.
– Você quer um par de sapatos? Eu não sei como isso funciona, mas um belo par de saltos pode ser útil no visual. — ela parecia hesitante.
– Eu não sei andar nisso, vou estragar tudo se eu o fizer. — tudo o que Derek não queria era estragar as coisas com Stiles.
– Tudo bem, não custava perguntar. — ele sorriu reconfortante e ela voltou em direção ao caixa.
Derek olhou a hora e se viu quase prestes a se atrasar quando Cora voltou com sua bolsa e uma sacola da loja.
– Eu estou indo embora e considere isso um presente. — Derek corou.
– Eu poderia ter pago. — Cora o empurrou com o ombro.
– Eu sei, mas sua irmã não pode presenteá-lo? — ele sorriu.
– Stiles está fazendo aniversário hoje, você deveria vir. — Derek tinha pensado muito nisso esses dias. — Vamos ter uma espécie de comemoração familiar lá em casa e depois vamos ao clube, você não precisa ir se não quiser. — ele se sentiu inseguro de repente.
– Veja se não é meu irmão grande e lindo todo inseguro. — ela apertou sua bochecha e ele fez carranca. — É claro que eu vou, estou muito feliz por reencontrá-lo, não vou deixá-lo partir assim. — Derek sentiu seu peito apertar.
– Eu nunca vou me perdoar por deixá-la. — ele murmurou.
– Hey, deixa os arrependimentos para amanhã. Hoje você tem alguém para presentear e eu quero vê-lo feliz, não importa o que aconteça, tudo bem? — Derek assentiu e puxou a irmã para outro abraço.
– Estamos muito táteis hoje. — ele resmungou ao soltá-la.
– Não é como se eu detestasse. — ela riu, o celular de Derek tocou.
Eles caminharam até o estacionamento, Cora ofereceu uma carona e Derek não estava com muito tempo para recusar, seria bom conversar um pouco mais com a sua irmã, ver que tudo poderia ficar bem, ou não.
– Onde você se meteu? — Scott resmungou.
– Oi para você também Scott. — Derek continuou a caminhar para o estacionamento.
– Stiles não quer sair do quarto, ele não comeu o dia todo e está trancado, John e eu estamos ficando loucos. — Scott parecia aflito.
– Estou chegando. — Derek desligou sem esperar uma resposta.
Cora sentiu o irmão tenso, ela mesma não sabia se deveria ou não perguntar o que aconteceu, ao julgar que o lobo começou a apressar o passo e sua respiração se tornou aflita, ela se sentiu no direito de intervir.
– O que aconteceu? — Derek se esforçou para manter o controle e respondê-la.
– Stiles precisa de mim. — era o suficiente para Cora se apressar.
– Me dê as direções. — ela pediu ao entrarem no carro.
Stiles estava encolhido na cama quando ouviu uma pequena discussão tomar conta do silêncio que o confortou e atormentou durante todo o dia, ele encarou o relógio e começou a pensar que a festa estava acontecendo sem ele, mas as batidas na porta indicaram o contrário.
– Stiles. — a voz de Derek fez ele se remexer desconfortável na cama. — Baby, por favor, me deixe entrar. — Derek tentou. — Eu sei que eu te deixei sozinho, sei que esse dia deve ter sido difícil. Eu sinto muito. — Stiles seu peito doer, não era culpa de Derek.
– Oi. — o lobo viu seu namorado destruído, o olhar perdido, a voz rouca de choro, o rosto inchado, cabelos desgrenhados, roupas amassadas e tudo o que ele conseguiu pensar era em confortá-lo, aninhá-lo e fazê-lo bem.
– Fale comigo. — Derek pediu fechando a porta e passando a chave, Stiles sentiu o corpo comprimido contra o lobo e relaxou.
– Eu odeio meu aniversário, eu deveria ter superado isso, superado que minha mãe me deixou no dia do meu aniversário, mas eu não consigo. Fazem vinte e dois anos Der. — o lobo continuou a abraçar o humano e Stiles apreciava a forma como era reconfortante ter Derek ali.
– Eu sei que dói e que nunca para, mas Stiles, tem pessoas que te amam lá fora e elas querem celebrar sua vida. — Derek buscava sanidade para dar consolo suficiente. — Eu quero celebrar sua vida. — Stiles o encarou, o cansaço estava tão aparente que Derek desejou poder trocar de lugar com o garoto. — Eu estou aqui para cuidar de você, vou ficar aqui o tempo todo. — Stiles se aninhou ao peito do lobo e fungou.
Uma hora depois o garoto estava saindo do banho, o corpo úmido e a aparência bem melhor depois de uma massagem e todo o contato físico e conversa que Derek conseguiu proporcionar.
– Você deveria ter tomado banho comigo. — Stiles fez beicinho.
– Não seria muito educativo para os convidados. — o garoto riu e Derek vibrou por vê-lo descontraído.
– Meu pai deve estar preocupado. — Stiles começou a se vestir enquanto Derek tomava banho.
– Ele vai compreender, ele só estava meio louco por não conseguir estar aqui para você. — Derek procurou se fazer limpo o suficiente.
– Onde você esteve o dia todo? — Stiles mudou de assunto.
– Livraria e depois eu encontrei Peter e Cora. — ele acrescentou hesitante.
– Você viu sua irmã? — Stiles parecia surpreso.
– Ela meio que voltou comigo correndo depois que Scott me ligou. — Derek deu de ombros e começou a se secar.
– Oh! Ela vai achar que eu sou horrível para você! Deus! Derek! Sua irmã vai me odiar! — ele gemeu em frustração e Derek riu. — Não ria de mim! — Stiles fez beicinho e Derek se aproximou para mordê-lo.
– Cora me ajudou a escolher seu presente de aniversário, algo que eu espero que você aprecie muito, então ela está longe de odiá-lo. — Stiles derreteu em meio aos beijos lânguidos e mordidas delicadas do namorado.
– O que você me comprou? — Derek sentiu a língua do mais novo correr seu pescoço e engoliu um gemido.
– Surpresa, quando estivermos sozinhos. — Stiles estremeceu.
– Acho melhor irmos então, lobo bobo. — Derek sorriu e mordiscou a orelha de Stiles.
– Vai na frente. — Stiles pensou em se negar, mas Derek também precisava de seu espaço, por isso, ele assentiu, roubou mais um beijo do maior e saiu.
Stiles sabia que a excitação de receber um presente não era normal, que ele como dominante nunca se sentiu assim, nunca na vida ele se sentiu tão sensível a qualquer pessoa como ele se sentia com Derek e isso o agradava e assustava na mesma proporção.
– Você assustou Derek. Eu nunca vi meu irmão tão louco, não desde que eu fui empurrada no parquinho aos seis anos de idade. — aquela era Cora e Stiles não sabia se sentia-se mal por fazer Derek preocupado ou ria do jeito em que a menina o abordou.
– Cora, certo? — Stiles viu a garota levantar seu drinque em concordância.
– Feliz aniversário, aliás. — ela piscou e olhou ao redor. — Eu não sei o quanto eu estou autorizada a ameaçá-lo, mas Derek é meu irmão e sendo mais velho ou não ele é importante para mim e eu ainda sou mais forte que você, então trate-o bem ou eu rasgo sua garganta, com os dentes. — Stiles riu, não achando graça realmente, ele se sentia amedrontado e nervoso, Cora era uma garota assustadora.
– Escute, — ele tomou um gole da sua própria cerveja tendo cuidado para não beber demais. — Derek é especial e eu seria louco se o machucasse, se eu fizer, você precisa rasgar minha garganta, porque eu não acho que posso viver com isso. — Cora suavizou a expressão e puxou Stiles para um abraço.
– Ele gosta demais de você, faça jus a isso, meu irmão vale a pena. — Stiles riu novamente, aliviado e reconfortado pelo abraço. — Bem-vindo a família. — Cora beijou sua bochecha.
Derek não queria demorar, mas ele levou seu tempo para limpeza e preparação, ele queria estar perfeito para seu dom, ele queria agradar em um nível que ele mesmo desconhecia, ele estava ansioso e excitado pelo que Stiles sentiria ao vê-lo, tocá-lo, perceber todo seu zelo e antecipação e então tomá-lo da forma que ele mais gostasse.
O tecido apertado e suave da calcinha causou sensações ambíguas no lobo. Ele sentia a maciez e delicadeza da peça contra seu membro e poderia gemer e se acostumar com aquela doce estimulação, por outro lado, o aperto, a forma como a peça se perdia entre suas nádegas e a sensação de nudez o deixava estranhamente consciente, constrangido e excitado. As meias causavam sensações estranhas na perna peluda, ele não pensava em se livrar dos pelos, não quando Stiles gostava de elogiá-lo justamente por isso e mesmo que ele se encontrasse em uma composição rude, se sentia sensual e bonito. A liga foi onde ele se atrapalhou um pouco, mas pareceu compor e cobrir o que ele sentia ser agressivo demais para si mesmo, masculino demais.
Derek entendia que ele não estava se feminilizando ao usar uma lingerie, ele não tinha nenhum desses tabus em sua mente, ele apenas precisava se sentir um pouco mais familiarizado com o que estava vivendo. O lobo pegou suas outras roupas, vestiu lentamente e tomou algumas respirações, era bem mais estranho o tecido do couro contra sua bunda nua, o roçar da calça apertada contra as peças femininas, seu corpo respondia a cada mínimo estímulo. Ele só esperava que Stiles amasse tudo na mesma proporção.
– Então vocês viraram melhores amigos? — Derek perguntou vendo Peter e Stiles conversando animados sobre qualquer coisa.
– Ciúmes? — Stiles brincou vendo Cora abraçar seu namorado.
– Peter tem predileção pelos mais novos. — Cora comentou.
– Estou com trinta, não sou mais novinho. — Stiles riu e Peter revirou os olhos.
– Você é apaixonado demais para o meu gosto. — Peter debochou e todos riram.
A festa no apartamento foi pequena, apenas os amigos mais íntimos e mesmo que Stiles estivesse com medo de manter Allison e Derek no mesmo lugar, a comemoração foi amistosa, feliz. Depois que a maior parte das coisas foram arrumadas, eles começaram a se mover para o clube. Scott, Allison e Isaac já tinha ido, John tinha deixado Stiles tranquilo dizendo que teria muita coisa para fazer com a pequena bagunça e que ele só partiria na segunda feira, o que dava há Stiles dois dias para aproveitar seu pai.
– Peter e Danny acabaram de sair. — Cora avisou voltando da cozinha, Stiles e Derek trocavam carinhos doces no sofá enquanto Boyd e Erica conversavam sobre qualquer coisa.
– Vamos então? — Stiles sugeriu encarando Derek.
– Sim. — Derek se levantou.
– Você vem para o clube? — Erica perguntou com um sorriso malicioso no rosto.
– Não! — Derek se apressou.
– Sim! — Cora rebatei quase ao mesmo tempo.
– Ok. — Stiles encarou Cora e Derek.
– Eu quero conhecer. — Cora fez o que deveria ser um beicinho, mas saiu um pouco mais infantil e engraçado, Boyd parecia prender o riso.
– Cora, eu só não quero arrastá-la para isso. — Derek tinha se afastado com a menina, seu olhar era suplicante.
– Vocês vão estar fazendo algo em público? — ela perguntou diretamente para Stiles, Derek encarou o namorado hesitante.
– Não, mas isso não significa que ninguém esteja. — Stiles encarou Erica.
– Ela pode ficar com a gente, nós não jogamos no clube, podemos apresentar e eu me certifico de que ela estará em casa no final da noite. — Derek hesitou, Cora pareceu animada.
– Viu, o Boyd e a Erica são legais e Stiles confia neles, por favor, Derek. — Stiles sorriu para o namorado, Derek sabia que se Cora quisesse ela poderia bater o pé e ir, mas ela estava considerando a opinião dele e ele também confiava no casal.
– Tudo bem, mas você não vai jogar. — ela saltou sobre o irmão o abraçando.
– Obrigado grandão! — ela o encheu de beijos.
O clube estava quente naquela noite. Era tarde quando eles chegaram e todos sabiam o quanto o Nemeton poderia ser intenso depois da meia noite. Cora ainda estava animada, mesmo que Erica tenha a obrigado a colocar um vestido curto demais e bastante colado. Cora nunca se imaginou tão sexy, mesmo que vestidos não fossem sua praia, ela gostava do cheiro do couro e a forma como a roupa agarrava em seus quadris.
– Vocês podem ir se divertir, vamos cuidar dela. — Erica comentou vendo Boyd e Cora no bar. — Sem jogos. — ela acrescentou tranquilizando o lobisomem.
– Eu acho que vamos ficar um pouco. — Stiles decidiu. — Estaremos observando de longe. — ele liberou Erica e puxou seu namorado para o calabouço.
Cora sentou a mão delicada e firme de Erica em sua cintura enquanto ela e Boyd conversavam animados sobre drinques, a loira parecia encantada e sexy, mesmo que vestisse algo bem mais suave do que emprestou para a loba.
– Você quer conhecer o lugar ou ficar para assistir a dança da noite? — era um tom doce e poderoso, algo que levava Cora a realmente pensar em uma boa resposta.
– Eu quero conhecer a coisa toda, os jogos. Sei que você prometeu não me deixar jogar, mas eu posso assistir, certo? — Erica sorriu sedutora e encarou Boyd.
– Eu quero uma Ginger Ale com gelo, água para vocês dois. — Cora encarou Boyd que tocou seu pulso no momento em que a loira se virou para observar o movimento na casa.
– É padrão que nenhum submisso ou convidado tenha álcool. — a garota assentiu e começou a beber sua garrafa d'água.
A boite era envolvente, a música quente, de batida pesada, a pegada toda puxada para o lado heavy metal fazia cora querer dançar como os homens e mulheres adornados com fantasias de couro, máscaras que cobriam todo seu rosto e muito látex negro, era tudo quente demais.
– Venha dançar. — Erica puxou a menina e ambas começaram a embalar os quadris ao som de Bad Girlfriend do Theory of a Deadman.
– Stiles merece um presente muito bom por contratar um DJ tão bom. — Cora comentou enrolando seus braços na cintura da loira e a embalando em ondulações pecaminosas de quadris.
– Derek merece um prêmio pela irmã caçula que ele tem. — Erica beijou lobo abaixo da orelha de Cora que estremeceu.
– Flertar está liberado? — Cora brincou levando o indicador ao decote de Erica e correndo a unha cumprida pelo vão.
– Acho que Derek pode lidar com suas próprias escolhas. — Erica cedeu ao estímulo e arrastou suas próprias unhas pelas costas nuas de Cora, aquele vestido fora muito bem escolhido.
Cora se perdeu na sensação da pele arrepiando e mal se deu conta de um corpo quente e grande tomando forma, um quadril masculino pressionando sua bunda e mãos ásperas agarrando seus quadris, a fazendo rebolar no embalo da nova música.
Erica não se afastou, apenas inclinou-se para correr o nariz pelo pescoço da Hale caçula, aspirando seu cheiro e mantendo o ritmo estabelecido por Boyd. Cora levou uma das mãos ao pescoço do homem e raspou suas unhas na nuca, se esfregando deliberadamente contra a meia ereção que ele ostentava.
– Porra. — Boyd encostou sua testa no ombro de Cora e agarrou a cintura da loba com mais força.
– Vocês são tão bonitos de assistir. — Erica chamou atenção de ambos, Cora tinha um rubor nas bochechas, de repente, estava muito consciente do homem ereto atrás de si, todas as pessoas ao redor e a loira os observando, vendo seu namorado se inclinar e receber as provocações dela, era como um acelerador para o tesão de Cora.
– Deus! Derek tinha razão quando disse que isso era intenso demais. — ela sentiu a mão de Erica puxar seu vestido em um limite perigoso e resvalar os dedos pela sua intimidade tão molhada como ela nunca se sentiu. — Uh! — ela levou as duas mãos aos quadris de Boyd e se apoiou totalmente no homem atrás de si. — Erica... — ela murmurou ai sentir a pressão contra seu clitóris.
A mudança de batida levou Cora a ser pressionada contra Boyd e Erica levou seus lábios aos seus a fazendo gemer enquanto dançavam. O dedo de Erica era hábil e fazia a loba rosnar e se contorcer por mais, por alguma coisa que a levasse ao orgasmo e a loira parecia se divertir com a expressão destruída e sensual de Cora.
– Você está tão ansiosa por isso, como uma linda garota. — Boyd murmurou, a voz grossa fazendo Cora estremecer e segurar os quadris do homem com mais força.
– Deus, Cora! Tão quente. — Boyd levou a mão ao vão das coxas da menina e alisou lentamente o tecido rendado de sua calcinha.
– Eu quero ver você vir para mim tão difícil. — Erica afastou a calcinha da garota para o lado e brincou com os lábios úmidos de sua intimidade.
– Oh! Por favor. — Cora sentiu seu corpo ser virado e o olhar quente de Boyd em seu rosto.
– Beta. — Boyd alisou a bochecha corada da loba. — Tão sexy, tão linda. — a menina sentiu o dedo de Erica penetrá-la, a respiração da loira em sua nuca.
– Eu não posso. — Cora arranhou o abdômen de Boyd com as garras, sendo cuidadosa o suficiente para não romper a pele. — Não consigo me controlar. — ela reclamou afundando o rosto no pescoço do homem.
– Eu posso lidar com um pouco de dor. — Boyd beliscou o lábio inferior da loba que começou um beijo.
Beijos de boca aberta, desleixados, quentes, dedos de Erica encontrando pontos sensíveis e doces dentro de Cora, mão de Boyd esfregando-se contra o clitóris inchado e pedinte da loba a fazendo gemer contra os lábios inchados do homem, fazenda arrastar as garras pelo corpo dele, arrancando gemidos e tremores que o faziam engatar em uma dança muito mais íntima e pessoal.
Cora estava tão próxima do próprio clímax, tão perto de desmoronar nos braços do casal e então ela sentiu uma necessidade quase insuportável de morder, marcar, possuir ambos, sentir o gosto e isso a impeliu a marcar Boyd mais forte com as garras e puxar Erica para um beijo triplo. A loba quase não se manteve de pé quando explodiu em um orgasmo que queimou seu corpo como lava, que a fez derreter e se manter apenas pelos braços fortes de Boyd, pela certeza que Erica não se afastaria, não até que ela estivesse recuperada de novo.
– Seu gosto é tão bom. — Cora abriu os olhos e viu Erica chupar os dedos molhados com seu sulco de Boyd. — Você deveria provar. — Cora afastou os lábios sentindo seu próprio gosto nos dedos delicados e firmes de Erica.
– Devemos sair daqui. — Boyd sussurrou sem deixar de segurar Cora e confortá-la com um carinho na base da coluna.
– Eu posso andar, eu acho. — Cora riu, ela não se sentia leve assim desde o ensino médio, quando começou a descobrir seu próprio corpo.
– Vamos até o bar, você precisa de água. — Erica tinha um tom dominante, Cora não entendia por quê precisava de cuidados, mas não contestou.
– Isso são cuidados posteriores, você desceu muito rápido. — Boyd entregou um copo de água para a loba.
– Quebramos as regras do Derek. — ela riu e Erica a bufou.
– Isso não foi uma cena, é só o meu jeito de lidar com o pós sexo, ok? — Cora encarou a loira e deu de ombros.
– Vamos conhecer mais disso aqui? Eu acho que estou cansada de dançar. — Boyd sorriu e Erica deu de ombros.
– Eu vou falar com alguém na recepção, já volto. — a loira os deixou e Cora se sentiu confusa.
– Você pode ir ao banheiro, quando voltar podemos conhecer o calabouço. — Boyd viu a loba hesitar e tocou sua bochecha. — Precisa de ajuda com isso? — a loba o encarou, os olhos brilhando em ouro líquido.
– Eu estou bem. — ela sorriu, as presas expostas quando Boyd sorriu e esfregou seus lábios com o dedão, a mordida simples e então o beijo de boca aberta de Erica em seu ombro.
– Acho que você precisa de mais. — a loira riu e Cora voltou ao seu estado humano.
Ele saíram dali com a ideia daquela ser uma longa noite, uma noite muito boa por sinal.
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