A Gente É Que Complica.
1 Capítulo 1 - Seja Bem-Vindo
Notas iniciais
O tempo estava fechado neste dia. Tudo parecia está sem cor, sem vida. Preto era a cor que combinava. Pelo menos para Carly. Seu pai morreu em um acidente de carro. Caiu da Ponte Wright enquanto ele voltava para sua casa, pois estava fora há dois meses. Agora tudo o que se tem dele, é o seu corpo sobre o caixão, onde muita gente, até que ela nem conhecia estava presente. Vendo tanta gente usando preto ao seu redor, aquela garotinha viu o que a vida proporciona. E que ela não tem pena de ninguém, nem mesmo de uma garota de nove anos. Agora só tem sua tia Margareth no mundo. Sua mãe nem ao menos deu notícia desde seus quatro anos, e seu pai morreu sem dizer o porquê. Hoje, com seus dezessete anos, se tornou uma garota forte. Teve que aprender desde cedo as dores que a vida nos traz, teve que aprender desde cedo que nada é pra sempre. Que algum dia, tudo acaba.
Sentada sobre a cama, já de farda para o primeiro dia de aula depois das férias no meio do ano, ela pensava se ia ou não. Pois ontem, ela acabou de descobrir que seu pai morreu devendo pra muita gente. E um casal veio cobrar a sua tia, mas tiveram pena dela. Margareth não tinha condição de pagar aquela quantia, dez mil dólares não é pra qualquer um. E as condições financeiras não andam muito boas na casa dos Forbes.
Enquanto girava uma de suas pulseiras com spykes, sua tia se aproximou dela e alertou-a dizendo:
- Já é quase sete horas e você ainda nem tomou o café da manhã. Nina daqui a pouco chega aí e você sabe como ela não gosta de esperar, assim como você... E todas as suas amigas não é?
- Ela é minha única amiga, Margareth – falou enquanto se levantava da cama.
- E Bree? Vocês não são mais amigas?
Carly respira fundo, lembrando-se da ultima burrada que Bree fez. Carly faz com as mãos o sinal de tempo, que a sua tia já sabe que quando ela faz isso, significa que ela não quer falar. As duas descem as escadas e se sentam para o café da manhã. Quando Carly pega a sua primeira panqueca, escuta-se o som da campainha. Margareth bufa e vai atender. Nina entra já falando feito uma louca, com certeza ninguém entendeu nada.
- OK, tchau tia.
- Mas você não comeu nada menina.
Carly pega uma maça e sorri ironicamente. As duas roqueiras saem de casa correndo. Quando entram no carro velho do pai de Nina, já começa a falação de tudo de bom que rolou nas férias de Nina.
- E você não vai acreditar no que eu vou falar agora... Eu e o Freddy F-I-C-A-M-O-S! Não é de mais? Eu sei. Acho que estamos namorando, se bem que ele não me pediu, mas hoje em dia, acho que nem precisa – ela respira um pouco. E continua – ah, e adivinha? Eu estou morando no final do quarteirão agora, pois é, vamos viver na casa uma da outra, vai ser de mais. O único problema vai ser o “mala” do meu pai, mas isso nunca foi um problema, sei lidar com ele e...
- Nina! Essas mechas rosa ficaram bem bacanas em você, sempre soube que você um dia iria pintá-lo assim. Tem sorte de o seu cabelo ser preto, combina com qualquer cor – interrompeu Carly tentando acabar com a faladeira da sua amiga.
- Ah valeu, pena que não posso dizer o mesmo. Suas mechas pretas estão manjadas, f5 amiga, por favor. Como seu cabelo é castanho, dá pra você botar qualquer cor também – disse Nina tocando nos cabelos de Carly enquanto dirigia. E o diálogo foi seguindo nisso, cabelos, mechas, quase um acidente, quase um atropelamento de cachorro, palavrões para os lesados que ainda estão aprendendo a dirigir etc.
- Sejam Bem Vindos a J.K. High School, onde os seus desejos profissionais serão construídos e desenvolvidos. Desejo a vocês bom desempenho nas aulas, para que no futuro vocês sejam grandes profissionais. E que a gente se encontre qualquer dia por aí – e Jhonny Kooper solta mais um dos seus risos sem graça. Somente seu quase servo, o inspetor Holmer, rir feito um louco. E o discurso de boas vindas continua – como diretor da J.K. High School quero pedir que vocês, alunos, continuem bem empenhados como no primeiro semestre e, para vocês professores continuarem com a mesma ordem e decência como exemplos para os alunos. Bom dia e que recomece o segundo e ultimo semestre. – Todos aplaudem e seguem pra salas de aula. Depois de um tempo, a professora Jenna entra na sala. Professora nova. Ela se apresenta como a professora de física e pede pra cada aluno se apresentar. Carly se apresenta sem dar muita atenção aos comentários dos garotos que, de assobios passou pra “gostosa”. Depois é a vez de Nina, depois Freddy, em seguida Tom, Bree, Helena, Jonh e o restante dos alunos. Por ultimo ficou Chris, um novato que estava no final da fila. Mesmo em meio de tantos olhares ele não se intimida:
- Sou Chris... Chris Williams. Cheguei à cidade há pouco tempo, estou começando a me adaptar ainda. E é só isso – ele se senta e deixa muitas meninas sem fôlego, inclusive Bree. Depois botou seu capuz de volta e ficou batendo a caneta na carteira desejando que a aula acabasse o mais rápido possível. Já bastava ser novato e no meio do ano então. E pra piorar, Jenna pede que ele se aproxime mais para a quarta carteira da fila em que estava, e assim ele fez. E começou a aula sobre eletricidade. Enquanto ela falava, Chris observava seus colegas, vendo quem ele tentaria pelo menos uma proximidade. Em sua lista ficou Tom e só, devido o cara ser na dele. Chris pensou que só iria encontrar filhinhos de papai, mas achou bem conveniente ter a amizade de Tom e, para sua alegria, Chris ficou de dupla com ele.
- Muito bem. Agora que todos estão em suas devidas duplas, vou explicar mais ou menos como eu quero que seja. Essas duplas serão até o final do ano, vai ter uma aula no mês que vai ser sem duplas e pode ser que, nos trabalhos, eu junte algumas duplas. Estou fazendo isso porque quero que vocês se aproximem mais de seus colegas e pra isso, vou deixar vocês conversarem um pouco, até a segunda aula. Faltam trinta minutos – diz a professora. Carly ficou de dupla com Helena, amiga quase capacho de Bree. É óbvio que Carly odiou.
Por que não com Nina? Ou com Tom, ou até com o novato? Logo com a escrava da víbora, é sacanagem isso – pensou Carly. Helena até teve a iniciativa de uma aproximação, que deu falha. Elas não se falaram por quinze minutos. Até que, mais uma vez Helena tentou e dessa vez, conseguiu.
- Eu sei que você não gostou da nossa dupla, eu também não, queria muito que tivesse sido com Bree e você, com certeza queria que a sua fosse com Nina. Mas só porque eu sou amiga da sua nova inimiga, não significa que também sou sua inimiga. E sim, eu sei que o que a Bree fez com seu namoro com Jonh foi uma sacanagem e...
- Pois é, foi uma sacanagem mesmo. Ela é uma traíra.
- Mas ele também te traiu, não foi só ela.
- Claro, acho que não tem como você – ela baixa um pouco o tom – fazer sexo sozinho. Foi por isso que eu terminei com ele.
- Mas você sabe que ele te ama, os homens são assim, fracos. Não pode ver uma mulher se insinuando que já perde a cabeça – diz Helena, como se fosse uma psicóloga.
- Pode até ser, mas não sou palhaça. Dei respeito, também quero respeito. E se ele é fraco, realmente nunca deveria ter começado um namoro comigo. Mas tipo, por que a Bree fez isso? Certo que ela bate o recorde de quem mais faz besteiras, mas essa passou de todos os limites e olha que o limite pra mim é o céu.
- Ela falou que gostava dele bem antes de vocês começarem a namorar – e acaba o primeiro tempo. Enquanto Jenna passa a matéria, Helena tenta continuar o assunto, sem chance. Carly já sabia tudo o que precisava saber e, ela ainda está mal em Física, precisa focar nas aulas chatas de Jenna. Enquanto isso, Chris e Tom já se aproximaram o suficiente. Já sabem onde moram, sabem com quem moram e Tom deixou bem claro quem as pessoas que Chris podia se relacionar. Tom convida Chris pra sentar-se à mesa de seu grupo e ele aceita.
O sino toca e os alunos começam a sair da sala. Enquanto Chris e Tom guardavam seus livros, Bree chega ao lado de Chris e diz:
- Bem Vindo Chris à J.K. High School! Sou Bree de Niro. É que eu não gosto de ver os novatos sem amigos. Sinto-me na obrigação de ajudá-los, sei lá, isso vem de mim mesmo.
- Obrigado, mas eu já tenho um amigo – retruca Chris apontando para Tom, que sorri com muita satisfação. Bree sente o impacto do fora, mas mesmo assim não desiste. Antes de eles saírem pra fora da sala, ela se intromete no meio da passagem e continua:
- Olha Chris, hoje vai ter uma festa de volta as aulas na minha casa – ela entrega o convite e ele recebe, por educação – se quiser ir, será bem vindo e seu amigo também pode ir – ela sorri para Tom e depois para Chris, esperando uma resposta.
- Não gosto muito de festa, mas se eu estiver afim eu vou.
- Te espero lá, quer dizer... Espero vocês dois lá – ela sorri mais uma vez, um pouco satisfeita.
- Beleza, se quiser sair da frente da porta já pode – diz Chris com ironia. Ela fica sem graça da besteira que fez e também do modo como ele falou e sai da frente. – Muito obrigado! – Disse Chris enquanto caminhava para a cantina com Tom, que ria freneticamente.
- Cara, você é o cara.
- Por quê?
- Porque você foi o primeiro que deu um fora na Bree e o primeiro que a deixou sem graça. E tipo, o modo como você falou com ela, foi demais! – Fala Tom, todo animado. Chris sorri. Filhinha de papai não é muita o estilo dele e aquela garota é simplesmente muito mimada, assim pensava. Eles caminharam até chegar à mesa da turma de Tom, onde só tinha Carly sentada, que não dá muita bola pra eles. Chris quase senta na cadeira de Nina, mas Tom alerta-o antes. Ele se senta na cadeira em frente à de Carly.
- Carly esse é o...
- Já sei o novato – ela interrompeu-o.
- Esse novato tem nome, Chris Williams e prazer em conhecê-la também – diz Chris. Carly dá de ombros e continua a encarar Bree e sua turma rosa.
- Beleza, vai querer o quê Chris? Como você é novato, vai ter essa regalia, mas é só por hoje – avisa Tom. Chris solta uma risada e pede o que Tom achar melhor. Carly continua observando sua nova inimiga, Chris saca logo tudo e diz:
- O que foi que ela te fez? – Pergunta à Carly, que não entende o porquê da pergunta. Na verdade entendeu, mas queria ter a certeza.
- O que foi que essa Bree te fez?
- Por que você acha que ela me fez alguma coisa?
- Seu olhar de raio laser define tudo – brinca ele, o que não tirou nenhum sorriso da marrenta.
- Ela simplesmente transou com o meu namorado, sendo que ela era uma das minhas melhores amigas.
- É, tem motivos pra sentir raiva dela. Mas por que o Tom me disse pra me afastar dela?
- Além disso... Ela é egoísta, ela sempre vem em primeiro lugar depois o resto, ama humilhar e pisar nas pessoas inclusive nos próprios amigos e, se sente bem com isso. E quando está mal, desconta em todo mundo que ela vê. Quer mais ou está bom pra você?
- É o suficiente. Mas tipo, pessoas assim se dão mal por si mesmas. Tudo o que vai volta.
- Não curto frase feita – resmunga ela, pois Carly não gosta muito de ser ajudada e aquilo de fato, ajudou-a. O que ela não gostou, pois isso veio de um novato que ela acabou de conhecer. Mas Chris é difícil de ser intimidado.
- Pode até ser frase feita, mas é a verdade. Se você faz o bem, colherá o bem, se faz o mal, colherá o mal. Simples e prático – ele dá uma piscadinha pra ela, que dá de ombros. Nina chega rapidamente e se senta. Ela sorri exageradamente para Chris e cutuca Carly pedindo pra ela o apresentar, que não dá muita bola, então...
- Prazer, sou Chris. Chris Williams – ele estende a mão pra cumprimentá-la.
- Sou Nina Kennedy, a mais linda e divertida do colégio – diz ela também estendendo sua mão, que recebe um beijo dele. Ela sorri mais ainda, um pouco envergonhada. Ele elogia suas mechas e ela fica mais convencida de que é linda. E na verdade é. Sua pele é morena, tem cabelos pretos, agora com mechas rosa, e olhos castanhos claros. – Então, você vai pra festa de volta as aulas na casa de Bree?
- Ainda estou pensando, ela me convidou, mas acho que ela não é uma boa companhia – responde Chris. Carly olha discretamente pra ele e estica um pouco os lábios quase que um sorriso.
- E você, Carly? – Pergunta Nina já sabendo da resposta. Que foi um não. – Ah você vai sim. Vai dar esse gostinho pra ela?
- Eu não quero ver ela, estou com nojo da cara dela. Se eu for pra essa droga de festa, vou quebrar tudo e incendiar aquela casa – responde Carly pegando sua bandeja que Nina trouxe já mordendo o sanduíche com a ferocidade que só ela tem. Nina respira fundo, já chateada e, dá uma mordida em seu sanduíche.
- Carly você não pode deixar de se divertir por causa dela – diz Chris.
- Você acha que ela tá com essa moral toda pra cima de mim? Vou bem deixar de ser feliz por causa dela.
- Você vai deixar de se divertir essa noite. E por causa dela.
- Eu posso me divertir em casa.
- Só se for tocando sua bateria – diz Nina, com um pouco de medo do que vai vim depois. Sua sorte é que só vem um olhar destrutivo de Carly, que depois cruza os braços se escorando na cadeira. Tom chega com as bandejas e se senta, já percebendo o clima.
- Vamos fazer assim, nós quatro vamos pra essa festa. E se ela se meter com qualquer um de nós, quebramos tudo e incendiamos a casa tá? – Insiste Chris.
- Hei, eu não vou. Não gosto de festa – diz Tom.
- Ah, você vai sim. Basta Carly não querendo ir, agora você também? Você vai e já tá decidido! – Ordena Chris pra Tom. Que depois de relutar, aceita ir. Nina insiste mais uma vez a Carly, que finalmente aceita ir.
- Mas você falou, se ela se meter com algum de nós, quebramos a casa ou incendiamos.
- Ou os dois e mais um pouco, tá bom assim? – Diz Chris, todos riem inclusive Carly.
As aulas foram chatas e cansativas. Mas finalmente o sino soa. E antes de todos saírem, Bree reforça o convite para a festa em sua casa hoje à noite. E todos ficam bem animados. O novo grupinho marca de se encontrar na casa de Carly, às 19h00min em ponto.
Chris chega em casa. Dá um abraço em seu avô, que estava sentado no sofá assistindo seu programa de pesca.
- Como foi o seu primeiro dia de aula na J.K? – Perguntou Rick.
- Foi bom. Já tenho alguns amigos – disse Chris já subindo as escadas. – Ah, hoje vai ter uma festa lá na casa de uma das alunas e eu fui convidado.
- Isso foi um pedido de permissão ou só um aviso? – Perguntou seu avô.
- Os dois – disse Chris parando em um dos degraus. Rick assenta com a cabeça e volta a assistir seu programa de pesca. Chris entra em seu quarto, joga a mochila no canto e abre seu guarda-roupa já procurando uma roupa.
Já 18hr30min e Carly ainda está se arrumando. Nina entra em seu quarto já pegando no vestido preto de sua amiga.
- Sabia que você ainda tava se arrumando, você é muito lesada. E você não vai de all-star, você vai com sandália de tachas com aquele salto arrasador!
- Tá. E gostei da roupa – disse Carly. Nina estava com uma camiseta amarela com o símbolo do infinito nela, com uma calça listrada preta e branca e com um sneaker branco com dourado. Ela faz pose e corre para o espelho. Enquanto Carly se arruma rapidamente.
A campainha soa e Nina corre para atender. E era quem ela imaginava: Tom e Chris. Tom está de blusa xadrez vermelha e preta de manga longa, com um fone de ouvido em seu pescoço, sua calça preta bem justa e seu tênis sem cadarço cheio de tachas. Chris estava com uma blusa social branca de manga 3/4 com um colete preto, calça saruel preta e com um all-star. Eles elogiam Nina e cumprimentam-na com um abraço. Logo depois desce as escadas, uma Carly de vestido tomara que caia de tule preto com meias-calças rasgadas e com sua sandália cheia de tachas. Os garotos ficam deslumbrados.
- Nossa! Você tá linda, Carly – elogia Chris. Olhando-a dos pés a cabeça. Carly sorri, agradecendo o elogio. Tom não consegue nem falar. Margareth aparece e fica impressionada com sua sobrinha.
- Olha, quero você aqui antes da meia-noite viu. Juízo – diz Margareth. Carly sorri para sua tia, concordando. A turma entra no carro de Nina e eles seguem para a festa. Enlouquecendo no carro com o som estourando. Cantando desafinado e pulando no banco. Quase que a polícia os para. Até que eles chegam à festa. A casa de Bree parece mais uma mansão. Com cores rústicas, janelas de vidro e com varandas enormes. A casa está cheia de balões ao redor e a piscina também, onde já tem algumas pessoas tomando banho. Chris toca a campainha e Bree abre a porta. Ela leva um susto de ver Carly e Nina, mas tenta disfarçar.
- Sejam bem vindos em minha festa... Colegas! – Diz ela.
- Valeu, iremos aproveitar bastante – ironiza Carly e ainda dá uma piscadinha para Bree, já entrando na casa com toda a sua turma.
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