A Gata Borralheira E O Herdeiro Uchiha - Hiatus
10 Capítulo 10: Lembranças e Beijos
Notas iniciais
O filme decorreu agradavelmente. Ino não parava de comentar sobre como o Robert Downey Jr. era o cara mais incrível e chique da face da Terra. Acho que ela nutre uma paixão incubada por ele, só acho. Sasuke permaneceu calado o filme inteiro e eu aproveitava o momento já que eu nunca tinha ido em um cinema na minha vida.
Com o fim do filme, nós saímos e Ino voltou a conversar sobre o filme. Sasuke disse que nos levaria para casa e depois iria para a dele. Sorri de volta quando Ino perguntou o que eu achei do filme.
– Eu gostei. – respondi simplesmente. – Foi bem legal.
– Sasuke, você sabia que a Sakura nunca tinha ido num cinema? – perguntou a loira para o moreno que apenas ergueu a sobrancelha para mim, como se perguntasse se o que ela dizia era verdade. – E o primeiro filme que ela assiste é com o lindoso do Robert! Você tem muita sorte querida!
– Ino, deixe de coisa. – murmurou Sasuke. – Ele não é tudo isso.
– Claro que é! – resmungou a Yamanaka. – E você só diz isso porque não é famoso e lindoso como ele.
– Ino... – murmurei chamando-a. – O Robert é um ator excelente. Eu gostei mesmo.
– Não disse que você iria gostar! – disse alegre. – Vem, vamos logo, temos que resolver um problema amanhã cedo. Há! Sasuke, você bem que poderia nos ajudar nisso né?
– Em quê? – pergunta ele sem muita emoção.
– Tipo assim! A Saky aqui antes de virar órfã e ir para o orfanato morava naquele casarão da esquina da escola, sabe? Aquele bonito e tudo! – disse – E bem, nós queríamos saber se o seu irmão não poderia ajudar a gente com isso. Já que ele é maior de idade e tá terminando o curso de Direito.
– E o que eu tenho a ver?
– Bom, você ama a Sakura né? – perguntou, o que me fez ficar completamente corada. – Além de que você é o carinha da borboleta azulada dela, então acho que pelo menos poderia ajudar ela a conseguir a casa onde passou a infância de volta e quem sabe é lá onde vocês possam morar depois do casamento e até mesmo me convidar para passar um dia lá, né?
– INO! – gritei nervosa e completamente vermelha, tão ou mais que um pimentão. – Deixe dessas coisas. Eu não ligo para aquela casa.
– Eu ajudo. – respondeu Sasuke, fazendo-me olha-lo confusa e ao mesmo tempo curiosa. – Além do mais, você vai precisar de um advogado mesmo, né?
– Ótimo! – exclamou Ino dando leves pulinhos. – Vem, vamos resolver tudo hoje e amanhã falaremos com o Itachi-kun sobre tudo! Você vai conseguir a casa de seus pais de volta Sakura!
– É... Obrigada pessoal.
O restante do caminho foi em completa calmaria, tirando por Ino que ora ou outra sempre dava o jeito de conversar comigo. Sasuke nos deixou na frente da casa da Yamanaka e se despediu de nós. Ino ficou olhando para mim e saiu deixando-me a sós com o Uchiha.
– Bem, acho que é um tchau, né? – perguntei fazendo-o abrir um mínimo sorriso. – O que foi Sasuke? Está rindo do quê?
Ele nada disse apenas aproximou-se de mim. Senti meu corpo esquentar ao sentir sua respiração próxima de meu rosto. Ele tinha um meio sorriso no rosto como se estivesse se divertindo com as minhas reações a essa aproximação repentina. Ele aproximou o rosto do meu, o corpo do meu, colando seus lábios sobre os meus em um beijo silencioso. Sua mão em minha cintura e minha mão em seu ombro.
– Boa noite, Sakura. – disse.
– Boa noite. – resmunguei rapidamente virando as costas e entrando na casa completamente corada. Lá dentro Ino olhava para mim com um sorriso divertido. – O que foi Ino?
– Eu vi tudo. – disse apenas.
– Ino... – murmurei.
– Sakura, vocês dois são um belo casal, sabia? – perguntou-me. Eu apenas revirei meus olhos e subi as escadas entrando no quarto da loira. – Não, Haruno. Diga-me uma coisa, você já tinha beijado outro garoto antes?
Fechei meus olhos ao ouvir a pergunta de Ino. Sim, eu já tinha beijado outro menino antes, mas eu tentava não pensar mais nele.
(lembranças on)
Domingo. Normalmente nesse dia, as crianças do orfanato iam a uma pequena capela do outro lado da rua e rezavam, oravam, ou apenas meditavam pela manhã. Sakura estava vendo pela janela, as crianças entrarem lá dentro. Ela não estava com muita vontade de ir pela manhã e pelo o visto não fora a única.
A certa distância, um ruivo de olhos cor de mel observava a rosada. Ele aproximou-se dela por trás fazendo a garota levar um pequeno susto ao ver que atrás dela estava o único garoto por qual se interessara no orfanato desde que chegara ali. Ele não deveria ser tão velho, no máximo a diferença de idade entre os dois era de dois anos, se duvidar, três, mas Sasori não parecia tão velho assim.
Akasuna no Sasori. Um ruivo alto de olhos invejados que aparecera a dois meses no orfanato. Os pais tinham morrido em um assalto na própria casa, onde somente ele sobrevivera. Ele era afilhado do dono e por isso poderia ter regalias, mas para dar-se bem com os outros, ele as recusava.
– Desculpe-me. – disse baixo – Eu te assustei?
– Não. – respondeu a Haruno rapidamente. – Achei que tivesse ido para a capela.
– Não estava muito a fim de rezar. – murmurou sentando-se no batente da janela e ficando de frente para a rosada. – E você? Por que não foi?
– Acho que a mesma coisa. – disse a Haruno meio constrangida, não sabendo o motivo disto.
Os olhares deles se encontraram e a Haruno sentiu o corpo esquentar brevemente. Ela admirava os lábios carnudos do Akasuna, ela queria saber como é um beijo e pela mente do ruivo também se passava isso. Ele levantou do batente e aproximou-se da rosada. Acariciou a face dela com a mão enquanto via-a fechar os olhos com o toque. Suspirou aproximando seu rosto do dela. As respirações eram mescladas até que em um pequeno encostar de lábios, Sakura sentiu uma corrente elétrica sucumbir por seu corpo desde a boca onde Sasori pousara os lábios até as pontas dos pés. Ela colocou as mãos nos ombros do ruivo e ele segurou sua cintura, puxando-a mais para si aprofundando o beijo.
(lembranças off)
– Sakura! – gritou a Yamanaka no meu ouvido fazendo-me sair do transe. – Bem, você não respondeu minha pergunta. Então, você já beijou outro garoto?
– Desculpa, acho que não ouvi o que você disse. – murmurei tentando mudar de assunto. – Vamos, amanhã a gente precisar encontrar o Itachi e o Sasuke.
– Não tente me engabelar, Haruno. – murmurou Ino completamente intrigada puxando meu braço para perto de si. – Você já beijou outro garoto?
– Já. – respondi – Satisfeita? Agora podemos parar de falar nisso? Eu não quero lembrar.
– Ele por acaso forçou você a beijar ele? – perguntou-me – Não, porque pra você não querer falar sobre ele, ele deve ter te tratado horrível.
– Pelo contrário. – murmurei – Ele me tratou muito bem, mas é por isso que eu não quero falar.
– Sabe... – disse – Falar às vezes, ajuda.
Sentei no meio do corredor dando-me por vencida. Essa Ino conseguia arrancar qualquer coisa de mim, mesmo que eu não quisesse.
– Tá bem. – falei – O nome dele era Sasori...
– Sasori? – perguntou confusa. – Já ouvi esse nome em algum lugar... Mas do que importa, continua.
– Nós nos conhecemos no orfanato. – recomecei – E tipo, cerca de duas semanas antes que eu fugisse de lá, nós nos beijamos. – falei lembrando-me novamente da sensação. – Foi muito bom. Ele foi muito legal comigo depois disso e ficamos meio próximos. Mas ai eu fugi. Eu não podia contar para ele. Eu já estava arriscando minha vida e também a segurança de Azulla, uma amiga que fiz no tempo lá. – disse lembrando-me da garota que sempre me divertia naquele lugar. – Eu fugi de lá. Não sei mais o que houve por lá e por isso, prefiro não ficar lembrando. É difícil esquecer.
– Acho que deve ser mesmo. – disse Ino. – Sabe que pode contar comigo né?
Balancei a cabeça dizendo que sim e ela me abraçou ali mesmo no chão. Não consegui segurar algumas lágrimas. Ino se tornou a única pessoa em que eu poderia confiar tão rápido que até me surpreendo. Melhores amigas.
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