A Gata Borralheira E O Herdeiro Uchiha - Hiatus
1 Capítulo 1: Um novo começo
Notas iniciais
Eu estava sentada perto de uma escola de riquinhos no meu pequeno pedaço de papelão. É eu era uma moradora de rua. Meus pais haviam morrido e eu não tinha nenhum outro parente vivo. Eu até que fui levada ao orfanato de Konoha, mas eu no fim decidi que ficar na rua era melhor do que naquele local. Afinal das contas, eu poderia contar com os mercadores que trabalhavam em uma feira próxima de onde eu estava e com uma grande tenda que havia próxima aquela escola.
Não deveria ser mais de sete horas da manhã e eu já podia avistar alguns adolescentes aparentemente da mesma idade que eu acompanhadas de seus pais chegando em luxuosos carros. Até que eu o vi. Um menino um pouco mais alto do que eu. Seus cabelos negros eram arrepiados e meio desarrumados. E seus olhos eram negros como a noite sem estrelas. Ele chegara acompanhado de um rapaz não muito mais velho que ele, moreno de olhos negros e cabelos preso em um rabo de cavalo baixo. Esse mais velho se despediu do garoto que revirou os olhos dando um tchau apressado. O mais velho entrou no carro e partiu.
Eu ainda observava o garoto de forma questionadora. Não sei o real motivo, mas não conseguia tirar os olhos dele. Ele olhou em minha direção e eu imediatamente me vi pega pelo olhar pesado que ele enviava a mim, entretanto, seus lábios deram uma ligeira curva em um meio-sorriso. Senti minhas bochechas esquentarem com aquele ato inesperado. Ele vinha caminhando em minha direção, mas fora parado por um garoto loiro de olhos azuis que gritava para ele.
— Sasuke. – gritou o loiro tão alto que pode ser ouvido por mim. – Teme o que faz ai? Vamos logo.
O moreno murmurou nervoso. Deu mais uma rápida olhada para mim e acompanhou o loiro dando-lhe um tapa na cabeça por ser tão irritante. “Sasuke”, um belo nome diga-se por passagem. Igual ao dono. Que é isso Sakura! Pare de pensar essas coisas. Levantei calmamente e dobrei meu papelão. Sai caminhando em direção a feira, há essa hora, o pessoal deveria estar chegando.
Parei em frente a uma barraca de frutas. Todas pareciam extremamente deliciosas. Maçãs vermelhinhas, laranjas cheirosas, peras suculentas e um grande bolo de tapioca que parecia ter saído do forno há pouco tempo. Quando percebi já estava com água na boca. Meu estômago resmungava solitário. Eu não comia nada desde meio dia de ontem e ele já sentia falta de algo para forra-lo. “Calminho ai estômago”. Falei para mim mesma. “Precisamos trabalhar se quiser algo para comer meio-dia”. Ele deu mais uma longa roncada que doeu. Coloquei a mão na barriga e virei de costas para aquelas frutas suculentas antes que ele me fizesse fazer alguma besteira para mantê-lo calado.
— Oi garotinha. – falou uma senhora alta e loira. – Quer alguma coisa?
Acenei que não com a cabeça e a mulher me olhou agora de cima para baixo. Isso me deixou um pouco corada com a situação. Tinha medo dela me expulsar de perto da sua barraca e fiquei meio receosa.
— Toma. – falou entregando-me uma das maiores maçãs dali. – Deve estar com fome.
— Mas senhora. – eu sussurrei – Eu não tenho dinheiro para pagar isso.
— Não tem problema criança. – murmurou a senhora enquanto colocava uma touca verde no cabelo. – Pode comer.
— Okaa-san. – gritou uma garota de aproximadamente a mesma idade que eu. Ela era loira de olhos azul-esverdeados. – Já vou indo para escola. Oi! – falou dirigindo-se a mim. – Quem é você?
— Haruno... – murmurei enquanto comia um pedaço da fruta e via meu estômago murmurar satisfeito. – Sakura.
— Prazer. – falou estendo a mão, que eu apertei por educação. – Yamanaka Ino. Você não vai para escola não?
Olhei para os lados procurando uma saída, entretanto, a senhora que parecia ser a mãe de Ino resmungou com a filha perguntando se ela não estava atrasada para escola. A loira olhou o relógio em seu pulso e saiu correndo apressada xingando baixinho.
— Obrigada. – falei para a mulher.
— De nada criança. – disse e me entregou uma pequena sacola. Eu abri e vi um pedaço do bolo de tapioca e uma garrafinha de suco junto com duas maçãs. Olhei confusa para a mulher e eu estava para rejeitar a sua bondade, mas o olhar dela dizia que não aceitaria não como resposta, então eu optei então por não dizer nada além do obrigado.
Sai daquela feira novamente para meu cantinho próximo a escola. Sorri ao lembrar a gentileza da moça da feira. Faria esse pequeno agrado render, ficaria comida até meio-dia do dia seguinte. Observei o enorme relógio que havia na porta escola e descobrir ser quase hora do intervalo. Quem sabe eu não veja o Sasuke novamente? Varri esses pensamentos de uma vez. O que eu pensava? Eu não era ninguém comparada aquelas crianças e adolescentes que estudavam no imenso prédio da Konoha High School.
Um som estridente soou pelos meus ouvidos e avistei várias crianças e adolescentes saírem pelos portões gradeados da escola em direção ao parquinho e lanchonete que existia lá fora. Avistei uma menina loira de olhos azul-esverdeados e pele branquinha correr em minha direção.
— Ah. – falou parando na minha frente. – Você é a Sakura. Sabia que conhecia você de algum lugar.
— Ino-san não é mesmo? – perguntei, o nome daquela loira era estranho. Nome de porco.
— Sem o sufixo baby. – murmurou colocando os braços na cintura. – Apenas Ino. Bom, porque você não está na escola como qualquer outra pessoa da nossa idade?
— Por que... – sussurrei. Falaria ou não? – Não posso.
— Hã? – perguntou confusa. – Como assim não pode?
— Porque eu não posso. – respondi, e me arrependi por ser rude. – Apenas não posso falar.
— Ok então! – gritou novamente, que menina maluca. – Já vou indo. Até depois Saky.
Saky. Era esse o nome pelo qual minha adorada okaa-san me chamava antes de dormir. Todos os dias ela abria a porta do meu quarto e acariciava meus longos cabelos róseos e murmurava palavras doces que só ela conseguia dizer. Meus olhos arderam em lembrar-me dela. Sentia tanta falta de seus carinhos, seu amor e sua alegria contagiante.
— Ei garota. – murmurou uma voz e enxuguei meus olhos com as costas da mão. – Tá chorando por quê?
Olhei para cima para avistar o dono daquela voz angelical. Meus olhos arregalaram-se ao avistar o rapaz dono dessa voz. O mesmo moreno de hoje cedo. Sasuke.
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Passei as três primeiras aulas apenas imaginando quem seria aquela garotinha de cabelos róseos e olhos verde-esmeraldinos que estava sentada na frente da escola hoje. Naruto era o culpado por meus pensamentos estarem voando até ela. Se não fosse ele chegar eu teria falado com ela. Ela me encarrara e conseguira suportar meu olhar pesado que ninguém nunca conseguira. Era diferente ser vencido por outra pessoa na parte de encarar.
Sai da sala na hora do intervalo caminhando calmamente para o lado de fora. Precisava tomar um ar. Avistei uma garota sentada embaixo da árvore com uma sacola de plástico nas mãos e a cabeça baixa. Aproximei-me vagarosamente dela e chamei-a.
— Ei garota. – murmurei e ela enxugou o rosto com as mãos. – Tá chorando por quê?
Ela olhou para cima e pela primeira vez pude notar que aquele olhar desafiador dela havia murchado e em seus olhos existia apenas dor e solidão. Seus olhos verdes sofriam e eu não sabia o porquê daquilo. Ela passou a mão pelo rosto e depois pelo cabelo, percebi que ela tentava arrumar-se sem sucesso. Mas isso não me importava. Ela ainda continuava bela.
— Não é nada. – resmungou fechando a sacola que segurava e colocando-a ao seu lado. – Entrou um cisco no meu olho.
Cisco no olho? Essa era a melhor desculpa que ela poderia inventar? Fala sério né? Já que ela não me contaria pelo o que houve eu apenas sentei-me ao seu lado. Pude notar o olhar de todos curiosos em minha direção. Ela se remexeu no seu canto mantendo-se afastada de mim pela sacola de plástico.
— Você não estuda? – perguntei puxando assunto.
— Outro que pergunta. – falou tão baixo que quase não consegui escutar. – Pra que quer saber?
— Você é sempre arrogante assim com os outros? – perguntei deixando meu olhar sério pousar sobre os dela. – Ou apenas gosta de afastar as pessoas?
Ela me encarou incrédulo. Ótimo, veria agora se ela poderia suportar meu olhar novamente. Mas num momento eu desviei após encarar aqueles olhos verde-esmeraldinos que transmitiam dor e tristeza.
— Seus olhos são iguais aos meus. – sussurrou abrindo meio-sorriso.
Fiquei estático. Tá aquilo me pegou de surpresa. Como assim? Iguais aos dela? Jamais pensaria que ela falaria algo assim, achei que ela me expulsaria dali a pontapés, mas nunca imaginava isso.
— Seus olhos não são iguais aos meus. – falei tentando parecer menos perplexo. – Seus olhos são verdes e os meus pretos.
— Não era nisso que eu falei. – disse – Eles são iguais aos meus, sabem o que é a solidão e a dor. – murmurou colocando a cabeça entre os joelhos.
— Quem você perdeu? – perguntei entendendo onde ela quis tocar o assunto.
— Todos. – respondeu.
— É uma órfã? – perguntei, me batendo em seguida por fazer uma pergunta tão óbvia assim. – Que pergunta idiota.
— Meus pais morreram em um acidente de carro há alguns meses. – murmurou sofrida. – Eu não tinha mais nenhum outro parente vivo.
— Mas por que está nas ruas? – perguntei, já julgava que ela deveria ser uma sem-teto após falar que perdeu todos. – Não deveriam manda-la para um orfanato?
— Até mandaram. – respondeu olhando para o nada. – Mas eu fugi. Ficar nas ruas é melhor que ficar naquele local. É como ficar numa prisão sabendo que nunca virão te buscar. É deprimente.
Fechei os olhos. Eu também sei o que ela está passando. Negação. Acha que no mundo ninguém gosta dela e que está sozinha. Pensa que perdeu as únicas pessoas que verdadeiramente lhe queriam bem, e isso é torturante só de imaginar.
— Também perdi meus pais. – revelei. Ela me olhou curiosa. – Minha mãe morreu quando eu nasci e meu pai morreu assassinado.
— Sinto muito. – falou francamente.
— Meu irmão mais velho e eu somos o que sobrou da família. – falei – Na época, meu irmão era menor de idade e fomos para um orfanato.
— Você foi parar num orfanato?
— Sim. – respondi com um meio-sorriso no rosto ao me lembrar daquele local. Era frio, mas eu me sentia bem mais confortado por saber que eu não estava sozinho. Itachi-nii-san estava lá comigo. – Então uma família adotou a gente. Eles eram bem legais e tudo mais.
— Eram? – perguntou, acho que ela deve ter estranho eu colocar o verbo no passado. – O que houve com eles?
— Morreram também. – respondi lembrando-me dos sorrisos das duas pessoas que me tiraram do buraco juntamente com o nii-san. Aquela loira e aquele moreno que lembrava meu pai. – Vai fazer um ano no verão.
Ela fechou os olhos por longos instantes. Eu percebi que a campainha da escola já havia tocado a primeira e logo tocaria a definitiva para entrar. Levantei-me do local onde eu estava sentado e vislumbrei o rosto da garota novamente. Ela ainda mantinha os olhos fechados e a cabeça baixa. Parecia que dormiria a qualquer instante.
— Sayonara Sakura. – murmurei baixinho. Ela já dormia. – Até quem sabe outro dia.
Segui em direção à sala de aula logo em seguida deixando a rosada adormecida sob o imenso pé de cerejeira. Ela parecia apenas mais uma das flores daquela árvore adormecida sobre suas raízes.
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Quando acordei deparei-me com uma rua deserta. O sol estava se pondo e eu olhei com a vista ainda embaçada para o relógio do portão da escola. Não marcava mais do que seis horas da tarde. Como eu dormi tanto? Olhei para o lado avistando a sacola intacta e uma caneta de metal junto. Deveria ser do Sasuke.
Levantei e limpei o pequeno short jeans que eu usava. Peguei minhas coisas e caminhei até a praça. Avistei o imenso farol iluminava o mar à espera dos veleiros para aportarem no cais. Entrei calmamente num banheiro do balneário e avistei os chuveiros. Já me acostumara a tomar banho naquele local. Não era seguro de tarados, mas era o que tinha a oferecer. Tomei um banho e vesti as roupas limpas. Sai daquele lugar e voltei a encaminhar-me para a frente da escola.
Eu já estava quase chegando quando passo por uma casa enorme com portões de ferro negro enferrujados devido a falta de cuidado e a chuva constante. A casa ao contrário dos portões, estava intacta. Era uma bela mansão de dois andares branca com colunas gregas e estatuetas de anjos decorando as janelas do andar superior. O jardim possuía poucas rosas brancas murchas e muita erva-daninha. Mais a frente avistava-se o que antes deveria ser uma piscina bem bonita com água límpida e refrescante. Sentiu os olhos brilharem ao verem o imenso parquinho próximo a porta de serviço. Uma casinha de cachorro terminava por emoldurar o quintal.
Aquela era a casa dos sonhos de qualquer um. Deveria ser bela quando cuidada por seus donos. Ela retomou a caminhada. Sentia o coração saltar todas às vezes que passava por lá. Por muito tempo avistou a placa de vende-se no portão de ferro e imaginou-se quem sabe um dia comprando aquela casa e reconstruindo sua família. Afinal de contas, sempre fora seu sonho continuar a família na casa em que nascera. Mas esse sonho morrera no momento em que seus pais partiram naquela viagem de negócios deixando-a sozinha na casa com a babá. Seus sonhos partiram com a mesma velocidade da partida para sempre de seu ottou-san e sua okaa-san. Ou seja, incrivelmente rápido.
Notas finais
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Qualquer erro ortográfico ou de concordância, me perdoem. Sempre deixo passar alguma coisa.
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Eu estou aceitando qualquer crítica ou opinião. Espero que gostem dessa fic.
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O próximo capítulo deve sair até o fim da próxima semana, então não se preocupem. Aceito Reviews e tenham paciência que responderei todos. Até então. Nos vemos no próximo capítulo de A Gata Borralheira e o Herdeiro Uchiha. Já neh.
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