Notas iniciais
Espero que gostem! Boa leitura!!

Pensamentos fúteis deixam a tona tudo o que tentamos esconder embaixo de sete cadeados de ouro, cujas chaves não existem.

A luz do sol batia fraca contra uma janela gradeada no teto do local. Um ambiente úmido, mal cheiroso e irritantemente silencioso marcava o local que era conhecido como “solitária”. Eu havia passado a noite anterior ali naquele buraco. Ouvi um som de pés batendo contra o chão e logo a porta gigantesca fora aberta relando um ruivo surpreso a encarar-me. Evite arregalar meus olhos ao observar a figura estática na minha frente. Por que tinha que ser justamente ele?

– Sakura... – sussurrou. A voz permanecia doce e gentilmente rouca como eu me lembrava. – Então era verdade?

– Sasori o que você está fazendo aqui? – perguntei rapidamente olhando o ruivo que carregava uma bandeja de comida.

– Mandaram eu vir entregar a refeição da “solitária 22”. – disse apenas – Não sabia que era você.

– Obrigada. – falei sem me aproximar dele.

Ele olhou para mim ainda nervoso e aparentemente confuso. Colocou a bandeja sobre uma pequena mesinha que havia no cômodo e aproximou-se de mim. Eu tentei dar um passo para trás, mas havia acabado de esbarrar contra a parede. E lá estava eu. Observando o ruivo que estava apenas a dois centímetros de mim.

– Obrigada por deixar minha comida aqui, Sasori. – resmunguei tentando não olhar nos olhos questionadores do ruivo.

– Por que você fugiu sem me falar nada? – perguntou impedindo-me que eu pudesse me mexer. – Sakura, eu fiquei muito preocupado quando você simplesmente desapareceu. Tentei fazer a Azulla falar, mas ela apenas escapava de minhas mãos.

– Sasori, eu... – murmurei olhando naqueles olhos castanhos que me davam uma tranquilidade a algum tempo atrás. – Eu precisava disso. Não podia ficar aqui.

– E eu? – perguntou-me – Eu precisa de você, Sakura. Eu nunca tive ninguém. Sou órfão como você. E eu não tinha ninguém a não ser você.

– Sasori... – falei baixinho. O rosto dele aproximava-se cada vez mais do meu. Eu sentia nossas respirações rapidamente mesclarem-se em uma velocidade instantânea quando eu dei por mim. – Não posso.

– Não pode? – murmurou confuso – Sakura, eu espero você desde aquele dia. Eu espero tocar você. Beijar-te. Acariciar-te.

– Não posso Sasori. – falei mais firme. – Eu realmente não posso fazer isso.

– É outro? – perguntou-me virando as costas. Eu não respondi. – Aproveite o café da manhã.

E saiu fechando a porta em seguida. Observei a porta de aço. Frio. Duro. Sem vida. Não é que isso fosse diferente do que estava acontecendo ao meu redor. Voltar para aquele inferno não era nem de longe o que eu queria. Fechei meus olhos abaixando-me e sentando-me ao lado da comida. Um pão duro com um copo descartável de leite e um pedaço de ovo mexido. Era esse o café da manhã.

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Aquela razão idiota de ser o que eu queria ser

Não se compara aquela razão idiota de querer amar você.

O seu cheiro, seus olhos, seu toque.

Eu quero mais de você, pois estou viciado.

O ruivo não sabia o que pensava naquele instante. Ver Sakura novamente em sua frente depois de tantos meses era algo meio que inacreditável. Ele não sabia o que dizer, o que fazer e muito menos o que pensar. O pior de tudo era que ele não havia a esquecido, mas ela havia seguido em frente. Sakura realmente deveria ter encontrado outro cara do lado de fora daqueles muros enquanto ele ficava imaginando o que poderia ter acontecido com ela.

Olhou para a parede a sua frente. O seu quarto de dormitório era diferente dos demais órfãos já que ele trabalhava para o diretor. Fechou os olhos suspirando pesadamente e ouvi alguns passos. Olhou para trás avistando uma mulher alta e de cabelos quase avermelhados e olhos negros. Olhou-a confuso. O que Maya fazia ali?

– Está tudo bem, Sasori? – perguntou a mulher para ele. Sasori apenas acenou positivamente. – Sei que você viu a Sakura. Pode conversar comigo se quiser.

Ela aproximou-se dele e sentou-se ao seu lado na cama. Maya era como uma mãe para ele naquele local. Ela havia chegado apenas dois meses atrás e desde então sempre esteve ali para consola-lo ou simplesmente ouvi-lo. E Sasori gostava disso nela.

– É algo confuso. – disse o ruivo – Eu sempre gostei da Sakura. Então, ela simplesmente foge e não me diz nada. Mas depois ela volta e quando eu acho que estou me acostumando a não ver mais aquela coisa de cabelo cor de rosa e olhos verdes, ela simplesmente volta para minha vida como uma avalanche.

– Algumas vezes é difícil entender nossos sentimentos, Sasori. – disse a mulher segurando na mão do mais novo. – Principalmente quando estes sentimentos envolvem alguém que amamos ou queremos proteger.

– Você fala como se estivesse passando por algo parecido. – murmurou o ruivo e Maya apenas olhou para o nada. – Mas eu gosto de conversar com você.

– Eu também gosto de conversar com você, Sasori. – disse a mais velha abraçando o ruivo que aproveitou o abraço de Maya.

– Maya. – disse uma voz masculina fazendo-se presente e cortando o emocionante momento. Chouza, o diretor do orfanato estava na porta do quarto observando os dois. – Apareça na minha sala agora.

Maya olhou o homem saindo pelo corredor e depois olhou o olhar confuso de Sasori dando um mínimo sorriso antes de partir. A mulher entrou na sala do diretor sem ao menos bater na porta vendo o homem gorducho olha-la com uma expressão recriminatória.

– Desculpe. – disse Maya para ele. – Eu não sei o que houve. Eu só tive que falar com ele. Foi algo meio que automático.

– Não há desculpas Maya. – resmungou o gordo. – Eu deixei que você permanecesse aqui junto dele com a única condição de que você não se aproximasse dele. Sasori não pode saber sobre você.

– Eu sei. – disse a mulher amargura relembrando-se do combinado. – Tudo por ele.

– Então pelo bem dele, não o procure mais. – resmungou Chouza. – Maya, isso não é um pedido. É uma ordem. Fique longe de Sasori ou então eu terei que contar algumas verdades para ele sobre a mãe que o abandonara na porta deste prédio ainda bebê.

A verdade por mais dura que pareça, é melhor do que uma mentira fútil e sem escrúpulos que quando descoberta traz ao mundo a discórdia e a ira.

Notas finais
Comentários, recomendações ou favoritos? Aceitamos de todos os tipos! Até o próximo! ^^