A Garota-problema.
5 Capítulo 5 : Será que amar é mesmo tudo ?
Notas iniciais
> Duas amigas minhas aparecem aqui, então, tentem se identificar
Então eu me decidi, Nada de Davi na minha vida embora eu estivesse completamente apaixonada por ele. A amizade vale mais, muito mais do que um simples romance que provavelmente não vai durar a vida inteira. No fim das contas, quando o amor acaba, a gente corre pros amigos, magoando a Liz, quando terminasse eu ia correr pra quem ? É claro que eu ia contar o que aconteceu e ela ia ficar uns dias sem falar comigo, por outro lado, ela acabaria voltando porque eu desisti de tudo por causa dela, mas não, eu não ia falar do que eu tava sentindo, disso ela não precisava saber , era algo meu e só meu, ninguém entende , mas era. Acabei dormindo depois de escrever sobre tudo o que me veio na cabeça em um caderninho do ano, não, não era um diario, eu nunca escrevia as coisas com todas as letras e vírgulas, uma frase as vezes já era o suficiente pra que eu me lembrasse depois. Acordei e percebi que ainda era cedo, como eu não consegui voltar a dormir , procurei alguma coisa pra fazer ,. Comecei a ler o caderninho desde o começo, desde primeiro de Janeiro desse mesmo ano .
Ah, eu sentia tanta saudade do meu primo, nem eu sei medir o tanto ,e ele era muito importante. Três páginas depois, e o motivo da mágoa que eu tenho no meu coração reapareceu. Ela tinha nome e sobrenome e era ela mesmo, ela. Uma menina era o motivo de tanta amargura, ele fez de mim resistente ao amor, ela me fez odiar qualquer indicio de "Gostar de alguém" . Não que ela tivesse me feito mal, era justamente pelo bem que ela me fez, mas , ela foi embora, ela me deixou e eu fiquei sem rumo, meses depois eu encontrei, só que eu já não era mais a mesma . Virei a página e lá estava Liz, tinha uma foto da gente no Natal , duas idiotas com o rosto cheio de chocolate, retardadas mesmo, falta de infância, literalmente . Depois que eu vi aquilo tudo, sinceramente , eu não sabia mais se tinha como comparar a minha amizade com a Liz com a atração que eu sentia pelo Davi. Não, não tinha comparação, felizmente usei a razão e voltei a ser aquela menina auto-protetora , só que eu não havia me arrependido de nada . Minutos depois , eu já não aguentava mais, Liguei pra Liz e contei tudo o que tinha acontecido, mas omiti o principal, eu disse que foi uma coisa qualquer e sem importância , ela disse não se importar mas eu sabia, no fundo ela já tinha me estraçalhado em pensamento.
Coloquei meu uniforme e fui direto pro inferno ( Era assim que eu costumava chamar aquele lugar ) . Por sorte meu dia estava completamente sem brechas. De manhã, vocês já sabem. A tarde era dia de trabalhar ( Eu fazia trabalho voluntário em uma escola municipal perto da minha casa , eu dava aulas de língua Portuguesa) e a noite, meu curso de Matemática chato pra caramba . No fundo, eu amava não ter tempo, só que como eu digo, " O tempo não para e a gente ainda quer correr , atropelar a ordem normal das coisas" . Geralmente eu tinha trinta minutos pra me arrumar, naquele dia , por caprichos demorei mais de cinquenta, ou seja, cheguei atrasada. Lá no inferno, quem se atrasa fica em uma salinha , um lugar que é pura pressão psicológica . Já fui direto pra lá . Na sala estavam sentadas mais duas garotas e um garoto . As meninas eu não conhecia, o menino eu já tinha visto em alguma festa ou alguma coisa do tipo. Sentei-me do outro lado da sala, enquanto as duas não paravam de falar .
- Mas, sexta feira não é ? Ah, não perco — Uma das meninas, branquinha de cabelo preto comentou com a outra.
- Ah nem, lá é perigoso, favela né , por favor ? — A outra menina morena de cabelo grandão respondeu com ar de desprezo.
- Ah, minhas primas moram lá, eu curto , se quiser ir ... — Ela continuou falando sobre o tal lugar — Aquela menina do ask mora lá, a Bianca ... , lota de gente lá.
- Ah, então vamos né — Respondeu a morena
- Desculpa, vocês estavam falando da Nigga ? — Eu perguntei esperando que a resposta fosse não.
- Sim, aquela famosinha.- A branquinha me respondeu .
- Ah sim, entendi , daorinha — Sorri
- Quer ir também ... Como que é seu nome mesmo ? — Perguntou.
- Mandy, meu nome é Mandy , e o de vocês ?
- Eu sou a Soraya — A menina branquinha respondeu — E ela é a Sabrina .
- Ah, então, to afim sim — Respondi .
Bateu o sinal e saímos da sala. Elas subiram as escadas enquanto eu fui pro banheiro, bom, eu fui chorar sem que ninguém percebesse , sei lá, choro é sempre fraqueza e eu odeio ser fraca. A tal menina famosinha, eu conhecia bem, mais do que eu gostaria . Mas, já estava passando da hora de encarar meus medos de frente . Sai do banheiro e subi até a sala, elas estavam na porta em frente então eu percebi que elas estudavam na mesma série que eu, só que em sala diferente. Conversei com a diretora e ela deixou que eu trocasse de sala. Como a Liz estava furiosa e o Davi eu não queria ver nem pintado de preto, não tinha com que me preocupar, a outra sala era a melhor coisa naquele momento . Fui então na cara e na coragem.Eu não conhecia ninguém lá e elas não sabiam da minha existência. Eles lanchavam sempre na quadra e eu, junto com a minha sala, no pátio interno. Sentei-me na última carteira da fila do canto, era o lugar que tinham liberado pra mim . As meninas que eu conheci, Sabrina e Soraya , me chamaram pra ir embora com elas e eu aceitei, não sei porque mas eu gostava delas. No caminho de volta, pude conhecer um pouco de cada uma. A Soraya era mais solta, vivia a vida de um jeito menos despreocupado e era completamente apaixonada pelo primo,sem contar que ela era linda, sinceramente , ela não tinha defeito nenhum fisicamente, só que era muito insegura e indecisa . A Sabrina já era mais contida, gostava de coisas normais, de musicas normais, de coisas so senso comum, seguia o clichê e era bonita assim, as pessoas gostavam dessa normalidade dela. Sem contar que ela tinha um corpo , ah, nem preciso dizer , né ? Até hoje eu acho que quando elas se aproximaram de mim, me achavam estranha, sei lá, esquisita ou coisa do tipo, tenho quase certeza, mas aos poucos , em cerca de três dias, elas já me contavam as coisas e eu fazia o mesmo, embora eu quase nunca tivesse uma coisa interessante pra falar
- Vai hoje ? — A Soraya me perguntou no começo da aula do dia seguinte.
- Hmmmm, vou sim , claro que vou . — Respondi.
- A Sabrina não vai poder ir, se importa de ir a tarde e irmos andando ? Eu prefiro ...
- Não, de jeito nenhum, eu até acho melhor também.
- Então tá, as 4 na Avenida ?
- Por mim, perfeito .- Respondi sorrindo.
Bateu o sinal para o recreio e estávamos a três falando sobre uma festa que ia acontecer no mês seguinte, do nada a Liz apareceu .
- legal que você fez amiguinhas novas, mas temos que conversar — Ela disse ironizando — Se é que você tem tempo ainda.
-Podemos, depois do recreio, pode ser?
- Agora ou tá difícil ?
- Ta bom mimada — Eu odiava esse jeito controlador da Liz — Vai indo ali pra arquibancada .
- Ta bom,se demorar eu vou vazar
Um minuto depois e eu já estava indo, sim, ela me controlava sem que eu percebesse, cheguei sorrindo e cantando " Ciumenta".
- Fala ciumenta mais linda da minha vida.
- Nem vem que eu não tô boa com você.
- Ta bem, to calada .
- Você sabe que devia ter me contado aquelas coisas antes, bem antes e que errou com a sua MELHOR AMIGA , não sabe ? — Disse brava
-Sim senhora.- Respondi
- E você sabe que eu Liz Luana Silveira sou a sua única e melhor amiga, não sabe ?
- Melhor amiga, com certeza.
- UNICA E MELHOR — ela gritou.
- tudo bem, única e melhor se isso te faz ficar calma
- Então ta bom, me abraça e estamos de boa, você volta pra nossa sala e vai sair comigo hoje, ok ? Ok então ta
- Não quero trocar de sala e vou sair com as meninas hoje.
- Que meninas? Suas irmãs? Elas vão entender ...
- Não. Com a Soraya e as primas dela.
- AAAH, que bonito isso, me troca mesmo, tchau -Saiu andando
Eu nunca entendi esse ciumes todo da Liz, ela tinha outras amigas e é claro, eu também sentia ciumes as vezes, mas não como ela, ela já me olhava diferente, tinha sangue nos olhos e nunca deixava barato, serio, era muito, muito estranho
- Que ataque foi esse? — Sabrina perguntou me olhando assustada
- Ah, sei lá, coisa de amiga — Respondi
-Amiga? Isso não pareceu ciumes de amiga.
- E você quer dizer o que?
- Não, nada , é só que ... Foi estranho, bem estranho.
- Ela é assim mesmo, estranha.
- Entendi, mas, então você não vai hoje?
- É claro que eu vou, eu não disse que iria? Então.
- Então tá, você que sabe.
Saímos da escola e eu estava muito nervosa, ansiosa e tudo mais, coloquei uma roupa de caminhada porque o Califórnia era longe pra caramba . Encontrei com a Soraya as 4 , como a gente combinou e fomos andando e conversando. Até que o tempo passou depressa , uma hora e pouquinho depois e nós já estávamos lá. Chegando, já vi a Nigga de Longe, meu coração acelerou e as lágrimas começaram a descer. Ah, como aquele lugar me trazia lembranças boas, e quanta tristeza eu sentia por não estar ali sempre mais.
Por dois segundos, eu desejei fervorosamente não estar ali, desejei estar na minha casa, quieta, sem medo. Mas, antes que eu pudesse pensar em ir embora, ela veio se aproximando cada vez mais e olhando fixamente pra mim, ah, como ela mexia comigo.
Respirei fundo e sorri como quem acordou com o pé direito, soube disfarçar bem, perguntei como ela estava, por onde andou, como esteve durante esses meses, até que ela me fez a ultima pergunta que eu queria escutar .
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