A Garota no Parque
1 Capítulo único
Notas iniciais
As crianças brincavam livremente pelo local. Vez ou outra eram vistas algumas garotas brigando pela posse de uma boneca. Havia uma pequena fila de crianças que esperavam para subir no escorregador do parque.
Dois homens observavam tudo isso sentados nos balanços do parque sem realmente se balançar.
— Will, o que estamos fazendo aqui mesmo? — perguntou Nico, entediado.
Ele já não tinha mais mais aquelas olheiras enormes abaixo dos olhos. Seu tom de pele havia ficado mais escuro, e ele também havia crescido um pouco (embora sempre fosse menor que o loiro). Sua jaqueta de aviador já não lhe cabia mais e, em seu lugar, usava agora um grande sobretudo, preto, é claro.
— Gosto de observar as crianças, é relaxante — respondeu o loiro simplesmente.
Agora Solace tinha um ar mais maduro, ao invés de aparentar ser um surfista californiano. Usava uma camisa social e uma jaqueta por cima. Sua voz estava mais grossa também.
— Especificamente as crianças de um orfanato?
Nico sabia o que Will queria. Sabia por que estavam ali. Depois de cinco anos de casados, era óbvio que isso viria à tona, uma hora ou outra.
Will queria ter filhos. Intimamente, sempre fora um dos seus maiores sonhos. Filhos. Uma coisa que Nico sabia que não poderia dar a ele.
Antes que o loiro respondesse, uma voz fina disse atrás deles.
— Vocês estão fazendo isso errado!
Eles se viraram. Uma garotinha morena de cabelos negros e olhos incrivelmente azuis os observava de braços cruzados e um biquinho emburrado.
— Perdão? — perguntou Nico.
A garota revirou os olhos.
— Vocês não estão se balançando! — disse, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — O balanço serve pra isso, se não sabem.
Will sorriu. O jeito da menina era estranhamente familiar.
— Serve? — perguntou ele. — Pode nos mostrar?
A garotinha sorriu e se aproximou. Chegou perto do balanço de Nico e o empurrou, de leve, fazendo Will sorrir baixinho.
Nico sorriu.
— Não creio que você seja muito boa em empurrar — comentou. — Troque de lugar comigo para eu te mostrar como se faz.
Nico se levantou de seu balanço, e fez uma reverência para a garotinha sentar-se nele. Sorridente, ela o fez.
Nico começou a empurrá-la, cada vez mais alto, fazendo-a gargalhar. Will observava a cena, maravilhado.
No entanto, teve um momento que a garota parou de sorrir.
— Espere — disse ela. — Deixei cair meu gorro.
— Eu pego — Will se ofereceu. Aproximou-se do pequeno tecido e o pegou por entre as folhas caídas devido ao outono.
Observou o pequeno gorro. Era feito de lã e era verde. Ofereceu à garotinha, que prontamente colocou-o em sua cabeça.
— Obrigada, moço loiro.
Will sorriu com o apelido.
Passaram a tarde, assim, brincando. Depois de um tempo, uma das inspetoras do orfanato gritou pela garotinha. Ela já estava indo, quando Nico perguntou:
— Espere! Você não nos disse seu nome.
A garota de virou, o gorro verde caindo sobre os cabelos negros, escondendo parte de sua pele morena e os olhos azuis.
— É Bianca — disse, sorrindo, saltitando para dentro do orfanato.
Will olhou assustado para Nico, que sorriu. Talvez, de alguma forma, tivesse dado uma filha para Will.
Fale com o autor