Centro de Estudo de Atividades Paranormais

16h21

O inverno já havia chegado em nossa cidade. Era uma manhã de dezembro, as ruas estavam cobertas pelo branco. As crianças brincavam na rua com a neve, era possível vê-las da janela do consultório. Meu único pensamento naquele momento era ser como elas.

Mas provavelmente isso não iria acontecer.

Era uma sala grande com paredes brancas, iluminada, com brinquedos. No fundo da sala, havia uma mesa, em cima dela havia os documentos necessários para internação, assim como minha ficha. Bianca Sparks, 6 anos.

Haviam quatro pessoas dentro da sala. Meus pais, Dr. Edward Collins e eu.

— Filha, vai ser o melhor pra você.

— É temporário. Voltaremos para te buscar quando você menos esperar.

Foi o que meus pais disseram, forçando um sorriso. A única coisa que eu pude fazer era segurar meu coelho com força, com um olhar vazio depois de tanto chorar.

Não havia outra escolha. Eu era diferente.

— Não se preocupe, sua filha estará em boas mãos. – Disse o Dr. Collins, entregando os papéis para eles assinarem.

Sim, eu era diferente.

— Vamos nos divertir muito, certo? – Disse o Dr. Collins, que se agachou e olhou nos meus olhos com um leve sorriso – Bianca.

Eu não conseguia entender o porquê de ser assim.

— ... – Olhei para os meus pais. Minha mãe, abraçada ao meu pai, segurava as lagrimas e me olhava com o semblante triste. Ele, por outro lado, não esboçava nenhuma reação.

Por que eu tenho que ficar longe da minha família?

— ...! – Voltei meu olhar para eles, tentando juntar minhas forças para não me deixarem. Para não me abandonarem.

— Vamos, querida. – Disse meu pai, com seus braços a envolvendo, consolando-a.

Eu e o Dr. Collins observávamos meus pais saírem da sala, indo para o elevador.

— Venha, vou te mostrar o seu quarto. – Disse o doutor, empurrando levemente minhas costas, a fim de me guiar.

— ... Não.

Me mantive forte, no mesmo lugar, envolvendo o coelho em meus braços.

— ... Não quero... Não quero... ir...

Meus pais já estavam longe, mas eu conseguia vê-los. Não conseguia explicar como, eu apenas era assim. Desde sempre.

Dentro do elevador, eles conversavam.

— Você acha que essa foi a decisão certa? Ela é apenas uma criança. – Disse minha mãe. Apesar de tudo, ela estava relutante com a ideia.

— Ela é diferente.

— Ela tem 6 anos.

— Ela é um monstro! – Disse ele, com um tom mais alto que a assustou.

— ... – Sem saber o que responder, ela encobriu seus lábios e as lagrimas caíram.

— Querida, desculpa, eu... – Ele ficou alguns segundos sem falar nada, podia sentir o clima pesado e gelado ali – ... É só que é o melhor para ela. Essa é uma instituição adequada às necessidades dela... Por favor, entenda.

Não conseguia ficar com meu espírito longe por muito tempo. Só podia vê-los abraçados e essa visão ficava cada vez mais longe.

— ... Bianca? – O doutor apoiou suas mãos em meu ombro.

Com apenas um toque, meu espírito voltou ao meu corpo rapidamente. Ao recobrar o autocontrole, arregalei os olhos com a mudança repentina. Eu podia sentir o sangue escorrer do meu nariz, assim como as lágrimas que escorriam.

— ... – Não conseguia falar, somente olhava os olhos do doutor, aflita.

— ... Bianca...

Ele sabia dos meus poderes, da minha capacidade. Pelo abraço forte que me deu, acredito que ele tenha entendido o que aconteceu.

Naquele momento, não aguentei. Chorei o mais forte que pude.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.