A Garota dos Sonhos
2 Fugitivos
2 meses depois...
Do meu quarto conseguia ouvir Will preparando o café da manhã. Escovei meu cabelo e peguei o roupão de traz da porta antes de descer as escadas.
No dia que bati na sua porta e entreguei o bilhete de Max, ele só me olhou e acenou a cabeça. Era assim que nos comunicávamos nos meus primeiros dias na casa, apenas por olhares.
Moramos numa casa de dois andares. O Primeiro consiste em uma cozinha e uma sala com uma televisão, o segundo em um quarto, que agora pertencia a mim, uma suíte e um banheiro que só eu usava.
–A princesa adormecida finalmente acordou — disse ele de costas enquanto fritava ovos.
– ha há. Muito engraçado, mais já pedi para não me chamar assim — disse fazendo uma cara feia quando ele se virou.
O café da manhã estava delicioso. Me peguei olhando para Will com seus cabelos louros bagunçados e perguntando como era possível que ele fosse apenas dois anos mais velho do que eu.
– Então... — disse ele percebendo que eu estava o encarando – Sonhou com alguma coisa hoje?
Mordi meu lábio inferior como sempre faço quando estou me concentrando em algo.
– O mesmo de sempre – disse depois alguns segundos de silencio – o símbolo, a casa branca...
Não precisei continuar porque ele já conhecia a historia. Um símbolo de duas cobras enroladas e a casa branca numa rua abandonada. Eu sabia que era importante, que eu iria ver aquilo em algum ponto no futuro, mas nunca tive o mesmo sonho tantas vezes. Já era rotina: cobras, casa, cobras, casa...
De tarde Will saiu para trabalhar em um mercado aqui bairro e eu fiquei em casa. Primeiro limpei a cozinha e lavei a louça, depois assisti um pouco de tv. Preparei um sanduiche e o comi de almoço, por fim fiquei lendo no meu quarto até Will voltar às 5 da tarde.
Jantamos, e fui me deitar.
Acordei no dia seguinte com Will do lado da minha cama.
– Jane – disse ele
– Hã? – Eram 6 da manhã e minha voz saiu da minha boca com um som estridente. – Teve algum pesadelo? Quer que eu durma com você? – disse rindo, ainda com minha visão embaçada por ter acabado de acordar.
Ele estava sério. Até me assustei, nunca tinha o visto tão preocupado. Havia uma ruga entre suas sobrancelhas.
– Venha, rápido — ele disse já saindo em direção da porta.
Levantei da cama e desci as escadas apressadamente em direção a sala. Fiquei do seu lado na frente da televisão. Senti meu coração parar por um segundo.
Havia uma foto minha de 8 anos atrás, com meus cabelos escuros e mal cortados ainda na altura do meu ombro. Como eles conseguiram essa foto?
– Jane Grace, hoje com 16 anos, esta sendo procurada pelas autoridades por praticas ilegais – disse a mulher.
Eu percebi que Will me encarava, mas não conseguiu tirar os olhos da tv.
– Se tiver qualquer informação sobre a foragida, por favor, ligue para o número da tela – um número apareceu em baixo da minha foto.
Finalmente me virei para Will, procurando algum conselho. Ele apenas me encarou de volta com seus olhos azuis escuros pensativos.
Tudo congelou em volta de mim.
– Pegue suas coisas – disse ele finalmente – Nós vamos sair dessa cidade o mais rápido possível.
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Uma hora depois tínhamos nossas malas prontas. Quarenta minutos depois já estávamos dentro do carro saindo da cidade.
– Onde estamos indo exatamente? – finalmente perguntei – e quanto dinheiro temos sobrando? – acrescentei.
– Vamos pra algum lugar longe, provavelmente uma cidade pequena, e sim, temos dinheiro o suficiente até eu arrumar um emprego, princesa. – ele tentou um sorriso reconfortante, mas não ajudou muito.
Dirigimos por horas.
Comecei a ficar sonolenta, Will encostou o carro na estrada para que eu pudesse me deitar no banco de trás e tirar uma soneca.
Quando acordei, o carro estava parado em um posto, e estava começando a amanhecer.
Sai do carro, ainda sonolenta e entrei na loja ao lado do posto de gasolina procurando meu motorista. Precisava arrumar alguma coisa para comer. Andei pela loja por alguns minutos e resolvi voltar para o carro, talvez Will já estivesse lá.
Sai pela porta do posto e o vi sentado no banco do carro, olhando algum mapa.
Senti um alivio e resolvi acenar, mais senti alguém atrás de mim. Virei bem na hora que levei um soco no rosto e cai no chão atordoada.
Tentei me levantar mais meu agressor segurou meus braços contra o chão me imobilizando. Ele vestia calças militares pretas e um colete da mesma cor.
– Te peguei – disse ele com o rosto próximo ao meu.
Virei minha cabeça encostando minha bochecha no asfalto para não ter que encara-lo.
– WILL! – gritei o mais alto que pude – WILL SOCORRO! – o homem levantou a cabeça para ver quem se aproximava.
Aproveitei a chance e tentei chutar- lo. Aceitei bem na virilha. Nesse momento alguém o empurrou para longe de mim, fazendo ele tropeçar e cair. Levantei depressa, e corri em direção ao carro. Will chegou logo depois de mim.
Fiquei seriamente preocupada que fosse morrer dentro de um carro em alta velocidade.
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