A Garota do Parque
4 Capítulo 4 - Beijos e chocolate
Notas iniciais
Anastásia
Christian é a primeira coisa que me vem a mente quando acordo. Me levanto e caminho até o banheiro, tomo meu banho e escovo os dentes mecanicamente. Quando me visto, caminho até a cozinha e faço meu café da manhã, como duas garfadas do meu ovo mexido e não consigo engolir mais nada.
Suspiro, não sei o que fazer, estou perdida não sei nem se eu tenho um emprego mais, faz uma semana que não apareço. Todos devem saber o motivo da minha ausência, eu não sei se conseguiria encara-los sem chorar.
Começo a pensar em Christian de novo, na nossa história e no dia que ele tentou consertar tudo após o bolo que ele me deu...
— Anastásia — Christian disse ansioso, se levantando da mesa assim que me viu entrar no restaurante.
Eu tinha cedido ao seus pedidos e aceitei jantar com ele.
— Obrigado por ter aceitado jantar comigo.
— Não precisa agradecer por isso.
Ele tinha pedido tanto pra eu lhe dar uma chance, que percebi que ele se importava comigo e que o atraso foi uma infortúnio apesar de ainda estar brava com ele, eu estava aberta a perdoa-lo.
— Eu quero te explicar o motivo de eu não ter aparecido no sábado.
— Você ficou preso em uma reunião. — O respondi.
— Sim mas eu quero te explicar direito, vamos eu reservei uma sala privada.
O segui e entramos em uma espécie de sala grande.
Tinha uma mesa de jantar e uma decoração linda dentro de um espaço amplo.
Christian puxou a cadeira para eu me sentar, me acomodei e ele se sentou a minha frente.
— Eu não iria trabalhar no sábado — Ele disse servindo vinho na minha taça — Mas ocorreu um problema com uns contratos de uma empresa e isso virou uma grande dor de cabeça, que só poderia ser resolvida com a minha presença.
— Fui para empresa com o propósito de resolver isso e partir mas levei mais tempo do que deveria e quando dei por mim estava atrasado e a maldita reunião não acabava.
— Por que não me avisou? — Perguntei.
— Eu tinha dado a Andreia um dia de folga, então ela estava fora da minha linha de pensamento e pra falar a verdade eu não imaginei que você fosse atender eu preferi ir pessoalmente falar com você.
— Quando sai da reunião, fiz Taylor praticamente correr com o carro até o pier mas você não estava mais lá.
— Fomos até o seu apartamento e tive que bater em umas cinco portas, até descobrir qual era a sua.
Soltei uma risada involuntária, ao imaginar Christian batendo em várias portas a minha procura.
— Você errou em não me ligar, achei que tinha decidido não ir. — Fui sincera.
— Em nenhum momento, eu não parava de pensar no nosso encontro.
— Foi tudo um mal entendido então? — Perguntei tomando um gole de vinho.
— Mais ou menos, eu fui burro em não te ligar.
— É foi.
— Estou perdoado?
— Mais já? Nós nem jantamos, se esforce mais Grey.
Ele sabia que eu estava brincando pois soltou uma risada.
— Eu vou me esforçar, gosto realmente de você Ana.
— Eu gosto de você, um pouquinho. — O provoquei.
— Quando eu te beijei você gostou?
— Muito.
Ele sorriu maliciosamente pra mim e chamou o garçom.
Jantamos uma comida deliciosa enquanto conversávamos, Christian prestava atenção em cada palavra que eu dizia e parecia bastante interessado.
— Não acredito! — Ele disse.
— É sério. — Confirmei.
— Não acredito que seu hobby favorito é montar quebra cabeça.
— Primeiro é ler, depois vem o quebra cabeça.
— Você é mesmo interessante.
— Qual seu hobby favorito? — Perguntei
— Planar, andar de barco, enfim várias coisas não consigo escolher uma só. — Ele deu de ombros.
— Você parece gostar de malhar — Apontei pros seus braços.
— Malho todos os dias e também luto kickboxing.
— Muito saudável Sr. Grey.
— Você malha? — Ele me perguntou.
—As vezes saio pra correr ou subo as escadas do meu apartamento repetidas vezes.
Ele olhou me encarou confuso.
— Estou brincando com o lance das escadas. — Respondi.
— Eu tinha acreditado!
Ri da sua expressão.
— Eu gosto muito de cozinhar. — Eu disse.
— Algo em específico?
— Gosto de cozinhar em geral mas adoro fazer doces, principalmente bolos.
— Eu adoraria provar um dos seus bolos.
— Mas você é muito presunçoso, quem disse que vou lhe deixar provar meu bolo? — Brinquei fingindo estar escandalizada.
— Estou muito triste em saber, que não me considera bom o bastante para prova-lo — Ele disse em desapontamento fingido.
— Dramático -Soltei.
— Metida — Ele devolveu.
— Chato.
— Linda.
— Obrigada.
— Não vai me elogiar?
— Você não está merecendo — Dei de ombros.
Terminamos de comer e eu mantinha um sorriso bobo nos lábios, eu tinha adorado o jantar e esquecido o bolo que levei de Christian.
— Vamos? — Ele me estendeu a mão.
Me levantei e segurei sua mão macia enquanto caminhávamos pra fora do restaurante.
— Taylor vai vir te buscar? — Perguntei quando chegamos ao lado de fora.
— Não — Franzi a testa, ele iria dirigir?
Caminhamos até o pier de mãos dadas estava escurecendo e o vento se tornando mais frio, Christian parou assim que chegamos próximos ao mar. Tocou minha cintura e me encostou na madeira que cercava o pier, eu podia sentir o cheiro do mar chegando até mim e o vento estava bagunçando meus cabelos.
Christian tocou meu rosto afastando os fios de cabelo, se inclinou e me beijou, sua mão descendo até minha nuca enquanto a outra apertava minha cintura de forma mais intensa.
Retribui ao seu beijo sentindo o sabor do vinho em sua boca e sentindo sua língua na minha novamente, percebi que tinha sentido falta de seus lábios e do seu contato. Minhas mãos foram até o seu cabelo macio onde toquei os fios de seu cabelo rebelde, paramos o beijo ofegantes e encarei Christian que me encarava intensamente, toquei sua barba rala e ele migrou beijos até o meu pescoço me causando arrepios deliciosos, eu sabia que não era o frio, era o desejo que eu sentia por ele.
Quando ele parou de beijar meu pescoço, simplesmente afundou o rosto em meu cabelo e inspirou profundamente.
— Você tem um cheiro tão bom. — Ele disse.
—Você também — Eu disse me inclinando e cheirando seu pescoço, como tinha feito outro dia no carro.
— Obrigado pelo jantar, você está perdoado. — Eu disse me inclinando e o beijando suavemente.
—Mas ainda não acabou.
—Eu não aguento comer mais nada. — Eu disse surpresa.
— Não estou falando de comida.
— Olhe — Ele apontou pra um ponto atrás de mim.
E vi uma fila de barcos grandes.
— Aquele é meu barco, eu vou te levar até lá — Disse apontando pra um barco em específico.
— Agora? — Perguntei surpresa.
— Sim, era isso que eu ia te mostrar ontem.
— Ah.
— Vamos — Me pegou pela mão e caminhamos até o barco.
Christian me ajudou a subir no barco, chegamos ao convés iluminado por pequenas lâmpadas ele me mostrou seu amplo barco com uma cozinha, quarto e tudo mais, era lindo e muito aconchegante. Quando terminou de me mostrar tudo, me sentei em um banco em forma de U de um couro azul e Christian foi até a cozinha do barco, retornando logo depois com vinho, taças e uma caixa se sentando ao meu lado.
— Vinho? — Perguntou.
— Por favor.
Ele nos serviu de vinho e abriu a caixa dourada que continha os chocolates mais lindos que eu já vira.
—Já que não comemos sobremesa no restaurante, achei que você gostaria de uns chocolates.
— Acertou, eu amo chocolate.
—Você é uma formiguinha.
— Sou.
Tomamos vinho e comemos os chocolates que eram deliciosos.
— Me fale um pouco sobre você Sr. Grey — Pedi.
— O que quer saber?
— Na verdade tudo mas aceito o que estiver disposto a dizer.
—Tenho 26 anos, gosto de trabalhar e adoro a cor dos seus olhos.
—Isso tudo eu já sabia e você roubou a minha frase. — Sorri pra ele.
— Eu fui adotado aos quatro anos. — Me disse enquanto encarava o mar a sua frente.
Minha expressão deve ter sido de pura surpresa nesse momento.
— Cresci me sentindo indigno de ter uma família.
—Nossa mas você sabe, você é digno de tudo que tem.
—Eu sei, mas só fui entender isso depois um tempo.
—Por isso se reaproximou da sua família.
— Sim.
— Eu tive medo de decepcionar meus pais quando vim pra cá pra fazer a faculdade. — Soltei.
Ele me encarou surpreso.
— Mas você é incrível Ana, você não iria os decepcionar nunca.
— Mas eu tinha essa insegurança.
Alcancei mais um chocolate e o coloquei na boca o, sentindo derreter em minha língua suspirei era delicioso. Em algum momento eu me livrei dos meus sapatos e Christian dos dele, nos aconchegamos mais no banco próximos um do outro e continuamos a conversar.
— Qual o seu sabor de pizza favorito ? — Ele me perguntou.
— Havaiana.
— A minha é de pepperoni.
Ri por algum motivo que eu não sei e um vento mais forte me atingiu, me fazendo estremecer levemente.
— Está com frio? — Christian perguntou.
Acenei positivamente mas não queria que ele se preocupasse, nem desse a noite por encerrada, eu estava adorando estar ali com ele.
Christian se levantou e sumiu dentro do barco, voltou momentos depois com um cobertor grande cor bege e me entregou, era incrivelmente macio.
Me embrulhei no grande cobertor mas depois pensei que Christian devia estar com frio também.
— Venha mais perto de mim, cabe nós dois. — Sorri pra ele e nos aconchegamos um no outro aquecidos pelo cobertor. Eu estava entre suas pernas mas não estava de costas pra ele, estávamos em uma emaranhado de braços e pernas, difícil de explicar mas era extremamente aconchegante. Nos beijamos e conversamos e nos beijamos de novo.
Eu sentia o lábios quentes e macios de Christian nos meus, sentia seu cheiro, sentia desejo e acima de tudo sentia que estava gostando ainda mais dele. As coisas que ele me contava, o modo como me olhava, e o sorriso, que sorriso lindo, adorava quando ele dava risada fazia algo em mim se remexer de um jeito bom.
Era cedo demais para dizer que eu estava começando a me apaixonar? Era, eu sei.
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