A Garota do Parque
2 Capítulo 2 - Comida mexicana
Notas iniciais
Anastásia
Esperei um dia pra ligar para Christian, eu estava meio nervosa, nunca tinha ligado pra marcar um encontro, geralmente me ligavam.
Disquei o número que estava no cartão que ele me entregou no parque e esperei ele atender, porém quando ele atendeu...
— Oi? — Eu disse meio tímida.
— Olá — Respondeu uma mulher do outro lado da linha.
Será que o Christian é casado? Será que é por isso que ele disse que só queria conversar no nosso jantar? Mas ele flertou comigo... Pensei distraída.
— Huum...Esse é o número do Christian ou eu liguei errado? — Quis me beliscar ao dizer isso, parecia mais que eu estava pensando alto, do que conversando com a mulher desconhecida.
— Ah, esse é o número do Sr. Grey sim mas ele está em uma reunião no momento, gostaria de deixar algum recado?
— Não...Ah sim, diga...Diga que a Anastásia ligou.
— Tudo bem, irei passar o recado — Ela disse com um tom de voz, que expressava algum tipo de confusão pela forma que eu falava.
Algum tempo depois Christian me ligou.
— Oi — Atendi alegre.
— Anastásia — Ele disse com aquela voz rouca que me causava uns arrepios deliciosos.
— Eu te liguei mais cedo, acho que te passaram o recado. — Eu disse sem saber bem o que falar.
— Me passaram sim, você ligou para marcar o jantar?
— Claro, sim.
— Que dia?
— Pode ser na sexta feira?
— Ótimo, a que horas?
— Umas oito horas da noite.
— Você sugere um lugar ou eu posso escolher?
— Eu gostaria te levar num lugar que eu gosto muito de ir, só não sei se você vai aceitar. É um restaurante mexicano.
— Ótimo, adoro comida mexicana.
— Então está combinado. Sexta, as oito, eu te passo o endereço por mensagem pois não sei ele de cabeça.
Ele soltou um leve riso.
— Tudo bem te vejo sexta, tenha um ótimo dia Anastásia — Disse e desligou, com certeza eu teria um ótimo dia.
Ainda era terça e eu tinha bastante tempo até o jantar, tinha tempo de pensar em roupas e assuntos mas ao mesmo tempo parecia muito tempo pra esperar para ver Christian.
Passei o endereço por mensagem de texto para Christian e tentei me distrair até o dia chegar, o que realmente funcionou. Eu trabalhava em uma editora então, passava dias lendo manuscritos e selecionando possíveis novos autores.
Finalmente a sexta feira tinha chegado. Cheguei do serviço feliz e ao passar pela porta do meu apartamento naquele dia, o cansaço não tomou conta do meu corpo. Eu estava sentindo algum tipo de alegria, pré expectativa e cada vez que pensava que veria Christian sentia um friozinho na barriga.
Coloquei meu jeans favorito e uma blusa azul de mangas compridas pois o dia estava com um vento frio, coloquei meus saltos pretos e me olhei no espelho eu estava linda. Passei uma maquiagem que ressaltava o azul dos meus olhos e eu adorava, um pouco de batom vermelho e eu estava pronta e atrasada, rapidamente peguei as chaves e a carteira coloquei dentro da bolsa e corri pra fora do meu apartamento.
O táxi me deixou na porta do restaurante e por ser sexta feira estava bem movimentado. Entrei dentro do restaurante e fui recebida pelo ambiente aconchegante com uma temperatura quentinha que me acolheu e afastou o frio que vinha lá de fora, um cheiro excelente da comida chegou até mim junto com as vozes animadas das pessoas que estavam lá. Avistei Christian em uma mesa mais ao fundo, ele estava sentado do lado direito do restaurante em frente a uma grande janela porém não me vira chegar.
Caminhei até ele e toquei seu ombro, ele se virou rapidamente e ficou simplesmente parado me encarando. Ele encarava minha boca, meu rosto, tudo e eu comecei a corar sob o seu olhar, decidi puxar assunto e interromper seu momento estátua.
— Não vai se levantar para me cumprimentar? Você não é nada cavaleiro Christian.
Ele pareceu finalmente se dar conta de que o tempo estava passando e não pausado a espera do momento que ele resolvesse reagir, então se levantou tão rápido da cadeira que fez ela rangir no piso, aposto que algumas pessoa olharam pra ver de onde tinha vindo o barulho mas eu estava de costas e me poupei de olhar para trás.
Christian me estendeu a mão em sinal de comprimento e eu fiquei levemente desapontada, então ignorei seu comprimento e me inclinei depositando um beijo em sua bochecha macia novamente, como tinha feito no parque, ele tinha o mesmo cheiro daquele dia um cheiro delicioso que estava ainda mais presente, me arrepiei quando ele se inclinou e depositou um beijo em minha bochecha roçando sua barba recém aparente no meu rosto retribuindo meu cumprimento. Ele deu um passo pra trás e indicou a mesa com uma aceno de sua mão me sentei e me acomodei, quando olhei para Christian novamente ele me encarava como antes.
— Gosta do que vê? — O provoquei.
— Muito — Ele respondeu sorrindo, aquele sorriso que me fazia quase derreter.
— E antes que eu me esqueça, eu sou sim um cavalheiro.- Pontuou.
— Ainda não me mostrou esse lado.
— Logo você ira ver.
— Então podemos pedir? Estou com fome. — Eu disse.
— Claro, vou pedir tudo que tiver direito hoje já que você ira pagar. — Ele brincou.
— Então, se esse jantar não der certo, você terá perdido o emprego e uma chance de conquistar uma garota, acho bom você se esforçar. Esse pode ser o último encontro até você encontrar outra garota no parque você tem que fazer valer a pena, afinal eu estarei pagando e eu sou exigente. — Entrei no seu jogo. Era legal brincar com ele, aquilo era estimulante.
— Vamos ver como eu me saio nesse jantar de colegas. — Droga ele lembrou do que eu disse no parque, por que eu tinha dito aquilo afinal? Eu queria algo com ele, não adiantava eu tentar mentir.
Chamei o garçom que nos trouxe o cardápio e se retirou para nos deixar escolher a sós.
— Eu vou escolher a quesadilla de porco com barbecue e se não se importa iria dividir ela com você, ela enche e quero que você divida comigo.
— Você está com pouca grana? — Ele me provocou.
— Não Sr. workaholic, se eu pedir irei acabar deixando no prato e não curto desperdício de comida.
— Concordo com você Anastásia e aceito dividir com você, se você aceitar dividir um prato comigo também.
— Mas ai eu irei comer tanto que não conseguirei andar de volta pra casa.
— Eu te carrego no colo. — Ele disse simplesmente.
— Tudo bem, o que você vai pedir?
—Tortillas.
— Eu nunca pedi — Dei de ombros — Sempre peço a mesma coisa.
— Ótimo, você ira me mostrar uma coisa que não comi ainda e eu irei fazer o mesmo.
— Isso é divertido.
— É sim — Ele sorriu de canto.
Fizemos os pedidos acrescentando nossas bebidas, escolhi tomar uma limonada e Christian me acompanhou.
Estávamos num silencio confortável apenas curtindo a energia do lugar, quando Christian tocou minha mão por cima da mesa.
Sua mão era macia e quente com dedos longos.
— Gostei de conhecer você Anastásia — Ele disse sorrindo pra mim.
Por que ele estava dizendo aquilo?
— Também gostei de te conhecer — Retribui tímida e sorri.
— Me fale sobre você.
— Mais? — Questionei.
— Claro, aposto que deve ter muito mais sobre você que eu gostaria de saber.
— Hum eu adoro ler, trabalho em uma editora e adoro a cor dos seus olhos.
Ele sorriu com a minha resposta.
— Me conte mais sobre seu trabalho.
— Eu fiz faculdade de literatura inglesa e me candidatei a uma vaga nessa editora e quando consegui fiquei muito feliz é um emprego maravilhoso.
— E eu sou o workaholic não é? — Ele disse.
— Eu saio na rua pra ver a luz do sol e não fico mais de doze horas trabalhando, não por vontade própria.
— E questão é de prioridades, eu gosto de trabalhar, isso me faz feliz.
— Acredito que tenha mais coisas que o faz feliz.
—Sim, tem.
— Então aproveite, não fique só trabalhando o tempo todo, viva um pouco.
— Tudo bem mas esse assunto era sobre você. Me conte sua idade, eu nem sei seu nome completo
—Ta querendo fazer um relatório sobre mim? — O encarei de forma suspeita.
— Claro que não, eu pediria para fazerem e você nem saberia.
Olhei pra ele chocada.
Ele sorriu torto com a minha expressão o sorriso dele era lindo.
— Aqui estão os seus pedidos — O garçom nos interrompeu chegando com a comida, o cheiro estava ótimo e meu estomago agradeceu, eu estava faminta.
O garçom depositou nossas bebidas na mesa junto com a comida e se foi nos deixando a sós novamente.
— Isso está com uma cara ótima — Christian comentou enquanto pegava uma quesadilla.
— Aposto que o sabor também — Me inclinei e peguei uma quesadilla ouvi um suspiro de Christian e o olhei.
— Isso é delicioso — Ele disse enquanto continuava a comer. Sorri satisfeita.
Comemos em meio a um silêncio confortável a comida estava ótima e Christian a devorou, quando decidi pegar uma das tortillas que Christian escolheu, ele estava indo repetir a sua. Mordi um pedaço e os sabores se misturaram em minha boca, aquilo era delicioso porém queimava e caramba ardia, minha boca estava pegando fogo.
—Christian, isso tem pimenta.
— É comida mexicana — Ele respondeu simplesmente.
— Mas está queimando — Eu disse desesperada eu sempre fui fraca pra pimenta, alcancei meu copo de limonada e engoli vários goles mas minha boca ainda ardia, alcancei o copo de Christian e bebi sua limonada ouvindo algum tipo de rosnado sair de sua boca.
— Essa limonada é minha. — Ele fingiu reclamar.
— Mas foi você quem pediu essa coisa ardida.
— Não é tão ardida assim é deliciosa devo acrescentar — Ele disse dando mais uma mordida na sua tortilla, o vi mastigar e tossir e engolir rapidamente
— Acho que a pimenta me pegou agora. — Ele disse abanando a boca.
— Nem é tão ardida assim — Repeti suas palavras de momentos atrás.
— Agora minha boca ta ardendo e eu to sem nada pra beber.
Ri da forma como ele falava, exasperado porém com humor no tom de voz. Minha boca não ardia mais e era bom ver ele abanando a boca dele. Christian pediu mais uma limonada para o garçom e quando ela chegou eu rapidamente alcancei.
— Ana por favor — Ele disse estendendo a mão.
— Eu estou pagando por ela, mereço tomar um gole — O provoquei e o vi fazer uma carranca.
— Até meus lábios estão pegando fogo, por favor me de isso.
Dei um gole em sua limonada e a entreguei pra ele que a bebeu em longos goles.
— Christian olha os modos na mesa, não beba tão depressa — Eu o repreendi forçando uma voz maternal, como se estivesse o dando uma bronca.
Ele riu, riu de verdade e fiquei feliz por faze-lo rir.
— Você é incrível. — Ele disse me olhando.
— Obrigada. — Pisquei os cílios exageradamente e o encarei sorridente.
— Esse foi o melhor jantar que já tive, a maioria dos jantares que eu vou são de negócios e estar longe disso as vezes é bom. Acho que devíamos repetir isso mais vezes.
— Claro. — Eu disse com um sorriso.
— Eu estou satisfeito já pode pagar a conta — Christian disse ainda naquele joguinho.
— Claro, também estou satisfeita — Chamei o garçom e pedi a conta.
Quando ele a trouxe me inclinei e a peguei.
— Você sabe que eu não vou deixar você pagar a conta. — Christian disse.
— O combinado foi esse — O lembrei.
— Eu estava brincando.
—Eu vou pagar!
— Não, eu vou.
— Eu e assunto encerrado.
— Quem disse que você tem a palavra final? — Ele se inclinou e tomou o papel das minhas mãos.
—Me devolve — O encarei brava.
— Te dou o comprovante quando estiver paga.
— Só por que você tem muito dinheiro, o que eu já percebei, não significa que você tenha que pagar a conta.
— Mas eu quero.
— Mas eu também quero, você paga a próxima.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Está falando sério?
— Sim, você disse que quer repetir.
— Tudo bem — Ele disse exasperado.
Sorri satisfeita.
—Não foi tão difícil ceder está vendo? — O provoquei.
Ele me encarou carrancudo e só me restou dar risada.
— Você veio de táxi? — Ele perguntou e eu assenti.
— Eu te dou uma carona na volta.
— Não quero incomodar.
— Não vai, já que pagou a conta me deixa te levar pra casa.
— Tudo bem.
Paguei a conta e nos levantamos pra ir embora, Christian disse que o segurança dele viria nos buscar então ficamos parados na calçada um pouco a frente do restaurante, estava mais frio do que na hora que eu tinha chegado e comecei a tremer levemente pois só tinha colocado a blusa de manga comprida e não tinha levado nenhum casaco.
— Está com frio — Christian perguntou?
Acenei positivamente.
Ele se inclinou e passou um braço ao redor do meu ombro me abraçando de lado, tremi involuntariamente com o contato.
— Melhor? — Ele perguntou.
Eu ainda estava sentindo frio mas isso ficou em segundo plano quando senti o contato do seu corpo no meu.
— Na verdade, eu ainda estou com frio — Fui sincera.
Ele me soltou e abriu os botões do seu casaco o tirando e o colou nos meus ombros estava quentinho e tinha o seu cheiro.
— Você não vai ficar com frio? — Perguntei.
— Não se preocupe.
— Me ajude a vesti-lo — Pedi.
Ele me ajudou gentilmente e seu casaco ficou enorme em mim, com as mangas sobrando sorri era aconchegante.
— Taylor está demorando.
—Taylor?
— Meu segurança.
— Ah, tá.
— To me sentindo mal por te deixar sem casaco. — Me inclinei o abracei o surpreendendo.
— Assim você fica aquecido, pelo menos um pouco. — Eu disse.
Meu rosto estava em seu peito e eu senti o seu cheiro, ele retribuiu meu abraço me segurando junto ao seu corpo, era muito bom estar assim com ele.
— Obrigada pelo jantar — Eu disse com a voz abafada por estar com o rosto em seu peito.
— Eu que agradeço, foi ótimo.
— Eu gostei da sua companhia, esperava que você fosse só falar da empresa mas você se saiu muito bem.
— Que primeira impressão eu te causei? — Ele disse perplexo.
— Um homem de negócios, sem tempo.- O encarei.
— Sou um homem de negócios mas tenho tempo. — Ele disse me encarando de volta.
— Tempo para sair com colegas e jantar?
— Tempo para sair com uma linda garota e jantar.
— Tem tempo pra flertar também?
— Com você? Tempo de sobra.
— Então flerte comigo Sr.Grey
— Achei que já estava flertando.
— Você é mesmo péssimo nisso, eu nem me dei conta. — Eu disse com um sorriso.
— Acho que eu tenho que ser mais direto.
— Acha? — O provoquei.
As mãos que estavam em minha cintura foram para o meu rosto, ele me encarou de um jeito intenso como não tinha encarado antes, se inclinou e me deu um beijo leve nos lábios, seus lábios eram macios e quentes senti meu corpo se arrepiar. Ele abriu os lábios e sua língua escorregou para dentro da minha boca de encontro a minha agarrei seus cabelos e retribui seu beijo enquanto ele me apertava ainda mais de encontro ao seu corpo e eu sentia minhas pernas tremerem, sua boca tinha gosto da limonada que tínhamos tomado minutos atrás e seu beijo era delicioso, eu não queria interromper aquele contato não tão cedo. Não sei por quanto tempo nos beijamos mas quando nos afastamos ambos estávamos ofegantes. Ele tocou seus lábios nos meus em um beijo delicado e se afastou novamente, eu estava meio atordoada com o beijo que mal senti quando ele segurou minha mão e começamos a caminhar, ele abriu a porta de um carro e me dei conta de que o seu segurança tinha chegado.
Entramos no banco de trás do carro que estava quente, eu não sabia se devia dizer algo então fiquei calada.
— Qual seu endereço — Christian perguntou falando finalmente ou talvez ele já estivesse falando e eu não tinha percebido.
Lhe falei meu endereço e me encostei no banco com um sorriso bobo nos lábios.
Olhei para Christian, ele também sorria
— Quero te levar em um lugar amanhã — Ele disse.
— Amanhã?
— Quero te levar ao pier, te mostrar algo, acho que vai gostar.
— Tudo bem.
— Depois eu te ligo e combinados o horário — Ele segurou minha mão novamente me fazendo arrepiar, encostei a cabeça em seu ombro sentindo o seu cheiro.
— Está com sono?
— Não, estou sentindo seu cheiro.
— Que?
— Você tem um cheiro bom.
— Tenho é?
— Tem — Me inclinei e beijei seu pescoço.
Chegamos ao meu apartamento e Christian abriu a porta pra mim, saímos para fora do carro sentindo o ar gelado novamente.
— Então, até amanhã — Christian disse sem jeito. Ele sempre ficava sem jeito com despedidas.
— Até amanhã então. — Me inclinei e o beijei, sentindo sua boca em contato com a minha novamente, foi delicioso como tinha sido minutos antes. Nos afastamos e acenei pra ele atordoada entrando no meu apartamento.
Fale com o autor