A Garota do Parque

9 Capítulo 9 - Manias e sorvete


Notas iniciais
Espero que gostem.

Anastásia

Christian e eu nos envolvemos rápido e por esse mesmo motivo, passamos bastante tempo juntos e acabamos nos acostumando a rotina e as manias um do outro.

Christian tinha casacos na minha casa, que ele me emprestava quando eu sentia frio e só lembrava de pega-los dias depois.

Eu já tinha a "Minha tigela" no apartamento de Christian, uma tigela azul que eu adorava e comia cereal nela sempre que dormia lá. Nós começamos a nos observar mais e absorvemos as manias do outro.

Como o modo como Christian balançava a perna quando estava ansioso, minha mania de revirar os olhos em alguns momentos ao longo dia e a mania de Christian de sempre deixar as portas abertas por onde passava, aquilo era irritante eu sempre dizia a ele.

Rapidamente desenvolvemos certa intimidade ao longo dos dias que passamos juntos, Christian era um chato muitas vezes me perguntando coisas tipo:

"Você vai sair pra comprar sorvete nessa chuva?"

"Não coma tão depressa Ana, vai te fazer mal"

"Você tomou minha limonada de novo!"

Eu o acompanhava também:

"Não acredito que você vai mexer no celular na mesa"

"Por que você coloca as chaves em qualquer canto, pra depois ficar procurando feito louco?"

"Você prometeu dividir sua limonada comigo"

Christian era bem irritante as vezes mas eu não conseguia ficar brava com ele por muito tempo e ele me dizia o mesmo.

— Por que você faz esse barulho quando goza? — Eu perguntei a Christian certa vez quando acabamos de fazer amor.

— Que barulho? — Perguntou ofegante se deitando ao meu lado e me encarando.

— É tipo "ÃÃAANAAAÁÁÁ'

— Eu não gemo desse jeito Anastásia — Disse envergonhado e me olhou carrancudo.

— Geme sim, você ficou com vergonha? — Perguntei o provocando.

— Imagino que o sexo esteja muito ruim, pra você parar pra prestar atenção no modo como eu gemo ao gozar.

— Eu estava flutuando ainda quando senti que você ia gozar e eu sabia que você ia gemer desse jeito, ai parei pra pensar "Como eu sabia?" "Você sempre gemeu assim?" Então eu cheguei a conclusão de que sim, você sempre faz esse barulho.

— Ta bom, não precisamos falar disso.

— É engraçado Christian. — Me aproximei dele e o beijei suavemente, deitando em seu peito ainda mole com o recém orgasmo.

Como eu disse, Christian poderia ser bem irritante as vezes principalmente quando ele queria algo.

— Christian, eu vou me atrasar para o nosso almoço. — Disse assim que ele me atendeu.

— Por que? Você ta bem? O que aconteceu? — Perguntou preocupado.

— Calma eu estou bem, meu carro deu problema de novo estou levando pro conserto.- Eu disse me preparando para as palavras que eu sabia que Christian iria dizer.

— Eu te avisei que esse carro ia te deixar na mão de novo.

— É avisou Sr. Vidente mas eu não imaginei que fosse ser tão rápido.

— Por favor me deixe te dar um carro. — Pediu.

— Não!

— Por favor Ana, o seu carro não tem mais jeito, isso é um perigo.

— Christian eu posso comprar um. — O lembrei.

— Então compre, não aguento mais saber que você corre perigo andando nesse carro.

— Depois falamos sobre isso, preciso desligar.

— Qualquer coisa me liga, você quer que o Taylor te busque?

— Não, eu pego um táxi até depois Christian.

Cheguei ao apartamento de Christian e o encontrei distraído na cozinha mexendo nas panelas. Ele tinha começado a assistir programas de culinária e pesquisar receitas na internet, estava pegando gosto pela cozinha mas o problema era que ele tinha seu próprio jeito de fazer as coisas, as vezes mais exagerado ou mais atrapalhado que o normal. Ele cortava os legumes grosseiramente, usava muita água na hora de cozinhar qualquer coisas e sujava três panelas apenas pra fazer um prato simples, era engraçado o observar todo concentrado.

— Jogou seu carro fora e comprou outro? — Perguntou ao me ver e me abraçou pela cintura.

Revirei os olhos.

— Não, ele está no conserto e logo vou poder usar de novo. — Eu iria comprar um carro naquela semana mas disse aquilo só pra provoca-lo.

— Você está brincando não é? — Perguntou sério, me soltei dos seus braços e fui até a geladeira.

— Anastásia aquele carro é um perigo — Continuou.

— Tá bom Christian eu já entendi, vou comprar outro. — Me virei para encara-lo.

— Ótimo, não quero que nada te aconteça. — Disse me abraçando novamente.

— Cade meu beijo? — Perguntou fazendo graça.

Colei nossos lábios e toquei seus cabelos macios que eu tanto gostava, nossas línguas se enroscaram e eu tive a certeza de que nunca me cansaria de beija-lo.

— O que você está cozinhando? — Perguntei quando nos afastamos.

— Macarrão a bolonhesa, você gosta? — Perguntou sorridente.

— Sim, muito. — Retribui seu sorriso.

— Ótimo, eu só preciso escorrer ele e colocar o molho.

— Precisa de ajuda?

— Hoje eu cozinho e você fica sentada.

— Tudo bem — Peguei o vinho na geladeira e servi duas taças entregando uma pra ele.

— Aqui workaholic — Entreguei a taça pra ele.

— Não cansa de me chamar assim? — Perguntou .

— Nem um pouco. — Respondi com um sorriso.

Nos sentamos para comer após Christian sujar mais duas panelas, queimar o dedo e derrubar molho no fogão.

O macarrão estava com uma cara boa e eu estava cheia de fome, Christian tinha se esforçado montando a mesa e tudo mais e estava sorridente por ter obtido sucesso.

Levei uma garfada do macarrão até a boca e mastiguei, estava sem gosto algum e o macarrão estava meio cru. Observei Christian sorridente enrolando o macarrão no garfo e levando a boca será que ele iria perceber? Claro que iria.

Observei ele colocar o macarrão na boca, mastigar, rapidamente e me olhar do mesmo jeito que tinha feito no dia do bolo com cereja.

— Isso não está muito gostoso. — Disse tristemente.

— Amor é normal ficar meio...

— Péssimo?

— Sem gosto, ainda mais que é seu primeiro macarrão.

— Mas eu segui a receita.

— Você colocou o que no molho?

— Tirei da lata, coloquei água e joguei na panela. — Disse dando de ombros.

— Christian, tem que temperar o molho.

— Mas não é molho pronto? Achei que estivesse pronto.

— Você tem que colocar os temperos e sal.

— Não acredito que eu estraguei nosso almoço, quer sair pra almoçar?

— Não, eu vou te ensinar a temperar o molho, venha. — Me levantei da mesa e ele me seguiu até a cozinha.

Colocamos mais macarrão pra cozinhar e eu o ensinei a temperar o molho. Ele parecia muito interessado me enchendo de perguntas, nos sentamos pra comer e eu estava com muita fome não me importava se o macarrão estivesse cru.

— Está delicioso- Disse Christian depois de provar.

— Está vendo? Aposto que você consegue fazer da próxima vez.

— Obrigada por me ensinar a cozinhar. — Agradeceu.

— De nada. — Respondi sorrindo.

— Tem sobremesa, você quer? — Perguntou quando acabamos de comer.

Ai meu deus

Pedi silenciosamente que não fosse nada que levasse ao forno ou ao fogão.

— Claro amor, o que você fez? — Perguntei.

— Sorvete.

Franzi a testa.

— Você fez sorvete?

— Não, eu comprei sorvete e fiz uma coisa com ele.

— O que você fez? — Christian sumiu na cozinha e depois retornou com uma travessa cheia de sorvete e biscoitos picados por cima, junto com algum tipo de calda, ele basicamente pegou sorvete e jogou coisas boas em cima, era genial.

— A cara está boa não é? — Perguntou animado.

— Está sim.

Comemos seu sorvete e ele estava melhor que o macarrão, então comemos um monte enquanto conversávamos e aquele foi um dos melhores dias da minha vida.

As vezes eu desejo retornar aquele dia, apenas para provar o macarrão estranho de Christian novamente, senti-lo abraçado a mim e dividir outra travessa de sorvete com ele.

Notas finais
Espero que tenham gostado, bjs.