A Garota do Cabelo Rosa
8 Capitulo 07 - 24 de dezembro
Notas iniciais
― Você perdeu a língua Allison?
― Eu… eu… eu não entendi sua pergunta Mery. ― Falou gaguejando
― Eu acho que eu fui bem clara. Você está… Allison. ― Gritou quando ela abriu a porta do quarto e saiu. ― Allison volta aqui. ― Mas Meredith não obteve resposta, a amiga já havia ido embora.
A garota se jogou na cama. Estava cansada de tudo e com sono, dormir em um hospital era horrível. Médicos e enfermeiros correndo de um lado para o outro, famílias chorando e principalmente aquele cheiro que ela não gostava.
Ela tentou fechar os olhos para dormir, porém não demorou muito para ouvir batidas em sua porta. Seus pensamentos voltaram para a amiga, só poderia ser ela que havia voltado para se explicar. Mas quando abriu a porta não pode evitar um olhar de espanto misturado com surpresa, pois havia um loiro de olhos castanhos parado em sua frente.
― Kaique? ― Perguntou olhando para cima, pois sua altura raramente ajudava ela em alguma coisa.
Ele riu.
― Você ainda continua a mesma, não consegue disfarçar as coisas. Quando está com raiva está com raiva, quando está surpresa está surpresa e quando…
― Eu consigo esconder minhas emoções quando eu estou com vontade. ― Falou cruzando os braços e encostando no batente da porta.
― Você não vai me convidar para entrar no seu quarto? ― Ele perguntou com um sorriso no canto da boca.
― Fala logo o que você está fazendo aqui ― Pediu com certo desgosto. ― Na realidade, como você me achou aqui?
O homem parado em sua frente deu de ombros.
― Eu sei mais do que você pensa, Dith. ― A garota se encolheu, era como sua mãe a chamava. Ela havia criado o apelido assim que a menina começou a morar com o casal.
― O que você quer? ― Perguntou com raiva.
― Toquei em um ponto sensível? ― Ele sorriu. ― Eu passei aqui por dois motivos e teria sido bem mais fácil se você não tivesse trocado de número, depois que saiu de casa.
Meredith revirou os olhos, ela não havia trocado de número quando saiu de casa, havia trocado de número depois que Eric havia atacado ela no meio da rua, a cerca de dois meses atrás.
― Eu não troquei de número quando você me expulsou de casa. Eu troquei de número depois… O que você quer Kaique? ― Perguntou irritado ao perceber que quase havia falado o que não devia. ― Quer saber? Se você não me falar o que quer em trinta segundos eu fecho a porta.
― Tudo bem. Primeiro, eu vim aqui porque a vovó e o vovô vão vir para o natal, então preciso de você em casa.
― É claro que eles não sabem que você me expulsou de casa. Imagino que quando se referiu a nosso avós são os maternos, certo? ― O loiro balançou a cabeça confirmando.
― E a segunda coisa é que daqui a algumas semanas provavelmente você irá receber uma carta para uma…
― Eu imagino já para que seja… Você ainda não desistiu de roubar minha herança? Como alguém pode ser tão desprezível assim? ― Ela perguntou. ― Você só pensa em dinheiro. ― Afirmou.
― O dinheiro faz muito coisa, Meredith. ― Falou colocando a mão no bolso da calça. ― Um pouquinho dele pode me fazer ficar com tudo que é seu. ― Kaique sorriu para Meredith mais uma vez e começou a se afastar. ― Eles chegam no sábado de manhã, então espero ver você na sexta feira. Vai ser como você nunca tivesse saído de casa. ― Assim que terminou de falar se virou de costas para garota e saiu andando, deixando Meredith sozinha assimilando tudo que havia acontecido ali.
Depois de alguns instantes ela se recuperou e fechou a porta do quarto balançando a cabeça negativamente. Não estava muito pouco afim de ir para casa no natal.
24 dezembro 18:30pm
A garota tocou a campainha daquela enorme casa ainda relutante, não queria estar ali. A porta se abriu revelando um Kaique aparentemente irritado e com um olho roxo meio esverdeado, Meredith preferiu não comentar nada sobre o olho do irmão para não deixá-lo mais irritado do que aparentemente ele já estava.
― Você me ouviu aquele dia? ― Ele perguntou irritado enquanto dava espaço para ela entrar na casa. ― Era para você ter vindo ontem.
― Quem era Kaique? ― Uma senhora perguntou saindo da cozinha enquanto Meredith tirava o casaco e jogava em cima do irmão junto com uma mochila que ele rapidamente tratou de esconder, assim que a viu a senhora abriu um sorriso e os braços. ― Não acredito, como você cresceu. ― Ela falou abraçando Meredith.
Assim que saiu do abraço a garota sorriu para a avó
― Na realidade são meus saltos vovó, eu não cresço faz alguns anos. ― Falou mostrando os sapatos de salto preto.
― Você está linda querida. Seu avô está tomando banho, daqui a pouco ele aparece. Está louco para ver você.
A senhora começou a andar para cozinha e Meredith a seguiu, deixando Kaique sozinho.
Enquanto a avó olhava algo no forno a menina se sentou na bancada que havia na cozinha e passou a mão pelo vestido vermelho com detalhes em preto. Havia rezado para a avó não reparar que ela havia usado o mesmo vestido no natal do ano retrasado.
Assim que a avó se apoiou na bancada de frente para ela, a menina soube qual seria a próxima pergunta: onde ela estava.
― Kah me falou que você está parando mais tempo na casa do seu namorado do que aqui, é verdade? ― A garota sorriu sem graça para a mais velha. Com toda certeza Kaique não iria deixar aquele atraso de vinte quatro horas fácil.
― Ele disse isso? ― Perguntou coçando a nuca.
― Eric o nome dele não é?
Meredith olhou para avô sem saber se havia ouvido certo ou se estava imaginando coisas, pois desde do dia que encontrou Allison saindo do carro do ex namorado não parava de pensar nele.
― O que a senhora disse? ― Perguntou, mas foi impedida de ter uma resposta por causa do avô.
― Então, aqui está a fugitiva? ― Perguntou rindo enquanto abraçava a garota.
― Aqui estou eu vovô. Senti saudades de vocês. ― Falou saindo do abraço. ― Como foi a viagem?
― Tranquila. Seus tios iam tentar vir, mas não sabiam se iriam conseguir um voo a tempo. Tentamos falar com os pais de Peter, mas acho…
― Não inventem desculpas, eu sei que os pais dele não gostam da garotinha adotada aqui. ― Falou apontando para si mesma.
Os avós sorriram sem graça.
O resto da noite foi mais tranquila que Meredith havia imaginado, mas ela não havia esquecido do que a avó havia falado. Será que era apenas uma mera coincidência?
― Mery não esqueça que amanhã você tem que acordar cedo, não vamos tomar café separados. ― A avó avisou para a garota que estava sentada no sofá assistindo televisão.
― Pode deixar. ― Falou olhando para a senhora parada no meio da escada.
― Boa noite querida.
― Boa noite vovó. ― Falou e acompanhou com o olhar a mulher subir as escadas.
Assim que a avó sumiu de vista a menina levantou do sofá e andou de braços cruzados até o painel da televisão que envolta da mesma era cheio de livros e objetos de decoração e principalmente globo de neves. Nada havia saído do lugar, tudo estava exatamente como da última vez que ela havia visto.
A garota descruzou os braço e pegou um dos globos de neve que havia ali, a mãe adorava aqueles globos. Cada globo que você encontrava espalhado pela casa ou pelo escritório dela havia uma história de porque ela havia comprado, como se fosse uma tatuagem. A menina gostaria de saber a história por trás de todos, porém apesar de viver dez anos com Amélia, ela não teve tempo de descobrir.
― Esse era um dos preferidos dela. ― Uma voz falou a assustando e por pouco o globo não foi parar no chão. Kaique tirou o globo de sua mão e colocou de volta no lugar
― Como você sabe? ― Perguntou cruzando os braços novamente.
― Você nunca percebeu? ― Ele sorriu. ― Todos que estão na sala são os preferidos dela. Ela era viciada nessas coisinhas, então sempre que algo acontecia ele comprava um, acredite em mim o escritório dela está cheio deles. Mas esses aqui são os momentos que mais a marcaram.
O loiro pegou um dos globos na mão.
― Esse aqui foi quando ela viajou para fora do país pela primeira vez.
― Eu sei.
Ele colocou de volta no lugar e pegou outro.
― Esse foi quando ela descobriu que estava grávida. ― A menina olhou para o irmão.
― Eu não sabia desse.
― Então, aposto que também não sabia que o que você estava segurando foi comprado assim que confirmaram que você finalmente iria fazer parte da família.
A garota sorriu olhando para o globo que havia tocado a pouco tempo, não sabia daquilo. Seu olhar voltou para Kaique rapidamente, não iria deixar o irmão fugir sem lhe dá respostas.
― Por que você falou que eu estava na casa de um namorado?
Ele riu e o olhou.
― Por que você não veio ontem?
― Eu nem sabia se iria vir hoje. Sinceramente Kaique, eu devia contar para eles que você me expulsou de casa e bloqueou todo meu dinheiro.
― Você recebe seu dinheiro.
― O que eu recebo mal dá para me manter durante o mês Kaique. Eu não sei se você sabe mais eu pago por aquele quarto no campus.
― Meredith, você nem deveria receber esse dinheiro que você recebe, você…
― Uma intrusa na sua família?
― Que bom que você sabe.
A garota soltou uma risada falsa.
― Eu não sei porque eu vim ajudar você com essa farsa. Você é um babaca que a única coisa que sabe fazer é sair para festas e se meter em briga. ― Falou apontando para o olho dele.
― E você? A única coisa que sabe fazer é estudar e ir para no hospital. ― Meredith o olhou com surpresa e não conseguiu falar nada. ― Eu sei que suas consultas não adiantaram nada, eu sei que você foi para o hospital semana passada. Eu sei mais coisa da sua vida do você pensa.
Meredith deu alguns passos para trás assustada.
― Como você sabe que eu fui para o hospital semana passada?
― Você acha que é Eliza que paga sua estadia naquele lugar?
― Você foi no hospital todas as vezes que eu estive lá? ― Ela perguntou surpresa.
― O que você acha? ― Ele perguntou e logo depois saiu da sala deixando a garota sozinha.
Meredith não teve tempo de ir atrás de Kaique pois ouviu o barulho de um carro sendo ligado. O irmão estava saindo para alguma festa e fugindo de suas perguntas. Ela suspirou e foi para o quarto não acreditava que todas as vezes nos últimos sete meses que ela foi parar no hospital Kaique havia estado lá.
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