A Garota do Cabelo Rosa
6 Capitulo 05 - "Familia Paterna"
Notas iniciais
― Merda. ― O garoto falou enquanto olhava de baixo do sofá. ― Flora não faça isso. ― Ele pediu quando a cachorra começou a lamber sua orelha.
― É só você se levantar do chão que ela para. ― Richard falou aparecendo na sala enquanto bebia uma xícara de café. O ruivo olhou para o avô irritado. ― O que você tanto procura afinal?
― Um desenho, ― Falou se levantando. ― quero dizer, meio que metade dele. É um desenho que eu fiz muito tempo e sem querer acabei rasgando… enfim, eu coloquei os dois pedaços dentro do meu caderno para poder colá los, mas eu perdi uma parte dele.
― E você já pensou na possibilidade de ter perdido ele na rua.
― Eu tenho certeza que ele está por aqui. ― Falou levantando a almofada do sofá.
― Você já revirou a casa de cabeça para baixo essa manhã. ― O avô falou e logo em seguida bebeu mais um gole de café. ― O que tem nesse desenho afinal?
― Ele é importante, okay? É de uma coleção de desenhos que eu fiz.
― É só desenhar ele de novo.
― Não é tão simples assim. Esse foi o primeiro da coleção. ― Ele olhou para o avô e balançou a cabeça em negação. ― Quer saber deixa pra lá. ― Falou indo para o quarto.
― Não esqueça que sua mãe vem buscar você para vocês almoçarem juntos. ― Ouviu o avô falar enquanto fechava a porta do quarto e revirava ele mais uma vez de cabeça para baixo, como diria Richard.
― Aqui está o que você me pediu. ― Eliza falou entregando uma pasta para ele. Os dois estavam sentados em uma mesa do melhor restaurante da cidade.
Ele abriu a pasta e olhou para o pedaço de papel e não pode acreditar no que estava vendo. Sabia que havia sido algo ilegal, mas não pode conter a felicidade ao ver que aquelas acusações falsas de roubo de dinheiro haviam saído de sua ficha. Agora ela estava limpa.
― Mas nós dois sabemos que você não me trouxe aqui só para falar sobre isso, não é? ― Ele perguntou fechando a pasta e olhando no fundo dos olhos da mãe.
― Não. ― Ela respirou fundo. ― Eu sei que eu errei, Danny. Mas, eu não tive escolha na época.
O garoto cruzou os braços.
― Eu não quero ouvir, eu já sei da história toda, ok?
― Você acha que ele te contou a verdade?
― Sabe, por um lado eu estou feliz por agora poder saber de onde vêm meus cabelos ruivos.
― O que ele te disse?
O garoto deu de ombros ao invés de responder a pergunta.
― Eu perdi a fome. ― Falou se levantando da mesa.
― Daniel. ― Ela o chamou fazendo várias pessoas que estavam em volta a olharem, menos o garoto. Ele apenas continuou andando para fora do restaurante.
Assim que saiu andou um pouco a pé e depois entrou em um táxi, precisava ir para o aeroporto se despedir de Joshua.
― A mulher está achando que você vai comer o prato também. ― Joshua brincou enquanto o amigo comia um pedaço de torta.
― Não esquenta, se eu comer o prato eu também pago por ele.
O moreno riu e olhou em volta.
― Não importa o lugar a gente sempre vai se encontrar em uma café por um acaso?
― O único tempo livre que temos é quando estamos comendo. ― Daniel explicou.
― Você deveria pelo menos ter esperado a comida, dizem que a comida daquele restaurante é ótimo.
O ruivo bufou.
― Acho que vou levar Lizzie lá quando voltarmos.
― Ela ainda está muito chateada?
― O que você acha? Eles não podiam ter cortado a vaga dela assim.
Daniel chamou a moça que segundo Joshua achava que ele ia comer o prato e pediu mais um pedaço.
O amigo o olhou boquiaberto.
― Você só pode estar brincando comigo? Mais um pedaço? Esse já é o terceiro Daniel.
― A barriga é sua ou minha, Josh? ― Perguntou sorrindo.
1 semana depois
Assim que Daniel abriu a porta de casa achou melhor não ter feito isso. Pois sua sala estava cheia de pessoas, ele havia esquecido por algumas horas que era véspera de natal.
Olhou aqueles familiares ali e pensou o quanto seria difícil aturar aquela noite. Talvez fosse mais fácil que o natal passado ou mais difícil já que nesse ele havia bebido e poderia falar algo que não deveria.
― Olha quem chegou. ― Ouvi uma voz familiar comentar e tentou sorrir quando a dona da voz o abraçou. Era a mulher que ele costumava chamar de vó, mas agora que ele sabia a verdade era tudo tão difícil. Ela não era sua avó, ela era apenas a avó de Maya, mãe de Joseph. ― A última vez que eu vi você foi no natal passado, menino. ― Ele continuou sorrindo, não sabia o que falar.
― Parece que o gato comeu a língua do Danny. ― Ouviu a irmã falar e forçou uma risada levando todos em volta a rirem.
― Acho melhor você tomar um banho antes de tudo. ― Eliza falou ficando entre os dois.
O ruivo balançou a cabeça concordando e saiu da sala indo para o quarto. Só percebeu que sua mãe vinha atrás quando dele quando a porta do quarto se fechou sozinha.
― Precisava beber hoje? Você está cheirando a álcool. ― Ela falou levando as duas mãos na cintura. ― Acho que qualquer pessoa que esteja em um raio de dois quilômetros consegue sentir seu cheiro de álcool.
― Não exagera.
― Você viu como veio andando até o quarto? Teve um momento achei que você iria bater na parede. ― Ela suspirou. ― Se possível não volta para lá, não quero vexame.
― Por que vocês se reuniram aqui afinal? ― Ele perguntou.
― Porque nossa casa está com uma infestação de baratas. ― Ela falou saindo do quarto.
Logo depois de pegar o celular e digitar algo o garoto se dirigiu para o banheiro que tinha no quarto e entrou no banho.
Daniel deixou a água cair sobre suas costas por um longo tempo, não queria sair do banho, pelo menos enquanto estivesse ali não correria o risco de alguém procurá-lo. Sabia que falava o que não devia quando estava bêbado, por esse motivo sempre evita ficar bêbado perto de Joshua nos últimos meses e agora também não poderia ficar bêbado perto da família.
Uma parte dele queria ouvir a mãe e sair do banho e ir direto dormir, mas outra parte dele queria fazer justamente o contrário do que ela havia pedido e ir para sala ficar com os parentes, mas sabia que falaria algo que não deveria. Poderia ser uma simples bobagem, mas poderia ser algo maior. Algo que eles não deveria saber, principalmente sua “família paterna”.
Ele riu sozinho enquanto desligava o chuveiro.
Família paterna, era tão estranho e ao mesmo tempo tão normal aquilo. Joseph não era seu pai, então ele não fazia parte da família dele, porém ao mesmo tempo ele havia crescido no meio daquelas pessoas, aquelas pessoas estiveram presentes durante sua infância toda, como elas não poderia ser sua família?
Saiu do banheiro e olhou o celular que marcava onze horas, havia ficado mais tempo do que imaginava no banho. Se jogou na cama, ainda com cabelo molhado e fechou dos olhos, com a intenção de ainda ir pra sala se juntar com a família, porém isso não aconteceu, pois o sono o dominou rapidamente. Quando acordou no dia seguinte com uma enorme dor de cabeça, a única coisa que pensou foi que havia sido melhor assim.
“Antes que eu me esqueça: Feliz natal Lizzie”
22:15pm
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