Notas iniciais
Se eu já não avisei antes, aviso agora. Os capítulos não tem um padrão de comprimento, mas de uma coisa tenham certeza, jamais vai passar de 3 mil palavras.

A caminho da escola, Erick começou a pensar nas possibilidades que tinham à sua frente. Ele mal conversava com sua colega, quem dirá se declarar para ela? Certamente seria mais fácil se um dos seus professores realizassem algum trabalho em dupla e, como o destino é bom e ele sabia da sorte extrema que tinha, Erick faria o trabalho com Riana.

Pensara nisso, concentrara todas suas forças naquela verdade inventada, acreditando tão fortemente que chegara a sorrir maliciosamente. O sorriso sumiu quando viu sua escola. Quatro andares e o relógio na torre principal, chamando a atenção com seu tique taque que irritava os nervos de Erick. Faltava sete minutos para a sete horas da manhã.

Erick ajeitou sua mochila em suas costas e foi para sua sala de aula, no terceiro andar. E, dessa vez, ao invés de olhar fixamente para sua janela, ele resolveu admirar sua colega sentar-se em sua cadeira. Erick estava com calor, ele suava debaixo da blusa.

Porém, Riana não parecia ligar. Ela estava em sua carteira, logo ao lado de Erick, lendo algum livro cujo título Erick não conseguiu ler, com uma camisa de manga comprida. George sentou-se à frente de Erick, batendo na mesa dele para chamar a atenção. Erick deu um pulo, George sorriu para ele.

—Você está babando. — George brincou. Erick limpou sua boca. Ele não estava babando. George riu da cara dele.

—George, eu tomei uma decisão. — Erick disse, baixinho. Ele se inclinou por sobre a mesa, George apenas levantou uma sobrancelha, esperando que ele continuasse. — Eu vou chamar Riana para sair.

—Você está falando sério? — George perguntou, surpreso. Erick apenas acenou com a cabeça. George passou a mão no topete. — E o que lhe fez tomar essa decisão? Finalmente prestou atenção no que eu disse nesses três anos?

Erick olhou para baixo, ainda pensativo.

—Eu tive um pesadelo.

—Com o que você sonhou? — O sorriso de George sumiu.

—Não vale a pena. Era um sonho sem sentido. — Erick deu de ombros. George fitou seus tênis. Havia uma mancha de sujeira na ponta.

—Tá, mas e aí? O que você pretende fazer?

—Eu ainda não tinha pensado tão longe. — Erick se encolheu, um pouco envergonhado. George riu da cara dele. — Eu não sou como você, Don Juan. Eu não sei falar com garotas.

—Elas são gente, também, sabia? É como falar com qualquer um. Não tem tanta diferença assim. — George disse. Erick revirou os olhos. — Não é tão difícil.

—Eu estava esperando na verdade que a professora de história fosse nos colocar em um trabalho de dupla.

George suspirou.

—Seu plano é tão cheio de falha, que eu nem sei por onde começar. — Erick cruzou os braços. — Primeiro que esse tipo de coisa só acontece em filme de romance. Segundo, Gabi quase nunca passa trabalho, quanto mais em dupla. Terceiro, mesmo que ela dê um trabalho, o que eu acho muito improvável, a chance que você caie com ela é de 1 em 40. — Ambos suspiraram. George poderia continuar a lista, mas preferiu fazer outra coisa. Ele daria um exemplo à Erick. — Vou te mostrar como que se faz.

George então limpou a garganta e virou-se para sua colega. Ele teve tempo apenas de chamar seu nome. Riana virou seu rosto em direção à George, um tanto surpresa. Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, a professora de história, Gabriela, entrou na sala de aula. Ela estava segurando sua famosa pasta amarela, cheia de papéis amontoados e amassados. Provavelmente, seus planos para cada aula que daria aquele dia. A ponta de seu nariz estava avermelhada. Gabriela arrumou os óculos no lugar com a ponta da caneta. Ela jogou sua pasta em cima da mesa de qualquer jeito e então, olhou para cada um de seus alunos com suas mãos em cada um dos lados de seu quadril.

Erick olhou para a professora e então olhou para Riana. Se havia alguma forma mais fácil de tomar a iniciativa, seria se a professora, naquele instante, organizasse um trabalho em dupla. Seria a perfeita oportunidade. Ele acreditava que aquilo ia acontecer.

—Você só pode estar delirando se acha que a Gabi vai passar um trabalho assim, de uma hora para a outra. Ela é a única professora que não passa trabalho. — Erick lembrou-se das palavras de George no começo da sala, antes da professora entrar. Erick endireitou-se na cadeira e ficou de prontidão. Ele sabia que ia acontecer. Ele tinha certeza.

Erick olhou para Riana e então, mais uma vez para a professora, apenas esperando o que ela iria dizer a qualquer instante.

—Atenção, turma. Trabalho em dupla. — Ela disse e naquele instante, George virou-se para trás e deu um sorriso para Erick.

—Agora, diz que vai chover dinheiro. — Ele disse, com um sorriso no rosto, virando-se novamente para frente quando Erick não disse mais nada. Por mais baixinho que George tivesse dito aquilo, Riana, ainda completamente desinteressada na aula, virou-se para encarar George e Erick, perguntando-se o motivo pelo qual ele teria dito aquilo. Mas novamente, aquilo não a interessava. Então, virou seu olhar para a professora enquanto fingia escutá-la.

—O trabalho vai ser sobre os deuses gregos. Cada dupla irá escolher um deus grego e irá apresentar a história dele e o que ele representa. Conversem entre os outros, não quero deuses repetidos.

"Vai ser fácil", Erick pensou. Afinal, ele cairia com a menina mais bonita e inteligente daquela sala. E ele voltou a olhar para Riana. Ela o encarou por alguns segundos e ele virou seu olhar para a frente novamente, completamente embaraçado.

—Vou sortear as duplas, porque não quero os grupos de sempre. Ouviu bem, Eduardo? — A professora disse e encarou um rapaz que sentava logo na frente. Ele deu de ombros. Ele e seu melhor amigo Oliver sempre ficavam juntos em trabalhos em equipes e nunca faziam nada. Ainda assim, conseguiam tirar uma ótima nota. Ninguém nunca entendia o porquê.

A professora então, preparou os papéis, cortou-os, pediu ajuda para dobrar os papeizinhos e dispôs em um pote onde pegou o primeiro e disse em voz alta:

—Eduardo Ramos. — A professora chamou. Eduardo levantou a cabeça e passou a mão nas luzes do seu cabelo. Gabriela suspirou. Ela pegou outro papel. — Você vai fazer par com Oliver Albuquerque.

Eles trocaram soquinhos e dividiram um olhar que somente eles entendiam. A professora suspirou. Agora, era a culpa era dela.

"O próximo sou eu." Erick pensou. A professora pegou outro papel.

—Erick Ballarini! — Ele sabia, mas não conseguiu deixar de sentir borboletas em seu estômago ao ouvir seu nome. Ele endireitou-se na cadeira. — Você vai fazer par com...

E ela foi pegar o papelzinho. Erick fechou os olhos e começou a imaginar o nome de Riana. Ele conseguia enxergar o R cursivo no pedaço de papel, desenhado com a letra que ele achava ser de Riana, escrito com uma voltinha estilosa. E quando a professora demorou a dizer o nome, Erick abriu os olhos. Ela ainda estava encarando o pedaço de papel. Todos da sala ficaram esperando. "E aí, ele vai fazer com quem?"

Nem mesmo a professora sabia dizer. Afinal, ela praticamente viu com seus próprios olhos, o J do nome Junior se transformar na letra R, uma letra que sabia que não era sua. O nome que ela tinha escrito havia sumido, transformando-se num nome. Ela piscou e esfregou seus olhos. Talvez ela tivesse bebido demais no dia anterior. Então, leu de novo.

—Riana. — Ela disse por fim, ainda analisando o pedaço de papel, esperando que o nome mudasse novamente. Não havia sobrenome no papel. Gabriela tinha feito questão de escrever todos os nomes com sobrenomes, mas aparentemente ela tinha esquecido de um.

Depois daquela, ela ia parar de beber.

Ela ignorou o papel e jogou-o de lado, enquanto Erick comemorava baixinho na carteira dele. Riana espiou a comemoração sussurrada de Erick pelo canto do olho. Então, ele se endireitou novamente, as mãos em suas coxas, completamente embaraçado pelo que acabara de fazer. Seu rosto estava vermelho.

Ao terminar de ler os nomes, a professora deu as regras para todos anotarem em seu caderno. Erick tentou observar a letra dela, mas ele não conseguiu, novamente ela virou-se para olhar para ele. Eles ficaram nesse jogo de olhares pelo resto da aula, até dar o horário do intervalo.

Notas finais
Espero que gostem :3 Comentários sempre serão aceitos.