A Garota de Edmundo
3 Uma viagem pela cidade.
Notas iniciais
Fomos passar a noite na casa do professor Kirke, já que nossos pais iam demorar mais um dia para chegar, estava apertado, já que só tinha um quarto de visitas Pedro dormiu no sofá, Lucia na cama, é claro, e eu no chão. Não sintam pena de mim, foi minha escolha dormir no chão, não gosto de ser incomodo para ninguém, aliais já estava tão acostumado que todas as vezes que eu ai dormir e tinha insônia eu colocava um cobertor no chão deitava em cima, pegava outro e me cobria. Era uma coisa que eu gostava dormir no chão. Ajudava-me a esquecer dos problemas, o que geralmente me dava insônia, acho que é por isso que eu conseguia dormir no castelo da feiticeira, eu dormia no chão.
Deitei e fiquei me lembrando da garota da estação, do beijo, do amor, será que algum dia alguém vai me amar, não porque sou da família, mas me amar mesmo. Chega. Eu pareço uma garota sonhando com o primeiro beijo. Olhei no relógio da sala (onde eu e Pedro estávamos) e já havia passado duas horas que havia me deitado. Talvez se pensasse em outra coisa conseguiria dormir, bom, fiquei acordado umas quatro horas antes de conseguir dormir, acordei cansado.
-Então Lucia, será que já é permitido contar o que aconteceu em Nárnia ou teremos que descobrir por Eustáquio? – disse Pedro se corroendo por dentro.
-Não sei, Lucia, que tal esperarmos Pedro morrer de curiosidade e depois só contar para o professor?
-Acho que seria uma ótima ideia – disse Lucia.
-Crianças, parem de torturar seu irmão e contem logo o que aconteceu!
-Lucia, posso começar?
-Pode.
-Bom, por onde começo...
-Pelo começo seria bom — disse Pedro quase pulando em cima de mim.
-Só por isso – olhando para Pedro – começarei pelo fim. Eu e Lucia não poderemos voltar mais à Nárnia!
-Sério?
-Aham, Aslam disse que eu e Edmundo já aprendemos o necessário para identifica-lo aqui, na terra, e que por isso não voltaríamos mais.
-Ahh, e Eustáquio – disse Pedro com curiosidade.
Eu e Lucia nos entreolhamos, já havíamos pensado nisso, mas não houve resposta sobre Eustáquio.
-Aslam não disse nada sobre ele poder voltar ou não será que isso significa que...
-Ele pode voltar e viver novas aventuras em Nárnia, eba! Mais histórias para ouvir. –concluiu Lucia sobre o que eu falava (n/a: nem interrompeu a fala dele nem nada).
-Lucia, não sabemos de nada ainda, talvez... sei lá, está estranho, okay! – Não estava conseguindo me concentrar nessa conversa, não conseguia elaborar uma opinião sobre isso, era difícil pensar.
-Edmundo, você está bem? – disse Lucia.
-Só estou com uma pequena dor de cabeça!
-Será que você está gripado? – disse Lucia preocupada e foi pegar um termômetro.
-Imagina Lucia, não é nada – gritei para ela.
No hospital.
-Garoto, aqui está a receita dos remédios contra a gripe e lembre-se de ficar de repouso e beber muitos líquidos.
-Certo Dr. Fitzwilliam! (n/a: nem roubei esse nome de Orgulho e Preconceito nem nada)
Fomos até o porto esperar nossos pais chegarem e eu mesmo doente os acompanhei, queria vê-los, mesmo estando gripado. Um navio aportou e eu, entre tantos casacos que haviam colocado em mim, fiquei tentando acha-los assim como meus irmão e como sempre Susana para fazer charme forçou-os a serem os últimos.
-Olá, queridos irmãos! – disse Susana segurando sua bagagem – será que alguém me ajuda com a minha bagagem? – olhando para mim.
-Eu pego, Susana – disse Pedro antes que ela insinuasse mais que era para eu pegar.
-Pedro, acho que está na hora de nosso irmão, Edmundo, aprender a ser cavalheiro! – olhando para mim um pouco irritada.
-Ele está doente, Susana.
-Ah, claro, mas da próxima vez você não escapa.
-Okay – depois fomos cumprimentar nossos pais.
Íamos indo para a casa do professor pegar nossas coisas para levar para casa, quando passamos por uma Igreja que tinha na frente um crucifixo.
-Parem, por favor, quero ficar aqui até vocês pegarem as coisas na casa do professor, já que para irmos para a casa teremos que passar por aqui de novo.
-Edmundo, querido, eu não acho que seja uma boa ideia você ficar aqui sozinho, ainda por cima doente – disse mamãe.
-Eu vou junto com ele, mãe, por favor, deixe!
-Tudo bem – mamãe sempre cedia à Lucia.
O carro parou, descemos, eu e Lucia, e entramos na Igreja e sentamos em um dos bancos. A igreja estava vazia exceto por uma menina que rezava. Muito bonita por sinal.
-Lucia, você está pensando também que talvez Aslam seja...
-Deus, sim estou pensando nisso, mas antes de confirmar temos que tomar mais conhecimento sobre a Bíblia e tudo mais, já nosso pais nunca nos mostraram nada disso.
-Certo e onde vamos arranjar uma Bíblia? – olhando para a menina.
-Não sei acho que deve haver alguma livraria por aqui.
Ficamos em silencio por um tempo, Lucia acompanhou meu olhar, deu um sorrisinho e foi falar com a garota, estava tão concentrado que só reparei que Lucia tinha ido, quando chegou lá, ela ficou esperando a garota terminar de rezar e quando esta terminou elas começaram a conversar, ficaram um tempão falando até que Lucia apontou na minha direção e ela se virou, então eu pude ver que ela era bem mais bonita do que eu imaginava. Ela voltou a falar com Lucia elas se despediram e ela voltou para falar comigo.
-Diga, Lucia, como você destruiu minha vida desta vez? – disse brincando.
-Edmundo, as coisas nem sempre são sobre você, sabia?
-Então porque apontou na minha direção?
-Estava falando que eu tinha mais três irmãos, sendo que um era uma mulher e que todos eram mais velhos, então eu falei que um estava na Igreja comigo e apontei para você. Bom, pelo visto ela gostou de você, pois logo depois que eu fiz isso ela aceitou meu convite de me ensinar italiano, então eu passei nosso endereço a ela que anotou tudo e ela disse “Que fofo seu irmão, o que ele tem que está com o nariz vermelho”, então eu respondi que estava gripado ela riu nos despedimos e ela foi embora.
Após falar tudo isso num sopro só ficou recuperando o folego enquanto eu terminava de processar as informações.
-Italiano você vai aprender italiano?
-Para tanta coisa para se perguntar você pergunta isso? E sim eu vou aprender além do mais ela disse que ia me ensinar de graça e a você se quisesse.
-Bom, vou querer então, mas como ela aprendeu italiano?
-Ela é italiana, só veio morar aqui ha um ano.
-Ah, legal, você ficou sabendo disso em dez minutos de conversa?
-Eu sei perguntar, dar indiretas e principalmente, fazer a conversa fluir, o que foi bom, pois eu descobri que aqui do lado tem um livraria onde podemos comprar a Bíblia.
Fomos lá, compramos, Lucia guardou em sua bolsa e ficamos esperando nossos pais para irmos embora.
-Edmundo, Lucia, aqui – nos viramos e vimos Pedro rua abaixo, fora do carro no único lugar que havia uma vaga livre, até eles estacionarem. Fomos até lá e entramos.
-Pegamos as coisas, onde vocês foram – perguntou Susana.
-Na livraria ver uns livros – respondeu Lucia.
-Vocês compraram alguma coisa?
-Não, não compramos.
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