A Garota da Porta

1 Depois da Fábrica


Notas iniciais
Bem. Atendendo pedido, aí está a primeira parte da história que prometi...
Espero que gostem, de verdade.
E podem comentar sem medo, dizendo o que acharam, o que esperavam, o que esperam ver e tal. :D

E se eu te contasse que monstros existem; e se eu te contasse que eles vivem mais próximos do que imaginamos, você acreditaria? E se você pudesse encontrar-se com eles, teria medo ou os abraçaria? Boo acredita e os abraçaria, em especial dois monstros: James P. Sullivan (Sully) e Mike Wazowski (Zoiudin da mamãe). A história de amizades desses três foi de “caos” para “bonança” em pouco tempo, provando assim o impacto que teve essa relação, para eles e principalmente para a criança. Boo chegou em Monstrópolis causando um reboliço muito grande e colocando a Monster Inc. sob intensa investigação da CDA, Sully e Mike tiveram que concertar as coisas e acabaram descobrindo um esquema malvado por trás da entrada de Boo na fábrica.

Após a exposição do esquema que era comandado pelo ex-presidente da Monster Inc, Henry Waternoose, Sullivan, com a ajuda de Boo, descobriu um novo método de coleta de energia: O riso das crianças, que se mostrou 10 vezes mais eficaz que a energia gerada por gritos. Deste modo o mundo monstro foi salvo do racionamento de energia, Sully e Mike se tornaram CEO’s da Monster Inc. A diretoria viu que não encontrariam ninguém melhor para chefiar a nova fase da empresa do que os dois monstros que a salvaram da falência e Monstrópolis da completa escuridão. Ao assumir mudaram o slogan da corporação: “Fazendo rir para Progredir”. No mundo humano, a nova fase da Monster Inc. agradou muito aos pais que, mesmo sem saber como, passaram a ter noites de sono mais agradáveis. Seus filhos não acordavam mais no meio da noite desesperados de medo, pelo contrário, dormiam muito sossegado após o “show de humor” dos monstros.

Após a reconstrução da porta de Boo, Sully e Mike fizeram mais algumas visitas à garotinha. Todos os anos, no dia do seu aniversário, a porta do armário de Boo se abria lentamente durante a noite e dela saiam duas criaturas já bem conhecidas:

― GATINHOOOOO!!! Mike Wazowski!! – a garota pulou da cama e correu para abraçar os monstros que acabaram de adentrar em seu quarto.

Vindo do quarto dos seus pais, um grito foi ouvido:

― Mary. Já está na hora de dormir querida. Isso não são horas de uma garota de 8 anos está acordada conversando com amigos imaginários. – os três caíram na gargalhada, abafando a risada com as mãos.

― Eles não acreditam em nós, Boo!! – sully disse entre gargalhadas.

― Eles já são grandes demais, gatinho.

― Espero que você não esqueça da gente quando crescer. – o zoiudin da mamãe fez uma expressão muito engraçada ao completar a frase e todos caíram na gargalhada de novo.

― MARY GIBBS, PARE COM ISSO AGORA. AMANHÃ É UM GRANDE DIA PRA VOCÊ, VÁ DORMIR. – o pai de Boo gritou bravo, do outro quarto.

― Bem... Não queremos ser descobertos. Acho que já vamos embora, Boo. Voltamos assim que possível. O Mike tem mais casas pra “assustar” hoje à noite.

― Mas, quando vocês vão voltar??? Vou ficar aqui sozinha... Me levem com vocês. Por favor – uma expressão triste pode ser vista no rosto de Boo. Aquilo foi de cortar o coração. A garota se sentia isolada, pois em sua escola ninguém acreditava em suas aventuras. Em sua casa, seus pais já não davam mais crédito às historinhas que ela contava quando mais nova e nem se empolgavam com sua cantiga de “Manda esse treco de volta senão o bicho pegaaaa”.

― Trequinho... Não fica assim. Viremos sempre te fazer uma visitinha. Não se preocupe. – o olhão de Mike brilhou, parecia que queria chorar.

― Venha aqui, nos dê um abraço bem forte... Temos que ir agora. O horário do almoço já vai acabar.

A garota abraçou os dois monstrengos com toda força que tinha e uma lágrima pode ser vista rolando em seu rosto.

― Tchau gatinho... Tchau Mike... Vou sentir saudades de vocês.

Os dois amigos adentraram novamente pela porta que saíram há alguns minutos e desapareceram... Boo, em mais uma tentativa de voltar à fábrica, correu até a porta e a abriu rapidamente. Mas, como das outras vezes, tudo que viu foi suas coisas entocadas ali. Ela ergueu um pouco a cabeça e viu uma caixa velha que estava por ali, com umas folhas saindo. Pegou a caixa e levou-a para a cama e começou a vasculhar os rabiscos que tinham ali.

Das muitas gravuras que tinha ali, ela se lembrava muito bem de três formas: uma lagartixa roxa com 8 membros.

― Como era mesmo o nome dele... Rannall... Ramal... Randall... Isso mesmo. Nem acredito que eu tinha medo disso. Mas, pensando bem, ele era realmente muito feio. – riu sozinha após ver vários rabiscos de Randall, seu assustador do passado.

Um ser peludo e enorme:

― Gatinho... – um sorriso bobo escapou, ela acariciava um dos muitos desenhos que fizera de Sully. Um monstrengo de pelo azul e bolinhas roxas, alto e com chifres pequenos. Dentes enormes e garras afiadas que, desenhados daquele jeito, não pareciam nada amedrontadoras.

E uma bola com braços e pernas finas e de um olho só:

― Mike Wazowski... – ela acariciava a folha de papel e sorria. ― Será porque é tão difícil assim acreditar em mim? Só porque sou uma criança não quer dizer que tudo o que digo é coisa da minha mente. Ora essa. – Boo resmungava sozinha sobre o descrédito que ela ganhava ao falar dos seus amigos.

Ela não era mais aquela garotinha de 3 anos que foi à Monstrópolis depois de entrar pela porta do seu armário. Já estava mais crescidinha e suas histórias de como ela passeou em uma montanha russa de portas não eram mais levadas a sério. Mas, em seu coração ela sabia que aquilo tudo era real, tinha sido real. Tanto é que acabara de se despedir de seus amigos monstruosos.

Dois anos depois, em seu aniverário de 10 anos, Boo recebeu novamente a visita dos seus amigos monstrengos, ficaram conversando por alguns minutos. Sully estava impressionado com a beleza de Boo. A garota, por sua vez, ficava perguntando sobre o que aconteceu com Mike e Celia. O que ela teve de resposta foi que os dois se casaram e tiveram três lindos bebês: Kyle, Cemi e Keila. Sully, estava namorando uma monstrinha desconhecida por Boo, mas ele jurava que quando tivesse tempo faria as devidas apresentações. E Boo estava feliz porque iria ganhar uma viagem de presente. Iria passar uma semana das férias na casa de sua tia, que morava numa fazenda um pouco afastada da cidade.

Os anos se passaram e com eles, assim como a fase infanto-juvenil, foi-se também aquela ansiedade de receber monstros em seu aniversário. Em seus sonhos Boo ainda revivia algumas aventuras com Mike e Sully, mas uma visita real já nem era tão aguardada como antigamente. Porém, uma certa manhã, em seu aniversário de 16 anos, a garota ouve seus primos conversarem algo que lhe chamou muito a atenção:

― Rick... Rick... Você não vai acreditar. Ontem à noite um monstro entrou no meu quarto... PELO ARMÁRIO. Eu já estava me preparando para atacar ele, mas ele tropeçou no meu skate, bateu com a testa na beira da cama e ficou se contorcendo de dor... Eu quase não consigo parar de rir. Quando recuperei o folego ele tinha sumido.

― Ah. Kevin. Conta outra. Todos sabemos que monstros não são reais. Você estava sonhando. Com certeza

― Claro que não, Rick. Eles são reais sim. Você nunca viu um?

― Sim, já vi um. Um lagarto roxo, com quatro braços e quatro pernas. Eu tinha pesadelos com ele toda noite.

― Não eram pesadelos, seu bobo. Ele te assustava. Mas agora, os monstros são bonzinhos. Eu até conversei com meu monstro.

― Conversar com monstros? Que tolice, Kevin. Você não vai ganhar nada contando essas mentiras. Vão te chamar de doido.

Mary interrompeu a conversa:

― Com licença meninos. Sobre o que vocês estão falando?

― Kevin está falando que conversou com monstros a noite passada. HAHAHAHAHAHAHAHAHA

― AAAHHH, que legal, Kevin. Como foi?...

Em seu coração, Boo se animou em ouvir histórias sobre monstros fazendo a alegria de crianças, entretanto, permanecia triste por saber que talvez nunca mais pudesse ver seus amigos novamente. Foi então que ela se lembrou de um presente especial que recebeu há alguns anos, quando foi visitar sua tia na fazenda.

― Minha querida... Você pode não saber como usar esse presente agora, mas tenho certeza que chegará a hora em que você precisará dele. E quando precisar, fique sabendo que você encontrará nele o que deseja.

― Como assim tia? Como um livro velho e chato me ajudará a encontrar o que eu desejo?

― Ah Mary. Quando chegar a hora você saberá. Tenho certeza.

― Mas, de onde surgiu esse livro mesmo?

― É uma longa história querida. Outra hora posso lhe contar. Quem sabe quando você for mais velha e consiga entender melhor...

Levantou-se, saiu correndo até seu quarto e foi em direção ao seu armário:

“Onde está... Onde está... Cadê você, seu livro velho”

Boo procurava o livro muito empolgada. Era hora de procurar sua tia novamente e ter uma conversinha com ela sobre o que aquele livro poderia fazer.

― Mãe... Mãe... Posso visitar Tia Cleide esse final de semana?

― Como assim visitar sua tia? Tem tanto tempo que você não vai lá e agora, de repente, quer ir... Pode me contar o que está acontecendo, mocinha...

― Nada demais mãe. Só me diz se posso ir ou não.

― Tudo bem. Acho que sua tia vai gostar mesmo de te ver. Ela sempre fala de você quando vou lá...

Estava tudo certo. Nesse final de semana Boo iria até a casa de sua tia e teriam uma longa conversa sobre aquele livro e como ele poderia ajudar Boo a encontrar seus velhos amigos.

Notas finais
Bem... Chegamos ao final dessa primeira parte...
O que sugerem?