A Garota da Cama de Cima
2 Capítulo 2
Notas iniciais
-Me beije
- Não posso, tenho medo.
- Medo de que?
- De ouvir o que quero esquecer.
Apesar da verdade se esconder, ela já é conhecida.
Uma mochila tinha sido preparada, Kill estudaria na mesma escola que Mark e ambos na mesma sala. O garoto não se importou muito, ele quase não ia mesmo e assim poderia aprender tudo através da irmã.
“Irmã rima com pagã que significa habitante do campo.”
Mark tinha que parar com estes trocadilhos.
E quando a noite caiu Kill já estava acostumada com o lugar onde vivia e pronta para ir à escola, como ela mesma disse para Lail – a sua nova mãe — e para Mark, ela morava em orfanato e a escola era embutida, por isso não conhecia muito bem uma escola “comum”.
Todos foram dormir e Lail fez um trocadilho.
“Orfanato rima com Monteiro Lobato.”
Definitivamente os trocadilhos eram hereditários.
Era muita gente desconhecida. Pessoas que tinham pais, pessoas que já se conheciam, definitivamente muita gente. Os olhos brilhavam de alegria e o coração batia de forma acelerada. A mochila em seus ombros era meio pesada, mas nada insuportável.
- Ei Kill – Mark lhe chamava – Venha vou te apresentar para meus amigos.
- Certo Marzinho.
-É Mark caramba!
Uma roda era formada, algumas pessoas estavam sentadas no único banco de mármore do local, outras de pé e nenhuma com a mochila, todas estavam jogadas no chão ou no banco.
Mark se aproximou e todos o olharam, ele foi dando bom dia para cada um e em seguida apresentou a nova irmã para a turma toda.
Kill estava envergonhada, nunca tinha feito tanta amizade em tão pouco tempo, e também não se lembrava – talvez porque nunca ocorreu – de ter sido tão bem recebida.
Duas garotas logo se aproximaram e se apresentaram sorridentes, alegres:
- Oi eu sou Julha, comecei a estudar aqui na quinta serie do ensino fundamental, seja bem vinda – Julha era alta, gostava de esportes e odiava qualquer matéria que não estivesse relacionada ao assunto, os cabelos eram enrolados e curtos, os olhos eram em um tom de castanho esverdeado, era na verdade difícil de reconhecer a cor. Era espontânea, e falava alto.
- Ola eu sou Sara, comecei a estudar aqui na quinta serie do ensino fundamental também, e dificilmente você vai me ver sem essa louca por perto. – Sara falou de forma mais tranqüila, tinha um sorriso simpático, a voz era na altura perfeita de ser ouvida e parecia ser bem amiga da Julha. Sara era mais baixa, tinha os olhos castanhos e o cabelo longo totalmente encaracolado, castanhos como os olhos e estavam presos em um simples “rabo de cavalo”. – já vou lhe avisando que a nossa sala não é a das melhores.
-Mas é viciante estar nela – Julha completou.
Um barulho de sirene soou e os alunos começaram a ir para suas salas, menos a roda de amigos que enrolou só para ouvir a coordenadora gritando com eles.
Um sorriso estava estampado no rosto de Kill, era alegre conhecer pessoas de diferentes criações, se perguntava se aquelas crianças que ela encontrou no dia em que foi para o orfanato sentiriam ou sentiram aquela sensação. Por um momento o sorriso de Kill se desfez e ela parou. Mark olhou para a irmã, o rosto dela estava baixo e os olhos fechados, assim como seus punhos.
- Você esta bem Kill?
- Me desculpa, estava pensando – Ela voltou a sorrir e a caminhar.
Kill e Mark moravam duas ruas de distância da escola onde eram matriculados o que os obrigava a ir caminhando todos os dias, mas não era cansativo.
- Ei! – uma voz feminina gritou e os irmãos pararam, a garota se aproximou – Me desculpa pará-los assim – ela parou de falar para recuperar o fôlego – Kill se precisar de mim é só me ligar virei o mais rápido possível.
- Obrigada — Kill recebeu um papel em que tinha um número de telefone.
- Você vai me pagar um sorvete? – Mark perguntou para a garota.
- Não você que esta me devendo Markzinho.
- Meu nome é Mark!
- Sara você também coloca apelidos no Markneza? — Kill sorriu.
- Mark é tão difícil de lembrar?
- Claro! É legal como ele fica – Sara e Kill riam juntas enquanto estavam com as mãos dadas.
“Ah as férias. Nada mais refrescante do que as férias de meio de ano.”
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