A Garota Normal
43 Capítulo 41
Notas iniciais
Deixo Karen em casa e caminho em direção a minha. Olho no relógio e são 23:06. As luzes da minha casa estão acesas.
Pego a chave da porta na minha bolsa e coloco-a na fechadura. Imediatamente vejo mamãe na cozinha. Ela está vestindo calça e casaco de moletom. Está com o cabelo preso e pantufas. Ela parece concentrada no que está fazendo.
– Ainda acordada? — Pergunto se aproximando da cozinha.
– Você sabe que não durmo enquanto você não chegar. — Ela responde.
Bom, eu sei. Minha mãe não era de proibir minhas saídas de noite, mas ela sempre me esperava chegar. Podia ser 2, 3 ou 4 da manhã, ela sempre estava ou lendo um livro ou vendo tv me esperando.
– Hum. O que o você está criando aí mãe?
– Estou fazendo brownie.
– Vão ficar prontos hoje? — Digo de olho no relógio.
– Provavelmente sim. — Ela diz ainda concentrada.
– Ér... eu queria... — Começo a falar.
– Quer conversar? — Minha mãe para de mexer a bacia e me encara. Ela me conhece.
– Ér, talvez.
– Senta aí e desembucha. — Ela volta a mexer a bacia, mas olha para mim ao mesmo tempo. Isso é um super-poder.
Puxo uma cadeira e coloco os braços sobre a mesa.
– Ah mãe! É o mesmo problema de sempre.
– Thomas?
– Também, mas o assunto principal é como eu sou idiota.
– Você não é idiota. Só é tapada. — Ele ri.
– Até você mãe? A segunda vez que me chamam de tapada. -Falo com um tom de humor.
– Quer que eu seja sincera? — Pergunta minha mãe.
– Claro. — Respondo, mas ainda com dúvida no tom da minha voz.
– Grace, o amor é uma coisa séria e não acho que você tenha que duvidar do amor que Thomas sente por você. Quando você sofreu o acidente, fui eu que ouvi todas as noites Thomas soluçando e se sentindo culpado. Eu também fiquei péssima, pior que ele, mas eu sou sua mãe e te amo. Ele também te ama, mas eu sei que você tem medo de se machucar de novo. Quando se ama se arrisca. Você precisa pensar e ver se você topa se arriscar pelo Thomas, porque sem sombras de dúvida ele se arriscaria por você.
É verdade. Tudo que ela tinha falado foi a mais pura verdade. Eu amava Thomas, mas eu estava com medo de me machucar. Lembrei de todos nossos momentos juntos. Beijos, abraços e confissões. Minha vida seria tão sem graça sem ele.
– Você ama ele, não é? — Minha mãe me perguntou, adivinhando que eu estava pensando nele.
– Amo. Amo muito. — Disse duas vezes para eu mesma ouvir.
Eu topo me arriscar a sair dessa história com o coração partido.
x.x.x
No sábado o céu estava cinza, mas meu humor estava todo colorido e cheio de boas vibrações.
Resolvi correr. Coloquei minha roupa e peguei meus fones em cima da escrivaninha. Mandei mensagem para Karen me encontra na praça. Desço as escadas.
– Mãe, vou correr.
– Tudo bem. Toma cuidado. — Ela disse.
Acenei e bati a porta.
Antes de sair, eu tinha entrado na internet para ver qual seria a previsão. O sol só ia aparecer amanhã depois do meio-dia, mas hoje não ia chover.
Andei 5 quilômetros até a praça da cidade. Quando cheguei eu sentei em um banco para descasar. Quando tirei os fones, meus olhos arregalaram quando vi um cabelo loiro na minha frente.
Kaliscia.
– Oi querida. — Ela fala com um sorriso falso no rosto.
– O que está fazendo aqui? — Eu pergunto um pouco assustada.
– O mesmo que você. Correr e espairecer as ideias. — Ela diz.
– Bom, já estou indo embora... — quando me levanto ela me empurra e eu volto para o banco.
– Não. Você pode ir embora mais tarde. Me diz, você está se aproveitando né?
– De quê? — Digo com um ar inocente.
– De quê? — Ela ri. — Mais como você é sonsa em garota. Do meu Thomas!
– Seu? Ele não pertence a ninguém. Se quer discutir sobre isso fale com o vento. Eu tenho mais o que fazer. — Digo com um olhar cheio de ódio.
– ELE É MEU SIM! — Ela grita.
– Não resolveu aquela surra que eu te dei? Quer outra? — Digo com um ar ameaçador. Ela parece não estar ligando para a ameaça.
– Vem. Juro que agora te dou uma coça. — Ela caminha na minha direção, mas alguém puxa o cabelo dela por trás.
– Olha aqui vadia, da próxima vez chama suas amigas vadias porque duas contra um não é justo. Estou sendo boazinha com você. Então sai daqui e deixa minha amiga em paz, se não eu juro, juro mesmo que você vai precisar de um implante capilar. — Karen diz ainda puxando o cabelo dela.
– Me larga! — Kaliscia se solta e olha ara nós duas. — Isso ainda não acabou. — Ela diz e vai embora.
– ANDA LOGO VADIA! PODE TRAZER SUAS AMIGUINHAS! ACABAMOS COM TODAS EM UM SEGUNDO! — Karen grita.
Kaliscia vira para trás mostrando o dedo do meio para Karen.
– Ah eu vou matar essa... — Karen fala arfando de raiva.
– Calma. Não vale a pena. Obrigada Ka. — Digo.
– De nada Grace. Se aquela vadia se aproximar de você é só chamar. — Ela pisca.
– Antes eu que te defendia. Trocamos os papeis. — Dou uma risada seca.
– Amiga, se for para brigar chamamos Lara. Aquela menina sabe lutar muito bem. Podíamos pedir umas aulinhas.
– Não sabia que ela lutava.
– Falando de Lara, olha ali o gato dela. — Karen aponta disfarçadamente para o outro lado da rua, Murilo aparece correndo.
– O que deu nessas pessoas de correrem logo hoje?
x.x.x
Fale com o autor