A Garota Normal
25 Capitulo 23
Notas iniciais
Quando a aula de geografia acaba aconteceu um pequeno intervalo entre a troca de professores. Aproveito saio da sala com meus materiais, mas quando eu estou no caminho para o Teatro dou de cara com o Inspetor. Ah, senti saudades. Não falo nada. Eu o abraço. Muito forte. E ele retribuí.
– Grace! Você está bem querida?
– Estou na mesma.
– Fiquei tão preocupado menina. Nunca mais faça isso.
– Sim senhor.
– Se quiser uma carona depois da escola. Só avisar.
– Okay.
– Thomas deve ter ficado muito feliz com sua volta. — Assim que ele fala aquele nome eu troco meu sorriso por uma expressão rígida.
– Ér... Eu estava indo para o teatro ver ... a professora. Licença.
Passo por ele sem olhar para trás. Não acredito. Até o inspetor?
Claro que é mentira e ele deveria saber. Não tem nenhuma professora no teatro. A porta estava trancada então pego o arame que deixo embaixo do jarro do corredor e destranco a sala. ''Sim eu sou uma delinquente juvenil''. Fecho a porta e acendo as luzes. Corro em direção ao palco e quando estou finalmente nele eu começo a chorar. Depois dos meus minutos eu desço do palco e vou até a primeira fileira e me sento na cadeira do meio. Abro minha mochila e pego meu celular e fones de ouvido. Pego o caderno e a caneta:
❝ O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento.❞ — Yoda
Pego o marca texto e deslizo na frase inteira.
❝ Aprender a se colocar em primeiro lugar não é egoísmo, nem orgulho. É Amor Próprio.❞
Amor Próprio. A quanto tempo eu não sei o significado de amor próprio. Nos últimos meses eu venho dando o máximo de atenção para Thomas. Mais em nenhum momento eu 'me' dei atenção. Eu preciso começar a ter amor por mim mesma.
Escrevendo várias e várias vezes a mesma frase e ouvindo músicas eletrônicas para distração, passa tempo o bastante para a aula que, como sempre, mato.
Sou acordada dos pensamentos com o som do sinal. Karen vai passar lá na sala para acompanha-la. Coloco meu celular no bolso de trás da calça e guardo minhas coisas na bolsa. Apago as luzes e saio escondida do teatro.
x.x.x
O recreio foi simples e divertido. Conversamos sobre como deveria ser a escola e sobre música. Ela parece uma menina legal. '' lembre Grace gentileza gera gentileza ''.
A próxima aula é de Redação. A professora me pergunta se estou recuperada 100% e digo que estou mais ou menos. Peço para tomar um ar e ela deixa sem problemas e ainda fala que posso voltar a hora que quiser. Volto ao meu lugar e pego meu celular e o caderno. Ela finge que nem viu.
Cantinho, como eu senti sua falta.
Estou subindo as escadas para o andar de cima, mas quando vejo o banco ocupado paro poucos metros. E quem será que está lá matando aula? Thomas. Eu estou pronta para dar meia volta e descer mais ele percebe.
– Não precisa sair por minha causa. Já estou de saída. — Ele puxa sua mochila e seu livro. Claro que ele está lendo '' A Guerra dos planetas '' o mesmo livro que ele me emprestou.
Ele não olha nos meus olhos, mas eu olho para ele. Ele já está longe o bastante uns 10 metros.
Não vou sentar naquele banco.
– THOMAS! — Eu não sei porque eu grito o nome dele. Só sei que se eu não gritasse eu ia ter um infarto e morrer.
Ele não responde mas para e se vira para mim. Estamos nos encarando.
– Sério? Você que faz toda essa merda e fica chateado?
– Você não entende.
– ENTÃO ME FAÇA ENTENDER!
– Você não me ama.
Fico em silêncio.
– Viu? Acho que é motivo o suficiente para me sentir um lixo.
– Você me traiu! Foi você que colocou um belo par de chifres na minha cabeça!
– Tive os meus motivos.
– Que motivos? Assim não dá para entender Thomas.
– Eu fui egoísta tá? Você sofreu pela minha escolha. Não posso voltar atrás.
– Escolha? Thomas do que você está falando?
Ele se prepara para ir embora.
– SE VOCÊ DESCER ESSAS ESCADAS VOCÊ NUNCA MAIS VAI ME VER!
Ele para. Ele ainda me ama. Ele me ama.
– Grace ... o que você quer que eu faça?
– Eu quero te amar só isso! — É verdade. Eu quero ama-lo, mas sinto que nossa magia acabou. O amor não será o mesmo. E por mais que ele me traiu, ainda sinto alguma coisa. Mas não é amor. Eu coloco as mãos no rosto e choro. Esbarro no ombro dele e desço as escadas.
Eu quero te amar, eu quero te amar, eu quero te amar. Porquê não ama? Porque não posso.
Eu vou para o banheiro. Como você é burra Grace. Esqueci minha mochila no chão do andar de cima. Ele ainda deve estar lá.Que merda!
Espero uns 10 minutos. E quando saio do banheiro minha bolsa está na porta acompanhado de um bilhete dizendo:
'' Eu ainda te amo. Só queria que você me perdoasse. -T ''
É dele. Ele ainda me ama.
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