A Garota Gelo
27 Capítulo 28
Aquilo não podia estar acontecendo, era simplesmente o fim.
O professor de História tinha mandando fazer um trabalho em que tinha que formarmos duplas, mas é claro que ninguém quis ir comigo, como era antigamente, a única pessoa foi Sofia.
_ Posso sentar com você? – Pergunta ela.
_ Claro. – Respondo apontando para que ela se aproxime ao vazio que está do meu lado.
Combinamos algumas ideias para o trabalho, marcamos de fazer o trabalho à tarde em sua casa.
Logo bateu o sino para o intervalo e todos saíram rapidamente da sala.
_ Mel, vou comprar alguma coisa para comer, depois eu te encontro tudo bem? – Pergunta Sofia pegando o dinheiro em sua mochila.
_ Tudo bem, eu estarei na sala de teatro. – Respondo me dirigindo para lá.
Graças a Deus não tinha ninguém no local, o silêncio reinava completamente, chegava a doer os ouvidos, e para resolver esse problema, pego um violão que estava guardado em um canto, apoio ele sobre o colo e começo a tocar alguns acordes, quando percebo estou tocando “Epitáfio” dos Titãs.
Sofia que tinha chegado e estava do meu lado começa a bater palmas.
_ Eu amo essa música. – Diz ela comendo o seu salgado.
Quando eu ia respondê-la, Andrei chega tomando o violão de meus braços.
_ O que você está fazendo com o meu violão? – Pergunta ele bruscamente.
_ Me desculpe, eu não sabia que...
_ Não me venha com essa, você sabia muito bem, só estava querendo me provocar, pelo jeito conseguiu, nunca mais encoste esse seu dedo em meu violão.
Uau, essa tinha doído, e muito.
Olho para os seus olhos por alguns minutos, que por acaso estava refletindo a minha própria imagem, concordo levemente com a cabeça, e então puxo Sofia saindo dali no mesmo momento.
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A minha cabeça estava começando a latejar, principalmente devido ao trabalho da escola.
_ Ok, chega de estudar, vamos conversar, o que foi aquela cena? – Pergunta Sofia guardando o caderno de lado e se jogando de bruço na cama, apoiando-se nos cotovelos.
Seu cabelo estava amarrado em um coque apenas com uma caneta, com algumas mechas caindo sobre os olhos, eu sempre tentei fazer aquilo e nunca conseguia.
_ Não sei do que está falando. – Respondo tentando desviar do assunto, e fingindo estar concentrada no livro, como se não estivesse com nem um pouquinho de tédio.
Sofia dá uma gargalhada sinistra.
_ Mas é claro que sabe, o Andrei.
_ Não quero comentar sobre isso.
_ Mel, eu acredito em você, eu tenho certeza que você não seria capaz de fazer aquilo.
_ Eu sei, mas pelo visto nenhum dos meus amigos acredita que aquilo foi um mal entendido, algum idiota que tirou aquela foto realmente queria o meu fim.
Eu tinha afundado minha cabeça no travesseiro macio e super cheiroso de Sofia.
_ Que perfume que você usa? – Pergunto a ela.
_ Isso não vem ao caso, vamos dar uma volta. – Ela me puxa, sem se importar com todas as matérias esparramadas pelo seu quarto.
Como ela poderia ser sozinha sendo que era tão legal e gentil, as pessoas julgavam muitos as outras pela aparência, como dizia um velho ditado “nunca julgue um livro pela capa”, poderíamos nos surpreender ao longo da história.
Ela me leva para conhecer a rua de seu bairro, nunca tinha estado ali antes, aparentava ser bem tranqüilo e divertido.
Andamos por alguns minutos até que me deparo com um ponto laranja vindo em minha direção, quase nos esbarramos novamente.
_ Mel, que surpresa te ver por aqui, como está indo? Não sabia que conhecia a Sofia.
_ Oi Ed. – Respondo dando um sorriso torto.
_ Ed? – Pergunta Sofia arqueando uma sobrancelha.
_ É que ela disse que eu pareço o cantor Ed Sheeran. – Intercede ele.
Sofia dá uma gargalhada de doer à barriga.
_ Qual é o problema dela? – Pergunto observando-a morrer.
_ Não ligue, ela é assim desde criança. – Daniel responde rindo junto com ela.
Quando percebo, todos nós estávamos chorando de tanto rir.
_ Alguém está a fim de tomar sorvete? – Pergunta Daniel se recompondo rapidamente da cena.
Todas nós concordamos e assim vamos à sorveteria, apoiados uns aos outros como melhores amigos.
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