A Garota Gelo
10 Capítulo 11
Abro os olhos, e a primeira pessoa que vejo é Andrei sentado em uma poltrona e me olhando, então ele se levanta rapidamente e vem em minha direção.
_ Melissa, eu sinto muito, me perdoe, eu não queria que isso estivesse acontecido.
_ Onde estou? – Pergunto rudemente, eu não iria esquecer o que ele tinha feito.
_ Você está no hospital, quando você foi atropelada, acabou quebrando a perna e torceu o pulso, os seus pais estão lá fora esperando, eu pedi permissão para eles para que eu pudesse ficar aqui com você.
Eu pisquei algumas vezes para tentar assimilar tudo o que tinha acontecido, mesmo que no fundo eu tenha achado super fofo ele ter pedido para ficar comigo, nada apagava o que tinha acontecido.
_ Você pode chamar os meus pais, por favor, quero ficar com eles.
_ Tudo bem – Diz ele fazendo uma carinha de dar pena, mas eu não podia derreter por causa daquilo.
Depois de alguns minutos os meus pais chegam, a minha mãe vem correndo em minha direção.
_ Filha, eu fiquei tão preocupada com você, onde já se viu ser atropelada por uma bicicleta. – Diz ela me dando vários beijos no rosto, enquanto o meu pai segurava em minha mão.
_ Eu sei mãe. – Respondo entre risos e lágrimas.
_ Trouxe a sua barra de chocolate. – Fala ela me entregando, abri na mesma hora e abocanhei o maior pedaço que podia. – Agora tenho uma coisa muito importante para falar com você. – Diz ela mudando a sua expressão para meio brava e preocupada. – Eu fui ao shopping e encontrei as suas duas amigas, e quando elas perguntaram onde você estava eu disse que estava indo na casa de um colega fazer um trabalho de história, mas elas me disseram que não tinham nenhum trabalho de história para fazer, pode me explicar essa sua mentira?
Ai meu Deus, o que eu falava agora, além de ter que lhe dar com a minha perna toda engessada e o meu pulso enfaixado, tinham que lhe dar com a minha mãe.
_ Olha mãe, eu ia te contar, é que eu fiquei com medo da sua reação só isso.
_ E mentindo para a sua mãe, você não confia em mim? Um relacionamento de mãe filha é de amizade, e parece que você não tem isso comigo, daqui a pouco vamos estar só falando “Oi” uma para a outra, e você acha que isso é bom? Eu tive você para ser a minha companheira de todas as horas, confidenciar as suas coisas para mim, me falar sobre esse seu lado que está aflorando, pois acredite, eu sei o que é isso, e agora você vem com mentiras para cima de mim? Eu não te criei para isso. – Terminando a sua bronca gigante ela sai do quarto.
Era só o que me faltava agora, a minha vida estava um lixo, pelo menos o meu pai tinha ficado lá, ele pega em minha mão e diz:
_ Filha, você sabe como a sua mãe é, daqui a pouco ela vai conversar com você novamente.
_ Eu sei pai, é que eu não sabia se ela iria gostar da novidade ou não.
_ E o que é, posso saber?
_ Bom, só não fique bravo, mas eu estou fazendo parte de uma banda, e iremos nos apresentar no festival da escola.
_ Como é que é? A minha menininha está fazendo parte de uma banda e eu não sabia? Qual é o nome da banda?
_ É... Ai meu Deus, nem eu sei, eu sou uma tola de não ter procurado. – Digo batendo a mão na testa dou um grito de dor, pois eu bati com a mão enfaixada.
_ Tome cuidado minha filha, só tenho uma coisa para te dizer antes de ir conversar com a sua mãe, aquele garoto realmente gosta de você, depois que trouxemos você para o hospital ele não saía desse quarto.
Dou um sorriso fraco como resposta, eu queria poder acreditar naquilo, mas a raiva ainda me dominava.
_ Bom, agora vou ir atrás da sua mãe, a Milena e a Carol estão aí, quer que eu as chame? – Pergunta o meu pai me dando um beijo na testa e indo em direção a porta.
_ Quero sim, por favor. – Eu precisava de um momento garota, e nada melhor do que as amigas para isso.
O meu pai mal fecha a porta e as minhas amigas já entram todas afobadas perguntando como é que eu estava.
Carol tinha trazido a sua bolsa cheia de maquiagem dentro, e então as duas começaram a me maquiar dizendo em como eu estava abatida.
Aquilo acabou aquietando um pouco o meu coração.
Um pouco.
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