Notas iniciais
A base de todo o começo da história de Marie se encontra resumido nessa postagem. Boa leitura!

A grama recém aparada deixava escapar com o vento a poeira quente da terra seca que era facilmente sentida por narizes sensíveis. Estava molhada, palco de cenas românticas ou divertidas interpretadas por alguns casais e crianças de todas as idades. Também era pista de decoração de um salão tamanho intermediário mas muito bem aconchegante. Abrigava todos os convidados com conforto e seus donos eram prestigiados com elogios pela qualidade do serviço local e paisagismo.

O Prisma foi alugado por mais um casal de jovens que estariam a adentrar no mundo da vida compartilhada. Foi requintado com diversos detalhes, desde flores cor champagne e pétalas espalhadas por toda a entrada até pequenas luzes tomando conta da iluminação da faixada. Um espetáculo aos olhos de qualquer um que seja pego facilmente admirado pelas cores, brilho e lâmpadas.

Escondida entre alguns pilares e despercebida pelos olhos daquela gente glamurosa encontrava-se uma pequena garotinha de 7 anos. Franzina, olhar forte e trajando apenas um vestido infantil amarelo com flores brancas. Em meio de tanta gente num único salão, aquela pequena criatura era despecebida a não ser pelo mau cheiro que exalava em meio aos perfumes caros. Mas pouco importava-se, os grandes sentiam-se enjoados com a presença dela entretanto evitavam-a. Inclusive aquelas de saltos altos que não se intimidavam e nem faziam a menor questão para disfarçar.

Porém a criança não se pegava abalada por tais atitudes que já considerava familiares. Eram pequenos detalhes para sua cabecinha raciocinar e querer entender esse universo estranho da gente grande.

Contudo, a menina estava ali para outros propósitos, bem mais interessantes para si do que observar a atitude dessa gente que a rodiava. Hesitou em se apressar e a deixar toda aquela fantasia que sempre a cegara com fascínio. Era muita beleza para ser deixada de contemplar. Pegou então o saco plástico que trouxe consigo discretamente e correu em direção ao outro palácio de prazeres. Trombou-se com algumas pessoas e quase que deixou cair a única ferramenta plástica de cotidiano, Tomava o cuidado de observar a sua volta em meio a tanto tecido novo e bem cheiroso. Empurrou mais algumas senhoras e adentrou em outro cômodo do salão menos cheio.

Propôs rapidamente em correr em direção à mesa de docinhos e outras guloseimas e encheu a sacola rapidamente. Mais um dia de fartura estava garantido para si. Tomou o caminho de volta em meio aos adultos e algumas outras crianças e a intenção era sair logo daquele local viciante.

Enquanto se dirigia a fachada alguém lhe tocou o ombro. Congelou por alguns instantes e apertou a sacola cheia contra o corpo. Uma voz masculina grave logo pode ser ouvida.

- Ora, ora. Uma menininha levando doces da festa? Me parece que você não foi convidada garota.

A garota tinha plena consciência do delito cometido, sabia que era algo errado para eles mas para si não era. Iria lhe trazer satisfação, sustento. Entretanto a garota não sabia o que lhe falar em resposta para se auto defender. Quando abriu os lábios palavras vociferantes gritavam abafadas pelas mãos enormes e grossas do sujeito. A garota estava sendo levada do salão de festas a força e parecia que aquelas pessoas adultas não percebiam. Não faziam absolutamente nada, apenas continuavam a aproveitar do evento promovido pelos noivos.

O vestido amarelo mal tampavam o corpo pequeno da criança que se debatia em meio aos braços daquele homem. Mais e mais iam para longe, dessa vez em um veiculo que outro homem dirigia. Os doces estavam espalhados pelo banco do veículo e o cheiro de mel e açúcar era forte. Flash's rápidos de uma face temerosa cujo detalhe marcante era um bigode peludo eram gravados a todo momento pela pequena mente infantil.

Os registros de um trauma que seria levado a eternidade estavam sendo processados segundo a segundo. Após um tempo seu corpo fora violado. Não lhe restava mais nenhuma alegria conquistada com os doces que já não tinham mais. A criança de vestido amarelo com flores brancas se encontrava sozinha numa estrada enorme que não movimentava quase nenhum veículo. Ela se deixou cair e tampou o rosto com os braços ralados. Os pés descalços estavam cortados devido a caminhada da pequena.

A menina estava perdida. Não tinha rumo. Não tinha apoio. Ou melhor, nunca os teve. Nunca havia se encontrado. Sua mente, embora mal desenvolvida, captavam os detalhes em velocidade alta daquela situação constrangedora e estranha. O sangue corria entre suas pernas e as lágrimas entre seu nariz.

Em meio as lágrimas complexas ela havistou ao longe um casarão com mais luzes e brilho em meio a escuridão da noite. No auge da penumbre, seguiu seus padrões e caminhou em direção aquela luz.

Notas finais
Agradeço desde já por quem leu. É gratificante ver que não escrevo no anonimato e posso partilhar isso com alguém. Opiniões sobre enredo, dicas e etc aceito de bom grado! :]
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.