And the hardest part

Was letting go not taking part

Was the hardest part

Eu tinha que ir embora. Pelo bem de Sam, Bobby, e principalmente dele. Se eles não o tivessem ameaçado eu pegaria minhas armas e mandariam esses demônios desgraçados de volta pro inferno. Mas nada me assustou mais do o que eles me falaram:

- Se você não for embora da casa de Bobby Singer, nós vamos torturar e matar seu queridinho Winchester.

Gelei; sabia que eles estavam falando de Dean, mas resolvi blefar:

- Tudo bem, Sam sabe se cuidar. Ele vai mandar vocês de volta pro inferno mais rápido do que vocês dizendo "Somos otários".

- Boa piada, Drew. Mas você sabe que é do seu namoradinho Dean que estamos falando. E vai ser muito fácil atraí-lo. Acho que não é do seu conhecimento que temos um metamorfo trabalhando conosco.

Droga!

- E o principal: você não pode contar para ele porque você está indo embora. Para Singer e Sam, até pode, mas para o seu bem e o de Dean, é bom eles não contarem pro seu namorado enquanto você ainda estiver lá. Estamos de olho em você, Drew. Vamos saber se for trapacear. Caso você descumpra as regras, vamos pegar você e Dean, e vamos torturá-lo até ele ficar em pedacinhos... na sua frente.

- Tudo bem. Mas por que você quer que eu saia da casa do Bobby e deixe os Winchester?

- Porque vocês juntos são uma arma de destruição em massa de demônios. E isso atrapalha nossos objetivos.

-Oh, assim você me deixa lisonjeada.

- Sua insolência ainda te matará, Drew Stardust. Ou pior: matará o seu queridinho. Temos você em nossas mãos.

Isso foi há 10 dias atrás. O prazo pra eu ir embora já estava acabando. Achei que estava na hora de contar para Sam, pelo menos.

- Sam, preciso falar com você.

- Por que você está tão séria, Stardust? Brigou com Dean?

- Não, mas eu tenho que ir embora.

- Tá, espera um pouco que eu chamo o Dean, falo com o Bobby e a gente já vai. Me dá uma hora pra arrumar as coisas.

- Não, Sam... eu tenho que ir sozinha.

- Como assim?

Contei a história toda pra Sam, que ficou estupefato e disse:

- Drew, ele não vai deixar você ir sozinha.

- Eu vou inventar uma história qualquer que achei meus pais ou algo desse tipo.

- Ah, se for assim, genial. Só tem um problema: ele vai continuar não deixando você ir sozinha.

- Sam, eu estou indo pra protegê-lo! Se alguma coisa acontecer a ele, eu nunca vou me perdoar. Eu nunca amei ninguém na minha vida como eu o amo. Sei que ele vai ficar magoado, triste, mas é pra que ele fique vivo, entendeu? Eu preciso ir!

Sam olhou pra mim e disse:

- Tudo bem. Eu explico pro Bobby e falamos pra ele depois que você estiver fora.

- Mas tem que me dar um tempo de dianteira, pra ele não me seguir.

- Tá. Você vai se despedir dele?

- Vou. Minhas coisas já estão prontas. Onde ele está?

- Vendo o motor do Impala.

Ele estava com os olhos cheios de lágrimas. Abracei Sam e disse:

- Você me entende, não? Você faria a mesma coisa, não é?

Limpando as lágrimas, disse:

- Faria sim, Stardust. Boa sorte. Quando você matar esses demônios volte, tá bem?

- Eu volto, Sam. Tome conta do Dean, ok?

- Pode deixar.

Saí da casa e fui procurar Dean na garagem. Eu o vi de longe: ele estava com uma camisa xadrez vermelha com uma camiseta branca por baixo, todo sujo de graxa, consertando o Impala, cantando " All my Love", do Led Zeppelin. Sabe quando falam sobre sua vida passar pelo seus olhos? Só naquele momento eu entendi o significado dessa expressão.

Me veio na cabeça o nosso primeiro beijo, num bar em Potterville, 2 dias depois de nos conhecermos; um show do Ozzy Osbourne que um cara mexeu comigo, e quando Dean se preparava pra bater no cara, eu já o tinha nocauteado, e ele disse pra mim com a carinha mais boba do mundo "Você é demais"; quando eu estava no hospital depois de ser atropelada enquanto perseguia um demônio e ele passou 15 dias comigo no hospital, cuidando de mim, e assistindo juntos a "Dr. Sexy" e "Grey's Anatomy"; o abraço dele; o sorriso dele quando me via: parecia uma criancinha que ganhou um presente de aniversário; a cara que ele fazia quando dormia. Ele era o meu milagre pessoal. Eu nunca encontraria ninguém no mundo que me fizesse sentir do jeito quando eu estou com ele. E agora, por causa de alguns demônios, eu tinha que deixá-lo. Eu o deixaria para que ele ficasse vivo.

- Dean?

- Oi, Drew. Estou vendo meu bebê aqui — Oh, meu Deus... como eu sentiria falta desse sorriso!

- Dean, eu vim aqui me despedir.

O sorriso dele desmoronou;- O quê?

- Eu achei uma pista sobre meus pais... provavelmente eles estão em algum lugar em Nevada. Eu estou indo agora ver.

- Por que você não me avisou antes? Eu poderia ir com você.

- Não, vai ser meio chato, sabe como é... fica aqui com o Sam, vê uns casos e daqui a um tempo eu tô de volta.

Ele me abraçou com uma expressão triste... Ah meu Deus, ele ia deixar isso mais difícil!- Eu não gosto da ideia de te deixar sozinha.

Caramba! Como alguém podia cheirar a cerveja e gasolina e eu ainda achar atraente?

Retribuí o abraço e disse:

- Acredite, eu também não gosto da ideia de deixar você aqui. Eu só estou indo porque é necessário.

- Tudo bem. Você vai me ligar?

Os demônios não falaram nada sobre isso. Então,respondi:- Claro.

- Ok, então.

Ele me levantou no colo e antes de me beijar, disse:

- Você sabe que eu te amo muito, não é Bowie?

Eu o beijei de volta com o máximo de entusiasmo que eu pude; talvez fosse a última vez que eu o beijasse.- Eu sei que eu te amo muito. Você não vai esquecer disso, não é mesmo?

Dean ficou meio desconfiado e perguntou:- Você vai ver uma pista dos seus pais mesmo?

Deu uma vontade de falar "Não, só estou indo embora porque demônios ameaçaram te torturar e te matar se eu não fosse", mas no último segundo eu me controlei, e respondi:- Estou.

- Você parece que está indo embora.

- Não é isso... é só porque eu não sei quanto tempo eu vou demorar.

- Você não pode ir amanhã? Vamos sair hoje a noite, já que você não sabe quando vai voltar.

Tentador: passar uma última noite com esse pedaço de mau caminho. Acho que os demônios já devem estar sabendo que eu estou indo, por isso aceitei o convite de Dean.

- Ótimo, amor. Só um instante, que eu só vou dar uma última olhada no motor aqui, e já vou trocar de roupa.

- Pode demorar o quanto quiser. Você fica lindo sujo de graxa.

Ele me deu um dos seus sorrisos angelicais e disse:- Você tem um gosto estranho. Melhor pra mim. Quer me ajudar aqui?

- Quero.

Tentando tirar da cabeça que aquele provavelmente seria meu último dia com Dean, fui ajudá-lo no motor enquanto nós dois cantávamos "Dark Side Of The Moon", do Pink Floyd.

Notas finais
Essa parte está bem avançada no texto, mas eu tive uma inspiração absurda, e tive que escrevê-la logo.
O nome da música é The Hardest Part, do Coldplay.
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