A Garota Do Mustang E Garotos Do Impala
10 Capítulo 9
Notas iniciais
Aproveitem, chorem e tenham muitos feels.
Lovers keep on the road you're on
Runners until the race is run
Eu estava dando mole. Descaradamente. Qual é, nenhum cara vai cantar "I Want To Hold Your Hand" olhando diretamente pros seus olhos, e não querer nada.
Continuando... Nós poderíamos chegar bem rápido em Potterville, especialmente do jeito que ela dirigia. Melhor do que eu, devo admitir. E ela tinha algumas manias enquanto dirigia: era simplesmente adorável o jeito que ela batia os dedos no volante no ritmo da bateria, ou quando ela às vezes pegava uma mecha de cabelo e ficava enrolando enquanto esperava um sinal abrir.
Mas eu quis ficar um tempo sozinho com a Drew, liguei pro Sam pra avisar que estava tudo legal e o que eu pretendia fazer (na verdade, não sabia muito o que fazer; só sei que ia tentar alguma coisa), e disse pra ela que a gente ia passar a noite naquele hotel. Ela meio que não entendeu nada, porque Potterville estava há duas horas de distância, mas um cara sabe como se impor.
Ok, não me odeiem por esse comentário.
Drew queria rodar alguma cidade atrás de um "presente perfeito" (segundo o que ela chamou) pro Bobby. Eu consegui convencê-la que com uma garrafa de vodka ele já beijaria os pés dela, e realmente é verdade, não é porque eu não queria ficar horas em pé numa loja de antiguidades esperando a Drew achar um presente.Ela falou que estava cansada, e que queria deitar um pouco antes de ir comprar a vodka. Eu, como um perfeito cavalheiro nem nenhuma segunda intenção (insira a risada aqui), me ofereci pra comprar alguma coisa pra gente comer. E mais uma vez Drew me surpreendeu, dizendo que precisava muito de um cheeseburger e uma Heikenen.Fala sério, nunca vi uma mulher tão gata comendo assim. Se bem que faz sentido, esse é basicamente o cardápio de um caçador.
Mas foi aí que tudo foi por água abaixo. Estávamos jogados no chão, conversando... bem, Stardust estava contando casos engraçados; eu estava me controlando muito pra não agarrar ela ali mesmo. Com uma camisa de Doctor Who , short jeans e um All Star azul escuro, Stardust estava muito linda. O cabelo preso num rabo de cavalo desarrumado, algumas mechas caindo no rosto, e ela não dava a mínima pra isso, mas só a deixava mais linda.
Sério, o que tá havendo comigo? Eu não consigo nem ir direto ao ponto. Respira fundo, Dean. É só uma garota. Você consegue.
Quando estava tocando Rock'n Roll, do Led Zepellin, ela atendeu o telefone toda animada. Pelo que eu pude perceber era um tal de Garth. Eles ficaram conversando por uns 20 minutos (não que eu tenha marcado o tempo nem nada disso; sabe como é, eu só ocasionalmente olhava o relógio), ela sempre sorrindo ou falando coisas como "Nossa, isso é bem típico de você", "É, eu faço isso também, somos mesmo parecidos", "Também sinto falta de ficar com você". Era evidente que ela tinha um namorado em algum lugar. Tentei manter a calma e não colocar pra fora o que eu estava sentindo: a minha vontade de praticar torturas medievais nesse Garth.
Casualmente , perguntei a ela quem era Garth. A reação dela me surpreendeu muito: foi rude, perguntou se eu estava escutando a conversa dos outros. Fiquei com raiva; não estava sendo autoritário, como se estivesse mandando ela responder. Vamos usar a boa e velha sinceridade: fiquei puto. Então deixei pra lá. Mas não ia falar numa boa com ela. Ia ignorá-la completamente. Falei pra ela ir comprar a vodka e fui dormir.
Por dentro eu estava angustiado, mas mantive minha resolução de não falar com ela. Só falei quando foi preciso mostrar o caminho do hotel. Quando chegamos em Potterville, Sam percebeu que tinha algo errado, mas não falou nada, pelo menos na minha frente.
Eu não ia conseguir aguentar ficar sem falar com a Stardust sóbrio. Então fui pra um bar que ficava perto do hotel. Quando saí, vi que Sam estava falando com a Drew, e ela estava com uma cara de culpada e um olhar de cachorro que caiu do caminhão de mudança. Tive que me controlar pra não abraçá-la. Depois pensei: Ei, dane-se, a culpa foi sua. Nem sei porque ela estava se sentindo culpada, mas enfim, a culpa foi dela.
O bar ainda estava vazio, mas aberto; é o que importava. Pedi uma cerveja com whisky, sentei no balcão e fui pensar na vida. Acho que minha vida se chama Drew Stardust, porque era só nisso que eu conseguia pensar.
Ouvi a porta do bar se abrindo, e pouco depois Stardust estava do meu lado pedindo ajuda pra subir num banco (ela é bem baixinha, e eu do alto do banco fazia ela diminuir ainda mais, o que a tornava mais adorável). Me manti na resolução de não falar nada com ela.
Ela começou a pedir desculpas, dizendo que não tinha intenção de me magoar, blablabla, a única coisa que eu realmente prestei atenção foi que ela disse "eu não queria magoar você". Isso me fez pensar que talvez, só talvez, ela sentisse por mim um pouco do que eu sentia por ela. Porque qual é, isso era totalmente uma DR.
Aceitei as desculpas dela e a puxei pro meu banco. Eu fiquei sentado enquanto ela ficava em pé nas pernas do meu banco. O cabelo dela cheirava a maçã. Não podia me controlar, eu ia ter que abraçar ela ali mesmo.
Stardust começou a falar:
– Contei a sua reação ao telefonema pro Sam...
– O que é isso? Virou "Gossip Girl", Stardust?
– Ele perguntou se tinha acontecido algo enquanto a gente estava sozinho... peraí, você conhece "Gossip Girl"?
-Esquece. Continua.
– Caramba. Mas continuando... ele disse que você estava sentindo ciúmes de mim.
Nessa hora eu não consegui olhar pra ela. Parecia um garoto de 15 anos com a primeira namorada, sem saber o que fazer.
Ela pareceu meio resignada e disse: — É, eu sabia que ele estava sendo irracional, sabe, mas resolvi te perguntar...
– Opa, espera aí. — Não tinha entendido essa reação. — Irracional? Por quê?
– Ah, sabe, eu sei que não sou o tipo de garota que os caras procuram por aí...
– Stardust, você é cega?! É óbvio que o cara que não quisesse ficar com você é um estúpido completo!
Isso aí, Dean. Coloca pra fora o que você está sentindo, aí talvez ela não vá ficar tão alarmada quando eu a agarrar. Porque eu realmente preciso fazer isso.
– Mesmo? — Stardust ficou envergonhada e foi a vez dela olhar pra baixo.
– Claro que sim. Mesmo que não tivesse acontecido nada com meu pai, eu queria muito te conhecer. Sabe, ele sempre dizia que você tinha um senso de humor incrível, tinha a melhor mira que ele já viu em um caçador, sabia cozinhar, e ele vivia dizendo que Sammy devia ficar com você, porque uma garota como você não podia deixar pra qualquer um por aí.
– John exagerou um pouco.
– Claro que não. Você devia aprender a se ver melhor.
Precisei me acalmar e colocar ela sentada no banco do lado, pra pensar qual seria o próximo passo:
– Toma a sua cerveja.
Ela ia começar a beber a cerveja, mas parou no meio do caminho, pareceu lembrar de alguma coisa: — Dean, eu ainda tenho que te falar mais uma coisa.
– O quê?- Vou te contar quem é Garth.
– Olha, Stardust, nós já fizemos as pazes, mas se você tem seu namoradinho por aí, eu realmente não quero saber, tá legal?
Ela começou a rir.- Nossa, Dean! Garth, meu namorado? Isso seria extremamente nojento!
– Por quê?
- Dean, Garth é meu irmão.
Nessa hora eu fiquei mais confuso que vampiro com sangue de um homem morto:- Eu pensei que você fosse órfã.
– E sou. Encontrei Garth numa caçada com John há uns dois anos. No meio da conversa, descobri que ele tinha sido abandonado num orfanato também, e que ele sabia os nomes dos pais, Lara Blind e Martin Reichenbach. No orfanato me
disseram que esses eram os nomes dos meus pais. E ele achou interessante meu nome, porque o dele é Garth Angus Scott. Parece que nossos pais também gostavam de AC/DC.
– Péssimos pais, mas ótimo gosto musical.
– É isso aí. E desde então a gente mantém contato.
Tudo o que eu pensava estar no meu caminho, me atrapalhando, não existia. Estava tudo livre a minha frente; era só eu dar um passo:
– Então você não tem nenhum namorado.
– Claro que não, Dean. Eu vivo viajando pelo país caçando monstros, não tem como manter um relacionamento assim.
– E se o namorado viajasse com você?
É. Joguei tudo pro alto. Um "não" eu já tinha garantido, tinha que correr atrás do "sim".
Stardust olhou pra mim com uma expressão completamente confusa, e senti que as mãos delas começaram a tremer:
– Nessa situação, eu acho que até daria. Mas teria que ser um cara bem legal. Eu detesto caras de mau humor, ou que implicam com o que eu assisto ou com o que eu ouço.
– Interessante. Tem mais uma coisa interessante, Stardust: você fala demais quando está nervosa.
Então resolvi brincar um pouco. Coloquei minha mão na base das costas dela e a puxei mais pra perto. Obviamente ela ficou mais nervosa.
–Nervosa? Eu não estou nervosa. Aliás, adoro essa palavra: nervosa. Poderia ficar falando o dia inteiro.
Já mencionei o quanto eu gosto deixar garotas nervosas?
Dei uma risadinha e falei:
– Realmente é uma palavra legal. Mas agora eu posso dizer uma coisa?
– Pode.- Você é uma garota incrível. Qualquer pessoa no seu lugar surtaria quando fosse atacado por um vampiro, mas não, você foi lá e ainda quis aprender como matar os outros.
– Eu só estava desesperada pra sair do orfanato.
– Mesmo assim. E eu sempre gostei muito de você, por tudo o que meu pai falou, e pelo que eu vi nesses dois dias que passaram. Exceto esse seu gosto por indies tosquinhos.
– Se você chamar mais uma vez, você não vai viver pra chamar eles de tosquinhos a segunda vez.
Nós dois rimos, e eu a puxei mais pra perto de mim, e sussurrei no ouvido dela:
– O que eu quero dizer é que eu gosto de você. Muito. E que eu quero ficar com você. Eu só preciso saber se você sente a mesma coisa. Se não sentir, eu não vou mais tocar nesse assunto. Se você sentir, aí eu vou dar meu próximo passo.
Ela parecia estar se esforçando pra se concentrar, e falou:
– Supondo que eu me sinta como você... qual seria o próximo passo?
– Isso é um sim, Stardust? — perguntei, sorrindo pra ela.
– Vamos supor que isso seja um sim. O que você faria depois disso?
Ainda não tinha o "sim", então pra garantir, a beijei. Ela ficou mexendo no meu cabelo enquanto eu acariciava as costas dela. Foi um dos melhores beijos que eu já dei na minha vida.
Aí olhei pra ela, sorrindo e disse:
– Esse seria o próximo passo.
– Então por que você demorou tanto?
– Não tinha certeza se você ia aceitar.
– Posso ser honesta? Você me conquistou quando se levantou da luta com o metamorfo, com o cabelo bagunçado e o rosto totalmente confuso. — Stardust me disse sorrindo e mordendo os lábios.
Ri alto. Estava eufórico. Feliz. Nada ia estragar isso.
– Ora, ora, desculpe estragar o clima romântico, mas eu tenho contas a acertar com você, Drew Stardust.
Não gostei desse tom de voz. Quando eu e Stardust olhamos na direção da voz, era o barman que continuava a esfregar copos. Exceto que ele tinha os olhos pretos. EU E MINHA GRANDE BOCA.
– Já se esqueceu de Austin, querida? Três mortos, um braço quebrado de John Winchester e sua reputação de exímia caçadora ligeiramente manchada.
– Não esqueci, Cahethel. A única coisa que ficou faltando foi a surra que você merecia.
Ia pegar minha arma, mas o demônios nos separou e me prendeu na parede. Sério, odeio esses truques mentais de demônios. Nenhuma força que você faz consegue te tirar dali.
– Não, não, Winchester. A briga é entre eu e a mocinha. Se você interferir, vou quebrar mais que um braço. Acho divertido quebrar ossos, não me tente.
Stardust virou pra mim com um olhar cheio de raiva e dor, e olhou pra Cahethel. Então ela veio pra minha direção, mas Cahethel a arremessou contra uma mesa cheia de copos, e ela se machucou um pouco, mas estava bem.
Foi quando o demônio sumiu da nossa vista e acabei caindo no chão, já que ninguém mais estava me prendendo à parede. Drew olhou pro outro lado da rua e viu Cahethel acenando de cima de um prédio. Ela estava com muita raiva, tanto que ela saiu correndo num piscar de olhos e foi atravessar a rua, e não deu tempo de eu falar pra tomar cuidado com o Audi A3 que estava vindo a toda velocidade.
Eu só consegui ver minha garota sendo arremessada a uns 10 metros, e cair nos
asfalto. Todos na rua se mobilizaram pra ajudar, e enquanto eu saía do bar pra socorrer Drew, só conseguia pensar que se ela morresse, eu nunca mais seria o mesmo cara... E iria me vingar daquele demônio maldito. Nem que eu precisasse ir no inferno, eu faria Cahethel pagar.
Me abaixei perto de Drew, com medo de tocá-la, porque ela estava muito ferida. Antes dela desmaiar, ela segurou minha mão e disse:
– Não me deixa sozinha, Dean.
Até eu falar com ela, não tinha percebido que estava chorando. Eu disse:
–Nunca.
Notas finais
Reviews, pra eu saber se vocês sobreviveram a esse capítulo, ou se tiveram um infarto.
A música é Lovers in Japan, do Coldplay.
Fale com o autor