A Garota Do Mustang E Garotos Do Impala
3 Capítulo 2
Notas iniciais
My soul starts spinning again
I can't stop feeling
No, I won't stop feeling
Nunca havia vivido como caçadora sozinha. Não sabia que era tão solitário. Oito meses haviam se passado, mas eu sentia como se fossem 15 anos. John já devia ter matado o Olhos Amarelos. Sei que ele queria ficar com os filhos, mas será que ele me aceitaria? Bem, ele aceitaria, mas será que os filhos deles topariam caçar com uma garota que eles nunca viram na vida? Mesmo se eles não quisessem, será que John os obrigaria a me aceitar?
Eu fiz a única coisa que poderia me dar a resposta: liguei pro celular de John.
- Oi, aqui é John Winchester. Estou ocupado, mas meu filho Dean pode lhe ajudar, ligue para o número...
Estranho. Mas talvez ele tivesse esquecido o telefone no carro, ou algo do tipo. Resolvi ligar para esse Dean.
Um homem (com uma voz muito bonita, devo admitir) atendeu:
- Alô?
- Boa noite. Eu poderia falar com John Winchester?
De repente, a voz mudou. Eu poderia até dizer que tinha uma nota de tristeza...
... ou luto.
- Com quem falo?
- Drew.
- Drew. Sinto muito, mas meu pai faleceu há alguns meses.
Quando você começa a caçar, aprende a travar alguns sentimentos. Mas agora, eu estava sem chão. O meu melhor amigo, talvez o único amigo que eu tive no mundo inteiro, estava morto.
- Drew? Você está aí ainda?
- Estou. Desculpe. A notícia me pegou de surpresa. Você é Dean ou Sam?
- Dean. Como você sabe meu nome e o nome do meu irmão?
- Seu pai me salvou de um vampiro quando eu fugia de um orfanato, e me ensinou a ser caçadora. Vivi três anos com ele, mais ou menos. Eu queria saber por onde ele estava, porque ser caçadora sozinha é um pouco deprimente pra mim. Estava acostumada a trabalhar acompanhada.
- Ah. Você é a Stardust?
- Sou.
- Meu pai falava de você. Se quiser ficar comigo e Sam, fique à vontade. Estamos indo pra Phoenix, ver um caso sobre um metamorfo.
- Mesmo? Vocês não ligariam de caçar com uma garota que nunca viram na vida?
- Eu praticamente conheço você. Meu pai não parava de falar que tinha que voltar pra ver se você estava se virando, ou se já tinha sido aleijada.
- Ok, então. Quando eu chegar em Phoenix, eu ligo pra ver em que hotel vocês estão.
- Tá legal. Até mais, Drew.
- Até, Dean.
Demorei dois dias pra chegar em Phoenix. Já era madrugada, mas eu prefiro assim. A chance de você encontrar monstros é maior, e eu adoro praticar minha mira em monstros.
Estava passando em frente a um parque, quando vi uma cena muito estranha: um rapaz desacordado, e um outro que estava sendo atacado... por um cara idêntico ao que estava desacordado. E quando eu digo "idêntico", quero dizer "era uma cópia do outro cara".
E perto dali, vi um Chevy Impala 1967. O carro do filho de John.O metamorfo, pensei.
Estacionei de modo que eles não pudessem me ver saindo do Mustang, e corri para o porta-malas pegar minha arma e balas de prata. Devidamente protegida, fiz o que qualquer garota faria. Fui salvar o cara.
O cara sabia se virar, mas o metamorfo era muito forte. Corri, e chegando perto, gritei para chamar atenção:
- Ei, idiota! — O metamorfo se virou, e saiu correndo na minha direção. Empunhei a arma.
- Garota estúpida! Balas normais não vão funcionar com ele. — o cara-que-estava-sendo-atacado-falou.
Eu sei, meu bem. Quando o metamorfo estava quase em cima de mim, dei três belos tiros com balas de prata no peito dele, que caiu aos meus pés. Lembra que eu disse que adorava praticar mira em monstros? Pois é, essa foi uma bela noite pra mim.
Pra minha surpresa, o cara-que-estava-sendo-atacado levantou. E ele era a coisa mais bonita que eu já tinha visto. Devia ter 1,80 ou mais, musculoso, olhos verdes e cabelos arrepiados. Ele me olhava com uma cara completamente abobalhada. Devo confessar que isso só melhorava minha visão.
- Como você fez isso, garota? Essas balas são normais?
- Claro que não. Pra se matar metamorfos, só com bala de prata.
- Caramba. Quem é você?
- Drew Stardust. Você é um dos filhos de John?
- Ok, agora além de chegar de sabe se lá onde no meio da madrugada e salvar minha vida e a do meu irmão, você também é vidente?
Apontei o Impala.- Não se veem muitos desses por aí.
A expressão dele começou a normalizar.- Ah, sim. E eu pensei que Stardust fosse um apelido. É Stardust que nem "Ziggy Stardust"?
- É. Cortesia dos meus pais. A única coisa que fizeram por mim antes de me jogarem em um orfanato. Acho que em vez de ficarmos comentando sobre meu nome, você deveria dizer o seu. E deveríamos ajudar seu irmão desacordado ali.
- Claro! Sou Dean. Aquele com a cara enfiada no meio da grama é o Sam.
- Tá legal. Eu ajudo você a colocar ele no seu carro, e sigo vocês até o hotel.
Quando estávamos tentando acordar Sam, Dean pegou em minha mão e disse:
- Valeu, Drew. Te devo uma.Eu já mencionei o quanto os olhos deles eram verdes? Meu Deus, eu tinha acabado de conhecer o cara! .
Eu precisaria me controlar. Será que isso estava acontecendo com tanta intensidade devido ao fato que eu nunca prestei atenção em possíveis caras bonitos ao meu redor, pois estava muito ocupada matando demônios, vampiros e essas coisas?
Conseguimos acordar Sam, e depois das devidas apresentações, fomos para o hotel. Eu tinha de admitir uma coisa : acho que a vida com os irmãos Winchester poderia ser qualquer coisa, menos monótona.
Notas finais
Já ia me esquecendo: o nome da música é Can't Stop Feeling, do Franz Ferdinand.
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