A Garota Do Lago Vermelho

1 Capítulo 1- Depois Da Festa


A GAROTA DO LAGO VERMELHO

Capítulo 1- Depois Da Festa

(Tokerwood, 10 de agosto, 00:39 h, Rua Ohtareed)

(As noites em Tokerwood castigavam os moradores com suas geadas, em compensação ao calor que fazia todas as tarde, atingindo até mesmo os 38°C. Mas o frio que ali fazia, no dia 10, não castigava Barbara e sua amiga Stephanie, que vestiam casacos grossos marrons sem nenhuma parte, até mesmo de seu pescoço, à mostra;uma coisa muito redundante para os velhos de Tokerwood que ainda achavam promíscuos os jovens que iam para baladas)

(Barbara e Stephanie seguiam em frente á Rua Ohtareed, uma rua calma com luzes fracas dos postes até o fim da rua, e diversos muros opulentos de folhas e musgos em seus cantos)

—Amigaaa! E aquele gostoso que a gente tirou uma selfie?! Pegou o telefone dele?(diz Stephanie, enquanto se moía de curiosidade dos pensamentos da amiga)

—Calma, ele me passou. Já é o 6° homem que a gente conhece aleatoriamente,e você ‘dá uns pegas’ antes de mim...sacanagem isso hein, hahaha(ri Barbara, enquanto seguia pela calçada mexendo em seu celular sem olhar para a frente)

—Nossa, eu quero muito mijar! Não tem banheiro público aqui não hein?(dizia Stephanie, tremendo de frio e olhando para os lados exaltada para achar um local que pudesse urinar, enquanto acolhia os braços em volta de seu corpo)

(Barbara ainda focada em seu celular, diz com total desejo de constranger sua amiga)

—Vai logo ali naquele beco, não tem ninguém na rua. Anda!(diz ela, enquanto chacoalha sua cabeça na direção do beco, do outro lado da rua)

—Nossa, que bosta. Ta muito frio, mas não tem jeito mesmo, não posso segurar mais(dizia Stephanie, no total desespero de fazer sua necessidade o mais rápido possível)

(Stephanie atravessa a rua correndo, passando entre duas latas de lixo cheias entre a entrada do beco escuro. Os recolhedores de lixo pareciam estar em greve a muito tempo naquele bairro. Barbara continuara mexendo em seu celular, enquanto se acolhia com um dos braços em volta do tronco, tremendo de frio. Não via logo a hora de chegar em casa e tomar um café quente que seu pai fazia todas as noites, sempre que descansava no seu sofá de couro que jazia ao lado da porta dos fundos de sua casa)

(Alguns minutos se passara. Barbara dá uma pequena desviada de seu olhar em direção ao beco, enquanto ainda segurara seu celular. ‘’Vive grudada nessa merda de aparelho’’, era sempre o que Barbara ouvia de sua vó Betty. Velhinha grisalha e ranzinza, que sempre vestia blusas finas e brancas de crochê)

—Stephanie, já acabou aí??(indaga Barbara, com um tom de preocupação na demora de sua amiga)

(A pergunta ecoou até a entrada do beco, em meio ao silêncio todo daquela rua. Barbara começara a olhar para os lados se acolhendo mais com seus braços. O frio começara a piorar. A impressão que Barbara tivera enquanto focava sua atenção para dentro do beco escuro, era de que as luzes dos postes começaram a ficar mais fracas ao longo do tempo. Barbara repete sua pergunta, dessa vez com a voz mais alta e clara, enquanto guarda seu celular no bolso de seu agasalho)

(Barbara cogitara rapidamente em atravessar a rua, e chamá-la da entrada do beco. Mas o único otimismo sobre aquilo que passara por sua mente, era de que era uma pegadinha e quando ela chegasse no beco, Stephanie gritaria na intenção de assustá-la. Barbara decide atravessar a rua)

(Diferente da atitude de Stephanie, Barbara dava passos lentos e oscilava sua cabeça para os lados, querendo apenas a presença de mais alguém naquela rua silenciosa. Se possível, algum conhecido. Barbara atravessa os 8 metros que chegava ao beco. A caminhada parecia ter sido maior, já que o frio tinha se intensificado a ponto de doer suas pernas. Ao parar em frente ao beco, mesmo de perto, Barbara ainda focava seu olhar para enxergar a silhueta de sua amiga. Se possível, a silhueta dela abaixada mijando. Assim poderia contar para todos na escola que, Stephanie dos olhos esbugalhados, mijou em um beco escuro)

—Se demorar mais, vou torcer tanto pra sua vagina ter congelado. Ta muito frio, vamos logo!

(Barbara, ao gritar essa frase, se sentiu desconfortável. Era um desconforto estranho. O frio daquela noite, começara a penetrar o envolto de seu pescoço. O casaco grosso parecia estar mais fino por conta daquele frio intenso. Ela acolhe seus braços em volta de si mesma outra vez, dessa vez o mais forte possível, encolhendo sua cabeça para dentro das bordas levantadas do casaco. Barbara ainda não enxergara nenhuma silhueta dentro daquele beco, ‘’apenas o breu’’ era o que se passava em sua mente)

(Barbara, com a boca trêmula, olha à direita da rua. O último poste se apaga. Em seguida, o penúltimo. Faltara mais 3 postes para chegar á ela. Barbara não conseguia pensar em mais nada, a não ser o café quente que seu pai fazia e a possibilidade dela tomar o mais cedo possível naquela noite. Não deu tempo para novos pensamentos; todos os postes se apagaram num piscar de olhos. O que Barbara enxergava, era limitado ás luzes que vinham dos bairros da cidade, os bairro mais altos)

(Barbara não considerou tirar seu celular até o momento, não por medo, mas por simplesmente ter esquecido. Apenas até o momento. Seu celular vibrou severamente dentro de seu casaco. Ela o tira o mais rápido possível e liga a tela do mesmo. ‘’É uma mensagem dela’’, pensava Barbara, repetidamente. Sua esperança acabou quando viu que o autor da mensagem era anônimo. Jazia escrito):

‘’TE DESAFIO A SAIR VIVA, VADIA DO BAILE’’

(Barbara começara a dar curtos e lentos passos para trás, passos firmes por conta do frio. Seus olhos começaram a se intitular como o apelido de Stephanie, ‘’Olhos esbugalhados’’. A única coisa que tomara conta de sua mente, e corpo, era o medo. Tremia de frio e de medo. Ao ter ligado o celular, ela o movimentava em todas as direções possíveis daquela rua, na esperança de ter alguém que pudesse ajuda-la. Porém, o que Barbara enxergava ainda era limitado à apenas silhuetas das latas de lixos, das trepadeiras nos muros, e dos postes defeituosos. Ao virar o celular na direção da calçada em que estava, Barbara enxergara a silhueta mais assustadora que pudera ver em toda sua vida. Era a silhueta de uma mulher, com cabelos pretos e desarrumados que tampavam quase todo seu rosto, parecia ter mais ou menos,um metro e setenta. A mulher dos cabelos escuros estava ereta, apontando em direção ao beco)

(Barbara teve seu corpo travado, pelo frio e pelo medo que já tivera se fundido ao seu corpo como um só. Os olhos de espantada, ela aperta seu celular com força e dá uma engolida seca de saliva, que desce rasgando de dor sua garganta. Ela ainda fitava a mulher de cabelos desarrumados que apontava para o beco com o braço mais esticado possível, que parecia ter sido deslocado por alguma batida forte. Barbara, automaticamente, pela curiosidade, começara a virar a cabeça para trás, onde a mulher apontara. Ao redor da entrada do beco, nos tijolos acinzentados, havia sangue. A rua ainda permanecera escura, mas era nítido e indiscutível que o liquido por todos os tijolos da entrada, era sangue)

(Barbara cogita em gritar o mais alto possível, para que até mesmo outros bairros a escutem. Ao abrir a boca para tal ato, uma mão surge por de trás e tapa sua boca o mais forte possível. Os olhos de Barbara já estavam saltados o suficiente de tanto medo. Suas pernas ficaram mais bambas, seu corpo mais fraco e seus braços mais trêmulos, parecendo uma britadeira. A mão que a tapara, era branca e gelada. Barbara já não sentia mais seus lábios ou maxilar. A respiração de Barbara aumentara mais e mais, repelindo naquela mão gélida. Barbara apenas focava sua visão para dentro do beco, mesmo sem enxergar nada. Porém, em sua visão periférica ela via o rosto da mulher de cabelos escuros e desarrumados chegar mais perto de seu ombro direito. Barbara decide dar uma pequena olhada por cima de seu ombro direito. Os cabelos desarrumados da mulher já não tapavam tanto seu rosto. Era um rosto pálido, com manchas um pouco escuras ao redor da testa, e olhos de espanto. A boca estava poucos centímetros aberta, enquanto ML’s de baba escorria por sua boca e tocavam os ombros de Barbara, que ainda tinha mais 10 segundos de vida)

(Nenhuma ideia se passara pela mente de Barbara. Ela se sentia vazia a ponto de esquecer que ainda estava viva. A mulher dos cabelos negros começara a fazer grunhidos baixos, como um final de um orgasmo. Após poucos segundos, os grunhidos da mulher se intensificaram nos ouvidos de Barbara, penetrando-a até sua mente. A última — última e rápida- coisa que Barbara sentiu ali, naquela rua vazia e fria, era de um movimento rápido e doloroso em horizontal contra seu pescoço. A mulher dos cabelos negros tirara a mão do rosto de Barbara, e a única coisa que Barbara fez após isso, foi abaixar a cabeça devagar em direção aos seios. Barbara vira o sangue de seu pescoço escorrer pelo casaco marrom. ‘’O frio me fez não sentir essa dor’’, eram os últimos pensamentos de Barbara)

—-CONTINUA