A Garota Do Cappuccino
1 One-shot!
Notas iniciais
Esconder os sentimentos não quer dizer que eles não existam não é? E quem diria? Uchiha Sasuke, renomado advogado, aparentemente sem tempo para respirar, apaixonado por uma vizinha. Falar na terceira pessoa é sinal de loucura? Enfim. Não era uma amiga de infância, nem alguém que eu tivesse tempo para ter me apegado. Era só uma garota, que morava no prédio ao lado, que por descuido não fechava sua janela. Não era o corpo que me atraía, sim o jeito. Não, ela não trocava suas vestes em frente a minha janela, e se trocasse também, corpo de mulheres era o que não me faltava. O que ela fazia? Isso eu tenho que contar desde o começo...
Konoha, Sexta-feira. 15 de julho -15h50
– Mas que barulheira é essa?! Inferno, um homem não pode mais defender seu cliente em paz? – Não que ele realmente mereça... Pagando bem, que mal tem?
O barulho me fez bisbilhotar a janela, olhei o apartamento em frente ao meu, recentemente desocupado, que agora, aliás, parecia estar sendo ocupado novamente. Era um bairro muito bom, eram raros apartamentos disponíveis. Quando ficavam, portanto, apareciam muitas pessoas atrás dele, como cachorros famintos atrás de um pedaço de carne. Olhando dentro da grande janela, estava uma moça, rodeada de pedreiros que quebravam o apartamento, e cada batida, era uma estremecida que a moça dava. Ela parecia perdida. Olhava para o telefone celular e depois fazia sinal para os trabalhadores esperarem mais um pouco. Logo depois, olhava o relógio. Exausta, se jogou num sofá encapado e empoeirado, dispensando os homens.
– Neji? – Perguntou, atendendo ao telefone. Com um esforço surreal, e me sentindo um bisbilhoteiro, escutei a conversa. – Onde você está? Fiquei rodeada desses homens por horas e não sabia o que fazer. – Apesar do sufoco que tinha passado, a voz dela não estava exaltada, nem nada parecido. Ao contrario, essa calmaria me deixava louco. Nunca ouvi uma voz tão mansa. Como nunca tinha visto uma mulher tão branca e com os cabelos tão compridos e tão brilhantes.
– Que seja... – sussurrei, voltando ao meu trabalho, o barulho lá fora tinha cessado. Mas... e aqui dentro de mim? Barulho esquisito.
Foi assim, que eu a “conheci”. Minha nova vizinha, minha nova paixão. Ou novo amor. Amor, essa palavra me assusta. Será que existe essa tal coisa de amor a primeira vista? Nunca me interessei por mulher nenhuma. Na minha cabeça só havia trabalho. E ainda assim, porque uma moça comum me atraiu tanto? Comum... Era isso que eu pensava até ver aqueles olhos perolados de perto.
Konoha, Segunda-feira. 18 de julho – 7h00
– Desculpe! Desculpe! – Foi o que ela disse tantas vezes depois de trombar em mim e derrubar todos os meus papéis, que passei horas organizando, horas.
– Ok. – Me limitei a responder, vendo o quanto ela estava corada e desesperada, segurando um cappuccino e pegando os papéis. Mas o problema era dela mesmo, quem mandou não olhar por onde anda?
– Droga – sussurrou baixo, enquanto olhava o cappuccino que tinha derrubado em sua calça branca e, infelizmente, no resto dos meus papéis caídos. – eu devia saber que isso ia acontecer, afinal, sou eu.
– Algum problema em ser você? – perguntei, impaciente, mas curioso.
Impaciente, e ainda assim ela sorriu. Colocando seus cabelos atrás da orelha e levantando.
– Só um caso de azar. Muito, muito, muito azar. Tenho um teste hoje, e derrubei cappuccino numa calça branca, e acabei de me mudar, e o barulho está horrível, e meu irmão não me ajuda, e... Bom, você não tem que ouvir isso. Vou pra casa trocar de roupa e... bem, você não tem que ouvir isso também.
– E se eu quiser ouvir? – Eu estava mesmo tentando ser razoável?
– Bom, vamos ter que deixar pra outra hora, senhor...
– Sasuke, me chame de Sasuke.
– Sasuke, entendi. Então, outra hora, porque agora – disse ela começando a andar, balançando seus cabelos – eu estou realmente atrasada pro teste, e tenho que trocar uma calça branca. Ah, me desculpe pelos papéis! – Disse, parando bruscamente. – Onde você mora?
Apontei para o meu prédio. E ela sorriu novamente.
– Que sorte a minha, que azar o seu! Eu vou te procurar Sasuke! Desculpe de novo.
Quando um raio solar da manhã alcançou os olhos dela, eu tive que ficar paralisado. Eram os olhos mais lindos que eu já tinha visto. Os olhos mais encantadores. Os olhos... Bem, espero que ela realmente me procure.
E foi assim que eu a conheci. E desde então, espero ela aparecer por mágica no meu apartamento. A questão é, já se passou um mês. Outra questão é, eu vejo constantemente ela abraçada com um cara de cabelos compridos e... Que raiva desse cara. Ela é uma dançarina, cheguei a comentar? É por isso que eu bisbilhoto sua janela. Ela tem os passos tão leves, tão suaves. Sinceramente achei que ela estivesse voando uma vez! Claro que ela não viria atrás de mim, eu achei mesmo que tinha a assustado no primeiro encontro, que eu gosto de chamar de esbarrontro. Ainda assim, espero ela todos os dias. Justo eu, que não espero por ninguém. O interfone me tirou de meus devaneios.
– Senhor Uchiha?
– Sim? – respondi seco.
– Tem uma garota aqui...
– Uma garota? – falha no coração.
– Sim sabe, aquelas com seios e...
Quando estava prestes a interromper a brincadeirinha insolente, uma voz inesquecível apareceu,
– Sasuke! É Sasuke não é mesmo? Sou a Hinata... Bom, acho que não vai me reconhecer por nome, sou a...
– Pode subir. – A interrompi, desligando.
Eu estava de pijama. E ela não tinha passado a noite em casa. Não que eu realmente estivesse bisbilhotando, é que minha janela fica muito aberta e... Enfim. Batidas na minha porta ficaram ritmadas, assim como o meu coração. O que eu faço agora? O que ela menos precisa é de um amor à primeira vista. Em visto que, 1. Ela já tinha um namorado e 2. Eu havia a assustado.
– Olá – disse quando abri a porta.
– Sou a garota do cappuccino, eu ia dizer quando você desligou. – sorriu. Me fazendo estremecer.
– A garota do cappuccino que tem um namorado. E que não passou a noite em casa – sorri.
– A garota do cappuccino que tem um irmão, passou a noite na casa dele e que percebeu seus olhares pela janela. E que achou fofo. Que o achou assustador, isso antes de perceber que os olhares não eram de um maníaco. – Sorriu, e eu sorri de volta. – A garota do cappuccino que vai ficar morrendo de vergonha de dar as caras na janela caso esteja errada, e caso o Senhor Uchiha não esteja realmente apaixonado por ela.
– A garota do cappuccino que lê mentes?!
– A garota do capuccino que interpreta olhares.
Depois disso, eu a beijei. A beijei como se nunca tivesse beijado antes. A beijei como se fossemos íntimos a tempos. A beijei fechando a porta com o pé. A beijei segurando seus cabelos e a encostando na parede. A beijei como uma garota que tinha gosto de cappuccino nos lábios.
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