A Garota Do Cabelo Rosa
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Eu não entendi o que tinha acontecido ali, e também não me lembro o que aconteceu depois, só sei que depois das ultimas palavras dela, senti uma pequena dor no pescoço, como uma picada de mosquito ou coisa parecida, e o sorriso da Tenten, e então minha visão ficou embaçada e eu apaguei.
Agora acabado de abrir os olhos e estou novamente olhando para o teto dentro do mesmo quarto que antes, mas dessa vez a janela denuncia que está de dia, e a cama ao lado está vazia. Pelo menos. Imagina só, acordar e encontrar aquele peso morto por perto? Ainda mais enquanto tudo isso está acontecendo? Eu eim...
Eu só tenho uma dúvida: isso tudo que aconteceu... Aconteceu mesmo ou foi apenas sonho? Quero dizer, a Tenten que eu conheço não era assim, ela não usa roupas daquele jeito e de maneira nenhuma usa os cabelos soltos, uma vez tentou fazer isso e a coisa não ficou muito legal, porque ela desfez os coques rápido demais e prendeu o anel que usava no cabelo, depois deu o maior problema e teve que cortar, mas... Enfim! O fato é que depois disso ela nunca mais ousou usar o cabelo solto, ainda mais para uma missão!
Gente, isso é surreal, não levar uma surra dela, não brigar, nem um xingamento, nada do que eu esperava para a próxima vez que nós nos víssemos novamente. Nos abraçamos, conversamos – uma conversa de verdade – e eu disse a ela tudo o que queria ter coragem de dizer para Sakura. Vai dizer que isso não é surreal?
Me levantei depois de muito esforço e entrei no banheiro. Sim, aquilo tudo tinha realmente acontecido, tinha um pequeno e quase imperceptível furinho no meu pescoço, quando toquei ficou dolorido. Alguém me drogou, agora faz mais sentido porque eu simplesmente não me lembro de nada depois. Aquela picada que senti era um dardo tranquilizante jogado por outra pessoa. Mas... Quem?
Fiz minha higiene matinal e sai do quarto. Luzes elétricas funcionavam, qual foi, quando eu preciso delas, elas não funcionam, agora, que tanto faz ter luz ou não, elas funcionam? O que é isso, um motim? Ah, não sei... A porta no fundo do corredor agora estava completamente fechada, e na frente dela, como guarda costas, Sasuke e Naruto.
Caminhei até eles, que mantinham no rosto uma expressão indecifrável e um tanto quanto assustadora, se não os conhecesse há muito tempo, confesso que não me aproximaria. Mas já que conheço, tanto faz.
- Onde está Tenten? – perguntei.
- Quem? – o Uchiha perguntou, levando uma cotovelada forte no braço pelo loiro. – Ãhn? Ah, sim, ela voltou para Konoha mais cedo hoje, eu acho, não tenho certeza, não nos falamos muito...
- Por que ninguém me acordou?
- Tentamos, mas sabia que você dorme como uma pedra? – o loiro parecia tenso, não falava com aquela espontaneidade de sempre. Sabia de alguma coisa e não queria dizer. Ele estava no meio disso, tinha culpa até o pescoço.
- Isso não tem nada a ver com o fato de alguém ter me dado um tranquilizante ontem à noite, não?
- Ontem? Como assim ontem? Você está dormindo há dois dias – ele não respondeu o que eu tinha perguntado, por isso continuei apenas o fitando. – E eu não sei nada sobre tranquilizantes... Você sabe, Teme?
- Não me meta nisso, eu cheguei agora há pouco...
- Viu Neji? Ninguém aqui sabe nada a respeito disso, agora vaza que se alguém nos ver conversando pode pensar que não somos fortes para defender o cara que está aqui dentro – apontou a porta.
- Ele está sozinho? – os dois assentiram. – Então deem licença... – não esperei eles saírem e os empurrei, adentrando o lugar sem nenhuma educação.
Acho que os peguei de surpresa com essa, porque demoraram pelo menos alguns segundos antes que eles aparecessem ali também, tentando me tirar da presença do cara. Eu eim, ele é apenas um homem qualquer, assim como eu. Um homem qualquer com extremo poder e muito rico, mas ainda assim um qualquer.
Ele estava sentado de pernas cruzadas no meio daquele enorme quarto em cima de um pano quadrado com quatro velas acesas ao seu redor. Os olhos estavam fechados e tinha uma expressão serena no rosto. Era jovem, tinha o cabelo meio comprido, chegando até mais ou menos o ombro, uma barba rala e qualquer um diria que é exatamente igual aquele cara... Como é o nome?... Ah sim, Bem Barnes, que fez As Crônicas de Nárnia, que fez o Príncipe Caspian.
- Aí! – chamei, sem saber seu nome. Ele nem ao menos se moveu, por isso andei até ele. – Eu quero falar com você! – e só então apareceram ao meu lado aqueles dois idiotas, Sasuke segurando um de meus braços e Naruto o ourto, me impedindo de continuar andando.
- Nos desculpe Senhor, não sabíamos que ele iria entrar e não conseguimos impedi-lo – desde quando aquele loiro idiota sabia falar bonito daquele jeito? Eu eim, estamos em um universo paralelo e eu não sabia... – Se nos dá licença, vamos tirar ele daqui imediatamente – parou de falar na hora, quando o cara levantou uma mão, o mandando calar a porra da boca indiretamente.
- Vocês dois, saiam – e abriu os olhos, me fitando. – Se ele quer falar, deixem que ele fale – olha só, ele não é um completo imbecil...
Os dois abaixaram a cabeça e assentiram, saindo dali. Assim que fecharam a porta atrás de si, eu senti um frio estranho, sei lá, aquele cara era um tanto... Misterioso e assustador, era como se ele estivesse me observando, mas observando mesmo, como quando estávamos no genjutsu e eu sabia que o Sasuke podia ler meus pensamentos, era tipo a mesma coisa aqui.
Como se ele conseguisse ler minha mente e saber exatamente o porquê de eu estar ali. Mas estranhamente quando fechou os olhos, aquela sensação toda passou e eu tive novamente coragem de dizer tudo o que eu queria dizer desde quando tinha entrado ali.
- O que aconteceu quando fomos presos no genjutsu? – perguntei, me sentando à sua frente. Ele continuou em sua meditação e nem ao menos mexeu um musculo. Eu quase podia ver a veia saltada em minha própria testa. Odeio quando me deixam falando sozinho. – Não vai mesmo responder a minha pergunta?
- Eu responderei assim que me perguntar o que precisa saber – revirei os olhos.
- Acabei de fazer isso, perguntei o que aconteceu quando eu e Sasuke fomos presos no genjutsu.
- Você me perguntou o que quer saber e não o que precisa saber.
- É tudo a mesma coisa, não? – pensando bem, talvez eu possa aprender alguma coisa com esse cara, ele fala que nem aqueles mestres kung fu de filmes.
- Você vai fazer aniversário e pode pedir qualquer coisa para a sua mãe... Você precisa ir ao dentista, mas pede um livro que queria há muito tempo, porque existe uma enorme diferença entre você querer uma coisa e precisar, entendeu?
- E então... Você sabe o que exatamente eu preciso saber?
- Você precisa saber o que quer.
Esse cara não podia falar como uma pessoa normal e pronto? Essa coisa de falar em códigos já estava ficando chata, primeiro ele fala que eu não tenho saber o que quero, mas o que preciso, e agora diz que eu preciso é saber o que quero... Ele é maluco por acaso?
- Você não pode ser mais especifico? – tentei, duvidando muito que ele realmente pudesse falar a mesma língua que eu.
- Qual a coisa você mais quer em toda a sua vida?
O que eu mais quero? Mas não estávamos falando do que eu preciso? Calma Neji, vamos por pares, ele perguntou o que eu mais quero em toda a minha vida... Vejamos... Eu quero ser chefe da ANBU, eu quero ser o chefe do clã Hyuuga – ele perguntou o que eu quero, não o que é possível acontecer -, quero que me reconheçam pelo que eu sou... Quero... Quero...
Não, nenhuma dessas coisas é a coisa que eu mais quero em toda a minha vida. O que eu mais quero é aquela garota estúpida, que está me fazendo agir como um estúpido, e eu não consigo me imaginar longe dela.
- Eu quero aquela garota... – murmurei comigo mesmo, sem me dar conta que o Senhor Feudal também estava lá. Olhei para ele, que tinha um pequeno sorriso no rosto.
- Então é dela que você precisa – ele disse. – Faça tudo que puder para tê-la novamente, e quando conseguir, não a deixe ir. Nunca.
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