Notas iniciais
Virshe , sem reviews até o momento. Será que terei alguns depois desse?

Entramos depois de 15 minutos desperdiçados do lado de fora da escola entregando autógrafos a um bando de meninas alienadas. Não. Eu amo minhas fãs, tanto quanto ela nos ama, sendo que é difícil para eu encarar isso em um estilo musical que não deixa você respirar direito. Greer marcou um encontro como logo três. Uma morena, uma ruiva e uma garota com descendência africana e indígena. Por mim, ele ficaria logo com essa última, ela é bem mais atraente e tem um jeito sedutor inquestionável. Algumas outras pessoas nos abordaram no pátio também, incluindo alguns meninos. Outros nos olhavam com o rabo de olho e notoriamente com inveja. Eu desejei e juro para vocês, pelo menos por um segundo, a estar sentado com eles compartilhando este sentimento.

Paramos no primeiro degrau da escada feita somente por seis degraus. George encostou-se no corrimão amarelo, Mattie sentou-se no segundo e pós a mochila no colo, esticando as pernas. Greer se escorou em uma estátua de anjo tocando harpa e eu copiei o ato do Mattie, me sentando ao seu lado.

De longe, vi aquela mesma menina que nos cercou vindo em nossa direção, desta vez desacompanhada. Grudei instantaneamente minha vista nela.

- Oi. – Pronunciou-se calma e enrolando seu cabelo prata nos dedos.

- E aí. – Parece que ensaiamos para cumprimentá-la juntos.

- Foi mal pelo assédio doentio das meninas e pela quase calça arrancada. – Dirigiu seus olhos para George e mordiscou o lábio superior para não rir. – Não sabem se controlar!

- Que nada. – Estudei desavergonhado o seu corpo. As pernas bem delineadas e uma mini- saia rosa. Botas da Prada e uma camiseta azul de cetim. Ela combina mais com meninas de Beverly Hills, não com as de Minneapolis. Ela sorriu atrevidamente e subiu um degrau apenas para se sentar ao meu lado.

- Então, quer dizer que vocês começaram como uma banda de rock?

- É, mudamos porque o pop nos define mais. – Ou talvez não.

- Hunhum, não os imagino como roqueiros. – Sua beleza diminuiu um pouco depois deste comentário.

- Só que nós... – Minha fala foi cortada assim que meus olhos fincarem em um ser humano esquisito.

Sua roupa digna de um Oscar de maior excentricidade, talvez perdendo um pouco para a Lady Gaga. Um vestido preto e de cetim, meio estilo de baile e de alça com um laço borboleta no lado esquerdo da cintura. Na perna direita uma meia listrada preto e laranja que pelo jeito ultrapassava o joelho e na perna esquerda uma meia preta cinzenta e com bolinhas de enfeite. No pé direito um coturno, no pé esquerdo um All Star com as listras a bandeira dos Estados Unidos. Um Spike no braço esquerdo e um bracelete cor de arco-íris no braço direito. Um colar com um laço azul brilhando em cima do seu vestido.

O mais chamativo estava sua cabeça, especificando, um cabelo multicolorido. Todas as cores do arco-íris ali e até umas adicionadas a mais para incrementar. Verde água, verde escuro, azul, turquesa, vermelho, laranja, amarelo, lilás. Tantas cores que ofuscaram os meus olhos de jade.

Uma gótica? Uma emo? Uma roqueira? Uma punk – que nada -?

Uma mistura de tudo? Eu não sei explicar. Só o que senti foi como se algum doutor estivesse aplicando alguma injeção para me deixar meio biruta. Repentinamente, me senti anestesiado. Ao seu lado tinha um garoto com os cabelos estilo Kurt Cobain, mas com uma cor castanha alaranjada. Ele tinha um visual mais grunge, uma calça jeans com muitos rasgos e uma camiseta xadrez em sua cintura. Uma blusa do Pearl Jam e um tênis surrado.

E ao lado dele uma garota, suas mãos estavam entrelaçadas. E o seu estilo era punk, sem sombra de dúvidas. Os cabelos até a altura dos ombros e tingidos de amarelo vibrante e um lado raspado, uma camiseta do Halestorm e uma jaqueta de couro toda tachada, uma calça xadrez e um short jeans por cima retalhado e um coturnos. Complementando sua veste, um anel com uma cruz e quatro Spikes de modelos diferentes nos dois braços, além de uma coleira em seu pescoço. O trio ria.

Contudo, meus olhos colaram-se na criatura ao lado deles risonha e sem parecer se importar com os comentários maldosos feitos por quem os via ali. Com certeza, ninguém escaparia de olhá-los nem pelo menos de relance.

- Qual o conceito de moda desse povo? – Algo me tirou, infelizmente, da anestesia. Estranhamente, eu queria ficar mais examinando a baixinha de roupas diferentes.

A menina ao meu lado ponderava maldosamente das três figuras entrando despreocupados.

- Sei lá. – Vazou da minha boca. Não era bem isso que quis dizer.

- Eles têm estilo. – Mattie sussurrou somente para eu ouvir. Assenti cautelosamente.

- Principalmente essa Emily. – Emily? – Eu não sei o que diabo ela cria, que mistureba é essa que ela faz. Só sei que é nojento! Nunca vi uma pessoa tão sem personalidade como ela!

- Hum. – Murmurei não dando a mínima para a análise boba da garota ao meu lado.

- Eles parecem alegres. – George falou por detrás de mim e abriu espaço entre eu e a outra.

- Pois é. São sempre assim, alegres e não se importam com a opinião dos outros em relação às roupas deles. Com certeza se eles ouvissem, estariam andando hoje como gente normal e civilizada!

Um incômodo súbito me surpreendeu e em um sobressalto eu me levantei.

- O que foi? – Greer espantou-se.

- Vamos entrar? – Indaguei perturbado.

- Vamos! – Ela se prontificou em pé, mostrando uma fileira de dentes níveos e muito bem cuidados.

Ultrapassei-os mesmo sem nem saber para qual sala iríamos frequentar. Peguei o folheto azul e vi que era logo a primeira sala do lado direito do corredor. Passei pela porta de vidro e encontrei a sala escancarada e com as carteiras reviradas. Fazia tempo que eu não via isso.

Pelo que lembro, nossa primeira aula é de biologia. Legal. Só que não.

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Merida não desgrudou um segundo de nós. Ela é até engraçada, mas tem um senso de humor mordaz o que me desconfortou um pouco. Greer e George foram os que mais simpatizaram com ela, contudo em percebi sua atenção mais depositada em mim. Meu rosto corava toda vez que eu sentia seu olhar sobre mim.

Durante as três primeiras aulas, vi que aquela menina da entrada... Emily e seus amigos fizeram todas as aulas conosco. Biologia, história e química. São meio calados, só dirigem a palavra um ao outro, talvez pelo fato de que muitos aqui os rejeitem. Engraçado, eles parecem nem se isolar por causa disso. A verdade é que eu passei o primeiro horário obcecado em ficar os olhando e os explorando obliquamente a maneira deles de serem, sei lá, diferentes. Prestei mais atenção na garota das meias trocadas. Ela que parece ser a mais excêntrica do trio.

Pelo toque agudo do sinal, indicando à hora do intervalo, estávamos livres.

Frequentar uma escola de novo. Se adaptar mais uma vez a regra de manter postura correta, ser participativo, ouvir todas aquelas ladainhas de diversos professores, ouvir conversas paralelas, participar delas e presenciar aquela bagunça estudantil está tão estranho de acompanhar. Uma coisa me cutucou e eu virei tediosamente. Vi a tampa de uma caneta azul e elevei o olhar me deparando com os olhos espelhos de água do George.

- Gazear aula?

Olhei-o com uma cara de WTF?

- Você tá louco? Esse é o nosso primeiro dia de aula de novo na escola e agora somos uma banda que está começando a estourar com todas as forças! Um errinho e nosso sucesso cai de bico!

- E daí? A pista de skate do bairro Florence não está encoberta de neve e obviamente, os paparazzi não aparecem por lá! – Contrariou como se essa fosse à coisa mais boba do universo.

- Oi gente! – Dei um pulo na minha carteira e suspirei pesadamente. – Vocês querem que eu lhes mostre como é a escola?

Merida exibia um sorriso de satisfação e muito estimulado.

- Sabe o que é Meri – Não tinha precisão do George aplicar um apelido tão dócil como esse a ela. Derreteu-se. — Nós agora queríamos explorar sozinhos, as coisas.

Este é típico fora que usualmente ele utiliza para as garotas, é uma fórmula educada de dizer: Dá o fora vadia, eu quero respirar!

Não que eu acho que ela seja uma vadia, só pus aqui o jeito que ele me explicou o que isso quer exprimir. De qualquer forma, eu me senti mais serenado após ele dizer isso, não completamente.

- Ah... Que pena porque vocês são realmente amorosos com nós, fãs! – Lamentou estreitando os olhos e formando uma expressão de rato sem esgoto.

- Que tal irmos ao boliche hoje de noite? – A cabeça do Mattie apareceu magicamente por detrás do George, sorrindo abertamente.

- Perfeito! – Sua fala estava mais expressiva e contente. – Pode ser às oito?

- Como você preferir. – Contribui dando o meu melhor olhar terno, mas ao mesmo tempo, atraente. Vi o seu rosto ruborizar aos pouquinhos.

Ela saiu se contendo, aparentemente, para não dar saltinhos iguais a uma gazela e nos abandonou na sala, agora apenas constando com nós e o barulho de alguns pássaros cantarolando nas janelas. Tudo calmo e ermo.

- Eu acho que vou levar um belo de um tombo no skate quando for manobrar com a Truckstand! – Greer riu do seu próprio comentário nos fazendo também querer dar uns risos. Só que temos que manter a noção do perigo caso gazeamos aula com toda essa mudança brusca de vida.

- Galera, vocês querem que o Jerry lasque com a nossa vida de vez é? – Mattie indagou arregalando os olhos espantadamente.

Assenti. Somos os únicos ajuizados nessa história aqui, talvez sejamos até como o Kyle e o Stan de South Park.

- Ah, por favor, eu sei que vocês guardaram o skate aí! Não venham se fizer de santos! – Greer sorriu cinicamente.

Infeliz.

- É eu trouxe mesmo! – Rosnei.

- Catimbozeiro! – Mattie tentou falar sério e emburrado, mas uma risada lhe escapou.

- E como vamos vazar daqui?

- Vocês têm moletom? – George perguntou retirando da mochila uma lata de Sprite e abrindo-a. O estalo se apoderou dos meus ouvidos e um chiado soou. Ele solveu um pouco da bebida, aguardando a resposta.

- Claro! – Respondemos em uníssono.

- Excelente. Faremos assim... – Parou de ingerir sua bebida para nos explicar o plano para passarmos nosso primeiro intervalo fora da prisão estudantil.

Eu queria encontrar alguém.

Continua...