Notas iniciais
Desculpem a demora galera! Viciei em League of Legends hi hi hi

– Terra chamando Jacey – Alyss estalou os dedos diante do meu rosto. – Está ai?

Eu estava olhando fixamente para o meu celular em cima da mesa. E tentando pensar em alguma coisa para fazer. Eu queria explodir agora mesmo.

– O que? – Eu disse.

– A Alyss perguntou o que o Nate queria. – Libby disse, sorrindo para mim. – Podemos saber o que é ou é secreto demais? – Em seguida arqueou as sobrancelhas.

Tentei raciocinar alguma coisa para responder os meus amigos. Os três me olhavam curiosos esperando a minha resposta.

– Bom... – Eu comecei a improvisar. – É...

– Vamos deixá-la em paz, ele deve ter dito alguma coisa que a deixou sem graça para nos contar. – Disse Alyss, sorrindo para mim, mas seus olhos diziam outra coisa.

Eu apenas sorri e tentei comer o resto do meu café da manhã, mas ele tinha gosto de barro. Perdi totalmente o apetite.

Depois do café, andei com as pernas bambas até o dormitório e empurrei as portas que pareciam pesar uma tonelada e caminhei pelo saguão até o corredor e subi as escadas para o andar do meu quarto, passando direto pelo salão. Augustus era como a minha sombra e estava andando ainda mais perto de mim naquele momento. Notei que ele pousava a mão na arma conforme andava. Quando chegamos na minha porta, tirei a chave do pescoço e girei na fechadura. Entrei e me joguei na cama, olhando para o teto. Augustus ficou parado encostado no portal. Eu suspirei.

– O que o Nate te disse no telefone?

Levantei a cabeça e apoiei o queixo no cotovelo. – Nada demais, só avisou que ia ter que ficar na enfermaria hoje. – menti.

– Ah, conta outra. – ele entrou no quarto e fechou a porta, empurrou uma pilha de roupas em cima da cômoda e se sentou nela. – Fala logo Jacey. O que é que está acontecendo?

Suspirei mais uma vez, coloquei as duas mãos no rosto e comecei a chorar.

– Vocês garotas são muito esquisitas.

Puxei uma almofada e atirei em Augustus, ele simplesmente se esquivou e riu de mim.

– Fala para mim, eu posso te ajudar. – O tom dele era mais baixo agora. Como se tivesse percebido que era alguma coisa séria.

Eu sei que deveria ter mantido o meu papel de garota normal, mas era TÃO impossível quanto tentar escapar viva daquele internato maldito. Chorar foi a pior coisa que poderia ter feito mas as lágrimas vieram como uma tsunami e não havia mais nada que pudessem barrá-las. Eu odiava isso, me sentir fraca, um vermezinho.

– Jacey, fala comigo. – Augustus desceu da cômoda e cutucou o meu braço. – Ta. Eu vou ficar quieto. Chega pra lá – Ele em empurrou e deitou do meu lado, longe o suficiente para que não nos tocássemos. Ele colocou o braço atrás da cabeça e ficou calado, sem fazer nada.

Demoraram uns trinta minutos até eu conseguir parar de chorar, meus olhos estavam enormes e vermelhos e a minha cabeça doía. Virei para o lado e notei que Augustus estava de olhos fechados, a boca entreaberta e a respiração bem tranquila. Ele tinha adormecido. Era a minha chance, me esquiei para a ponta da cama sem fazer muitos movimentos para não acordar Augustus, girei a maçaneta e abri a porta. Dei uma última olhada para Augustus e o observei deitado ali, como um garoto comum que tinha toda a vida pela frente. Ele era meio grande na minha cama e os sapatos estavam para fora, um braço caído para a lateral e o outro pousado no peito, era cômico vê-lo deitado em um lençol cor de rosa. Andei até ele silenciosamente e beijei sua testa.

– Obrigada por tudo, Augustus. – Sussurrei baixinho perto dele.

Virei as costas sem olhar para trás e fechei a porta. Dei passos confiantes até a saída do dormitório e caminhei pelo jardim até a biblioteca. O céu ainda estava claro, o sol bem quente. Algumas nuvens escuras ao longe estragavam a paisagem. Olhei para o céu como se fosse a ultima vez em minha vida, e seria. De repente, trombei com alguém e cai de bunda na grama. Tentei me levantar já preparando um nada elegante palavrão quando um furacão loiro caiu sobre mim e colocou a mão na minha boca.

– Calada. – Reconheci a voz afiada e confiante de Alyss. – Tem uns caras me seguindo então pare de se mexer.

Ouvi passos e vozes atrás de nós e então Alyss me deixou respirar, ela estava me sufocando com o seu peso.

– O quê você está fazendo aqui? – perguntei para ela.

– Seguindo você, é claro. – Alyss disse como se fosse óbvio.

– Por quê? Tem uma tara lésbica por mim? – Estava nervosa, Alyss não poderia atrapalhar o meu plano.

– Você não faz meu tipo. – Ela jogou os cabelos loiros para trás, limpou a grama da saia preta e colocou as mãos na cintura. – Respondendo a sua pergunta, achei esquisita a ligação do “Nate” – Ela fez aspas com os dedos. – E vim para ter certeza de que você não vai fazer nenhuma merda.

– O que merda significa exatamente?

– Algo entre tentar bancar a heroína e se suicidar.

– Você ouviu a conversa no telefone?

– Bingo! Acho que o estereótipo loira burra não se aplica a mim. – Ela sorriu – Qualquer pessoa que tenha um cérebro entenderia a sua cara de “Puta que pariu!” e bem, você disse “Quem está falando?”. É óbvio que não estava falando com o Nate.

– Libby sabe disso também?

– Acho que todo mundo percebeu, mas resolveu não ligar muito, você faz aula de teatro aqui na escola, atua bem. Mas não muda de assunto. Me conta o que aconteceu.

Olhei em volta para ver se alguém estava próximo para ouvir, mas não conseguia encontrar nenhuma pessoa em todo o meu campo de visão. ~

– Eu fui ameaçada. Se contar alguma coisa o Nate, minha mãe, Jamie e o Zacarias morrem.

– Quem é Zacarias?

– Longa história, não tenho tempo. – Ela ia falar alguma coisa mas eu a cortei antes que pudesse continuar. – Alyss, eu gostaria muito que você pudesse me ajudar mas não dá, ok? Não tem nada que você ou a Libby ou o Augustus possa fazer. Eu tenho que resolver sozinha e se você me deixasse acabar com isso logo eu ficaria muito feliz.

– Feliz em se matar? É a primeira pessoa que fala isso para mim.

– Você entendeu.

Virei as costas e comecei a caminhar em direção a biblioteca.

– Jacey! Espera!

Voltei para olhar diretamente para Alyss e fazê-la parar de insistir mas ela esticou uma faca na minha direção.

– O que é isso?

– Eu peguei na cozinha desde o dia do jogo. Eu ando com isso para lá e para cá caso alguém tente alguma coisa. Leva com você, talvez ajude.

– Onde você mantia isso escondido, Alyss?

Ela levantou a saia e mostrou a parte interna da perna. Havia um cinto amarrado nela para segurar a faca, muito bem pensado. Alyss era um gênio. Peguei a faca da mão dela, coloquei dentro da minha bota e agradeci. Abracei Alyss e me senti culpada por não ter me despedido de Libby e Natalie, mesmo que estivesse na enfermaria.

– Diga a Libby que eu sentirei falta das porcarias que ela fala. – Disse me segurando para não chorar. – E peça desculpas para Natalie por não cumprir o que prometi.

– Está bem. – Alyss me soltou e me deixou ir.

A biblioteca estava vazia, do jeito que eu esperava, parece que quando você vai cometer um suicídio nada surge para te atrapalhar. É como um incentivo “Vá em frente e morra, estamos torcendo por você”. Procurei pela porta do banheiro e a empurrei, achei o tubo que agora estava consertado e chutei duas vezes para abri-lo. Na terceira vez, concentrei toda a minha força e acabei machucando o meu tornozelo, mas a portinha abriu. Esgueirei-me pelo buraco e cai no túnel. O cheiro era o mesmo, mofo, terra molhada e urina de rato. Me xinguei por não ter uma lanterna e tive que caminha em baixo das luzes amarelas fracas que piscava toda hora. Eu parecia confiante, corajosa e destemida. Mas na verdade, estava com tanto medo que não conseguia pensar no que estava fazendo e deixei meu corpo agir no modo automático: andar, andar, andar. Até achar alguma coisa que realmente deva sentir medo, desmaiar e em seguida ser apunhalada diversas vezes por uma faca e aí, morrer. Olhei para cima porque enjooei da escuridão do caminha a frente e comecei a seguir um caminho alternativo, seguindo a rota de um cano enferrujado até parar de repente. Um som cortou o silêncio e fez meu corpo liberar um litro de adrenalina no meu sangue. Encostei-me à parede porque as minhas pernas não podiam mais me aguentar e ouvi o som mais uma vez. Ele ecoava do túnel da direita e era como uma bota pesada caindo em água. Olhei na direção e não conseguia ver nada. Tomei coragem e fui em direção ao som, poderia ser uma isca, mas também poderia ser Nate. Uma luz piscou e eu pude ver um corpo alto e forte no fim do corredor. Virei-me para o túnel mais próximo e esperei a pessoa passar por mim. Tirei a faca de Alyss da bota e decidi que não entregaria a minha vida tão fácil assim, pelo menos lutaria. Poderia ser pior, mas eu faria isso. Os passos ficaram cada vez mais próximos.

Escutei a pessoa pisando em mais uma poça de água, o corredor e me lancei na direção dela com a faca empunhada com as duas mãos, golpeei o ar duas vezes e tive meu pulso segurado.

– Morra! Maldito!

– Jacey! – Ele gritou meu nome. – Se acalma! Sou eu!

Abri os olhos e encontrei os de Augustus.

– O que você está fazendo aqui? Saia já!

– Não. Alyss avisou que você ia fazer uma grande besteira e aqui seria o melhor cenário para isso. Vamos embora já daqui.

– Você não entende. Tem que me deixar sozinha! Tenho que encontrar o Nate.

Ele soltou o meu pulso e tirou a arma do coldre. – Vamos achar o Nathan e dar o fora daqui então.

Caminhamos juntos por um bom tempo sem fazer barulhos e sem conversar, avisei Augustus sobre o barulho que estava fazendo nas poças de água. O corredor estava alagado, e os canos furados pingando água ou seja lá o que for. Estávamos caminhando sem rumo e sem direção, os ouvidos atentos a qualquer barulho ou sinal de presença humana. O fato de Augustus estar lá não me fazia sentir menos medo. Só me faria sentir ainda mais culpada se alguém machucasse Augustus também. Eu não me preocupava se a minha mãe morresse, a culpa de tudo isso era dela e dos amigos idiotas dela. Mais crianças inocentes morreram e nenhum deles fez nada para evitar isso. Para o inferno todos eles.

De repente, Augustus me empurrou para a parede e fez sinal de silencio com o dedo, depois indicou o ouvido para que eu ouvisse alguma coisa. Assenti e me concentrei, não consegui ouvir nada. Então escutei um assobio familiar. Era Nate, e ele não estava longe. Corri na direção do som, Augustus atrás de mim me mandando voltar com a voz baixa. Virei uma vez para a direita e duas para a esquerda e me deparei com um corredor sem saída e dois corpos amarrados, encostados em uma das paredes. Um deles se mexia e assobiava baixinho, o outro estava inconsciente, com um corte na lateral da cabeça. Um cano enferrujado pendia no canto, pingando um líquido mal cheiroso, criando uma poça. Nate estava sujo e com as marcas da briga idiota com Augustus.

– Jacey! – Ele parou de assobiar e começou a se remexer em volta das cordas. Eu me abaixei e comecei a cortá-las. – Saia já daqui, é uma armadilha. Ele sempre quis você morta, não eu. Corre! Vai!

– Não sem você. – Soltei as mãos dele e depois os pés.

Augustus nos alcançou e olhou para nós. – Vamos sair daqui logo. Ele puxou uma faca pequena do cinto e me ajudou a soltar o outro garoto.

– Esse é o Zacarias? – Eu perguntei.

– Como você... Ah. – Ele assentiu. – Você ouviu a minha conversa no refeitório não é?

Ele se levantou e ficou do meu lado. Augustus ficou parado na frente da saída, observando.

– Você não é o único que tem passos leves – Sorri para Nate e de repente a cor sumiu do seu rosto, exceto pela sujeira. Ele me empurrou e puxou a faca da minha mão, me jogou para o chão e levantou a arma.

Augustus gritou e mirou a pistola em Nate, antes que eu pudesse gritar para que não fizesse, ele já tinha feito. O barulho do disparo ecoou pelo pequeno espaço e meus ouvidos tiniam. A mão de Nate se afrouxou na minha e só tive tempo de gritar.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Bjbj logo mais postarei os próximos :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.