Notas iniciais
Hey! Essa capitulo vai explicar muita coisa, e se vocês prestaram atenção aos detalhes dos outros capítulos, vão entender direitinho.
Espero que gostem!

- Em primeiro lugar, consegui achar uma ligação entre a Penny e a menina que morreu dentro do banheiro. – Libby se virou para pegar a caixa com tranqueiras dentro. – A mensagem no banheiro dizia...

- Todo o seu bom sangue descerá pelo ralo. – Augustus completou.

- Sim. – Libby gesticulou. – Bom, a partir daí eu tive a ideia de procurar nos túneis por alguma pista. Eu fiquei intrigada porque Penny não morreu de fato na praça. Ela não estava usando uniforme. Enquanto eu tomava banho estava pensando nisso. – Ela fez uma pausa para colocar os cabelos atrás da orelha.

- Mas o que tem a ver com a sua tentativa louca de quase suicídio? – Perguntei, interrompendo-a. – Libby não faça isso nunca mais.

- Deixe-a terminar Jacey. – Augustus disse para mim.

- Então... Nate notou que ela não usava o uniforme da escola, e algumas garotas disseram que viram Penny no corredor indo tomar banho quando todas estavam descendo para o refeitório. E para o azar dela, há uma entrada para os túneis dentro do banheiro. Eu estava procurando até que finalmente a encontrei. Decidi entrar para ver se encontrava pistas.

- Libby você é um gênio. – Augustus disse, beijando-o a na testa. Ela soltou um riso doce. – Continue, e o que essa caixa tem a ver?

- Eu também descobri que logicamente, o assassino se esconde ali, os túneis são como um grande labirinto. Eu fiquei perdida por lá até que encontrei uma saída, que por acaso me levou para o prédio administrativo. O lugar estava todo empoeirado e cheio de aranhas e ratos. Foi nojento. De início eu não tinha uma lanterna, por isso me perdi, mas depois procurei naquele monte de entulho até encontrar uma. A parte mais importante é que encontrei uma foto muito engraçada. – Ela pegou um quadro com uma fotografia velha de uma ex-turma do internato. – Está vendo?

- Nate e eu vimos essa foto na semana passada quando ele foi esfaqueado. – Tomei a foto em minhas mãos. Reparei nos rostos... – Mas porque é engraçada, Libby?

- Porque eu consegui achar o anuário escolar dessa mesma turma, só que nessa foto se você foi reparar, é de 1989. O anuário é de 1991. Nessa foto, os alunos estão no primeiro ano. – Era uma turma grande, composta de várias garotas usando o uniforme de saia vermelha, camiseta branca de botões e os sapatinhos pretos lustrosos. Os garotos com a calça preta, a camiseta branca de botões e a gravata borboleta abobalhada. Não havia alunos com uniformes azuis ou algo do tipo.

- E o que tem isso a ver com a ligação entre as duas garotas?

Ela empurrou os cabelos curtos para trás e ajeitou os óculos fundo de garrafa. – Presta atenção nos nomes. – Libby abriu o anuário. Como de costume, eram fotos com todos os jovens do terceiro ano do ensino médio. Todos estranhos. As fotos estavam desgastadas com o tempo e o livro cheirava a mofo, aquela porcaria sujava meu quarto inteiro de pó. As páginas já estavam amareladas, marcas do passado. – Está vendo? “Alice Allen”. Note a semelhança dela nessa fotografia, com essa aqui do quadro.

- Allen não é o sobrenome de Penny? – Augustus disse.

- Penny Allen. – Dizer aquelas palavras me fez sentir triste. Não fazia sentido. – Mas o que tem a ver, Libby. Vai ver a mãe ou tia dela estudou aqui. Isso acontece.

- Não, não, não! – Ela virou mais páginas do anuário. – Ta vendo aqui? “Benjamin James Turner”. O pai do Allan e da Caroline. Olha a semelhança. Os mesmos olhos de mosca morta. Ele também está no quadro. Veja. – Ela apontou para um garoto magricelo sorridente coçando o queixo liso e sem sinal de barba – E lembra o que estava escrito no banheiro? “Todo o seu bom sangue descerá pelo ralo.”

- Sangue quer dizer linhagem. O assassino está matando filhos de ex-alunos, mas... Por quê? – Augustus colocou a mão no queixo. – Isso tem cheiro de vingança.

- Também achei. – Eu disse. – Mas Libby, porque você não simplesmente saiu pela porta ao invés de ter descido de novo por aqueles túneis malditos?

- Ah porque a porta daquela sala estava trancada por fora e eu não consegui abrir. Como consegui a lanterna voltei pelos túneis, foi fácil porque têm umas placas a cada cem metros. É bem difícil ler porque estavam bem desgastadas e a minha visão também não é muito boa, e eu me perdi duas vezes.

Alguma coisa não estava certa. Aquela história poderia explicar tudo, mas estava faltando muitas coisas ainda para descobrir quem é o dito cujo. Por que o assassino estaria matando crianças inocentes? Não há sentido. Como Augustus disse, tem cheiro de vingança, mas se vingar pelo quê? O que os pais fizeram para terem os filhos todos mortos? Teríamos que conversar com a senhora Alice Allen. O lado bom, era que tínhamos o anuário, assim poderemos saber quem está sujeito a morrer e prevenir algumas mortes.
Mirei os olhos no relógio e já estava na hora de descer para o jantar.

No refeitório, Libby, Augustus e eu pegamos a filha da comida. O cheiro de carne cozida invadia o meu nariz. Caçar Libby pelos túneis me deixou esgotada, quando estamos com medo ou aflitos parece que a fome, frio, dor e outras coisas desaparecem. A mulher da cantina jogou a comida no meu prato peguei um suco de manga na seção de bebidas. Augustus decidiu comer com a gente. Sentamos na mesma mesa de sempre, no fim do salão, longe de todos.

- Ah! Eu me esqueci de pegar ketchup. Esperem só um momento. – Libby levantou e voltou para a fila de molhos. Os cachos dela saltitavam de modo engraçado enquanto andava. O jeito “Libby” de ser era tão único dela que me fazia sentir feliz por ter encontrado uma amiga tão original como ela. Por mais que fosse escandalosa, desastrada e atrapalhada, Libby era aquele tipo de amigo que sabe respeitar seu espaço.

Espetei um pedacinho de carne no garfo e comecei a mastigá-lo. Peter, Matt e a matilha estavam na mesa da frente rindo da imitação péssima do Oliver, (um garoto do segundo ano) de um dos professores de matemática. As garotas burras como Beatrice e Maggie estavam em sua volta. Todos chamavam de Beatrice de Tricie, mas eu a chamava pelo nome porque Tricie dava a impressão de inocente e de inocente, Beatrice não tinha nada. Ela andava pelos corredores balançando os longos loiros tingidos para lá e para cá e rebolando aquela bunda ossuda. Eu a odiava. Libby concordava comigo. Maggie era como a sombra de Beatrice. Era mais bonita só que tonta como uma porta. Ela dava risada de tudo o que Peter soltava. Dava nojo. Seu verdadeiro nome era Margareth mas ninguém a chamava assim, inclusive os professores. No momento as duas estavam cochichando, olhando discretamente para os músculos dos braços de Augustus. Que estava de costas para elas e de frente para mim. Não era bem ciúme era só que não me agradava a ideia de vê-las falando do meu guarda-costas particular.

- Jay. Precisamos conversar sobre o que eu fiz hoje. – Augustus disse olhando para mim.

- Olha... Eu... – Com tudo o que tinha acontecido nas últimas três horas, eu até esqueci-me do beijo inesperado de Augustus no telhado. – Eu não sei o que deu em você.

Ele riu. – Eu quero pedir desculpas se fui apressado demais. Eu errei não deveria ter misturado trabalho com o meu emocional.

- Sim, eu iria jogar isso na sua cara daqui a três minutos mas você foi mais rápido. – Ele soltou um sorriso bobo. – Não sei bem o que dizer eu fiquei meio sem ação porque te conheço a menos de uma semana.

- Sim, eu sei que foi errado. Não vai acontecer de novo. – Ele mexeu um pedacinho de tomate com o garfo. – Só se você pedir.

- Não espere por isso. – Eu disse e então Libby chegou com o seu pequeno pote de ketchup. – Enfrentei uma fila quilométrica. Estou faminta. Vou comer como um ogro se não se importam.

Terminamos o jantar e ficamos os últimos minutos do dia sentados no térreo assistindo filmes com as outras garotas. Amanhã Nate receberia alta do hospital e lembrar que não o vi o dia inteiro me fez quebrar o coração. Infelizmente, depois do toque de recolher, não podíamos sair dos dormitórios para nada. Era um saco, mas era o melhor para todos nós. Não sei bem, mas Nate deve ter ficado muito chateado comigo e com Libby. Era provável que tenha me ligado trocentas vezes no celular, e no de Libby também.

- Augustus, pega um pouco de pipoca para mim ali na máquina, por favor? – Libby pediu preguiçosamente. Ela estava jogada em um dos pufes em frente a televisão.

- Eu não recebo por isso. – Augustus levantou e foi até a máquina. Ele trabalhava das 6h às 22h, não tinha tempo livre para mais nada.

Alyss se sentou do meu lado e Natalie veio junto com ela. Ambas estavam com os cabelos trançados. Alyss passara os últimos dias junto com a gente, visitamos Nate uma vez junto com ela. Já Natalie, eu havia conhecido direito ontem mas parecia ser legal. Começamos e conversar sobre o filme enquanto Augustus não voltava.

Libby levantou. O meu pijama até que ficava bem nela. Libby só o trocou rapidamente para ir ao refeitório. – Augustus! Rápido! Antes que o filme acabe!

Ouvi a voz dele dizer um “já estou indo” do fundo da sala.
Vi um movimento no canto do olho e virei tempo o suficiente para ver a cena. Tricie tinha levantado a sua bunda magricela do pufe e ido em direção à maquina de pipoca. Augustus tentava equilibrar os três baldes nos braços. Ela simplesmente trombou de frente com ele. Foi de propósito. Um dos baldes de pipoca virou os chão, Augustus conseguiu salvar os outros três a tempo.

- Ah. Me desculpe! – Ela disse com voz fingida de culpa. – Eu sou tão desastrada!

Libby do meu lado viu toda a cena. – Que vadia.

Alyss e Natalie viraram para assistir também. – Eu definitivamente não gosto dela. – Disse Natalie.

Ela se abaixou para pegar o balde e o girou nas mãos. – Há algo que eu possa fazer para compensar? Quer que eu pegue mais pipoca?

Augustus olhou de relance e viu todas as quatro esperando a sua atitude. – Não precisa. Isso é o suficiente. – Ele voltou a passos lentos para o pufe.

Terminamos de assistir o filme rindo de piadas bobas. Mas naquela noite, Tricie ganhou um ponto a mais de ódio. Depois subimos para dormir, fui dormir no quarto de Libby e dessa vez Augustus não me contrariou.

Deitei-me na cama de Libby e fiquei pensando no dia longo que tive. Nas coisas que aconteceram. Nas emoções que tive. Sei que é muito cedo, mas senti vontade de agradecer por ter sobrevivido a mais um dia cheio de perigos. Pedi para qualquer deus que pudesse me ouvir para que toda aquela confusão terminasse logo. Que o assassino fosse preso e que a polícia finalmente desse um fim em tudo aquilo. Sentiria falta depois de Augustus, mas poderia concluir o ensino médio e dizer depois que passei por tudo isso sem me ferir. É claro que vou levar os pesadelos dos dois corpos das garotas pelo resto da vida. Eu fecho os olhos e lembro dos olhos de Caroline sendo forçados a se fechar. Será que aconteceria o mesmo comigo? Será que eu seria a próxima vítima?
Esse pensamento me trouxe a lembrança de que tenho as respostas em um livro, na palma da minha mão. Levantei da cama devagar para não acordar Libby. Acendi o abajur e folheei as páginas desgastadas do anuário, eram incontáveis fotos. Nomes estranhos, pessoas feias e pessoas bonitas.
Arrependi-me de ter aberto o livro depois de ler o sobrenome conhecido em negrito em baixo de um rosto familiar.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar!
~Veronica