A Garota De Bronte
20 XIX
Notas iniciais
- Eu ainda não acredito que não foram punidas por isso. – Natalie já havia começado a surtar desde o café da manhã. Ela falava aos sussurros para que Augustus não ouvisse. – Não acredito mesmo. Como? – A mulher da cantina jogou um bolinho na bandeja dela. – Eu fiquei desesperada.
Realmente, agora que eu já tinha feito a merda, pensei melhor na loucura que acabara de fazer. Bom, primeiramente não é nada sensato sair do dormitório às 3h da madrugada e depois voltar às 5h, e acordar algumas horas depois com cara de zumbi na escola. – Deu tudo certo Natalie, falamos sobre isso mais tarde.
Ela pegou um copo com suco — E Jacey, eu não me esqueci do que você me prometeu. – Ela levantou a bandeja e foi se sentar em uma mesa qualquer.
Augustus estava tagarelando com Libby. Eu ainda não vira Nate desde a hora que acordei. Um frio na barriga de repente surgiu. Será que alguma coisa de ruim aconteceu com ele ontem a noite? Será que ele foi pego por algum guarda? Ou pior, pelo assassino? Pensar não estava me aliviando nem um pouco. As aulas depois do almoço estariam canceladas para que todos os alunos pudessem assistir ao jogo de futebol do Bronte contra o Stoneclock. Bom, de acordo com os nossos onze jogadores, perderíamos feio. Mas a missão era alertar Jacob de que ele poderia ser o próximo a morrer. Não mentiria, estava esperando por Nate para falar com ele. Não conhecia mais ninguém além do meu “grupo”, e ficaria difícil falar assim de repente. Na realidade eu até conhecia alguns por nome e por corredor, mas ninguém falava comigo por mais de quatro minutos por causa do incidente da faca. Ainda me zoavam pelos corredores. Queria voltar para a antiga escola onde James me esperava, e minhas amigas também, onde eu era popular e tinha tudo nas mãos e os garotos aos pés.
Alguém cutucou minha cintura. Eu dei um pulo. – A sua cara está péssima. – Era Nate, (me senti aliviada) ele furou a fila na frente de Libby. Augustus fez cara feia. – Vamos falar com o Jacob na aula de geografia. – Nate abaixou para falar mais perto do meu ouvido. – Vê se passa um pouco do reboco que vocês garotas usam nesses olhos porque está muito claro que dormiu mal essa noite. – De repente alguém acertou Nate com um pedaço de madeira. – Ai! – Ele se virou, esfregando a nuca com uma das mãos. – O que foi isso?
- Vocês são surdos! Nada de namoro! Nada de aproximação! Fiquem no mínimo quarenta centímetros de distância! – Era Marietta. Eu guardava ressentimentos dela desde o primeiro dia de aula. – E você – Ela bateu com a varinha de madeira no meu braço. – Estou te vigiando de perto! Não pense que esqueci! – Ela me fuzilou com os olhos e saiu pisando forte. Cinco segundos depois, acertou Alyss e Andrew com a maldita arma do demônio um pouco atrás na fila, despejando advertências e uma série de blá-blá-blá.
- Ela me assusta. – Disse Nate. – Mais que você, Fiona.
- Cale essa boca Nathan. – Peguei a bandeja e me dirigi para a mesa. Em alguns minutos, Libby e Augustus voltaram. Nate se sentou do outro lado, de frente para mim. Alyss e Natalie se sentaram junto com Peter e os outros, também com Beatrice e Maggie. As duas vadias mais detestáveis da terra. Senti um pouco de ciúmes ao ver minhas amigas junto com elas, mas me controlei.
O café da manhã passou depressa, todos estavam rindo e muito felizes por perder todas as aulas depois do meio dia. Os dois sinais tocaram e todos os alunos já estavam dentro de suas respectivas salas, assistindo às aulas.
A primeira aula passou rápido, estávamos destilando água no laboratório. Meu parceiro fez praticamente tudo sozinho, ele não falou muito comigo e dava respostas curtas. Como se não quisesse a minha companhia ali. Assim que o sinal bateu, ele foi o primeiro a correr para fora da sala. Ajeitei meus materiais e fui para a aula de história.
- Como foi a aula? – Augustus perguntou. Eu não respondi. – Você está horrível Jacey. Parece que ficou a noite inteira acordada.
- Eu só... – “passei duas horas inteiras andando pelo campus e arriscando a minha vida, escalando paredes e saltando de janelas” – Tive uns pesadelos e dormi mal. Só isso.
Ele não acreditou em mim. Augustus contorceu o rosto. – Ah, claro. – Ele fez uma pausa. – O guarda que fica durante a noite na porta do seu quarto disse que viu algumas alunas fora dos quartos.
Meu estômago congelou. – Sim, eu ouvi uns barulhos estranhos no corredor. – Tecnicamente, não era mentira. – Essas alunas loucas que não têm medo de morrer. – Subi as escadas rapidamente com Augustus nos calcanhares.
- Sim, muito loucas mesmo, nem preciso lembrar de que há um assassino a solta. Não é? E nem todas tem um guarda pessoal à disposição também. – A indireta dele foi como se tivesse acertado o meu queixo com um golpe de MMA. Não sabia o que dizer. Aquilo pesou na minha consciência, realmente, não poderia colocar Alyss, Libby e Natalie em perigo. Elas não tinham um Augustus Frey vigiando sua retaguarda.
O sinal tocou. – Boa aula, Jacey. – Ele disse e eu entrei na sala.
A aula de história passou rápida, só porque eu não queria ver Augustus novamente. Mas como a sala de geografia era praticamente na frente da sala de história, não deu tempo nem de trocarmos olhares direito.
Nate estava no mesmo lugar de sempre. Eu joguei as coisas na carteira e ele se levantou. Só com uma troca de olhares já sabíamos o que fazer.
Andamos até Jacob que estava sentado com os amigos conversando sobre o jogo.
- E ai cara. – Nate estendeu a mão.
Jacob apertou a mão dele de volta. – E ai.
- Podemos conversar um instante? – Nate perguntou. – É rápido.
- Ta legal. – Jacob levantou e fomos para o fundo da sala. – O que foi?
- O que vamos dizer é meio perturbador, mas precisamos perguntar. – Nate começou. – Seu pai ou sua mãe estudaram aqui?
- Minha mãe. Como sabem disso? – Ele franziu as sobrancelhas.
- Olha, eu sei que vai parecer loucura, mas você está correndo perigo e pode ser o próximo a morrer. Por favor, tome cuidado, principalmente no jogo hoje.
- É, aconselhamos você a não jogar se for necessário.
Nate e eu olhamos para o garoto. Ele estava sério e piscando rapidamente como se nós tivéssemos dando um chute no traseiro da sua avó. Depois ele riu.
- E por que eu acreditaria nessa história dos dois loucos? – Ele riu ainda mais alto. – Parece que vocês querem é que eu não jogue para algum amigo de vocês no banco tomar o meu lugar. Ah por favor, vão procurar outro trouxa para cair nessa historinha. – Ele simplesmente virou as costas e voltou a conversar com os seus amigos.
Voltamos para os nossos lugares e o sinal tocou. O professor Richard entrou pela sala, como sempre, com um lenço branco sobre o sobretudo preto e o cabelo preto lustroso penteado para trás.
A aula de geografia passou devagar. Eu prestava atenção em cada detalhe da explicação. Richard começou a escrever na lousa e quando abri o meu caderno, um pequeno papelzinho vermelho caiu de dentro dele. Eu o abri apressadamente. Uma mensagem impressa dizia: “Não compre uma briga que não pode vencer.”
Uma ameaça, logo cedo? Guardei o bilhete no bolso da saia e assisti ao fim da aula de geografia. Aquele pedaço de papel pareceu pesar quinhentos quilos. Não podia arriscar e mostrar dentro da sala de aula. Depois de alguns minutos, a aula finalmente acabou.
Quando estava saindo da sala, o professor Richard me chamou a sua mesa.
- Sim? – Eu disse.
- Jacey. Certo? – Ele ajeitou alguns papeis em cima da mesa.
- É. O que foi professor? Eu fiz algo de errado? – Será que ele ia mencionar o bilhete?
- Não é nada disso... – Ele se sentou e pediu para que eu me sentasse na cadeira a sua frente. – Veja bem, no primeiro dia de aula, notei que estava muito desinteressada na minha matéria e o resumo que fez da primeira aula foi razoável. Jacey, eu sei você não queria estar aqui mas a foi neste lugar que a sua mãe foi criada. Ela também detestava este colégio. – Ele disse, parecendo retirar algo do fundo da memória. – Se me lembro bem, as notas de Rebecca só foram subir quando ela aceitou que aqui não era tão ruim assim. – Ele me encarou com seus olhos castanhos. – Você se parece tanto com ela mas ao mesmo tempo é tão diferente.
- É... Obrigada. – Eu não fazia ideia de como ele sabia disso. – Como conhece a minha mãe?
- Ah, é uma longa história e não tenho tempo para contar agora. Creio que você deva correr para a próxima aula. – Ele se levantou. Eu percebi que tinha fugido da minha pergunta mas definitivamente precisava correr, a professora de literatura não tolerava atrasos.
~~*~~
Libby e eu caminhávamos em direção ao refeitório.
- Como assim? Um bilhete? – Ela perguntava.
Augustus estava a um passo atrás de mim.
- Sim. – Puxei o papel de dentro do bolso e entreguei para Libby.
Ela leu e franziu as sobrancelhas. – Que estranho... Você acha que...
- Sim, eu acho que foi o assassino que deixou dentro do meu caderno. Ou algum idiota querendo tirar mais uma com a minha cara.
Eu já havia contado para Augustus no intervalo da aula de Geografia com a aula de Literatura. Entretanto, não entrei em detalhes sobre a conversa que tive com o Sr. Richard. Ele não pareceu muito surpreso e até riu. – Isso é mais do que suficiente para que você e seus amigos parem de bancar a turma do Scooby Doo.
Eu olhei incrédula para Augustus. – Olha, se você ainda não se deu conta... Eu estou prestes a morrer. Tenho que impedir esse maníaco antes que ele me mate.
Augustus não disse nada. Apenas lançou um sorriso de lado e um riso baixo. O que me faria odiá-lo por algumas horas. Por sorte, a fila para o almoço não estava tão extensa, o que contribuiu para o meu bom humor.
Alyss e Natalie chegaram logo atrás, estavam sozinhas.
- Olá. – a loira cumprimentou. — Cadê o Nate? Já resolveram...
- Sim. Nós já conversamos com o Jacob. – Eu disse.
- Quem é Jacob? – Augustus sussurrou no meu ouvido. Não via necessidade nisso já que todos ali faziam parte do plano.
- Depois eu falo. Durante o jogo. – Disse de volta.
Nate surgiu entre Alyss e Natalie, olhando fixamente nos olhos de Augustus. – Vejo que já começaram sem mim.
Para o meu alívio, Augustus apenas sorriu friamente. Aquele tipo de sorriso confiante, que os garoto emitem um para o outro alegando superioridade. Nate sorriu de volta. Para uma pessoa qualquer, que não estava envolvida nessa atmosfera de guerra fria, pensaria que os dois estavam apenas compartilhando uma piada interna. Mas no meu ponto de vista, eles estavam apenas carregando as armas.
Minha vez na fila chegou, Augustus almoçaria conosco hoje. A cozinheira jogou um prato com macarrão na minha bandeja , um pedaço de frango, um copo de suco e um potinho de gelatina.
- O que é isso? – perguntei para a cozinheira.
- Se chama m-a-c-a-r-r-ã-o. – A cozinheira disse segurando o pegador de massas. – Nunca comeu macarrão na vida?
Revirei os olhos. – O que eu quis dizer é que sempre nos deixam escolher a comida.
- Mas hoje é diferente. Ou você escolhe comida ou não escolhe e não come. Problema todo seu. Agora deixe-me trabalhar. – ela virou as costas e serviu mais macarrão nos pratos, enquanto outra cozinheira jogava-os nas bandejas dos outros alunos.
Chegando a nossa adorável mesa no fim do pátio, começamos o almoço tranquilamente. Até Alyss e Natalie almoçaram conosco, já que Peter e os outros estavam ocupados discutindo sobre o jogo. Eles estavam realmente confiantes de que iriam vencer? Estava pensando nisso quando alguém esbarrou na mesa e escorregou propositalmente, caindo de joelhos no chão.
Antes de ver quem era, pensei em três pessoas, primeiramente, a) Libby, porque afinal ela é a rainha do chão, mas logo descartei assim que a vi sentada na frente de Augustus. E b) Allan Turner, que quase que sempre andava distraído pelo pátio, mas ele não usa saia. Finalmente, escolhi a opção c) Tricie. E a sua cadela com pedigree Maggie estava logo a sua frente. Ela caiu exatamente do lado de Augustus. Nate olhou para mim a tempo de me ver com o rosto vermelho de raiva. Ele não pareceu gostar nem um pouco disso, pois se levantou e saiu do refeitório.
Augustus se levantou e ajudou a levantar. – Você está bem? – Ele perguntou.
- Agora sim, só machuquei meus joelhos, não acho que conseguirei andar direito.
- Eles parecem estar ótimos. – Eu disse. Não estava conseguindo me controlar. Queria enfiar meu prato de macarrão na testa dela. Sorri com desdém.
Ela sorriu de volta e olhou para Augustus. – Você poderia me levar até a cozinha para pegar um pouco de gelo? Por favor.
Augustus ia falar algo mas só deus sabe o que porque interrompi bem na hora. – Acho que a sua amiga Maggie pode ajuda-la. Augustus é meu guarda pessoal, não seu. Vá arrumar um para você. – Só percebi que todos estavam olhando, quando um silencio mortal seguiu depois da minha performance de ciumenta lvl 200.
- Embora ela tenha sido rude, eu realmente não posso deixar meu posto, mas Maggie ficaria feliz em ajuda-la.
Maggie e Tricie saíram andando devagar até a cozinha para buscar os “gelos”. O silêncio continuou por alguns minutos até o sinal tocar. Todos nos dirigirmos para as quadras, onde aconteceria o primeiro jogo da temporada de futebol.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
~Veronica.
Só um ultimo recado, quero pedir desculpas se tiver algum erro que eu não tenha percebido. Eu escrevi esse capítulo em vários computadores diferentes e em horas diferentes então se estiver meio confuso me perdoem. Não pude revisar, escrevi correndo, minha mãe não está muito bem de saúde e precisei cuidar dela.
Beijo beijo e desculpem pelo transtorno!
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