As pessoas unidas no Central Park estavam admirando o sol se pondo. As crianças correndo para alcançar o amigo com quem brincavam. O rapaz que levava seu cachorro para dar uma volta. A moça que fazia sua caminhada ouvindo música no fone de ouvido e presa no mundo da canção. A família fazendo piquenique.

Bryan ia sentir falta de Nova York. Ele olhava para o horizonte e sentia medo, medo de deixar tudo pra trás. Seus amigos: O que seria do quarteto que ele formava com Derek, Mark e Luke? Sua família: Vovó, tios e tias, primos e primas, papai e mamãe. Com ele só iria sua irmã, Amy. E isso era uma das coisas que o confortava, a presença de Amy fazia com que ele considerasse a idéia de que se mudar não seria tão ruim assim. Qual era a segunda mesmo?

Ah, ao perceber um casal se beijando ele se lembrou. Deixar a cidade onde vivia a garota que havia partido seu coração, não ter que olhar para ela todo dia... Bryan esperava finalmente se libertar do passado.

Ele foi andando até o lugar onde havia deixado a moto, no caminho lembrava-se de sua infância na Big Apple. Lembrou-se das vezes que parentes de outras cidades, e outros países, vinham visitá-lo e ficavam impressionados com o tamanho e a beleza de Nova York. De como ficava chateado de ser o “guia turístico” da família. Mas, agora, sentia falta de tudo aquilo.

Quando chegou ao Reservatório Jacqueline Kennedy, parou para admirar a vista dali. Ao longe o sol já havia avançado em se por. Olhou para baixo e viu seu reflexo na água, era o garoto alto de cabelo preto, olhos castanhos, vestido como um skatista, o de sempre. Mas por que se sentia diferente? Há alguns meses sentia isso, um sentimento de que algo grande vai acontecer, logo após ignorava porque achava que a tal grande coisa era a mudança. Ficou pensando, mais uma vez, que deixaria a cidade onde crescera. Tudo começou quando um primo dele, Scott, fez o ensino médio em uma escola filiada a Harvard e Yale: o Colégio Magnum Scientam, o que facilitou o ingresso dele na primeira. Visando isso, os pais de Bryan decidiram que ele e Amy deviam terminar o ensino médio nesse colégio. Mas, para isso, teriam que sair de Nova York e morar em uma nova cidade: Hyfallos. Bryan já ouvira falar em Hyfallos, uma cidade planejada que chamara atenção por seu desenvolvimento. Tal como fora Dubai.

Mas, Bryan ainda estava em Nova York, podia ver a ponta dos prédios em meio às árvores do parque, retomou as lembranças felizes pelas quais passou naquele lugar, à medida que ia até o estacionamento pegar sua moto. Lembrou o dia em que Derek empurrou Mark no lago sem saber que ele não sabia nadar. Da noite que ganhou a moto e levou Kate, sua namorada para um primeiro passeio sobre duas rodas. Fez uma correção mental: Kate sua ex-namorada. E lembrou o dia que a conheceu, o dia em que percebeu que eram melhores amigos, o dia que se declarou para ela, do primeiro beijo deles, das brigas e do rompimento. A lembrança mais recente e a mais dolorida.

As lembranças foram longas o suficiente, para Bryan ter chegado à frente de casa em instantes sem ter percebido. Parado na calçada olhou para a casa cinza e enorme. A janela do seu quarto ainda estava aberta, seria a última tarde que a fecharia. Guiou a moto até a garagem e ao abrir encontrou o pai mexendo no motor do carro. Mas, ei, aquele não era o carro do Sr. Martin, era...

– Pai, eu não acredito – Bryan deu uma conferida melhor ao passo que deixava a moto na parede da garagem – é um Gallardo?

– É, sim – o sorriso do Sr. Martin só não podia ser maior porque sofria com a idéia de o filho ir embora – seu sonho, não é?

– É – a emoção fez Bryan dar um falsete na voz – É isso é pra mim? – o pai assentiu com o enorme sorriso — obrigado, pai. É o melhor presente de todos – E deu um abraço forte no pai, como se nunca mais fosse o ver. O Sr. Martin tirou a bandana – que o fazia parecer ridículo – e percebeu que sua careca estava bastante suada.

– Nossa, eu passei a tarde trabalhando nele – enxugou o suor com a bandana e a jogou no chão, perto da caixa de ferramentas.

– Pai, o que você fez nele pra ter passado a tarde trabalhando? – passou os braços ao redor dos ombros do pai e se apoiou no Sr. Martin ao mesmo tempo em que admirava o novo carro.

O Sr. Martin, apontou para um motor que estava no chão.

– Eu troquei por um motor mais veloz, além disso, mandei trocar o forro dos bancos, coloquei uma TV digital e um super sistema de som.

Pai e filho passaram uns cinco minutos admirando o carro, se alguém, que não soubesse a relação de parentesco entre os dois, poderia afirmar que eram irmãos. John Martin era médico cardiologista e achava que deveria servir de exemplo e sempre levou uma vida saudável. Você jamais diria que aquele careca com cara de galã de cinema, era na verdade um cinqüentão.

– Bry? Você já chegou? – era a voz de Amy chamando pelo irmão, pela porta da garagem passou uma garota de cabelos castanhos e olhos azuis, havia puxado a cor dos olhos do pai e do cabelo da mãe. Era linda tal qual se imagina que seja uma princesa. Estava com um vestido branco, sua roupa preferida, o que indicava que ela iria sair.

– Já, o que foi? – respondeu Bryan

– Mamãe quer falar com você. Ah, pai – ela se agachou e tocou nas costas do pai que estava mexendo na caixa de ferramentas – eu vou sair, vou me encontrar com as meninas no Rockfeller, você me leva?

John bufou. Amy cruzou os braços e fez uma careta.

– Bryan, você a leva? Eu quero tomar banho e descansar um pouco.

– Claro, pai. – Bryan deu uma batida nos ombros do Sr. Martin e fez sinal com a cabeça chamando Amy – vamos ver o que a mamãe quer.


Na cozinha estava, junto com a Sra. Martin, Jane que era a cozinheira da família.

– Ei, mãe – saudou Bryan, depois deu um beijo na testa da mãe – tudo bem Jane?

A cozinheira respondeu com um sorriso, estava terminando de mexer em uma panela com uma colher na boca. A Sra. Martin estava no balcão terminando de enfeitar um bolo que ela havia feito.

– Oi, filho – ela mexeu no cabelo, colocando um pouco atrás da orelha, e sacudiu as mãos sujas de granulado. Segurou o bolo de chocolate com cobertura de morango e recheio de chocolate, o preferido dos dois filhos – Gostou?

– Já posso comer? – quando Bryan já ia procurando uma faca, a Sra. Martin negou com o dedo e ele desanimou, mas não percebera que Amy estava raspando a vasilha da cobertura – Amy disse que você queria falar comigo, o que era?

– Ah, Luke ligou quando você estava lá no parque. Eu pedi para ele te encontrar lá, mas ele acabou de ligar dizendo que não te achou e pediu pra avisar que o pessoal vai se reunir lá no Rockfeller Center.

– Ótimo – falou Amy, ao mesmo tempo em que limpava um pouco de cobertura do canto do lábio – vamos.

– Depois que eu tomar banho, apressada – no caminho até a escada ele passou pela irmã e deu uma bagunçada no cabelo dela – é rápido.

Amy ia ficar chateada, se não tivesse uma panela para terminar de “limpar”.

– Filha – falou a Sra. Martin enquanto sentava – você já separou a mala?

– Já, mãe. A gente já tinha levado tantas roupas que foi rápido terminar de separar as últimas.

– De que horas vocês voltam?

– Depende muito do pessoal, eu acho que o Bryan volta antes. – Amy deixou a vasilha de lado e sentou de frente a mãe – a Kate vai estar lá.

– Amy, você sabe que todas as vezes que eles se encontram... – ela arregalou os olhos como se não precisasse falar mais nada.

– Ah, mãe, eu sei é que a Kate é uma das minhas melhores amigas, eu vou ficar muito tempo sem vê-la, e as outras meninas também e...

O celular de Amy tocou. Era Natalie, a melhor amiga dela.

– Oi, Naty... Certo, avisa aos meninos que eu vou chegar com o Bry, tá?... Tchau – ela guardou o telefone no bolso e voltou à atenção a mãe, como se não houvesse atendido ao telefone – o pessoal já está lá.

– Vocês vão ao Concourse? Traz um presente pra sua mãe, né?

– Claro, mãe. Eu acho que eu vou trocar de roupa, enquanto Bryan toma banho.

Amy passou um bom tempo tentando se decidir vestiu um casaco com um short, um short com uma camiseta, enfim, várias opções e terminou optando pelo vestido que estava vestindo antes. Ao descer, encontrou Bryan esperando na sala, estava mexendo no celular.

– Vamos, Bry?

– Puxa, você demorou, hein? – eles foram caminhando até a garagem. – Hora de estrear esse garoto aqui – Bryan abriu a porta de seu carro novo com cautela, como se fosse quebrar a qualquer momento.

– Anda, Bryan! O pessoal tá lá esperando – Amy sentou de vez e ficou lá olhando a loucura do irmão.

Quando já havia passado alguns minutos desde que tinha saído de casa, Bryan resolveu falar com Amy que não parava de mandar mensagens.

– Onde eles estão?

– Derek falou que estava esperando a gente no Plaza, o resto do pessoal tá lá no restaurante do pai da Ka... – e reparou que ia falar o nome da ex-cunhada.

– Kate, eu já esperava.

– Você não está chateado? Eu pensei que...

– É bom que eu veja Kate hoje, eu já adiei essa conversa por muito tempo. – ele repetiu para si mesmo: “muito tempo mesmo”.

– E você como está com o Mark?

– Ai Bryan, a gente só tava ficando. – ela estava ficando com Mark há alguns dias, mas ultimamente ela acha que não dá mais, mas Mark não tem essa impressão – o problema é fazer ele entender.

Depois de conversaram mais sobre como Mark era desatento com a relação dele com Amy, eles chegaram rapidamente ao estacionamento. O que demorou foi achar uma vaga, parecia que a cidade inteira decidira ir ao Rock Center, depois de perambular por dez minutos acharam uma boa vaga. Saíram perto do Rockfeller Plaza, perto das bandeiras estava Derek: uma montanha em forma de ser humano, pele escura, cabelo estilo militar e jaqueta de couro. Não era difícil de reconhecer no meio da multidão.

– Os irmãos Martin – Derek saudou.

– Tudo bem, mano – Bryan apertou a mão dele e olhou ao redor procurando os outros – cadê o pessoal?

– Estão lá no Starbucks – respondeu enquanto saudava Amy com um abraço – vamos nessa.

Eles descerão ao Concourse, chegaram ao Starbucks numa mesa cheia de copos vazios estavam Mark, Luke, Hillary, Natalie e Kate. Todos se saudaram normalmente, até que chegou uma hora que só a Kate, Bryan não havia cumprimentado.

– Oi, Bry – disse Kate. Seus olhos miravam fundo nos de Bryan. Eles eram bastante parecidos em aparência, o típico casal que combinava, exceto os óculos dela.

– Oi, Kate – eles deram um abraço embaraçoso – eu quero conversar contigo.

– Eu também, preciso, pra falar a verdade.

Mark sentiu a tensão como uma nuvem de fumaça pairando.

– Ei, que tal vocês baterem o papo de vocês a gente espera aqui? Quando voltarem a gente vai lá no pai da Kate.

Todos concordaram e Bryan e Kate foram até um banco que estava na frente da cafeteria. Mark já ia sentar quando Amy o chamou. Derek, Luke, Hillary e Natalie ficaram na mesa com a nítida sensação de que uma amizade não dura depois de um relacionamento.

Bryan e Kate passaram um minuto olhando um para o outro sem darem uma palavra, era como se estivessem respirando com os mesmo pulmões, até que aquela sensação incomodou Bryan o suficiente para ele abrir a boca.

– Eu te amo

Kate tentou evitar o olhar de Bryan, mas nem ele mesmo conseguia mostrar que sentia o que havia dito.

– Bryan, eu já falei, eu não sinto mais o mesmo – Kate estava nervosa e suas mãos suavam.

– Kate, não me importa o que você sinta, é só que... – ele parou de falar e pensou o que estava querendo dizer de verdade. Esse mês sem vê-la não foram tão angustiantes, não quanto foram as primeiras semanas depois do rompimento. – como você tá?

– O que?

– É, o que você tem feito, com quem tem saído, pra onde vai?

– Primeiro você diz que ainda me ama e depois me pergunta o que eu tenho feito? – as sobrancelhas dela não poderiam ir mais alto do que aquilo.

– Você disse que não sente mais o mesmo, então eu acho que não tá valendo nada pra você. Só acho que não vale mais a pena insistir tanto...

– Eu só quis dizer que não é justo que a gente continue namorando se eu não te amo e eu sinto que você não me ama, não do jeito de antes, vai negar?

Outro momento de silêncio.

– Você acha que vale a pena eu lutar por você? Quantas vezes a gente não terminou e voltou? Eu acho que desgastou, até demais! – era como se Bryan estivesse colocado todos os pensamentos que tivera nos últimos dias.

– Eu to cansada disso, sabe, ter que sempre estar brigando. Procurando quem está certo ou errado. De todas suas amigas dando em cima de você e você fingindo que não percebe.

– Ah, você acha que se eu quisesse ficar com as minhas amigas e se eles dão em cima de mim, como você diz, eu já não teria ficado? Eu que estou cansado, um dia você vai perceber o seu erro e vai sentir minha falta.

Kate cobriu o rosto com as mãos e bufou, se fosse uma bomba teria explodido a cara de Bryan, estava vermelha de fúria.

– O que você acha que é? Agora eu te vejo como você é, por que você não segue sua vida e me deixa, seu metido!

– Chega, é isso... – Bryan parou de falar porque Mark havia passado estava chorando, cutucou Hillary e cochichou algo para ela, ela fez uma cara de surpresa, ele puxou a prima pelo braço e foi embora, Luke se levantou e foi atrás deles – sem mais brigas, sem ter que me preocupar com suas manias estranhas. Acabou tudo, pra sempre.

Kate bateu as duas mãos nas coxas ao se levantar, jogou o cabelo e olhou o mais fundo que podia nos olhos de Bryan.

– Nossa história acabou, e nunca, nunca mesmo, vai ter um recomeço. NUNCA! – ela abriu a mão dele e colocou algo lá, fechou a mão dela com tanta força que ele tirou rapidamente antes que perdesse a mão

Ao ver Kate indo embora, aquele “nunca” que ela gritara continuava ecoando na sua cabeça, lá ia a mulher que ele amou. Isso mesmo: amou. Bryan sentia aquele amor diminuindo, não havia sumido totalmente, porém estava lá. Ele sentia que ela podia jogar o que quisesse, ele não iria perder. Ele abriu a mão e lá estava o anel que a dera quando fizeram um ano de namoro. Ele se levantou e jogou no lixo, aquilo já não significava mais nada.

O clima estava mais que tenso na mesa. Luke foi levar Mark e Hillary em casa. Amy não foi nada gentil ao dispensar o garoto. Kate resolveu considerar a amiga e não foi embora, mas estava de costas para Bryan. Vendo a situação, Derek chamou Bryan para conversarem. Amy ficou na mesa com as meninas. Eles perceberam que não tinham mais paciência para ficar lá.

– Amy, leva as meninas – disse Bryan jogando as chaves para irmã – e você?

– Vou de metrô com o Derek.

Os dois amigos foram em direção à estação do Rockfeller sem falar nada. Passaram por lojas, lanchonetes, garotas bonitas, mas nada de conversa. Derek cansou daquilo e bateu no ombro de Bryan pra lhe chamar atenção.

– ¬O que foi, cara? A gente vai ficar um monte de dias sem se ver e você me trata no maior gelo?

– Foi mal, é que eu briguei com a Kate, tipo, pra nunca mais...

– Você tá abalado?

– Não é que... só to estressado.

Esperando o metrô chegar, Derek e Bryan conversaram como foi a infância e adolescência, os bons momentos e maus, que passaram. Quando o metrô estava a cinco minutos para chegar, Derek recebeu um telefonema, era sua mãe.

– O que aconteceu? Certo... – Derek estava suando frio, sua voz palpitava.

– Derek? O que foi?

– Meu pai passou mal, minha mãe está aqui no Rock Center pra me levar, foi mal cara, mas você vai ter que ir só.

– Tudo bem, e... – Bryan abraçou o amigo – eu vou sentir sua falta, cara.

– Não vai ficar metido só porque tá estudando no Magnum, hein?

– Pode deixar – sorrindo, mesmo triste, Bryan entrou no metrô que acabara de chegar. Não estava deixando só o Rockfeller Center para trás, mas seus amigos, Nova York, sua vida antiga.


O vagão estava vazio, mas se encheu rapidamente à medida que as pessoas o lotavam com várias sacolas. Sentou perto de uma mulher com duas garotas, uma estava dormindo e a outra estava chupando um sorvete. No banco a sua frente, as pessoas iam se sentando e colocando as sacolas no colo ou embaixo do banco. Alguns sentavam em cima das sacolas de outros e de vez em quando havia uma confusão. Bryan decidiu ouvir uma música, tirou o iPod do bolso

e junto com o aparelho veio o fone de ouvido todo emaranhado, Bryan passou quatro minutos e meio tentando resolver aquele quebra-cabeça, depois colocou a playlist que ele havia salvo como “Quando o mundo for chato”.

– Essa está boa – falou baixinho, mas chamou atenção da garotinha ao seu lado que achava que adolescentes deviam ser ajuizados o bastante para não falarem sozinhos.

A playlist possuía músicas que eram sobre cair na noite e aproveitar a vida como se não houvesse amanhã, Bryan achava que era um bom conselho. Precisava fazer alguma coisa para esquecer o que havia acontecido, a dor que passou nos últimos dias. Percebeu que perdeu uma ótima última noite com os amigos, mas isso já não tinha como ser reparado. Fechou os olhos enquanto ouvia uma música instrumental, ele estava quase dormindo quando sentiu algo batendo em seu pé, abriu os olhos a tempo de ver um senhor se dirigindo a porta. Bryan respondeu ao pedido de desculpas do senhor e ao dirigir o olhar para a janela percebeu que havia realmente dormido, estava a vinte minutos de casa e nos seis minutos que havia cochilado não percebeu que uma garota linda havia sentado bem a sua frente.

Ela era linda, tinha um rosto redondo, bochechas um pouco grandes, seus olhos eram acinzentados, tinha uma cabelo castanho claro, quase dourado, de alguma forma fazia Bryan lembrar o rosto de uma princesa sueca, Bryan não sabia se havia princesas na Suécia, e se elas existissem não fazia idéia se pareceriam com aquela garota, de qualquer forma ela lhe passava essa aparência. Vestia uma camisa com uma estampa metálica que refletia um pouco de luz.

Ao mesmo tempo em que Bryan percebeu isso, a luz do metrô começou a piscar, mas rapidamente voltou ao normal. Bryan olhou para garota ela estava mexendo em seu celular, parecia estar trocar mensagens importantes, já que tinha uma expressão de preocupação enorme. Bryan ficou apreciando o rosto dela, mas também pensava se devia flertar com a garota, mesmo sabendo que provavelmente nunca a veria outra vez. O que mais lhe afligia era se era certo partir para outra logo depois de ter terminado com Kate.

“Mas eu já havia terminado com a Kate há dias” pensou consigo mesmo. O encontro só serviu para trocar as reticências da história daqueles dois por um ponto final. Percebeu que aquela tragédia acabou era hora de tocar a vida.

A garota olhou para frente enquanto esperava uma resposta para a mensagem que acabou de mandar e percebeu Bryan, ele estava tentando chamar a atenção dela, estava com as pernas esticadas, de olhos fechados com um lado da testa apoiada no punho esquerdo, tentando dar uma de pensador e exibir os braços. Bryan teria parado de ter feito aquilo se visse o sorriso que causava nos outros, mas o da garota não era de deboche, achava fofo. Levou um susto quando as luzes voltaram a tremular, sentou-se melhor nos bancos quando a luz voltou ao normal.

Bryan deixou a pose e ficou tentando entender o que estava acontecendo quando a luz tremulou mais uma vez assustando todos, alguns já sussurravam que uma pane ia parar o metrô no meio do caminho. A menina que Bryan não deixava de olhar estava assustada, pegou uma das pastas que tinha consigo e as agarrou, pronta para se levantar e descer na estação mais próxima. Quando as luzes apagaram de vez, Bryan não pensou duas vezes, tinha que chegar perto dela.

As luzes voltaram mais uma vez e ele percebeu que ela estava um pouco longe, a garota se assustou um pouco com a volta das luzes e bateu de leve em um banco deixando a pasta cair, alguns papéis caíram, Bryan tentou ajudar a apanhar, mas um homem que estava mais perto a ajudou a garota, Bryan percebeu a garota guardar aquelas folhas, todas eram rosadas, ao juntar todas, a garota desceu correndo na estação junto com todos os passageiros que estavam apavorados. Bryan desceu do metrô, mas estava preocupado em falar com aquela menina, seguiu o rastro que a estampa da camisa dela fazia no chão, mas era tanta gente que ele não conseguiu mais alcançá-la. Ao olhar ao redor percebeu que estava na estação que ficava a dois quarteirões de sua casa, ele decidiu caminhar mesmo, tenha medo de a pane não fosse única daquele metrô.

Em casa finalmente. Ao cruzar a porta de casa, Bryan deu de cara com sua mãe.

– Onde você estava, Bry? – ela repreendeu

– A Amy ainda não chegou? – Bryan esperava que a irmã já havia chegado e que contivesse todas as informações

– Já, ela está tomando banho e me disse que você ia chegar de metrô, o que aconteceu?

Bryan contou toda a história toda, menos a pane do metrô que foi exatamente o que havia preocupado a mãe. Ela contou que viu um noticiário sobre a pane e como havia ficado preocupada.

– Mãe, eu estou bem viu? – deu um beijo na testa da Sra. Martin – eu vou sentir saudades das suas broncas.

A mãe o abraçou e começou a chorar, amanhã os dois filhos estariam indo para Hyfallos, longe dela, lembrou porque tudo aquilo estava acontecendo e foi consolado pelo abraço do filho.

– Filho, você vai me ligar, né?

– Claro, mãe! — ele guiou a mãe até o sofá onde se jogou exausto – mãe e meu carro?

– Ah, seu pai falou com o Scott, a empresa dele vai fazer o transporte – Scott, o primo que incentivou os pais de Bryan e Amy a colocá-los no Colégio Magnum, trabalha em uma transportadora especializada nesses tipos de entrega – você e Amy pegam o vôo às cinco da tarde.

– É, eu sei

– Você não parece muito animado, o que houve?

– Não, é que eu não sei muito o que esperar de lá entende? Só isso. – Bryan deu um bocejo, bateu no braço do sofá para se apoiar e levantar – eu acho que eu vou dormir. Beijo, mãe.

– Beijo, filho.

Quando chegou no quarto Bryan só tirou os sapatos, meias, a camisa e se jogou na cama. Tateou no criado-mudo procurando o controle do ar condicionado, quando ouviu o sinal de que o aparelho havia ligado, largou o controle, mas ele caiu no chão. Preguiçosamente, ele se virou para pegar e percebeu que havia um papel na sola de seu sapato. Ele se levantou, era bom demais pra ser verdade, quando pegou aquele papel reparou que ele continha um número de telefone. Ele começou a salvar o número no celular com um largo sorriso no rosto.

Notas finais
Como espero que percebam, Hyfallos é uma cidade fictícia. A localização da cidade fica subentendida como no leste americano.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.