A Gótica Da Minha Vida
37 Não acha isso injusto?
Notas iniciais
– Aoki... Chiharu? – Refletiu o moreno, espantado
– Parece que você descobriu a verdade. É mais esperto do que imagine. – Disse Misa, se sentando do lado de Sasuke, o surpreendendo.
– Esse tempo todo, Sakura viveu uma mentira, é isso? – Sasuke olhou para ela, suplicando por explicações.
– Sakura viveu uma mentira? Não gosto de ver por esse lado. Ela viveu a vida que era impossível pessoas de nossa origem viver. Vindo da pobreza extrema, ela conseguiu subir para filha de uma família fluente com alguns milhões e bilhões de dólares na conta bancaria.
– Mesmo com todo o dinheiro, ela continua vivendo uma mentira. – Insistiu-o.
– Uma mentira confortável então! Ou preferia que ela vivesse igual a doze anos atrás?
– Preferia que ela soubesse a verdade, igual você sabe.
– O destino fez com que ela não soubesse a verdade, de certo modo a culpa não é totalmente minha. Foi a família Haruno que nos separou, para que Sakura não soubesse a verdade.
– Espero que eu acredite em você Misa?
– Acreditar ou não, es a questão! – Disse ela, sarcástica.
– Tanto faz! Todavia, agora que sei disso, o que fará?
– Nada, mas darei lhe um conselho. – Falou a garota, se levantando. – Não é a hora de Sakura saber, ela só sofrerá ainda mais.
– Não preciso de conselhos seus.
– Tudo bem, só não fique bravo depois, pois eu te avisei. – Ela sorriu e foi embora.
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Sasuke
Duas semanas haviam se passado. Os médicos conseguiram salvar a vida da Sakura, impedindo o derrame e a perda do movimento das pernas e de seu braço, contudo ela ainda estava em coma.
Todos os dias eu ia vê-la. Eu nem ao menos ia mais ao colégio, passava mais tempo no hospital no que em minha própria casa.
Os pais dela vieram o mais rápido para o Japão, eu ainda me lembro da briga deles, na sala de espera, pelo que sei seu pai queria levar ela de volta para os Estados Unidos, mas sua mãe insistia em deixá-la no Japão para o seu próprio bem. No final, eles se hospedarem perto do hospital e deixará Sakura terminar o ano letivo no Japão.
– Sasuke, precisamos conversar. – Falou Kakashi, me impedindo de sair.
– Sobre?
– Sobre tudo, agora se sente.
– Está bem. – Sentei-me no sofá, encarando meu tio.
– Você está faltando demais a escola, não está comendo e nem dormindo direito. Eu e sua tia estamos preocupados.
– Não se preocupem, eu já estou bem grandinho e sei cuidar dos meus passos. – Confrontei meu tio.
– Se soubesse se cuidar, não estaria nesse estado. Sakura não iria gostar nada de te ver assim.
– Ela não está na situação de gostar ou não, como sabe e … — O toque do meu celular interrompeu a conversa. – Só um minuto que vou atender. – Peguei meu celular e na tela mostrava um número desconhecido.
– Alô?
– Sasuke?
– Sou eu, quem fala?
– Sakura... Sakura acordou.
– Sakura acordou??? ALÔ??
E então a garota do outro lado da linha desligou, me deixando aflito. Seria um trote ou realmente algo real?
– Tio... Parece que Sakura realmente acordou! – Disse, tentando raciocinar ainda.
– Ela acordou? Quem acabou de te ligar?
– Realmente não sei, mas... Creio que ninguém mentiria.
– Irei te levar até o hospital, espero que seja verdade.
Aquela voz... Eu a reconhecia de algum lugar, eu tenho certeza.
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Meu tio rapidamente então, pegou as chaves e então entramos no carro. O silencio persistiu por algum tempo dentro do veículo até que o toque do meu celular o quebrou.
Uma mensagem? Deveria ser mais uma daquelas mensagens de operadora. — Eu não deveria abrir para ler, mas o que custava?
Na tela indicava o mesmo número de antes, me deixando ainda mais aflito, então abri o celular:
“Você já se sentiu esquecido por alguém?
Você deveria esquecer antes que seja esquecido.
Pare e volte, seria melhor para todo mundo. “
– Mas que desgraça é essa?
– O que foi Sasuke? – Disse meu tio impaciente com o semáfaro.
– Nada tio, desculpe. – Falei, fechando o celular, porém segundos de novo uma nova mensagem chega.
“Você é insistente!
Mas como eu gosto de você, falarei outra coisa
Todos aqueles que sabem da verdade, devem ficar longe. “
Mas quem diabos era?
Todos aqueles que sabem da verdade, devem ficar longe...
Uma ameça vindo de uma garota? Só pode estar de brincadeira.
– Sasuke? – Meu tio tirou toda a minha concentração sobre aquelas mensagens – Chegamos.
– Espere aqui no carro, ou se quiser pode ir embora. Irei demorar.
– Não quer que eu entre com você?
– Dispenso, quero ir sozinho.
– Está bem, ligue-me depois que vê-la.
– Está bem, eu ligarei.
– Tchau, se cuide garoto.
– Digo o mesmo velhote.
E então sai do carro, e entrei no hospital indo até a recepção.
– Com licença, queria ver a paciente Haruno Sakura.
– Haruno Sakura? Só um momento, irei verificar aqui, poderia dizer-me seu nome?
– Sasuke, chamo-me Uchiha Sasuke.
– Obrigada. – Então a senhora demorou mais do que sempre demorava. – Senhor.
– O que foi? – Perguntei preocupado.
– Haruno Sakura foi transferida de hospital essa madrugada.
– Como assim? – Perguntei nervoso.
– Desculpe, eu fico somente na recepção, não sei lhe informar o porquê disso.
– Desculpe-me eu por ter levantado a voz. Poderia me dizer para que hospital ela foi levada?
– Sinto muito, mas aqui no sistema não consta nada. Talvez porque a família quisesse sigilo sobre isso.
– Só pode estar de brincadeira, puta que pariu! – Sussurrei nervoso. – De qualquer maneira obrigada, estou de saída.
– Sasuke, como você é ingênuo! – Aquela voz fina só poderia ser dela.
– O que está fazendo aqui? Sempre aparecendo do nada, por acaso está me seguindo Misa?
– Só encontrei você por coincidência. Recebi um telefonema que Sakura havia acordado, mas quando cheguei aqui, me disseram que transferiam ela de hospital.
– Também recebi uma ligação dizendo o mesmo. – Disse pensativo.
– As mensagens também? – Perguntou ela curiosa.
– Sim, as mensagens também.
– Pergunto-me o porquê disso. – E então olhei para Misa e me veio a imagem da Sakura, de alguma maneira olhar ela me fazia não esquecer o rosto da Haruno, por mais que eu não quisesse isso não poderia negar que a semelhança entre as duas era incrível.
– Se não fosse pela altura, a cor dos olhos e algumas características, você certamente se passaria pela Sakura sem problemas.
– Quando olha para mim, você pensa nela, mas quando olha para ela, não pensa em mim, certo? – Perguntou ela.
– Nunca parei para pensar nisso, mas acho que faz sentido o que disse.
– Se quiser eu posso ser a substituída dela enquanto ela está em seu sono profundo, e se caso ela morrer, posso assumir a identidade dela, o que acha? – Ela perguntou sarcástica.
– Isso seria o mesmo que viver uma mentira. – Falei sorrindo.
– Uma mentira confortável então!– E ela repetiu aquela mesma frase para a minha mesma fala, e então passou a mão fria em meu braço.
– O seu toque, é diferente do dela, não há sentimentos no seu. – Olhei para Misa retirando sua mão de cima de meu braço. – Não ache que depois de ouvir sua história trágica, eu tenha pena de você.
– Eu sofri muito mais que ela, e mesmo assim as pessoas só irão ter pena dela. Não acha isso injusto? -- Perguntou, rindo.
– Não tenho pena da Sakura também, mas se eu pudesse, eu tomaria as dores dela, mas não as suas.
– Pois as minhas dores são mais pesadas que as dela, e certamente você não as aguentaria. – Misa disse pela primeira vez com uma voz sem sarcasmo ou frieza. Aquela voz, de algum modo me atingiu.
– Não existe dor mais pesada que a outra, só existem pessoas mais fracas que as outras.
– De certo modo, você está certo. – Disse ela, se sentando. – Mas por que acha que Sakura é mais forte que eu?
– Eu nunca disse que ela era mais forte que você para começo de conversa. – Então sentei do lado dela.
– De algum modo, essas palavras me confortaram um pouco.
– Por favor, não age como se fosse a coitadinha também. – Disse, descontraído.
– Verdade, eu não sou. E sabe por que não sou? Porque eu sei a verdade.
– Não é por isso! Porque você deixou de ter certos sentimentos, achando que só por causa do seu passado, podia brincar com alguém.
– Você fez o mesmo, não foi? Depois do que aconteceu com a gente, começou a brincar com várias garotas também. – Disse ela, deixando-me com certa raiva – Sabe, eu nunca te amei, mas os momentos que passamos juntos fez com que eu quisesse te amar, mas isso não foi o suficiente, na época eu era imatura e queria só mais uma aventura. Eu nunca deveria ter tido um relacionamento tão sério com você.
– Se fosse em outro momento, talvez essas palavras tivessem me machucado, mas isso foi como uma picada de agulha, eu não senti complemente nada. Mas eu concordo com você, nunca deveríamos ter chegado tão longe, contudo a culpa é sua em ter deixado chegar nesse ponto.
– A culpa é sempre minha, de certo modo, sempre é minha.
– Misa, um dia eu vou te perdoar. – Olhei parar ela que estava olhando fixamente para o chão, mudando um pouco o sentido da conversa.
– Nunca disse que queria seu perdão, talvez eu quisesse era sua herança, mas como pode ver, eu não posso mais te controlar.
– Eu teria lhe dado toda minha herança se fosse mais paciente, mas agradeço por não ser. – Então me levantei. – Só pare de bancar a forte o tempo inteiro. – E então estendi a minha mão.
– Eu não banco ser forte, é só que depois de tudo, passei a desacreditar de certas coisas. – E então ela se levantou sem a minha ajuda.
– Só me diga uma coisa. – Recuei minha mão, a colocando no bolso.
– Pergunte.
– O que aconteceu enquanto mantiveram você e Sakura de cativeiro?
– Isso é uma pergunta delicada, Sasuke. – Ela me olhou torto e continuou – O que acha que caras do ramo da prostituição fazem? – E ela disse aquilo com uma voz trêmula.
– Não pode ser... – Não poderia ser aquilo que pensava.
– Fique tranquilo, não tocaram um dedo na Sakura, pois era ela nova demais, e garotas novas e puras valiam mais. – E então ela apertou a barra do vestido dela. – Mas enfim, vamos procurar Sakura, ela só pode estar no hospital da família dela.
– Está bem. – Eu simplesmente não toquei no assunto, mesmo Misa tendo feito tudo aquilo comigo, eu penso que talvez a vida tenha a deixado dessa maneira.
– Sasuke, deixa eu lhe dizer uma coisa. Nessa vida não existe um vilão e um herói, somente pessoas imperfeitas tentando viver com suas dificuldades.
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