A Fúria dos Mares [SwanQueen]
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Capítulo 5: Witchcraft filling your void
Bruxaria preenchendo seu vazio
Regina acordou lentamente, espreguiçando-se sobre a cama e demorando a abrir os olhos. Por um breve momento, esqueceu-se de onde estava e de tudo que havia acontecido durante o último mês.
Contudo, o balanço da embarcação em alto mar e o constante cheiro de maresia infiltrando-se em suas narinas era algo difícil de ser ignorado por muito tempo. Sentou-se na cama, dentro da cabine escura onde estava confinada desde o dia anterior. A vela do criado-mudo ao lado da cama já havia se apagado, mas a luz fraca que entrava pelas frestas do assoalho do teto lhe informava que já era dia outra vez.
Respirou fundo e tentou reunir a coragem necessária para enfrentar aquele novo dia. Seus olhos se encheram de lágrimas pelo que devia ser a centésima vez desde que havia sido trancada naquela cabine imunda. Sua situação era deplorável há muito tempo e era verdade que já havia passado por momentos piores nos porões daquele navio, dormindo no chão duro durante um mês inteiro. Sua fuga havia lhe custado caro: suas costas estavam constantemente doloridas, não fazia uma refeição decente desde que embarcara e o medo de ser descoberta estava tão incutido dentro de si que era muito provável que tivesse de lidar com aquela ansiedade pelo resto da vida.
Entretanto, nada disso a afetava tão profundamente quanto a certeza de que seria devolvida aos braços de sua família, de que seria vendida em casamento assim que pisasse em terra-firme novamente. Saber que seus esforços foram em vão e que lhe era impossível escapar do destino – escapar das mãos de Snow White, das mãos de Cora Mills, e até mesmo escapar de Emma Swan, pelo amor de Deus! – aquilo, de fato, tinha o poder de fazer suas lágrimas rolarem. Perguntou-se o que todos eles fariam se ela conseguisse, de algum modo, escapar pela porta, correr até a amurada do barco e jogar-se no mar em um dia de tempestade. O que Leopold faria para consolar a pobre Snow? Quem Cora manipularia? O que Emma faria para conseguir seu baú de ouro de volta?
Regina viu, com os olhos de sua mente, o sorriso sádico de Cora diante das lágrimas que rolavam por seu rosto e afastou aqueles pensamentos. Levantou-se da cama em um pulo, ajeitou o melhor que pôde as saias do vestido e foi até a porta do quarto. Estava obviamente trancada, mas isso não a impediu de girar furiosamente a maçaneta em uma tentativa inútil de se libertar.
No silêncio de sua cabine, Regina apenas ouvia seu estômago roncar. Não comia nada há pelo menos dois dias e já era difícil ignorar os sinais de fraqueza de seu corpo. Irritada consigo mesma, começou a chutar e bater na porta com toda força que possuía, gritando por atenção:
— Ei! Tem alguém aqui?! Onde está sua maldita Capitã? Foi assassinar mais algum inocente ou ainda está tentando decifrar as figuras do mapa de volta pra casa? Emma!
A porta se abriu de repente, fazendo com que Regina perdesse o equilíbrio e caísse no chão. Levou uma mão às costas, sentindo uma fisgada forte quando seu corpo colidiu com o assoalho.
A risada de Emma ecoou pelo aposento e Regina fez o melhor que pode para ignorar a dor em seu corpo e se erguer.
— Precisa de ajuda? – Emma perguntou em um tom debochado, movendo-se rapidamente e estendendo as mãos para levantar sua prisioneira.
— Não toque em mim – Regina resmungou, esquivando-se e pondo-se de pé novamente sem o auxílio ofertado.
— Ei! Eu venho correndo ao seu chamado, feito uma dama de companhia idiota e é assim que você me recebe?
— Por que não se joga no mar e descobre o quão bem os tubarões a recebem? – Regina retrucou.
— Acalme-se, Majestade. Tenho certeza de que esse não é o comportamento adequado para uma dama, muito menos para a futura rainha de nosso reino.
— Talvez eu pudesse me comportar como uma rainha se você e seu bando de piratas imundos não tivessem me abandonado a própria sorte-
— Do que está falando? – Emma interrompeu, o sorriso divertido jamais deixando seus lábios – Devo lembrá-la que a senhorita está hospedada no melhor lugar do navio? Está na cabine do capitão, enquanto eu sigo dormindo em uma rede junto com os outros-
— Estou trancafiada na cabine do capitão – foi a vez de Regina interromper, mas Emma não lhe deu ouvidos e prosseguiu:
— Mas se prefere que eu a mande de volta aos porões úmidos, sem cama nem cobertores para as noites frias... Não terei outra alternativa senão acatar seus pedidos, Majestade.
Regina lançou um olhar furioso em direção à capitã, sem saber como responder. Embora aquela não fosse a situação ideal, obviamente preferia dormir ali do que retornar ao porão. Mesmo assim, Emma fazia com que se sentisse uma tola e a fraqueza e a leve tontura que sentia faziam com que fosse mais difícil raciocinar.
Sem realmente pensar no que estava fazendo, Regina investiu contra Emma – na verdade, sua intenção foi correr até a porta aberta e fugir dali, mas a loira se colocou no caminho e, sem maiores problemas, impediu sua fuga.
Regina sentiu uma vertigem lhe acometer pelo esforço súbito e enquanto sua visão escurecia, sentiu Emma agarrando-lhe os braços e ouviu-a chamar por seu nome em um tom preocupado. Alguns segundos depois, Regina voltou a si, reunindo forças o suficiente para empurrar Emma para longe.
— Já disse para não me tocar – disse Regina, em sua voz baixa, entredentes.
— Preferia que eu a deixasse se espatifar no chão novamente?
— Preferia que parasse de falar, que me deixasse sair, que me deixasse comer – Regina viu Emma arregalar os olhos, como se finalmente compreendesse tudo – Ah, sim, Capitã! Não se lembrou de que também preciso de refeições? Ou talvez tenha achado que eu estivesse em greve de fome? Caso não tenham lhe ensinado isso na escola de piratas, saiba que seus prisioneiros precisam estar vivos para que valham alguma coisa na troca pelo resgate.
Sem dizer palavra, Emma deu meia-volta e foi até a porta ainda aberta. Praguejou baixinho ao encontrar o corredor vazio, sem viva alma a quem pudesse mandar buscar alguma comida. Tornou a olhar nos olhos desafiadores de Regina, agarrou-lhe uma das mãos e, conduzindo-a para fora da cabine, disse:
— Bem,majestade... Acaba de ganhar um passeio até a cozinha.
***
Quando Regina chegou às cozinhas, percebeu que, naquela manhã, havia dormido mais do que tivera intenção. Estava claro que já era perto do meio-dia: havia um garoto movendo-se de um lado para o outro, envolvido na preparação do almoço dos companheiros. Aquele lugar não parecia menos sujo ou menos úmido que o restante do navio, mas Regina já não tinha ilusões quanto ao que esperar de um bando de piratas.
Emma apertava sua mão e não a soltava – aparentemente ela esquecia-se de que estavam em alto mar e não havia absolutamente nenhum lugar para onde Regina pudesse fugir. Mesmo assim, Emma a levou, sem cerimônias nem delicadezas, até o local onde o garoto agora mexia freneticamente o conteúdo de uma panela.
— Baelfire, preciso que arrume algo para o desjejum da Senhorita Mills – ordenou a Capitã.
Senhorita Mills. Lá estava aquele nome de novo, dito ao acaso como se não tivesse importância alguma. Como se fosse perfeitamente normal que aquela mulher desconhecida, que aquela criminosa soubesse seu sobrenome. Aquilo incomodou Regina, como a havia incomodado na primeira vez em que a garota em sua carruagem beijara seus lábios e dissera seu nome em um tom debochado. Emma. Era a mesma garota, sem dúvida – a mesma assaltante que não levara nenhuma de suas jóias, que a deixara e desaparecera por anos.
— Desjejum? — questionou o rapaz, meio surpreso e meio assustado – Desculpe, senhora, mas já é quase hora do almoço dos homens e sabe como eles ficam quando chegam à mesa e não encontram nada pronto nas panelas...
Emma continuou olhando-o, impassível. A frieza em seus olhos era algo que Regina ainda não havia presenciado e, por um momento, pôde entender a razão pela qual o garoto quase tremia ao falar com sua capitã.
— A Senhorita Mills esperará por seu café da manhã no refeitório – concluiu Emma, como se nem mesmo tomasse conhecimento dos argumentos do rapaz.
— Sim, senhora – ele baixou os olhos e rapidamente envolveu-se na tarefa de preparar a refeição de Regina.
***
— Como sabe meu sobrenome? – Antes que percebesse, as palavras já haviam sído de sua boca e Regina observava Emma remexer-se desconfortavelmente em sua cadeira, do outro lado da mesa em que estavam acomodadas no refeitório.
— O quê?
— Meu sobrenome. Já não é a primeira vez que se refere a mim como “Senhorita Mills”, mas não me lembro de ter lhe dito que esse era meu sobrenome.
— Do que está falando? Claro que me disse – respondeu, claramente na defensiva.
— Não, não disse – Regina insistiu – Você me reconheceu dos cartazes, disse a todos que eu me chamava Regina. Jamais lhe contei que o nome de minha família era Mills.
Emma a encarou por alguns segundos, estudando-a. Depois, aquele mesmo sorriso debochado lentamente começou a tomar conta de suas feições:
— Todos a conhecem, Majestade. É provável que não haja um único desgraçado nesse reino que não saiba o nome da futura rainha de Leopold White, a noiva raptada daquele velho estúpido... Com o perdão da palavra, é claro, majestade. Não foi minha intenção ofender seu bom marido.
— Não tenho marido – Regina quase rosnou.
— É verdade – Emma concorda, recostando-se na cadeira, aparentemente feliz pela mudança de assunto – E qual o motivo de fugir de seu casamento com o rei?
A simples pergunta deixa a outra furiosa, fuzilando-a com o olhar. Então, Emma apressa-se em se justificar:
— Ei, não me olhe assim. Sabe a vida que teria caso se casasse com o velho? Uma vida de rainha. Literalmente. Teria toda a riqueza do mundo. Seus filhos, seus netos, seus bisnetos, todos seriam infinitamente ricos, pertenceriam a família real e-
— E eu estaria presa para sempre – Regina interrompeu – Presa em um casamento muitíssimo conveniente para minha mãe, em uma vida que não escolhi. Jamais poderia ser feliz dentro daquela fortaleza, com Snow White me seguindo em todos os passos, com aquele homem me tocando e...
Regina calou-se abruptamente, percebendo que já falara muito mais do que deveria. Emma a observava com olhos indecifráveis. Era quase como se a capitã se sentisse culpada pelo que havia feito, embora Regina tivesse certeza de que suas palavras não poderiam demover sua captora de buscar a recompensa junto ao rei. Sua consciência não parecia assim tão íntegra. Por isso, não pensou duas vezes antes de completar, com um suspiro de pesar:
— Mas nada disso realmente importa, não é mesmo? Estamos viajando a todo o pano rumo a minha casa.
Emma desviou os olhos culpados, como se realmente sentisse algo por fazer tanto mal em troca de um baú de ouro.
O garoto das cozinhas – um rapaz franzino que não deveria ter mais do que quinze ou dezesseis anos e que agora Regina sabia se chamar Baelfire – trouxe uma bandeja com o café da manhã tardio e colocou-a a sua frente com cuidado. Certamente não era o banquete com o qual estava acostumada a ter em sua casa, mas era muito melhor do que as refeições que vinha fazendo durante sua estadia naquele navio: havia pão novo, ovos, leite e algumas panquecas fumegando. Seu estômago se manifestou imediatamente e Regina sentiu as bochechas queimarem de embaraço sob o olhar de Emma: sabia que se olhasse para o rosto dela veria novamente aquele sorriso debochado com o qual já estava se familiarizando.
— Precisa de mais alguma coisa, senhora? — perguntou Baelfire.
— Não. Isso era tudo, meu bom imbecil – respondeu ela, dando-lhe tapinhas nas costas – Com a demora que levou para trazer um simples desjejum, terei oitenta anos quando terminar de cumprir outra ordem minha. Vá, vá logo! E não se esqueça de que também precisa preparar o almoço da Senhorita Mills. Pode deixar a bandeja no quarto dela, dentro de algumas horas.
— Por que o trata tão mal? — Regina perguntou, assim que o garoto voltou para seu trabalho na cozinha.
— O pai dele me deve – Emma deu de ombros.
— Que tipo de dívida?
— Tentou me matar.
— Tenho certeza que ele não foi o único – Regina rebateu.
— Não, não foi. Mas provavelmente foi o único que me traiu, me entregou aos chefes do exército pelo qual lutei por anos e assistiu enquanto eu era levada para a execução... O idiota ainda tentou se desculpar. Covarde – Emma cuspiu a última palavra, seus olhos brilhando com o ressentimento e a perspectiva de vingança.
Sim, Emma queria se vingar dos pecados do pai, machucando o filho. Naquele momento, Regina compreendeu sua raptora em um nível que provavelmente ninguém mais o faria. Lembrou-se de Snow White, a princesa que tanto precisa de uma mãe, que havia escolhido Regina e por quem seu pai, o rei, resolvera desposá-la. Lembrou-se da violência com a qual desejou a morte da menina e como odiou a si mesma por tudo aquilo.
Embora tivesse certeza de que Baelfire não havia feito nada além de ser o filho de seu pai, associou-o à Snow White quase instantaneamente e tentou não odiá-lo como odiava a menina (porque ainda estava fresca em sua memória a imagem de Daniel em seus braços, a vida dele a se esvair bem na frente de seus olhos e não, não, por favor, Daniel, não!). Esforçou-se por afastar as memórias dolorosas e se ater ao que Emma lhe contava.
— Exército? Lutou no exército?
E lá estava novamente aquele sorriso travesso no rosto de Emma, todo o peso anterior da conversa desaparecendo enquanto ela mais uma vez recostava-se distraidamente no espaldar da cadeira e olhava com ar debochado bem nos olhos de Regina.
— Mas é claro, Majestade! Lutei pela coroa de nosso grandioso Rei Maurice... Embora tenha sido forçada a desertar devido as circunstâncias pouco amigáveis nas quais me encontrava após o pai de Baelfire, meu amigo, me trair e respaldar minha execução.
Regina arregalou os olhos. Certamente já desconfiava que a capitã daquela embarcação era a mesma Emma que certo dia, anos atrás, atacou sua carruagem no caminho de casa. Contudo, a informação de que ela já estivera no exército e a naturalidade com a qual admitia tudo aquilo ainda chocavam Regina. Aquela pirata estúpida não se lembrava do que acontecera quando assaltou sua carruagem? Não se lembrava de Regina desfazendo seu disfarce e a beijando?
— Mas tenho certeza que a senhorita sabe muito bem que sou uma desertora do exército – Emma continuou – Ainda se lembra de quando me encontrou pela primeira vez? Lembra-se de quando me beijou? Ah, sim, estava só um pouco preocupada com sua preciosa carruagem e suas preciosas jóias e com a faca na sua garganta...
— Como se atreve?! – Regina quase gritou, levantando-se abruptamente da cadeira e quase derrubando o que sobrara da comida sobre a mesa. Começou a andar rapidamente até a porta, querendo estar o mais longe possível da mulher que a provocava com seus sorrisos debochados e suas insinuações descaradas.
Contudo, Emma também levantou-se de súbito e, antes que Regina pudesse chegar até a saída, agarrou-lhe o braço bruscamente e a puxou de volta:
— Oh, não, não fuja, Senhorita Mills! Tenho certeza de que temos muito o que conversar. Foram boas memórias aquelas, não foram? Me diga: continua a beijar criminosos? Ou desenvolveu um gosto especial por beijar suas damas de companhia? Aposto que isso deve ter despedaçado os corações dos rapazes que se interessavam pela senhorita.
Entretanto, as risadas e zombarias de Emma foram diminuindo até desaparecerem por completo quando percebeu uma lágrima solitária escorrendo pelo rosto de sua prisioneira. Encarou-a por alguns segundos com seu olhar culpado, depois soltou seu braço e Regina fugiu correndo, de volta para sua cabine.
***
O quarto estava envolto em penumbra, a única luz presente eram os fachos de sol que entravam pelas frestas da madeira no teto. O balanço do barco a deixava meio enjoada agora que seu estômago estava cheio e Regina agarrou-se com mais força ao travesseiro, sobre a cama.
Aquilo era culpa sua. Conversara com Emma, fizera dela uma pessoa e não apenas a mulher que a havia capturado. Duas vezes! Uma vez sequestrara sua carruagem, a beijara e a deixara desejando que aquela criminosa fosse sua Emma – sua melhor amiga, morta quando ainda era criança.
Emma está morta. Esqueça isso, Regina. Estão todos mortos
Emma.
Daniel.
Todos levados pelo destino. E agora o destino também levava Regina de volta para os braços de Leopold e Snow White. Havia sido sequestrada por Emma pela segunda vez e seria trocada por um pote de ouro, assim como sua mãe trocara a filha por um título de nobreza e um lugar na família real.
Não. Regina estava decidida a não se casar com Leopold quando fugira de casa e agora, mesmo sob o domínio daqueles piratas, continuaria decidida a lutar contra seu destino.
Levantou-se abruptamente da cama e começou a andar de um lado para o outro da cabine como um animal enjaulado – e não era exatamente isso o que ela era?
Não, não era. Era Regina Mills, filha de Henry e Cora Mills e uma pessoa como qualquer outra. Merecia ser alguém. Pensou em sua casa e nos horrores que lá vivera, nos castigos da mãe – a mãe que sabia muito bem quem era e que fazia todos os outros dobrarem-se a sua vontade. Regina não era filha de Cora? Por um acaso não poderia ter herdado aquela força desconcertante?
Pensou no medo que sentia da mãe, mas principalmente no medo que via nos olhos dos empregados, dos vizinhos e, por vezes, até do próprio pai. Lembrou-se dos sussurros dos empregados e das lendas – afirmações impossíveis de que aquela mulher só poderia ser uma bruxa.
Regina sentiu um calafrio percorrer seu corpo – o mesmo que sempre sentia quando corria os dedos nas lombadas dos livros na biblioteca da mãe. Eram livros de bruxaria? Era certo que por mais de uma vez sentira o ar lhe fugir dos pulmões sem que a mãe nem mesmo a tocasse. Olhava aqueles olhos sádicos apertarem-se enquanto Regina era asfixiada como que por mágica.
Mágica. Seria possível?
Sem acreditar muito, mas sentindo um calor queimar-lhe por dentro, Regina tomou o castiçal com as duas mãos. Concentrou seu olhar e sua respiração. Imaginou as velas se acendendo, o fogo crepitando, a cera escorrendo sobre seus dedos.
Nada.
Respirou fundo. Fechou os olhos e apertou o castiçal com mais força. Quase sentiu o calor das chamas, mas quando abriu os olhos as velas ainda estavam apagadas e o quarto permanecia na mesma semi-escuridão.
Com uma raiva súbita pela nova falha e a decepção pesando-lhe no peito, Regina atirou o castiçal com força contra a parede úmida do quarto. Deitou-se na cama novamente e, tomada pela exaustão de todas aquelas emoções, adormeceu após alguns minutos.
Jogada no chão do quarto, uma das velas do castiçal se acendeu de repente e o fogo começou a queimar de mansinho.
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