A Fúria da Tempestade- Sonhos de Verão (Livro I)
13 Sangue do meu sangue
Notas iniciais

Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado
Winterfell-Norte de Westeros
Robb observou a esposa levar a taça aos lábios enquanto dissolvia o liquido amarelado em sua boca.
— Porque água com mel? — perguntou curioso vendo-a depositar a taça vazia a pequena mesa e suspirar fechando os olhos.
— Meistre disse que me ajudara com as náuseas e as vertigens — contou Nicéia desfazendo o laço de seda que prendia seus cabelos negros.
O herdeiro do norte assistiu os cachos da esposa caírem feito molas sobre o linho branco, emoldurando seu rosto abatido. A semanas que a jovem sofria com a falta de apetite, assim como náuseas e vertigens durante o dia. O vomito tornou-se frequente pelas manhãs, Meistre estava preocupado mas nem tanto quanto Robb. O rosto antes corado feito as pétalas de uma flor, hoje tomavam para si um tom pálido, os olhos fundos e os lábios esbranquiçados, Nicéia mal se alimentava e isso vinha preocupando ate mesmo Bran, que assistia a cunhada remexer a comida por longos minutos ate deslizar a carne de seu prato para entre os dentes de Vento Cinzento. Algo que deixava Robb ainda mais curioso, o fato do lobo gigante não deixar sua esposa um único segundo durante o dia, desde o momento em que deixava a cama ao momento em que se deitava nela, havia se tornado impossível prende-lo junto aos outros no canil de Winterfell, o mesmo fugia ou importunava a todos com seu uivo absurdamente alto. A única solução que vira foi deixa-lo dormir aos pés de seu cama, sobre a macia pele de urso.
— Boa noite, Vento Cinzento — ouviu-a murmurar afagando os pelos escuros do lobo.
Espichou o pescoço vendo seu lobo quase ronronar feito um gato enquanto apreciava o carinho. Quando finalmente Nicéia se afastou ele pousou sua grande cabeça sobre a cama encarado-a com seus olhos dourados cheios de um pedido mudo por mais.
— Ele esta mal acostumado — resmungou recebendo um olhar do próprio.
— Deixe-o, Robb — sorriu assoprando a vela, deixando os aposentos caírem em penumbra.
Robb sentiu quando ela moveu as peles e se deitou ao seu lado, buscando seu corpo para se aconchegar. Não negou o sorriso que se formou em seu lábios, quando os braços finos de Nicéia contornaram seu corpo e sua cabeça pouso sobre o peito despido.
— Acha que possa ser algo grave? — perguntou com sua voz baixa sem encara-lo.
— Não é — afirmou apertando a esposa contra si. —, mesmo que fosse. Meistre estaria mais preocupado.
— Por vezes acho injusto ele ter de se desdobrar — comentou com a voz baixa. — Bran precisa mais dele do que eu.
— Bran esta bem, apenas terá sequelas pro resto de sua vida — retrucou franzido as sobrancelhas. —, Meistre deve por toda sua atenção em você neste momento. Ate sabermos o que se passa, se for preciso enviarei um corvo a Porto Real...
— Não, Robb. Não — pediu erguendo a cabeça e mesmo no escuro conseguia ver o brilho furioso nos olhos de Robb. —, meu pai mandara mil Meistre para Winterfell, se não vier ele mesmo trazendo Grande Meistre pelas correntes. Vou melhorar, não deve ser nada, você me disse isso.
— Que os Deuses queiram que nada seja, meu amor — sussurrou Robb.
Seus dedos calejados acariciaram os longos e cheirosos cabelos da esposa, apos sentir que sua cabeça mais uma vez pousa sobre seu peito. Sentia suas unhas sobre a carne de suas costelas em uma caricia que lhe arrepiava, ao ponto em que a respiração leve não passou de um ressonar calmo. Mas Robb não conseguiria dormir tão rápido assim, a preocupação com sua esposa lhe atormentava os pensamentos.
Durante o dia, ainda conseguia desviar-se, ocupava a mente com os assuntos pendentes de Winterfell e de todo o Norte. Tinha conversas com outros senhores e cuidava de seu próprio lar, contudo quando a noite caia tudo retornava ao seu lugar. A angustia de ter Nicéia a beira da fragilidade embriagava seus sentidos, permitindo que seus pensamentos lhe inventassem sensações e imagens. Por isso apertou-a com mais força cheirando seus cabelos e acariciando sua pele, ate que enfim, fosse para o mundo dos sonhos junto dela.
Acordou em um sobressalto quando gemidos agoniados alcançaram-lhe os ouvidos. A primeira coisa que sentiu foi a falta do calor sobre si, arrastou os dedos sobre a cama e não a encontrou, mas a chama tremula próxima a porta desenhava a silhueta de Nicéia. Robb se ergueu em um pulo da cama sentindo os osso doerem pelo movimento tão rápido.
— Nicéia — chamou quando mais um gemido lhe atingiu.
Vento Cinzento que acompanhava os passos da mulher ergueu as orelhas e cheirou o ar, voltando a segui-la pelo quarto. A lareira crepitava e aquecia o comodo.
— Robb, esta doendo — resmungou curvando-se sobre o próprio corpo.
Robb não esperou por mais palavras, avançou ate o corpo da esposa. Acendeu as velas e iluminou todo o quarto, vendo os verdes que tanto amava afogarem-se em lagrimas.
— Acalme-se meu amor — pediu beijando-lhe a testa suada. — irei chamar Meistre.
— Robb — gemeu apertando seus dedos e logo em seguida os soltando — vou ficar bem, ja esta passando. Não me deixe sozinha.
Mesmo não estando convencido o suficiente fez o que havia sido lhe pedido. Apanhou a jovem esposa em seu colo locomovendo-se em direção a cama que dividiam, Vento Cinzento seguido-o emitindo ruídos entristecidos por entre seus dentes.
— Precisa me dizer o que sente — pediu angustiado unindo as sobrancelhas. — conte-me onde dói.
Nicéia focalizou os olhos azuis preocupados do marido, enquanto guiava a própria mão em direção a barriga parando-a sobre o umbigo e contornando-o com o dedo indicador.
— Parece que Septã esta me cutucando com sua agulha — zombou com um fraco sorriso em seus lábios pálidos. —, mas ja esta passando.
— Tem certeza de que não quer que chame Meistre?
— Sim, é apenas um desconforto, ja esta passando.
Robb assentiu não muito convencido, mas aceitando. Se Nicéia dizia não ser nada de mais, não a incomodaria com isso pelo resto da noite. Com o rosto serio deitou-se ao lado da esposa, cobrindo-a com as peles enquanto sentia-a se aproximar de seu corpo deitando a cabeça em seu ombro. Vento Cinzento resmungou ao pés da cama, encarando-o com seus enormes olhos dourados como ouro derretido, as patas dianteiras sobre o colchão e o focinho tocando as peles de urso.
— Suba — consentiu Robb.
O lobo não precisou de um segundo convite, pois pulou sobre a cama aconchegando-se ao lado do corpo de Nicéia, observando-a atentamente antes de pousar a cabeça sobre a barriga em um gesto protetor, como se soubesse que era exatamente ali que a dor a agoniava. O calor do corpo do Lobo aqueceu aquele ponto em especificou fazendo-a suspirar em alivio.
— Acho que ele gosta mais de mim — disse Nicéia perturbando o marido.
— Eu tenho certeza — retrucou Robb beijando-a nos lábios vendo-a voltar a fechar os olhos. —, mas não o condeno por isso. Quem não amaria algo tão maravilhoso.
O corpo da mulher tremulou pelo riso fazendo o Lobo abrir os olhos e encara-los rapidamente antes de voltar a fecha-los.
Robb não dormiria aquela noite, sentia isso em seus ossos. A chama das velas tremulavam banhando o quarto com sua luz quente e avermelhada. Desviou seus olhos para a lareira acesa observando o fogo crepitar sentindo as ondas de calor fervente se espalharem. Fechou os olhos sem sono escutando a respiração suave de Nicéia e Vento Cinzento, tentou se concentrar nelas em uma tentativa falha de voltar a dormir.
[...]
Meistre encarava Nicéia com um sorriso em seus lábios enrugados. A felicidade parecia ter desenhado-se em sua face, Bran que permanecia deitado em sua cama encarava toda aquela situação com a mesma estranheza que Nicéia.
— Meistre Luwin? — chamou o menino sentindo Verão remexer-se ao seu lado.
— Tenho ótimas noticias minha senhora — disse o velho senhor encarando-os com felicidade.
— Então não é nada grave? — perguntou Nicéia para ter certeza.
— Ora, claro que não — o sorriso ainda beijava seus lábios. —, mas ainda sim precisa de cuidados. Muitos deles.
— Não entendo — murmurou sem desgrudar seus olhos do Meistre.
— Esta esperando um bebe, minha senhora — afirmou Luwin. —, parece meio cedo, mas quem pode adivinhar as vontades dos Deuses.
— Não, eu não estou gravida — indagou esbugalhando os olhos. — Não posso estar.
— Mas esta, Senhora — insistiu o Meistre apanhando as mãos da mulher entre as suas. — Ja vinha desconfiando a alguns dias.
Bran arregalou os olhos quando a porta fora aberta em um rompante e por ela Robb apareceu junto a vento cinzento e a velha ama, que carregava em seu rosto um sorriso alegre, algo que Bran nunca tinha visto antes.
— Minha Senhora, que grande alegria — disse a Ama arrastando os pés ate agarrar-lhes as mãos. — uma jovem fértil que trara muitos filhos ao Norte. Muita alegria, muita alegria. Bem que percebi, quadris largos que trarão muitos filhos ao Norte.
— Robb — os lábios de Nicéia sopraram.
Sua pele se arrepiou apenas com seu olhar, que lhe queimava a garganta. Nicéia não sabia exatamente o que esperar, tinha uma sensação boa em seu intimo, mesmo que a noticia ainda lhe causa-se certa estranheza. Ter uma vida, uma pequena e frágil vida dentro de si a deixava desnorteada. Pensou naquele instante no que sua mãe teria sentido ao receber a mesma noticia, teria ela ficado tão espantada? E mesmo que soubesse desde o principio que um dia teria um filho de Winterfell em seu ventre, não pensou que seria tão cedo. Lembrou-se de todas as noites ao lado de Robb, antes e depois do matrimonio, dos sussurros e dos beijos, da suplicas e das promessas. Recordou-se também dos pequenos frascos de Chá da Lua, dados a ela por sua mãe antes de partirem para o Norte. Os olhos verdes tão iguais ao seu carregando um pedido mudo, de alguma forma Cersei sabia que ela os usaria. E de fato ela havia os usado mas não com Robb. Desde de sua partida que afastava as lembranças da noites envolta de seus braços.
Mas uma coisa Nicéia poderia afirmar: aquele bebe era de Robb.
Nicéia então fora arrancada de seus pensamentos quando teve seu corpo abraçado pelo marido, sentiu o cheiro almiscado de suas roupas e o calor de seu corpo.
— Robb, eu...
— Esta tudo bem — sussurrou ele apertando-a com mais força. — eu te amo tanto.
Nicéia não respondeu, apenas o abraçou de volta, ofegando em seus braços e sentindo aquele mesma sensação de quando ele repetia tais palavras.
— Falarei com as cozinheiras — disse Meistre Luwin. — Pedirei para que preparem caldos e pães. Ficara um pouco enjoada durante o inicio, mas logo vai passar.
A princesa se afastou brevemente do marido encarando o velho Meistre.
— Sim, claro. Deve alimentar-se muito bem — resmungou a velha ama, sentando-se ao lado da cama de Bran. — um nortenho deve nascer forte. Peça para que alguma aia coloque mais lenha e traga mais peles, uma mulher gravida deve se manter aquecida, nada de pés gelados.
— Minha senhora, deve estar mais sensíveis aos cheiros temo que por alguns dias ficara ausente na cozinha — argumentou Luwin. —, devo designar alguém para que fique em seu lugar?
— Peça para Eve, minha dama de companhia — disse Nicéia, mantendo-se abraçada a Robb. —, ela vai adorar ajudar.
Mesmo que seus olhos ainda estivessem assustados pela noticia levou a ponta dos dedos ate o ventre e sentiu que em seu coração algo se remexia. Algo que ela jamais sentira antes, algo que nem mesmo as juras de amor de Jon poderiam causar. Apertou o tecido grosso, afundando os dedos em seu ventre percebendo que ali crescia alguém que ela amaria mais que a si própria. Seu filho, seu filho e de Robb. Sentiu uma felicidade absurda banhar seu coração e não reprimiu o sorriso que se formou em sua face ainda assustada. Naquele pequeno instante a única coisa com a qual se importava eram nos dedos de Robb cobrindo os seus, em um toque quente e aconchegante, algo que demonstrava o quão feliz ele estava.
Partilharam um sorriso e uma declaração muda. Os olhos azuis do herdeiro brilhavam como estrelas enquanto os de Nicéia afogavam-se em lagrimas quentes.
Um filho do norte crescia em seu ventre e ela não poderia estar mais feliz.
[...]
A neve caia ligeira e Nicéia conseguia sentir os pequenos flocos de neve derreterem em seu rosto quando tocados. Seus longos cabelos negros se pintavam com milhares de flocos deixando-na encantadora.
— Minha senhora, esta muito frio esta tarde não deseja entrar e se aquecer? — perguntou Eve encolhendo-se e escondendo as mãos claras na capa de pele.
— Sente falta do calor de Porto Real, não é mesmo? — perguntou Nicéia virando-se para a Aia.
— Admito que sim, minha senhora. O Norte é belo, mas muito rigoroso com garotas sulistas — resmungou fazendo bico. — Pensei que iria congelar esta madrugada.
— Logo estará tão habituada ao frio do Norte que nem mesmo ira senti-lo.
— Disse a Princesa que tem alguém para aquece-la durante anoite — resmungou Eve.
Mesmo tendo sido atrevida, Nicéia não deixou de rir apos tal comentário inoportuno. Mesmo que ainda acreditasse que o Greyjoy se aninhava entre os lençóis de Eve durante a noite.
— Devo pedir para que Robb lhe apresente algum Lorde viúvo ou um de seus filhos? — zombou inclinando-se com um sorriso no canto dos lábios.
— Desde que seu castelo fique alem das terras fluviais — brincou encolhendo os ombros.
— Ora Eve, esta pensando em me deixar sozinha por aqui? — disse Nicéia. — estou pensando que esta mesmo desejando se casar.
A aia sorriu tímida e balançou o corpo.
— Minha Princesa que deseja me arranjar um marido — brincou avermelhando. — sei que deve estar muito feliz, nunca vi seus olhos brilharem tanto. Mas se me permite, as vezes me pego pensando no porque de Lady Catelyn ter ido visitar a irmã com o pequeno Bran ainda no leito.
— Tambem gostaria de saber — murmurou Nicéia. — Perguntei a Robb, mas ele sempre me da a mesma resposta. Diz que a mãe foi ajudar Lady Arryn a superar o luto, me parece que o jovem Robert é enfermo, possui a saúde muito frágil.
— Algo aconteceu, isso lhe garanto — Eve parecia concentrada e suspirou antes de continuar. — Lady Catelyn não me parece o tipo de mulher que deixa o filho sozinho e doente. Ainda mais Bran, que ela gostava de enfatizar ser seu menino especial.
— Acha que ela pode ter descoberto sobre o atentado que sofremos? Se fosse isso Robb teria me dito, não teria?!
— Devemos acreditar que sim, princesa.
Nicéia encarou a Aia e franziu o cenho. Talvez Eve estivesse certa, a viajem repentina de Lady Catelyn era deveras estranha, tal pensamento a fez recordar das palavras estranhas de Sor Rodrick Cassel, que enfatizava a lamina que ela carregava com tanta frequência. A pequena e leva adaga que escondia nas dobras de seu vestido, forjada em aço valiriano, gemas brancas e vidro de dragão.
— Eve, posso confiar em você? — perguntou Nicéia apressada olhando sobre os ombros duas vezes antes de encarar a mulher a sua frente, com seus grandes olhos verdes.
— Claro, minha Princesa — afirmou com sinceridade.
— Eve, Lady Catelyn acredita que talvez Bran não tenha caído, que alguém tenha o empurrado, sei que sim vi isso em seus olhos antes de partir — Eve pareceu confusa por alguns instante. — digo, a mesma pessoa que empurrou Bran da torre enquanto ele escalava, pode ter enviado aquele homem para terminar o serviço. Uma garantia de que Bran morra.
— Para alguém querê-lo morto, o menino deve ter visto ou feito algo — afirmou a Aia mordendo o lábio. — Quem mataria um doce menino? Cão de caça!
— Sandor Clanege teria feito isso com as próprias mãos. Acredite Eve, se Cão de Caça tivesse algo haver com isso, Bran não estaria vivo.
— Princesa, só haviam homens da coroa aqui em Winterfell.
— Então ela não esta no Vale Arryn — disse Nicéia convicta. — esta em Porto Real.
— Pelos Deuses, se Lady Catelyn fizer algo em Porto Real dependendo de quem ela desconfia...
— Será decapitada por Traição a Coroa — concluiu arregalando os olhos. — Eve, Lady Catelyn jamais desconfiaria de qualquer Baratheon. Meu pai nunca faria nada com uma criança, ainda mais sendo um filho de Lorde Eddard.
— Os Lannister — sussurrou pondo os dedos sobre os lábios. — Lorde Eddard nunca gostou da família da rainha. Assim como quase toda Westeros.
— Não, Eve. Só haviam vassalos que servem a coroa de meu pai e nenhum deles faria algo sem uma ordem direta.
— Lady Catelyn deve ter pensado o mesmo, se não foi um vassalo foi um deles — afirmou olhando sobre seus ombros. — só haviam três Lannister aqui. Rainha Cersei, Sor Jaime e Lorde Tyrion. Ela não poderia confrontar sua mãe, a Rainha possui muito poder e influencia e Lady Stark não é burra.
— Tio Jaime é da Guarda Real, fez um juramento —afirmou a princesa. — Sabe que qualquer erro não sera tolerado por meu pai e certamente que Tio Jaime preferiria a morte a servir a Patrulha da Noite.
— Sobra Lorde Tyrion, ela pode acreditar que ele tenha feito de proposito no intuito de se vingar.
— Mais de que? Bran não faria mal a ninguem.
— Como disse Princesa, ele deve ter visto algo que não deveria — deduziu.
— Não á nada que Tio Tyrion queira esconder, todos sabem sobre seu gosto por Putas e o ódio pelo meu avô, alem disso ele não tem nada a esconder.
— Ate onde sabemos.
— A morte de Bran não serviria de nada — Nicéia não conseguia acreditar no que Eve a expunha. — Conheço minha família e acredite nenhum deles move uma única palha se não for em beneficio próprio. E se ela estiver convicta de que seja tio Tyrion que o jogara da torre depois enviara um homem ao seu quarto para mata-lo, meu avô o entregara em uma bandeja de prata. Talvez tio Jaime se revolte e tente algo, mas nenhum deles vai exitar em mandar Tyrion para a morte. Meu avô e minha mãe o odeiam.
Eve a encarou sem saber o que dizer, o desespero tomavam seus olhos verdes assim como a magoa. A mais de seis quinzenas que Lady Catelyn tinha deixado Winterfell, antes mesmo de ver o filho firmando matrimonio.
— Deve falar com seu marido, pergunte a ele o que esta havendo. Seja a Princesa Baratheon que sempre foi — disse Eve apanhando as mãos de sua senhora com ternura. — A princesa que conheci em Rochedo Casterly nunca engoliria uma afronta e colocaria uma fortaleza abaixo se fosse de seu desejo. Mostre a Lorde Stark do que seu coração é feito, mostre a ele do que é capaz o sangue Lannister e Baratheon.
— Lorde Varys sempre me disse que possuo a Fúria em meus olhos verdes de Leão.
— Então a mostre.
Mesmo com o peito ferido, deixou que seus olhos cintilassem em cólera. O tom de verde característico dos Leões do Rochedo fora acendido pelo frascos raios de sol, que fizera Eve lembrar-se da chuva de relâmpagos em Ponta Tempestade.
— Vamos entrar, Eve. Esta esfriando — murmurou caminhando ate a porta de madeira, deixando-a para trás.
Nicéia odiava ser lesada e passada para trás. Odiava mentiras e que compactuassem por suas costas e menos ainda que zombassem de sua família. Lembrou-se de como sua mãe gostava de dizer que ela era tão parecido com seu Tio Jaime na infância, assim como Renly, afirmava seu pai. Contudo bastava que a ira lhe atingisse para que seus olhos se tornassem tão duros quanto os de Stannys e sua raiva a transformar em uma cria raivosa. E infelizmente Robb teria de encara-la daquela forma.
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