A Fúria da Tempestade- Sonhos de Verão (Livro I)
20 O Rei do Norte
Notas iniciais

A Ilha dos Ursos não reconhece nenhum rei além do rei do norte, cujo nome é Stark
— Lyanna Mormont
— Robb! — o sussurro angustiado deixou seus lábios.
— Minha senhora, acredito que deva ir ao seu encontro — Lorde Krastark lhe disse solene, os olhos claros baixos em um claro sinal de respeito. — Apenas o calor do coração de uma mulher e suas palavras doces podem afastar a dor do coração de homem.
— Deuses! Cat deve de estar arrasada...
— Senhora Stark se recolheu em luto por alguns momentos, se permitindo chorar — Grande Jon Umber tomou a palavra. — Deve ir minha Senhora.
A senhora do norte assentiu atordoada, engolindo as lagrimas que naquele momento não permitiria rolar por seu rosto. Deixou os senhores vassalos para trás e partiu em busca do marido. Nicéia conhecia a dor que assolava o coração de seu amado, a sentira a poucos meses e por isso perdera sua criança ainda no ventre. Ainda lhe doía o coração pensar neles. Agarrou as o vestido erguendo-o o bastante para que caminhasse mais rápido. Ao cruzar o campo fora recebida pelos soldados e cavaleiros, que lhe dobraram o joelho em respeito, no entanto não por ser sua princesa, mas sim sua senhora. Avistou a tenda que dividiam e ao se aproximar conseguiu escuta-lo aos soluços. Seu coração apertou-se quando os dedos afastaram o pedaço pesado de couro escuro. Robb estava curvado sobre os joelhos, sentado a cama que dividiam e escondia o rosto entre as mãos, a espada caída aos seus pés.
— Meu amor — sussurrou correndo ao seu encontro. — Eu lamento tanto, meu amor. Pelos deuses olhe para mim.
De joelhos a frente do marido, Nicéia secou o rosto com as mãos tremulas, erguendo o queixo do marido ate que seus olhos se encontrassem. Os azuis se esconderam pelo vermelho por culpa do choro, a esposa lhe afagou a barba e beijou os lábios com doçura.
— Meu senhor, diga-me o que posso fazer para diminuir sua dor ate que passe — pediu angustiada, abraçando-o pelo pescoço. Afundou os dedos em seus cabelos cacheados e o deixou chorar. — Meu amor, não posso ve-lo desta forma.
— Vou mata-los — sussurrou em meio ao choro. — Matarei todos. Todos eles.
— Sim, os matara meu amor — disse afastando-se para encarar-lhe os olhos. — terá a cabeça de Joffrey, lhe prometo, nem que tenha de ser eu a arranca-la.
Robb lhe encarou com seus olhos repleto de tristeza e Nicéia não sabia mais o que dizer, mas prometera aquelas palavras para si mesma. Mataria Joffrey por Robb, se assim ele desejasse. Mataria toda Westeros de isso fizesse a dor ir embora. Com carinho, Nicéia beijou os lábios do marido, depositando toda ternura e amor que enchiam seu peito, era lento e muito triste. A senhora podia sentir o gosto das lagrimas salgadas do marido, que lhe serviu apenas para beija-lo com ainda mais força e ardor e mesmo que tentasse, Robb não conseguia retribuir no mesmo entusiasmo.
— Precisa deitar-se — disse ela apos separar-se dos lábios do marido. — dormir lhe ajudara meu amor.
Ainda que sem forças, Robb a seguiu pela tenda, recebendo ajuda para despir-se. A esposa deitou-se ao seu lado e lhe acariciou os cabelos, sussurrando um velho poema que lera com Myrcella quando pequenas. Sussurrou-lhe palavras doces ate que caísse no sono envolta das peles de urso, fechou os olhos e o abraçou com carinho, permitindo que as lagrimas caíssem agora que não havia ninguém para observa-las. Fora quando uma brisa gelada adentrou o local, e um suave gemido de dor ecoou pelo silencio. Nicéia sabia quem era e por isso abriu os olhos com calma, Vento Cinzento mantinha-se sobre as patas e a cabeça apoiada á cama, seus olhos dourados colados ao corpo do dono.
— Sei que também esta triste — disse ela ao lobo. — pode sentir o que ele sente, não é mesmo?! — o lobo tombou a cabeça e a observou com atenção. — Preciso que fique e tome conta dele.
Vento Cinzento pareceu entender, pois enrolou-se em seu calda e deitou-se sobre o tapete de foca ao lado da cama. A Senhora do Norte ergueu-se da cama com cautela, rezando aos Deuses Novos e Antigos para que o marido dormisse por toda a noite, ele merecia um pouco de descanso e paz, ainda mais naquele momento tão delicado. Deixou a tenda, ordenando que os guardas deixassem que Robb dormisse e que tudo o que ocorrera em sua ausência deveria ser reportado a ela.
— Lorde Umber — chamou, vendo o grande homem virar-se com rapidez. O olhar triste ainda desenhado em seus olhos. — Devemos partir para Correrrio o mais rápido possível. Minha sogra precisa do apoio de sua família, agora com Lorde Hoster Tully preso em seu leito. Não sei o que fazer Grande Jon, parece que tudo desaba ainda mais rápido quando se esta em guerra.
— Minha Senhora, entendo que tenha de lidar com tanta coisa de uma única vez — disse-lhe ele com uma suavidade que ela jamais vira. — Tornou-se a Senhora de uma grande casa, perdera o pai e o filho ainda no ventre, e acompanha Lorde Robb em batalha. És maior e mais corajosa que todas as Ladys que conheci, mas o que poderia esperar da filha do Rei Robert Baratheon?! Saberá lidar com os infortúnios, sei que pode. Quanto a chegarmos em Correrrio, já estou lidando com isso minha Senhora, não se preocupe tanto. Partiremos em três dias, talvez antes.
— Obrigada, Lorde Umber. Sua amizade vem sendo de grande apresso — ela sorriu, mesmo que o sorriso não chegasse em seus olhos. — Mas não posso deixar de lhe perguntar. Confia em Roose Bolton?
Grande Jon-Umber lhe olhara de uma forma estranha, erguendo uma sobrancelha grossa e grisalha.
— Minha Senhora, porque a pergunta? — quis saber o Senhor de Ultima Lareira.
— Não gosto da forma como me olha ou como fala comigo — confessou em um murmurio muito baixo. Os olhos de Grande Jon tomaram para si um tom obscuro e perigoso. — Ele parece estar sempre tramando algo, não sei, Lorde Jon. Apenas não gosto daquele homem.
— Ele a desrespeitou de alguma forma minha senhora? — rosnou Grande Jon, deslizando os dedos para sua espada. — Pois se tiver o feito, diga-me e lhe cortarei a garganta em sua honra...
— Não! Ainda não fez nada que me ofendesse — assegurou ela suspirando. — Ele sequer se aproxima. Lorde Umber, preciso que guarde este segredo, se meu marido desconfiar de qualquer coisa...
— Entendo minha senhora, este segredo ficara apenas conosco — prometeu. — Deixarei meus olhos bem abertos e minha espada sempre ao alcance. Outra coisa minha senhora, não confio naquele homem, jamais o fiz e não deve o faze-lo nunca. Se aprendi algo com Lorde Eddard é que Roose Bolton é apenas um vassalo, não um amigo.
— Robb divide do mesmo pensamento — suspirou. — Mas manterei distância de Lorde Bolton.
— Mantenha-se sempre acompanhada — sentenciou o homem. — Não sabemos ate onde Roose Bolton pode chegar.
Nicéia assentiu, olhando ao seu redor notando que apenas poucos homens juramentados a casa Umber de Ultima Lareira se espalhavam pelo campo, alguns envolta de um fogueira e outros apenas caminhando. No entanto foram os olhos frios de Roose Bolton que lhe prenderam a atenção. Próximo a tenda de reuniões, o homem se movia devagar, sem em momento algum desviar seu olhar.
— Jon — sussurrou Nicéia sentindo os ossos congelarem. Roose Bolton era um homem mau, seu olhar lhe dizia isso.
Grande Jon-Umber girou o pescoço largo sobre os ombros notando o que afligira sua senhora. Um rosnado deixou seus lábios ao mesmo tempo em que ele apoiava a mão sobre o punho da espada, deixando claro que aquilo não lhe aguardava. Com um sorriso cortes, Lorde Roose desviou de seu caminho indo em direção onde seu exercito abrigara.
— Vejo o que me disse senhora — seu rosno era serio, feito de gelo. — Tome todo cuidado possível, aquele olhar não se deve lançar a mulher de seu suserano. A acompanharei ate onde desejar.
— Lorde Jon, não quero tomar se...
— Eu insisto — interrompeu o homem dando-lhe passagem.
O senhor de Ultima Lareira a seguiu por todo percurso ate a tenda que dividia com o marido, fugindo dos olhares furtivos de Roose Bolton. Nicéia o agradeceu antes de adentrar o local, apenas quando acariciou o pele de Vento Cinzento, deitado no local que o deixara, que os passos pesados de Lorde Umber se distanciaram. Observou o marido, e ele ainda ressonava baixo envolta de sonhos em um sono tranquilo. Levou os dedos ate a broche de prata e o desprendeu, fazendo com que sua capa pesada caísse ao lado o lobo. Desamarrou o corpete e deslizou o vestido azul por seu corpo, deitando-se nua ao lado do marido, que assim que sentira seu corpo, o agarrara em um abraço quente, trazendo Nicéia para seus braços e a mantendo bem próxima. Um suspiro pesado deixou seus lábios, enquanto o cheiro de terra e couro adentrava seu olfato. Poderia sentir esse cheiro por toda sua vida que jamais enjoaria, seus rins doíam da urgência do amor que sentia.
O amor que sentia, era algo jamais sentindo antes, nem por Jon Snow. Era algo tão puro e forte, que lhe subia os ossos, um calor abundante que não sabia de onde provinha. Mas acreditava era de seu coração.
Oh céus! Seu coração. Ele batia tão rápido que vez ou outra pensara que algum pudesse escuta-lo, um simples olhar e seu corpo tremia em ânsia de poder toca-lo. Os beijos tornavam-se mais saborosos, e as noites de amor mais longas. Gostava quando o marido a tomava, sendo rápido e duro ou carinhoso, tocando-a como se fosse a mais fina e delicada porcelana Myr. Ela o amava! Deuses, como amava!
Girou nos braços do marido, enfiando o rosto em seu peito, sentindo os pelos acariciarem seu rosto e as batidas de seu coração a embalarem como uma canção de ninar.
[...]
Pareciam ter se passado anos, desde que cruzara a Estrada do Rei pelas Terras do Rios, dentro de uma casa sobre rodas junto dos irmãos mais novos e a mãe. Recordava-se de tudo ser verde e os rios correrem rápido, orgulhava-se ter cavalgado ao lado do pai por quase todo o Tridente, perguntando exatamente onde Rhaegar Targaryen caíra. Mas agora, sentada a proa do barco junto ao marido e Vento Cinzento, importava-se apenas em chegar em segurança a Correrrio, que estava mais próximo do que imaginara. Debruçou-se tocando as águas rápidas, eram frias e a correnteza era mais forte do que imaginara, viu seu reflexo nas águas escuras e percebera o quão pálida estava ficando sem o sol quente do sul.
— Minha Senhora, afasta-se da água — alertou-lhe Theon, tocando seu ombro com leveza e a trazendo volta a postura correta. — Pode não parecer, mas esta parte do rio é mais profunda do que parece.
— Nunca fui uma boa nadadora — brincou ela, com um sorriso amarelo.
Theon lhe sorriu, mas não era como antes. O sorriso zombeiro e cheio de malicia desaparecera a medida que as batalhas o forçavam a ficar cada dia mais adulto. Deveria agir como homem se quisesse o prestigio dos Senhores Vassalos de Robb. Voltara seus olhos para o horizonte e percebera que nas ameias esvoaçavam sobre as muralhas, finalmente alcançaram a fortaleza da Casa Tully, onde uma truta saltante, de prata, em fundo ondulado de azul e vermelho, esvoaçava junto ao vento. Olhara sobre os ombros e vira Lady Catelyn observar tudo com um olhar encantador, como que se recordasse de um passado a muito distante.
Quando um portão de ferro pusera-se a abri para que passassem, Nicéia conseguiu ouvir o tinir de pesadas corrente de ferro enquanto a enorme porta levadiça era içada. Viu a parte de baixo vermelha de ferrugem, os trinta centímetros inferiores pingaram lama sobre eles quando passaram por de baixo, as pontas farpadas a meros centímetros de suas cabeças. Nicéia ergueu o olhar e perguntou-se qual era a profundidade e como aguentaria a porta levadiça.
Passaram sobre os arcos e as muralhas, saindo do sol para a sombra e de novo para o sol, que nem de longe era tão quente quanto o de Porto Real ou Rochedo. Havia barcos, grande e pequenos, amarrados em toda a volta, presos a anéis de ferro incrustados na pedra. Haviam guardas e um homem que parecia-se com o que Lady Catelyn descrevera como seu irmão Edmure. Sor Edmure era um jovem troncudo, de cabelos ruivos desgrenhados e barba cor de fogo. Tinha um placa de peito com arranhões e amassados de batalha, e um manto azul e vermelho machados de sangue e cinzas. A sogra lhe dissera uma vez que Robb parecia-se um bocado com o tio, no entanto Nicéia não via semelhança alguma entre eles a não ser a barba espeça e avermelhada. Seu marido era deveras mais belo que Sor Edmure Tully.
— Traga-os — ordenou Sor Edmure. Nem mesmo a voz era parecida.
Três homens precipitaram-se pelas escadas, entraram na água até o joelhos e puxaram o barco para perto com longos ganchos. Mas quando Vento Cinzento saltou para a terra, um deles deixou cair o cabo e cambaleou para trás, tropeçando e sentando-se abruptamente no rio. Os outros riram, e o homem ficara envergonhado. Theon Greyjoy saltou primeiro, por cima da borda do barco e a ergueu pela cintura, pousando-a no degrau seco, repetindo o processo com Lady Catelyn.
Edmure lhe estendeu a mão, ajudando-a a subir o restante dos degraus.
— Sou Sor Edmure Tully, minha princesa — curvou-se o homem lhe beijando a mão estendida. — É uma honra recebe-la em Correrrio. Meus mais profundos lamentos pelo Rei.
— Ora, Sor Edmure. A muito que não sou uma princesa — brincou lhe oferecendo um sorriso. — E agradeço suas palavras. Espero que Lorde Hoster melhore e Senhor e toda sua família não precise passar pela dor que sentia.
O homem se pusera de pé e lhe lançara um ultimo olhar antes de abraçar a irmã com força. Nicéia percebera que Edmure abraçava Ladt Catelyn, como Tommem e Myrcella a abraçavam sempre que voltava de viajem, apos uma longa quinzena em Ponta Tempestade com o tio Renly. Sentiu a saudade dos irmãos apertar o coração.
— Meu amor — a voz do marido lhe chamou. — Venha, precisa comer algo.
— Não tenho fome — afirmou olhando-o. Estava tão belo com aquela barba, os olhos brilhantes.
— Mas precisa — disse lhe tomando a mão e a guiando por entre os corredores de pedra.
— Onde esta Lorde Jon? — quis saber, apos girar o pescoço e não encontrar seu bom amigo.
— Não sei, deve de estar desembarcando agora mesmo — contara Robb com o senho franziu. — Vem passando bastante tempo com Grande Jon-Umber, minha senhora. Atrevo-me a perguntar o porque.
— Ora Robb, não seja tão ciumento — brigou a senhora com um sorriso. — Lorde Jon e eu, somos bons amigos. Apesar de ser um homem feroz em batalhas, és muito delicado comigo e um companheiro de caminhadas encantador. A duas noites me contou uma historia sobre o Rei da Noite, achei um tanto sombria, mas igualmente fantástica. Pergunto-me se ele realmente existiu.
— Grande Jon lhe contara que seu nome fora apagado da historia? — a esposa assentiu empolgada. — Então ele lhe contou tudo, mas não sabia que ele gostava de historias da velha ama.
— Robb! — riu a mulher girando os olhos. — Gosto quando ele me conta historias, me faz lembrar meu pai.
Fora quando Robb percebera o porque de tal aproximação. A personalidade de Grande Jon-Umber, assim como sua idade e altura, assemelhavam-se e muito com a do falecido rei.
— Deseja ir comigo ate o represeiro? — perguntou observando seus olhos.
Nicéia só estreitou, escondendo um pouco do verde adorável que os tomava.
— Quer mesmo ir ao Bosque sagrado ou deseja me arrastar para um sala vazia? — quis saber aproximando-se perigosamente do marido, tocando seus lábios rapidamente.
— A ideia parece-me tentadora, minha esposa — sussurrou rouco. — Mas a principio iremos ao Bosque, depois, se assim desejar podemos nos perder um no outro.
Nicéia suspirou, sentindo as pernas tremerem em expectativa e levou sua mão ate o peito do marido, encarando-lhe os olhos.
— Vamos ao bosque depois, vi uma sala...
— Venha minha senhora, teremos tempo — Robb sorriu achando graça de sua afobação.
O calor lhe subia o rosto e a lufada de ar frio que chocou-se com sua pele não fora o bastante para lhe aplacar o fogo. Tentou se acalmar quando se vira perto do Bosque Sagrado, este era diferente do que vira em Winterfell. Parecia-se mais um pequeno e arejado bosque, mas a esguia arvore coração, cercada por altas sequoias e grandes olmos. Nicéia observara por longos segundos o olhar triste esculpido ao tronco, parecia prestes a chorar, que em nada parecia-se feroz como a de Winterfell.
Robb afastara-se um pouco, mas virou-se ao ouvir o farfalhar de folhas.
— Com sua licença, minha senhora — a voz de Grande Jon viera junto a sua sombra, cobrindo-a com seu sorriso doce.
Atras dele vinham Rickard Karstark e Maege Mormont, com seus espeço e mau tratado cabelo solto.
— Recebemos noticias do sul — dissera Galbart Glover, que Nicéia sequer tinha visto chegar. — Renly Baratheon reivindicou o trono do irmão.
— O que? — perguntou Nicéia surpresa, arregalando os olhos. — Tio Renly não pode... pensei que... que tio Stannys fosse quem reivindicaria. Joffrey não pode reger o reino, mas Tommem... se possuir uma boa mão, que possa ensina-lo tudo... ele, ele pode. É um bom menino, uma criança doce e pura... tio Renly não pode.
— Minha senhora, acalme-se — pediu Grande Jon, enquanto Robb aproximava-se.
— Robb, me ouça — pediu aflita movendo as mãos pelos cabelos compridos. — Se tio Renly ergueu os estandartes, Ponta Tempestade sairá com ele, assim como Jardim de Cima e os vassalos das Terras de Tempestade, ele poderá reunir um exercito maior que o nosso em poucas quinzenas. E atacara Porto Real com toda a força, agora que as tropas Lannister estão divididas e longe da Fortaleza Vermelha. Ele nunca se importou com as crianças, talvez um pouco comigo, mas não com Myrcella e Tommem, meus irmãos são apenas crianças indefesas, que jamais fizeram mal a ninguém. Eles são bons, eu garanto, não são como Joffrey, lhe juro que não são. Mas seus vassalos não se importarão se saquearem a cidade, Robb, eles são apenas crianças...
— Meu amor, acalme-se — pediu o marido tomando seu rosto aflito nas mãos. — Esta gelada, precisa manter a calma. Renly não pode avançar tão rapidamente em direção a Porto Real, não se for inteligente.
— Lorde Stark tem razão, ele terá de ter um plano. Os portões de Porto Real não se abriram para ele tão facilmente e duvido que ele alcance a fortaleza de Maegor com facilidade — acrescentara Grande Jon com calma.
Nicéia fechou os olhos em pensou nos irmãos pequenos, e na doçura sem igual que possuíam.
— Desculpe-me, apenas... — no entanto não conseguir terminar, apenas afastara-se do marido lhe fazendo um suave gesto com a cabeça. — Estou bem, pode fazer suas preces estarei aqui quando terminar.
Mas ele continuou a observa-la ate que afastou-se calmamente, desembainhou a espada e se pós de joelho com a mesa fincada a terra, com as mãos enluvadas agarradas ao punho. Logo os demais lordes o seguiram, cada um em canto afastado do represeiro, imersos em suas orações.
Afastou-se um pouco mais e pensou que no que marido pedia aqueles deuses cruéis, que lhe tiraram sua criança ainda em seu ventre. Enquanto esperava recordou-se dos momentos felizes em que vivera não muito longe dali. Como do decimo dia de seu nome, que ganhara seu precioso martelo de guerra, forjado a partir de um punhado de adagas de aço valiriano que o pai encontrara nas profundezas da fortaleza, lembrava-se ate dos gritos de sua mãe quando quase quebrara o pulso tentando ergue-lo tão alto quanto o pai.
Havia crescido longe da prostituição e fedor que impregnavam a cidade, crescera entorno de cavaleiros e rosas no jardim. Possuirá todos os vestido que pudesse querer e as mais variadas joias que o dinheiro de seu pai pudesse comprar. Recordar-se de como suspirara por Loras Tyrell, quando o encontrara em Ponta Tempestade, confessara a sua Septã que poderia estar apaixonada, mas isso apenas lhe rendeu um puxão de orelha e uma longa conversa com sua mãe. Semanas mais tarde descobrira sobre o caso que o tio possuía com o cavaleiro, não resistiu em contar para seu tio Tyrion, que rira um bocado a cada dia. Depois no decimo sexto dia de seu nome suspirar por um cavaleiro andante que lhe nomeara sua Rainha do Amor e da Beleza, em um torneio em Rochedo Casterly. Uma cora de flores rosas amarelas lhe fora colocada em seu colo, a mãe sorria ma o pai, parecia perturbado. Nunca mais vira seu cavaleiro e logo o esquecera também.
Robb se pós de pé e embainhou a espada, e Nicéia perguntou-se se o marido ja teria feito alguma donzela suspirar. De fato já havia pegado algumas criadas lhe lançarem olhares úmidos e nada discretos, assim como a menina Poole, que ficara no norte.
— Mãe — chamou Robb, e apenas ali Nicéia deu-se conta de que a sogra estava a suas costas tão imersa em pensamentos quanto ela. — Temos de convocar um conselho. Há coisas para decidir.
— Seu avô gostaria de vê-lo, assim como sua esposa — ela disse.
— Lamento mãe, pela senhora e por Lorde Hoster. Mas primeiro temos de nós reunir. Recebemos a noticia de que Renly Baratheon reivindicou o trono do irmão.
— Renly? —Catelyn parecia chocada. — Pensei que seria certamente Lorde Stannys.
— Tambem achei Lady Catelyn — sussurrou Nicéia com um olhar distante.
Afatara-se junto do marido, seguindo por entre os corredores com uma aia a frente, que mostrava onde seriam seus aposentos pelo tempo que passariam em Correrrio. Como de se esperar, a jovem donzela estava deveras corada em estar tão próxima a Robb Stark, o jovem lobo, Senhor de Winterfell e protetor do Norte. Manteve-se quieta por todo o caminho ignorando os suspiros da jovem, que logo empurrara uma grande porta de madeira vermelha onde se tinha esculpida a mão, uma truta.
A criada não precisou ser dispensada, pois fechara a porta com rapidez e desaparecera porta a fora.
— Se seus belos olhos pudessem matar, aquela jovem estaria sufocando neste exato momento — zombou o marido, lhe acariciando a maça do rosto.
— Conhece-me tão bem, marido — disse, com os olhos ainda faiscando.
Robb sorriu arteiro, parecendo lembrar-se de algo importante.
— Se bem me recordo, desejava perder-se em mim a poucas horas — disse ele, cheirando-lhe o pescoço e afundando seus dedos em suas ancas fartas.
Nicéia suspirou entorpecida, esquecendo-se da raiva momentânea e entregando-se ao braços calorosos do marido. Robb lhe arrancara o vestido com facilidade, assim como as próprias roupas e depois deitara-se sobre ela, distribuindo beijos quentes pelo vale entre seus seios. Estava tão desejosamente molhada que o marido deslizara para dentro dela com tamanha facilidade. Os suspiros não foram contidos enquanto Robb lhe tomava com ardor, investindo duro entre suas pernas e a fazendo pedir cada vez mais alto, para que ele fosse mais forte. Chamara o nome do marido incontáveis vezes, sentindo o suor lhe escorrer a testa. Seus lábios colados, apenas sentindo as lufadas quentes de ar. Nicéia estava entorpecida, sentia todo o corpo tremer e girava os olhos roçando o bico de seus seios endurecidos, no peito despido do marido. Um grito deixou seus lábios quando as sementes do marido enchiam seu interior. Suspirou longamente, agarrando os ombros de Robb obrigando-o a encara-la nos olhos.
— Eu te amo, Robb — confessou pela primeira vez em voz alta. — E continuarei te amando mesmo que A Muralha de gelo derreta, que o sol de Dorne se esconda para sempre e que seu deserto torne-se ouro.
O brilho que envolvera os olhos azuis do marido a fizera perceber o quão importante aquele momento estava sendo para ele. Sem responde-la Robb engoliu seus lábios em um beijo doce. Com facilidade, ele ergueu suas coxas ate que lhe rodeassem a cintura, e com calma voltou a investir no vale entre as pernas da esposa. Nicéia gemeu manhosa, torcendo todo o corpo sentido todo aquele prazer torturante percorrer sua pele.
— Robb, por favor — pediu fechando os olhos, moveu os quadris na intenção de acelerar o ritmo, mas foi impedida por um par de mãos. — Meu amor...
Puxou todo ar que podia e perdeu os dedos entre os lençóis macios, os puxando quando o calor de seu ventre queimou toda sua pele morena. Ronronou, enquanto chamava o nome do marido, com o mais puro êxtase a possuindo, sua coluna formou um arco e o prazer lhe chegou mais rápido que o de costume, antes mesmo de Robb. Gritou sentindo todo o corpo temer e seus rins doerem pelo amor que sentia.
Os senhores do Norte sentaram-se ao lado oposto, com Robb e Nicéia em frente a Sor Edmure. Grande Jon vinha sentado a sua esquerda, protegendo-a, mesmo sem a presença de Roose Bolton,como prometido. Theon Greyjoy vinha ao lado de Robb, seguido de Lorde Glover e Maege Mormont. Lorde Rickard Karstark, estava desolado e de olhos perdidos, tinah deixado dois filhos mortos em Bosque dos Murmúrios e não tinha noticias do terceiro, o mais velho, que liderava os lanceiros contra Tywn Lannister no Ramo Verde.
A discussão prolongou-se noite a dentro. Cada senhor tinha o direito a falar, e foi o que fizeram.. e também gritaram, e praguejaram, e argumentaram, e lisonjearam, e brincaram, e regatearam, e bateram suas canecas de cerveja, e ameaçaram, e saíram, e regressaram, mal-humorados ou sorrindo. Nicéia permaneceu sentada ouvindo tudo. Ate aquele momento.
— Exitem dois reis no reino — disse Nicéia com a voz branda, observando a forma como aqueles homens se calaram para ouvi-la. — Dois reis e nenhum acordo.
— Renly não é o rei — disse Robb. Era, assim como esposa, a primeira vez que falava.
— Não pode estar pretendendo aderir a Joffrey, senhor — disse Lorde Glover. — Ele ordenou a morte de seu pai.
— Isso faz dele um mal — respondeu Robb. — Não sei se faz de Renly rei. Joffrey ainda é o filho legitimo mais velho de Robert, por isso o trono é dele segundo todas as leis do reino. Se ele morresse, e pretendo fazer com que morra, tem um irmão mais novo. Tommem segue a linha de sucessão.
— Tommem não é menos Lannister que o irmão — exclamou Sor Marq Piper.
— É como diz — disse Robb, perturbado. — Mas, mesmo assim, se nenhum deles for rei, como Lorde Renly sê-lo? Ele é o irmão mais novo de Robert. Bran não pode ser Senhor de Winterfell antes de mim, e Renly não pode ser rei antes de Lorde Stannis.
Nicéia concordou.
— Lorde Stannis tem a melhor pretensão.
— Renly foi coroado — disse Marq Piper, irritando Nicéia profundamente. — Jardim de Cima e Ponta Tempestade apoiam sua pretensão, e os de Dorne não ficarão atras. Se Winterfell e Correrrio acrescentarem suas forças ás dele, teremos cinco das sete grandes casa de Westeros atrás dele. Seis, se os Arryn se moverem! Seis contra o Rochedo! Senhores, dentro de um ano teremos todas as suas cabeças em lanças, a rainha e o rei rapaz, Lorde Tywn, o Duende, o Regicida, Sor Kevan, da menina Myrcella e de Tommem, todos! Será isso...
— Ora cale-se! — gritou Nicéia erguendo-se de seu lugar e batendo as mãos sobre a mesa chamando a atenção de todos para si. — Ouse tocar em um único fio de cabelo de Myrcella e Tommem e será a sua cabeça que estará em uma lança.
O grande salão se desfez em silencio. Sor Marq Piper calou-se e manteve-se assim. Os pares de olhos todos sobre ela, não importava-se se a julgavam, não deixaria que ferissem seus pequenos irmãos, ainda os amava e para sempre o faria.
— Pretende então nos declarar a favor de Stannis? — perguntou Edmure com cautela, quebrando o silencio e trazendo a pouta de volta a ser discutida.
— Não sei — disse Robb, observando a esposa voltar a se sentar. — Rezei para saber o que fazer, mas os deuses não respondem. Os Lannister mataram meu pai por traição, e sabemos que isso foi uma mentira, mas se Joffrey foi o rei de direito e lutarmos contra ele, nós seremos traidores.
— O senhor meu pai aconselharia cautela — disse o idoso Sor Stevron, com um sorriso de fuinha dos Frey. — Esperem, deixem que esses dois reis joguem o jogo dos tronos. Quando terminarem de lutar, poderemos dobrar o joelho ao vencedor, pu podemos nos opor a ele, conforme seja nossa escolha. Com Renly armando-se, é provável que Lorde Tywin acolha bem uma trégua...
— Covarde! — trovejou Grande Jon.
— Suplicar por uma tregua só fara que parecemos fracos — declarou senhora Mormont.
— Que se danem os resgates, não devem abdicar do Regicida — gritou Rickard Karstark.
— Por que não fazem a paz? — perguntou Catelyn.
— Senhora, eles assassinaram o senhor meu pai, seu marido — disse Robb, em um tom sombrio. Desembainhou a espada e pousou-a sobre a mesa á sua frente, fazendo o aço cintilante brilhar contra a madeira rustica. — Está é a única paz que eu tenho a dar aos Lannister.
Grande Jon berrou em concordância, e outros homens acrescentaram suas vozes. Assim que se calaram, a sogra tomou novamente a palavra.
— Senhor, Lorde Eddard era seu suserano, mas eu partilhei sua cama e dei a luz os seus filhos. Julgam que o amo menos que os senhores? — Nicéia percebera que Lady Catelyn impedira sua voz de se quebrar, não poderia. — Robb, se esta espada pudesse trazê-lo de volta, eu nunca deixaria que a embainhasse até que meu Ned estivesse de novo ao meu lado...
— É uma mulher, senhora — estrondeou Grande Jon com sua voz grave. — As mulheres não compreendem essas coisas.
— É o sexo frágil — completara Lorde Karstark. — Um homem tem nescidade de vingança.
— Dê-me Cersei Lannister, Lorde Karstark e verá o quão gentil uma mulher pode ser — respondeu Catelyn. — Se bem perceberam, uma mulher lutou ao lado de vocês em Bosque dos Murmúrios, uma princesa e agora a Senhora do Norte. A tomam como fraca depois que arrancou a cabeça de um homem com um único golpe de espada enfrente aos olhos de Jon Umber? — o silencio instalou-se mas Lady Catelyn continuou. — Posso não entender de táticas e estrategias... mas compreendo a futilidade. Partimos para a guerra quando os exércitos Lannister assolaram as terras do rio, e Ned era um prisioneiro, falsamente acusado de traição. Lutamos para nos defender e para conquistar a liberdade do meu senhor. Pois bem, uma parte está feita, e a outra, para sempre alem do nosso alcance. Farei luto por Ned até o fim de meus dias, mas tenho de pensar nos vivos. Quero as minha filhas de volta, e a rainha ainda as tem. Se tiver de trocar nossos quatro Lannister pelas duas Stark deles, chamarei isso de pechincha e darei graças aos deuses. Quero-o a salvo, Robb, governando em Winterfell do assento de seu pai. Quero que desfrute de sua vida, que beije sua esposa, que ame todas as noites e que gere um filho. Quero por fim a isso. Quero ir para casa senhores, e chorar pelo meu marido.
Nicéia teve de segurar as lagrimas diante de tudo que a sogra falou. Apertou a mão de Robb sob a mesa em um pedido silenciosa para que a escutasse, e assim fizesse. Sentiu seus olhos sobre os seus e refletido neles estava a fúria, Robb continuaria a marchar sedento pela morte de Joffrey. Ela sabia.
— Paz — disse Bryden. — A paz é doce, minha senhora... mas em que termos? De nada serve forjar arado a partir de uma espada se for necessário forjar de novo a espada no dia seguinte.
— Para que morreram meu filhos, se tiver de regressar sem nada a não ser seus ossos? — perguntou Lorde Rickard.
— Seja o que for que decidirem , não chamarei um Lannister de Rei — gritou Marq Piper.
—Nem eu! — e os gritos estenderam-se pelo salão.
Nicéia sentiu-se desesperada, Cat tinha chegado tão perto, mas agora tudo escapava de seus dedos. Olhou o marido, observando-o enquanto escutava o debate dos senhores, de sobrancelhas franzidas, perturbado, mas casado com sua guerra. Tinha a desposado, roubado seu coração, mas agora possuía outra esposa: a espada que pousara a mesa.
Nicéia encolheu-se onde estava e suspirou, sabia que seria uma longa caminhada ate que a espada de Robb se cravasse ao coração de Joffrey. Grande Jon se pôs em pé de um salto.
— Senhores! — gritou, fazendo a voz reverbar nas traves. — Eis o que digo a esses dois reis! — cuspiu. — Renly Baratheon não é nada para mim, e Stannis também não. Por que haveriam de governar a mim e aos meus de uma cadeira florida qualquer em Jardim de Cima ou Dorne? Que sabem eles da Muralha ou da Mata dos Lobos, ou das sepulturas dos primeiros homens? Até os seus deuses estão errados. Que os Outros levem também os Lannister, já tive deles mais do que a minha conta — esticou a mão para trás do ombro e puxou a sua imensa e longa espada de duas mãos. — Para que não havemos de nos governar de novo a nós mesmos? Foi com o dragão que casamos, e os dragões estão todos mortos! — Nicéia viu a espada ser apontada para Robb. — Esta ali o único rei perante o qual pretendo vergar o meu joelho, senhores. — trovejou. — O Rei do Norte!
Ajoelhou-se, e depositou a espada aos pés do marido de Nicéia.
— Aceitarei a paz nesses termos — disse Lorde Karstark. — Podem ficar com seu castelo vermelho e com sua cadeira de ferro também, — tirou a espada da bainha. — O Rei do Norte! — disse ajoelhando-se ao lado de Grande Jon.
Maege Mormont pô-se em pé.
— O Rei do Inverno! — declarou, e pousou sua espada no chão.
Nicéia olhou a sua volta, e os senhores do rio também estavam se erguendo, Blackwood, Bracker e Malliser, casas que nunca tinham sido governadas por Winterfell, mas Nicéia os assistiu erguer-se e puxar as lâminas, dobraram os joelhos e gritaram as mesmas palavras.
Olhou o marido e ele também se erguia, o rosto de Senhor do Norte e agora Rei. No entanto Nicéia só conseguia pensar no fato de que agora, Robb participava do Jogo dos Tronos e só havia de ter um fim. Aquelas palavras a muito não eram ouvidas, desde que Aegon, o Dragão, chegara para fazer dos Sete Reinos um só... mas agora eram ouvidas de novo, ressoando no madeirame do salão dos Tully:
— O Rei do Norte!
— O Rei do Norte!
— O Rei do Norte!
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