A Fúria da Tempestade- Sonhos de Verão (Livro I)
15 Garoto de Recado
Notas iniciais

"Não quero estar longe de você deste dia em diante."
—Jane Austen (Orgulho e Preconceito)
Winterell- Norte de Westeros
Os dedos de Robb se agarraram a madeira firme da cama macia, buscando apoio para que suas investidas sobre o corpo da esposa. Nicéia ofegava em busca de ar, levando suas pernas ate quase o peito de Robb, contorcendo-se no mais sublime prazer. Fechou os olhos com força, sentindo o corpo formigar por inteiro, o que lhe era bem estranho, algo que poderia levar duas ou mais vezes agora vinha com o mais simples contato de suas peles. A gravides estava deixando-a estranha, seu corpo parecia sempre pronto para Robb, seus afazeres como senhora ja não ocupavam sua mente o suficiente para afastar seus pensamentos luxuriosos para com o marido. Passava quase todo dia imaginando todas as formas possíveis que o marido poderia possui-la, não importava-se mais com os comentários entre as aias na cozinha ou em quantos guardas poderiam escutar seus suspiros e o quão altos eles poderiam ser.
— Robb — sussurrou em meio a um gemido sofrego.
O senhor do Norte teve de segura-la pelos quadris enquanto seu corpo se curvava e tremia, os dedos se enroscaram nos lençóis e um grito alto fora expelido por seus lábios vermelhos. O prazer escorrera por suas coxas, facilitando ainda mais as investida de Robb. Sentiu o marido deitar-se sobre a cama trazendo-a junto dele, naquele angulo Nicéia podia sentir todo o comprimento de Robb dentro de si e acreditava que podia desmanchar-se apenas em estar daquela forma. O marido agarrou suas ancas e a ergueu apenas para puxa-la para baixo novamente. Nicéia suspirou apoiando suas mãos sobre as dele, imitando os movimentos de uma cavalgada lenta, encarou os olhos azuis de Robb e ofegou sentindo as vibrações de prazer em todo seu corpo. Estava tão úmida que conseguia sentir tal liquido ainda escorrer por suas pernas em direção a virilidade do marido, os movimentos tornaram-se bruscos fazendo com que Nicéia virasse os olhos e explodindo em prazer. Aquela ja era sua quarta vez apenas naquela noite enquanto Robb, não tivera tempo para derramar suas sementes. Cansada e tremula deixou que seu corpo se inclinasse sobre o dele apoiando as mãos ao lado do corpo de Robb, escorregou para fora do marido, que tentou agarra-la novamente e coloca-la em uma nova posição, mas foi impedido apenas com um olhar. Observando os olhos azuis de Robb, a princesa teceu beijos pelo peito e depois abdômen do homem, sentiu os músculos salientes sob seus lábios ate que chegou em sua virilha ereta. Nicéia o acariciou vendo-o fechar os olhos aprovando a caricia, colocou-se de joelhos e o abocanhou sentindo o próprio gosto.
Robb gostava quando ela o beijava naquela região, parecia gostar mais do que quando investia sobre ela. Lembra-se da primeira vez que o fez, a vergonha que sentiu e o desconforto quando ele lhe agarrou pelos cabelos forçando-a a continuar no seu próprio ritmo. Jamais havia feito aquilo com Jon, pelo contrario ele quem fizera questão de beija-la, acreditou que jamais pudesse sentir algo mais delicioso que aquilo, ate que Robb também o fez. A barba do senhor do norte lhe arranhava as cochas fazendo cocegas, sua língua acetinada era precisa e ele sempre contava com a ajuda dos dedos. O calor rapidamente se alastrou por seus membros fazendo sua intimidade pulsar e ficar ainda mais úmida que antes, desejosa levou os próprios dedos e passou a se acariciar, sentindo o liquido transparente fazerem liga entre seus dedos, que deslizavam com facilidade para seu interior. No entanto seus pensamentos foram interrompidos quando o marido, em meio a gemidos, trançou seus dedos entorno dos cabelos molhados de suor, empurrando-a para que fosse mais fundo, engoliu o máximo que pode ate senti-lo tocar sua garganta, percebeu então que ainda não chegara a coloca-lo totalmente. Com a mão livre estimulou Robb esperando distrai-lo ate que conseguisse mais uma vez seu prazer. Deslizou o dedo indicador fazendo movimentos circulares sobre a pele úmida entre suas pernas emitindo um gemido abafado. Robb novamente forçou a cabeça da esposa para baixo que quase engasgou-se pelo força e surpresa. Tentou erguer-se em busca de ar, mas foi impedida, respirou calmamente pelo nariz e abriu um pouco mais os lábios sentindo que mais alguns centímetros adentraram sua boca. Voltou-se um pouco para cima pronta para iniciar novamente o movimento, mas fora surpreendida pelas sementes de Robb. O liquido branco escorreu por seus lábios obrigando-a lambe-lo. O movimento singelo de sua língua fez com que as pupilas de Robb dilatassem.
De joelhos a frente do marido, Nicéia sorriu apoiando a mão melada em sua coxa branca.
— Gosto quando faz isso — ofegou Robb com um sorriso satisfeito.
Nicéia também sorriu colocando uma mecha de seus cabelos negros atras da orelha. Os mesmos estavam tão molhados pelo suor, que aparentava ter saído de um banho quente. Os olhos de Robb desceram pelo corpo desnudo da esposa, parando sobre a mão apoiada. Pelo brilho luxurioso em seus olhos, Nicéia entendeu que Robb sabia exatamente o que ele estava a fazer enquanto lhe beijava. Eles mesmo ja teve os dedos molhados daquela forma antes.
A princesa nunca havia feito aquilo perto do marido, havia repetido o ato diversas vezes depois da partida de Jon Snow, enquanto sua imagem dançava em sua mente. Envergonhou-se ao ser flagrada por Robb, corando nas bochechas de forma adorável. Desviou os olhos observando um ponto qualquer do quarto banhado pelas luzes tremulas das inúmeras velas espalhadas.
— Robb eu... — tentou argumentar uma desculpa antes de que o marido lhe dissesse palavras duras.
— Faça pra mim — pediu em um sussurro. Nicéia levou seus olhos ate os dele, que sentara-se a sua frente. — Gostaria de ver como faz.
Aquela não havia sido a reação esperada pela jovem senhora. Lembrava-se das palavras da mãe assim que seu casamento com o herdeiro do norte fora anunciado. Ela lhe aconselhou e ensinou como um casamento deveria ser e em como deveria se portar, em um de seus ensinamentos, ela lhe disse para que jamais se tocasse. Seu futuro marido jamais poderia ver tal ato, pois na cabeça dos homens apenas eles poderiam dar prazer a suas esposas. Aconselhou que ela tivesse um quarto separado e que possuísse a chave dele, para que em noites solitárias onde Robb não pudesse satisfaze-la, buscasse sozinha o prazer. Graças aos Deuses jamais precisou, pois Robb era quase tão insaciável quanto ela.
— Meu senhor eu... — tentou falar mesmo sentindo a garganta seca.
— Não vou obriga-la se também não desejar — murmurou Robb tocando os cabelos de Nicéia com contemplação.
Mas a jovem senhora assentiu, levando uma de suas mãos aos ombros de Robb empurrando-o em direção a cama. Assim que deitado Nicéia fez o mesmo, virou a cabeça para encara-lo nos olhos e apenas em ver suas pupilas negras, a umidade característica deixou suas coxas escorregadias. Ainda que cheia de vergonha, deslizou a ponta dos dedos pelo vale entre os seios e depois a barriga, sendo sempre acompanhada pelos olhos curiosos do marido. Acariciou seu ventre arredondado, finalmente chegando a intimidade inchada e pulsante. Deixou que seus dedos escorregassem calmamente por toda aquela região, provocando arrepios novos. Suspirou timidamente enquanto iniciava os movimentos circulares, ainda que no começo sentisse vergonha por ter os olhos azuis de Robb concentrado em cada pequeno movimento seu, o prazer parecia ainda mais forte, nublando seus pensamentos fazendo com que esquecesse Robb por alguns minutos.
Inclinou o quadril para frente e apertou as coxas uma na outra deixando um gemido manhoso deslizar por seus lábios. Fechou também os olhos apoiando a cabeça para trás e formando um arco imperfeito com sua coluna. O prazer quente se arrastava lentamente tomando seu ser aos poucos, sentiu quando Robb moveu-se ao seu lado e instintivamente olho para ele. O homem havia se erguido da cama apenas para se sentar, ainda nu, na cadeira ao lado da cama onde apoiava sua manto. Seus olhos agora negros de prazer, não deixaram seus movimentos nem um por um segundo, e isso deu a liberdade e o libido que Nicéia tanto desejava. Fez contato visual com o marido enquanto uma onda significativa de prazer torcia seu rosto fazendo-a gemer novamente. Nicéia abriu um pouco mais as pernas e virou-se rapidamente de bruços, erguendo o quadril quase tão alto quando estava com Robb, agarrou o travesseiro maciou com a mãos livre enquanto a outra trabalhava em dar-lhe ainda mais prazer, mordeu o encosto macio intensificando os movimentos de seus dedos, sentindo o alto prazer dominar-lhe. Fechou os olhos com força quando um grito quase tão alto quanto o anterior deixou sua garganta.
O corpo suado de Nicéia caiu sobre a cama ofegante, seu próprio prazer molhava o leito, mas o olhar satisfeito do marido lhe fizera sorrir. Sem perder tempo e com sua virilidade doendo em vontade de possuir Nicéia, Robb a virou de forma brusca na cama, enfiando-se entre as pernas dela e mantendo com força. Nicéia virou os olhos e gritou, sorrindo logo em seguida. Com o rosto serio Robb continuou daquela forma, entrando e saindo dela com toda a força que conseguia, dando a Nicéia dores na região de sua intimidade. A ardência aumentava conforme Robb sentia-se ainda mais vigoroso. Apertou as unhas na carne das costas do marido gemendo tão alto que ate mesmo Vila de Inverno poderia escutar e foi quando explodiu em prazer junto a Robb que a encheu com sua semente.
Satisfeita e sonolenta pelo cansaço, Nicéia sentiu o marido deixar seu interior e a agarrar delicadamente trazendo-a para bem próximo de si, cobrindo-os com as peles de urso. Ambos pegaram no sono junto as primeiras luzes do sol que nascia.
[...]
— Esta bem minha senhora?
Nicéia observou a amiga e seus olhos verdes curiosos. Aprumou a postura e sorriu.
— Claro. Porque a pergunta? — retrucou dando de ombros.
— Pensei que o vestido estivesse muito pesado, esta andando um tanto estranha — argumentou a Aia lhe lançando um olhar questionador. — mas se minha princesa diz que não á nada de errado.
— Ora Eve, não diga bobagens, bati o pé na mesa de meu quarto esta manhã. Estava um tanto sonolenta ainda, deve ser isso — desconversou continuando a caminhar para o patio onde Bran treinava com seu novo potro.
Não percebeu, mas Eve ainda a observava estranho enquanto caminhavam para o lado externo do castelo. O pequeno Bran tinha ajuda de Robb, que prendia as fivelas da sela, mantendo as pernas do aleijado bem presas ao potro.
— Robb, não me solte — pediu Bran de forma urgente, agarrando-se a mão do irmão mais velho com força.
— Não irei, não tenha medo Bran, estou aqui — assegurou serio.
Uma tora de carvalho havia sido fincada no chão de barro, onde uma ponta da corda, que poderia medir dois metros, estava amarrada enquanto a outra extremidade fazia um laço no potro. Theon se encontrava próximo a baia certificando-se de que o tronco não sairia do lugar assim como o potro.
— Pode puxa-lo com cuidado meu senhor, o potro ainda esta recebendo os ensinamentos, mas responde muito bem ao toque — disse um homem simples da estribaria, vestisse com cotas de malha gasta e o cheiro de estrume ja invadia as narinas de Nicéia.
— Tenho de toca-la no pescoço? — perguntou Bran curioso.
— Sim meu pequeno senhor, no pescoço.
Nicéia o observou ansiosa, dando mais alguns passos sem se importar com a lama sujando a barra de seu vestido cinza, onde um lobo gigante fora bordado por Eve, junto a algumas flores do jardim da rainha, fazendo-a recorda de casa. Robb afastou-se do irmão caçula e o observou com atenção dar um singelo toque no pescoço do potro de pelagem castanha. O primeiro passo fora lenta, e Bran se agarrara com ainda mais força a guia, o olhos assustados miravam o chão, logo o potro continuou, um passo depois o outro ate que a caminhada se transformasse uma suave trotada. Bran alargou um sorriso doce enquanto seu corpo se movia sobre o tronco do potro.
— Estou cavalgando — contestou ainda sorrindo. — Robb veja, eu posso montar— o riso infantil de Bran cobriu o patio assim que as fina lagrimas quentes de Nicéia escorreram por seu rosto.— Olhe, estou montando Nicéia — gritou o menino fazendo com que a atenção de Robb viesse para ela. — Posso montar! Posso montar!
— Estou vendo querido — disse ela segurando um soluço. — Logo sera quase um centauro, como todo bom nortenho.
O riso de Bran espalhou-se pelo patio, a franja negra saltando em seu rosto avermelhado.
— O menino ficara bem — comentou Eve que também sorria.
— Lady Catelyn deveria ver isso, Bran esta tão orgulhoso de si mesmo.
— Ela vera minha Senhora, assim que retornar de sua viajem ate Ninho da Águia — a Aia sorriu maneando a cabeça e depois olhando em direção ao Senhor do Norte. — Meu Senhor.
— Eve — cumprimentou a moça logo voltando-se para a esposa. — Esta muito bela esta manhã. Desculpe por não espera-la acordar, tinha assuntos a tratar com Meistre.
— Não se preocupe. Bran esta indo muito bem, logo poderá cavalgar sozinho, posso ensina-lo a usar o arco, será útil um dia — comentou a senhora levando a mão coberta pelas luvas ao ventre redondo.
Ja adentrava a quarta quinzena, os enjoos ja haviam lhe dado paz, no entanto desejos estranhos dominavam seu palavras diferenciado. A duas noite, havia acordado em meio a madrugada com uma vontade absurda de comer amoras. Apos acordar o marido, fez com que ele as colhesse na estufa, apenas para comer meia duzia e depois vomita-las em um balde. Agora, Nicéia nem mesmo conseguia ouvir o nome da fruta.
— Bran é um menino forte, você mesma me disse isso uma vez, minha Senhora — sorriu Robb levando sua mão também ao ventre da esposa. — Acha que será um menino?
— Ainda não sei, mas sonho com uma menina de cabelos negros e olhos azuis, o sangue de Winterfell — sussurrou Nicéia, aproximando-se um pouco mais de Robb.
— Tem certeza que não viu um menino? — perguntou erguendo uma sobrancelha. — Não sei se desejo uma filha, ainda mais se for tão bela quanto a mãe. Terei de arrumar uma espada maior.
— Robb! Não seja bobo — brigou aos risos sentindo os braços do marido cobrirem sua cintura enquanto ainda observavam Bran. — sou filha de Robert Baratheon, o demônio do tridente e ainda sim me casei com você.
— Mas sou um ótimo marido — observou ele apertando os olhos. — Não sou?!
— Claro, e nossa filha poderá encontrar um marido tão bom e honrado quanto você.
Ate mesmo Robb tinha de admitir que o argumento era valido, ainda sim não conseguia imaginar-se sendo pai de uma bela e doce menina. Seria deveras ciumento com ela, não permitiria que nenhum homem, sendo ele cavaleiro, príncipe ou senhor, aproximar-se dela. Não gostava quando os guardas de Winterfell perdiam-se em olhares para sua esposa, quanto mais para sua futura filha.
Meninos eram mais fáceis de cuidar.
— Acredito que devo dobrar a segurança de Winterfell...
— Robb!
— Lembra-se da historia da Rosas azuis o inverno que lhe contei?
— Não compare este bebe, que nem mesmo nasceu, ou se quer sabemos se é uma menina, com a lady raptada — irritou-se Nicéia girando os olhos. — Ora Robb, quanta bobagem.
A gargalhada do Senhor propagou-se chamando a atenção de Theon, que encontrava-se ainda do outro lado do patio, vigiando Bran de perto.
— Não foi isso que disse — riu ele apertando-a com ainda mais força em seus braços. — Pensei em chama-la de Rose, se for uma menina.
— Não é bem um nome nortenho — ponderou, mas no fundo havia gostado do nome.
— Nicéia também não — brincou Robb. — ja haviam pensado em algum nome?
— Lyra é um nome muito bonito, também gosto de Alyssane e Cassana, quem sabe podemos chama-la de Catelyn, em homenagem a sua mãe? — divagou a princesa suspirando ao sentir a barba ja grande do marido lhe arranhar o pescoço descoberto. — Mas talvez seja um menino. Gosto de Royce, Steffan e Aragorn.
— São nomes muito belos, podemos discuti-los mais tarde em nossa cama — sugeriu Robb voltando os olhos para Bran que havia parado a alguns metros deles e era retirado da sela por Theon.
— A ultima coisa que vou desejar fazer em nossa cama é discutir nomes para nosso filho — sussurrou risonha plantando um suave beijo no canto dos labios do marido.
Sem esperar uma resposta, Nicéia esquivou-se dos braços de Robb e caminhou ate Hodor, que mantinha seu característico sorriso alegre enquanto esperava por Bran. A cesta de palha reforçada em suas costas, Nicéia sabia o quanto o menino a odiava, acreditava que mesmo tão jovem, aquilo feria seu ego ainda muito frágil. Perdeu-se nas contas de quantas foram as vezes em que o consolou em meio ao choro, Bran tinha vergonha de sua condição e raramente sorria, no entanto aquela singela e curta aula sobre o potro, haviam trazido um pouco do menino risonho e feliz que encontrara em Winterfell a quase um ano.
— Hodor! — resmungou o cavalariço.
— Abaixe-se um pouco mais Hodor — pediu a senhora. — Isso mesmo. Bran, pedi para que Eve preparasse algo especial.
— Chocolate? — perguntou eufórico, esquecendo-se de que era posto em seu odiado cesto.
— Esta sendo um tanto dificil pega-lo de surpresa, aprender a escutar os pensamentos dos outros? — brincou a jovem alinhando os fios rebeldes do menino. — Ela nos levara enquanto estudamos. Alias, quase me esqueci, qual o lugar de sua preferencia para nossas aulas de hoje?
— Próximo ao represeiro, gosto de lá — disse Bran sem nem mesmo pensar.
Nicéia assentiu, não estranhando a escolha. Tambem gostava do represeio de Winterfell, aos poucos sentia-se aceita pela arvore coração que não parecia mais julga-la com seus olhos vermelhos pela seiva. Vinha aprendendo mais sobre os Deuses que seu marido cultuava, os Deuses Antigos eram severos, mas os nortenhos podiam suportar. Meistre havia lhe dito, que os Deuses do Norte podiam acompanhar e zelar por seus filhos ate onde seus olhos pudessem alcançar. Isso a fez pensar em Lorde Eddard e as meninas em Porto Real, afinal as arvores coração haviam sido arrancadas a muito tempo dali, quando a Fé dos Sete, trazida por Aegon e suas irmãs se alastrou pelo sul.
— Bom, que assim seja — sorriu ela para o menino.
Assim que passara a caminhar ao lado de Hodor e Meistre, conseguiu enxergar Robb afastar-se acompanhado por um dos guardas de Winterfell, o mesmo estava serio e frio como um verdadeiro Senhor. Por diversas vezes esquecia-se de todas as obrigações que Robb possuía com o Norte, imaginava ainda o menino cheirando a verão que fora forçado a assumir todo um territorial na ausência do pai. Mas ele vinha se saindo bem, Nicéia podia ver, administrava todo o Norte melhor que Lorde Mace Tyrell em seus anos na Campina. O marido era inteligente, paciente e dedicado, muitas foram as vezes em que escutara seus conselhos e de Meistre Luwin. Robb seria um grande Senhor e Nicéia orgulhava-se disso.
— Senhora! — a voz doce de Eve lhe invadiu os ouvidos interrompendo seus devaneios. — Royce me entregou isso pela manhã, disse que era importante e que deveria entregar apenas em suas mãos.
Nas mãos de sua criada, um pedaço papel pardo um tanto amaçado era preso por um celo que ela não soube identificar. Apanhou o que lhe parecia ser um comunicado e deslizou o dedo indicador sobre a cera negra, percebendo que um corvo se entalhava a ele.
— Disse-me que fora Lorde Tyrion Lannister que lhe entregara — sussurrou a Aia olhando para todos os cantos antes de terminar. — Nas palavras dele minha Senhora "O corvo do Norte não se esqueceu das palavras da Corça do Sul.", lhe significa algo?
Seus olhos verdes permaneciam pregados ao celo, Nicéia sabia quem lhe entregara aquilo e temia o que lhe vinha escrito em seu interior.
O corvo da Patrulha da Noite. Jon deveria ter roubado isso da sala de seu comandante ou recebera permissão.
— Chegou algo para Robb também?
— Não senhora, nenhum corvo chegou esta manha — afirmou Eve com calma. — Deveria le-la sozinha minha senhora. Sei o quanto pode ser importante e particular.
Naquele pequeno momento Nicéia entendeu que Eve sempre soubera de tudo, mas manteve-se imparcial.
Devagar afastou-se da Aia, seguindo um caminho conhecido para ela. As estufas haviam se tornado seu refugiu do frio do Norte, o cheiro das flores lhe transportavam para os jardins da rainha no verão. Ali era quente e aconchegante e poucos eram aqueles que ficavam por ali, em sua maioria cozinheiras que buscavam condimentos para a próxima refeição. Com cuidado empurrou a porta de vidro e caminhou por entre os ramos verdes ate o fundo da estufa, sentou-se sobre um pequeno branco de madeira gasta e observou os botões de tulipa, que dali alguns dias desabrochariam. Apalpou a carta e respirou fundo temendo-a. Deslizou o dedo sobre o papel quebrando o lacre feito de cera e reconheceu a caligrafia desleixada de Jon. Fechou os olhos por breves segundos antes de iniciar sua leitura.
A cada curto paragrafo Nicéia conseguia sentir a dor do homem que tanto amava. Seu sofrimento, sua angustia e sua saudade de casa. Jon frisou diversas vezes para que ele fosse feliz com Robb e que mantinha-se alegre pela gravidez. Mas no fundo ela sabia o quanto aquela noticia deveria ter lhe doido. Não que a culpa fosse dela, pois não era, Jon era responsável pela própria dor. Se ele tivesse lhe pedido, Nicéia teria fugido para as cidades livres, abandonado suas obrigações como princesa sem olhar para trás. Mas Jon escolhera a muralha ao invés dela, preferiu o frio cortante do extremo norte ao seus braços quentes. Era uma escolha dele.
A tristeza deu lugar a raiva e Nicéia rapidamente se viu praguejando o amado. Culpando-o por seu sofrimento e castigo, pois quem a tinha nos braços era Robb, enquanto Jon Snow apenas sua espada e honra. Poderia ser feliz com seu marido, apenas se esquecesse o bastardo e de fato ela o faria, estava pronta para amar Robb.
Com raiva rasgou a carta em vários pedaços, as lagrimas desciam por seu rosto e um soluço fora engolido por seu orgulho. Ergueu-se e caminhou ate as Rosas Azuis de Inverno, dobrou-se de joelhos e cavou um buraco com as unhas, não era fundo, mas o suficiente para enterrar seu amor. Jogou as palavras do Snow e as cobriu com terra úmida e ali ficou, chorando sobre o singelo tumulo. Havia enterrado muito mais que palavras, havia deixado ali seu amor pelo bastardo do norte e todas as lembranças que lhe assombravam durante a noite. Esta aberta e disposta, seria inteiramente de Robb, pois o esposo não merecia amores pela metade. Seu corpo já lhe pertencia, agora também seu coração e alma.
Jon Snow não possuía mais poder sobre ela, jamais o veria novamente. Amava Robb, tinha de amar Robb! Ele era seu e Jon Snow da Muralha.
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