A Fúria De Hades
22 Mais uma viagem nas sombras
Notas iniciais
Quando se faz uma viagem em meio à nevoa, tudo o que mais se quer é reaparecer em um lugar seguro. Os braços de Nico se adequavam nessa categoria.
Senti que ele exigia mais de sua força, pois seus músculos estavam rígidos. Meu corpo ainda estava mole, e eu procurava desesperadamente por ar.
Nico me estudava com seus olhos negros, e uma expressão de surpresa surgiu em seu rosto.
– Sam? — ele perguntou.
Abri a boca para falar, então fechei rapidamente. De súbito, me lembrei do que Hades me dissera. Não podia machucar Nico, mas do jeito em que as coisas andavam pelo Submundo, seria algo complicado. De qualquer forma, eu acabava entrando em confronto, e ele me ajudava.
– Por Zeus!! Pensei que eu havia te perdido. – Ele me abraçou impedindo minha tentativa de sentar.
– Nico eu não...
– Você está bem, sobreviveu!! Sam você sabe o que isso significa?
– Que.. eu estou viva? — tentei brincar.
– Que você está invencível.
Parei por um instante enquanto me sentava. Eu havia sobrevivido, mesmo com o truque de Hades, eu estava bem. E o plano tinha funcionado. Adeus Caçadoras, adeus imortalidade, adeus vulnerabilidade!
Eu estava feliz, tão feliz que quase pulei no rio para um mergulho, mas deletei a ideia idiota.
– Mas.. eu não entendo — Nico completou.
– Não entende o que? O fato de a minha ideia suicida ter se transformado em uma solução? — ri.
– Não. Eu não entendo o fato de eu ter visto sua alma abandonando seu corpo e você estar viva ainda.
O modo como ele disse "ainda" me fez congelar. O que ele queria dizer com "sua alma abandonando seu corpo"? Mas achei melhor não perguntar.
– O.k. estranho. Mas esta tudo bem! Quanto tempo nós temos?
Ele olhou para o seu pulso.
– Dez minutos, acho melhor nos apressarmos – Nico disse isso com tanta naturalidade que até me assustei.
– Mas.. Nico, acho que você, hã.. Acho que eu devo ir sozinha.
– Sam? — ele disse em tom sério.
– Você não entende — eu disse enquanto me levantava e começava a andar.
– Nós estamos nisso juntos — ele falou.
Continuei andando e tentei não olhar para trás.
– Samantha! — ele agarrou meu braço e me fez olhar diretamente em seus olhos.
– Nico, me desculpa.
– Sam, você não pode ir sozinha. Mesmo sabendo que você consegue, eu não posso te abandonar. Além do que, eu prometi à sua mãe.
– Então você acha que a promessa te prende a mim não é? Nico, eu chegarei ao Acampamento em segurança, com ou sem você — a insegurança se fez presente e minha voz falhou.
– Mas eu não lhe abandonarei. Não se trata da promessa, não se trata de segurança. Se trata de você!
– Nico, eu não...
– Eu não estou te dando uma escolha Sam, eu vou com você! Querendo ou não.
Quando ele disse isso senti seus braços me envolvendo e sua respiração cada vez mais perto. Ele mexeu no meu cabelo e então olhou diretamente em meus olhos.
– Sam eu..
– Te amo — completei.
Ao me ouvir dizendo isso ele sorriu e me beijou doce e suavemente. Todas as minhas forças se dissolveram.
Quando consegui pensar em algo, somente uma coisa veio em minha mente: não era o ponto em minha orelha que me fazia vulnerável. Nico era meu calcanhar de Aquiles. Ele era meu ponto fraco.
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