A Fuga do Asilo
1 Strike1
Aquele gordinho de camisa azul sentado na cadeira de rodas lá no salão de lazer do asilo, é o Benjamim. Ele é considerado o gordo mais querido do asilo. As enfermeiras não reclamam de cuidar dele, dão até um sorriso, a cozinheira bota uma cochinha de frango a mais em seu almoço, mesmo não estando listada em seu regime, o que leva a duvida se ela gosta dele mesmo... Enfim, todos os velhinhos ficam felizes com seu carisma.
E aquele barrigudo com camisa do Iron Maiden olhando as velhas tomarem sol na beira da piscina é o Francisco, que por outro lado, é um velhinho bem zikão. Como é um dos poucos velhos que conseguem ficar em pé e andando, ele fica mostrando pra todo mundo sua bengala, que é a maior paixão da sua vida. Nela ele colocou vários adesivos de shows que tinha ido em sua juventude, tais como Rob Zombie, Nirvana, Slipknot, Slave, entre vários outros no efeito stickbomber que conseguiu fazer. Ninguém sabe o porquê, mas sua bengala se chama "Strike1".Eles são figuras famosas no asilo. Mas, se tudo ocorresse de acordo com o plano de Francisco, ele finalmente não seria mais. Por muito tempo foi aprimorando seu plano de fuga, e hoje era o dia tão esperado de executa-lo.Tentava saltitar de felicidade enquanto ia conferir as ferramentas que iria precisar pra sua fuga. Cadeira de rodas estilizada com labaredas, extintor de incêndio preto, salão vazio... Tudo ok, menos a parte do salão vazio, que estava recebendo os novatos do segundo semestre. Ele sabia que era burro, mas não sabia que era tanto. Tinha esquecido completamente dos novatos e não tinha como adiar o escape, o extintor iria vencer em alguns dias e sem propulsor, sem velocidade.Benjamin, no entanto, parecia um representante do asilo naquela recepção fúnebre que prepararam, os velhos não diziam nada, até desconfiava se eles estavam realmente vivos. Chegou uma hora que os enfermeiros pegaram todos os idosos e os levaram para um passeio no asilo, para ver se animavam os que estavam desanimados, deixando o salão vazio.Era a hora certa para Francisco executar sua fuga! Foi "correndo" ao seu quarto pegar a cadeira e os extintores. Uma hora depois, conseguiu trazer todo o equipamento para o grande corredor que dava para o salão de lazer e direto para sua liberdade. O plano seria perfeito, passaria em uma velocidade imperceptível para a recepcionista, os velhos que iriam ver nem se importariam com a cena e ele seria livre. Se não fosse pelos novatos que voltaram de seu passeio. Rápido, ele guardou o equipamento no banheiro que estava do seu lado, e parou para revisar seu plano. Estava quase desistindo da fuga quando teve uma ideia mirabolante. Foi andando até a cozinha bem nervoso, estava decidido depois do improviso, a liberdade estava garantida. Isso se os novatos estivessem vivos, arriscou sua vida inteira, não iria deixar de arriscar agora.– NÃO TEM CAFÉ?? EU QUERO CAFÉ!! ISSO TUDO É UMA PORCARIA!!Ja começou um murmúrio dos velhos no asilo, o plano estava dando certo! Eles estavam vindo conferir o desastre, porém, os enfermeiros também, e não era com o café que eles estavam preocupados. Francisco foi logo aos tropeços para sua engenhoca de fuga no banheiro, mas os velhos de cadeiras de rodas o atrapalhavam em sua tentativa de correr, aquela manada de gente semi-morta não parava de aparecer preocupados com seu café. Conseguiu chegar perto do salão de lazer quando sentiu uma mão o puxando pelas costas, era um enfermeiro que tentava conte-lo, achando que Francisco estava enlouquecido. Não pensou duas vezes, pegou sua bengala e lascou na cara dele.–STRIKE UM, MOTHERS FUCKERS!O enfermeiro caiu desmaiado.– UHUUUL! PARA A LIBERDADE! Gritava Francisco. Nunca mais iria ver o asilo, estava livre desses velhos mórbidos e dos peidos fedidos que os acompanhavam!Ao chegar no corredor já foi direto ao banheiro preparar a cadeira em diração a porta. Sorte dele que a manada semi-morta conteve os enfermeiros tempo suficiente para conseguir sentar e preparar tudo. Quando tudo estava pronto, em sua frente apareceram três enfermeiros que pareciam toureiros com suas poses. Ficavam inclinados e preparados para agarra-lo. O suor descia da cara de cada um.Francisco deu um sorriso.– Isso quer dizer treta?Os enfermeiros sorriram.– Pode vir. — disse o do meio.Um arbusto seco passou pulando no corredor. O vento gelado e cortante gelava e cortava suas faces. A tensão pairava no ar. Um velho no salão tocava gaita. – HAHA SEUS IDIOTAS! — disse Francisco quebrando o clima e abrindo seu extintor, fechou seus olhos e sentiu o impulso da vitória! Em uma velocidade incrível atropelou os enfermeiros e foi direto para a porta de saída. Ja podia ouvir os pássaros cantando, os pedintes pedindo, e o mais importante jamais iria voltar. Pena que a porta estava fechada, então ficou por ali mesmo. Os enfermeiros já recuperados do atropelamento, vinham devagar, sorrindo, curtindo a cara de bunda que Francisco ficou. Um deles botou a mão em suas costas.– Impedimento, mother fucker.Após se entregar para os enfermeiros, Francisco refletia durante horas na solitária, que era seu quarto, só que sem TV, até que um acontecimento inesperado aconteceu.– Você tem uma visita! -exclamou o enfermeiro que estava de guarda. Era Benjamim. Francisco estranhou, nunca tinha falado com ele antes. A luz fraca que entrava no quarto batia um pouco abaixo de sua face.
– O que você quer? -Perguntou Francisco.– Então quer dizer que você queria fugir daqui, hein?Francisco abaixou a cabeça.– Escute... Quero te ajudar, odeio este lugar. Eu analisei seu plano, estava perfeito, só faltou um pouco de planejamento e uma figura carismática para a distração. — Benjamim sorriu, não se importando em mostrar sua dentadura fora do lugar.Francisco não esperava por essa, Benjamim estava certo, uma figura carismática era o que faltava. Deu um sorriso.– Eu acho que esse é o inicio de uma belíssima amizade. — completou Francisco.E apertaram as mãos. Mal eles imaginavam que essa amizade seria o fruto de varias historias e que o enfermeiro que estava de guarda ouviu tudo. Será que eles estão ferrados?
Notas finais
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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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