A Fuga de Connie Connor

2 Capítulo Um - Sem teto... De novo.


Notas iniciais
A ideia deste capítulo é de apresentar o passado recente de Connie Connor diferentemente do prólogo que buscou mostrar o passado mais longíquo da nossa personagem principal. O capitulo corre numa velocidade rápida apesar de não ser um capítulo curto. Inspirações para a aparência de Connie Connor: 1. http://data.whicdn.com/images/19789931/large.jpg 2. http://66.media.tumblr.com/c6c13cba079d4013c9b811da21a6c728/tumblr_nlhyl0mSvx1qfyazlo1_500.jpg 3. http://26.media.tumblr.com/tumblr_lxhw9fBGRq1r2q9tyo1_500.jpg Harvey Weller: 1. http://milk-magazine.co.uk/wp-content/uploads/2016/01/Image-2-Daisy-sourced.jpg 2. http://www.gannett-cdn.com/-mm-/248fe5214c0354344f2c44d2db0a092e983591cd/c=10-318-3512-2296&r=x1683&c=3200x1680/local/-/media/2016/01/14/USATODAY/USATODAY/635883624579898542-AP-Obit-Alan-Rickman.jpg 3. http://s2.glbimg.com/CxkZqREwI5CNAbDCuIilASWkRNY=/620x465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2016/01/14/alan-rickman-snape-ator.jpg Gostaria de dedicar este capítulo à queridíssima sackthais que comentou no último capítulo e espero que esteja à altura de suas expectativas.

Leva aproximadamente 11 horas de ônibus para viajar da cidade em que eu costumava morar para a cidade na qual eu vivo atualmente. No entanto, eu fiquei pelo menos um mês na estrada.


Veja, eu estava passando por uma fase muito difícil naquela época. Passei por sete cidades diferentes, usei 23 nomes diferentes, invadi pelo menos 50 festas e shows e conheci uma quantidade enorme de pessoas que nunca tiveram a chance de realmente me conhecer. Porque eu não queria que eles me conhecessem. Então eu consegui me livrar de alguns vícios e senti que todo o passado estranho, conturbado e devastador havia ficado para trás.

Nesse meio tempo, eu fui presa duas vezes. Mas esse é apenas um pequeno detalhe. Preciso dizer que eu fico feliz que esse momento nosso seja apenas sobre compartilhar, sem julgamentos ou dedos sendo apontados na cara de alguém, certo? Certo. Eu entendo que provavelmente soe como uma garota maluca, mas eu não sou, ok? Acredite em mim. Se quiser...

Durante todo o último ano em que eu estive morando aqui, eu nunca tive alguém com quem pudesse conversar e por mais que isso possa soar meio triste, na verdade foi porque eu não deixei que ninguém se aproximasse. Mas agora que você está aqui... Vou tentar atualizar você.

Harvey é a coisa mais próxima que tenho de um melhor amigo. Ele tem apenas 63 anos de idade. Um velhinho muito simpático. Acontece que ele também é meu chefe numa loja de CD's que leva o nome dele. A melhor coisa sobre ele é que ele pode ou não estar me deixando viver na casa dele desde que eu tenha ou não me tornado uma sem teto.

Eu posso explicar.

Quando eu cheguei aqui, eu aluguei um pequeníssimo quarto na casa de uma senhora idosa. Por ser uma cidade do interior, parece que boa parte dos citadinos são idosos. Um dia, a senhora Fitzgerald resolveu dirigir até uma outra cidade para encontrar seus netos, teve um ataque cardíaco enquanto dirigia, bateu o carro e morreu imediatamente deixando sua pequena propriedade para seu primogênito que não hesitou em enviar policiais para me expulsarem da residência no mesmo momento. Sem prazo para arrumar as coisas e ir embora. Eles literalmente sentaram na sala esperando que eu terminasse de empacotar tudo.

Obviamente eu não conseguiria pagar um flat, apartamento, kitnet ou qualquer coisa com um teto para cobrir-me a cabeça.

Uma hora depois, eu estava indo trabalhar na loja com tudo o que eu tinha sendo arrastado até lá. Harvey foi um doce e me convidou para ficar num cômodo que provavelmente era um antigo depósito. Ele me emprestou um colchão e me acolheu. Acho que o coração de avô sem netos dele se compadeceu de mim. O velhote realmente me deixou viver na loja até... não deixar mais.

— Ei, menina. — ele chamou.

— Sim, senhor. — respondi prestando atenção dos CD's que eu estava organizando em ordem alfabética.

Eu sempre acabava mantendo um tom levemente formal e antiquado perto dele. Sentia que precisava respeitá-lo duas vezes. Nunca conheci meus avós então nunca soube muito bem como essa relação funcionaria.

— Precisamos conversar. — bastou o tom sério nada casual em sua voz e de repente ele conquistou toda a minha atenção.

A loja encontrava-se vazia e quieta como sempre, exceto por nós dois e uma enorme coleção de CD's e DVD's que em sua maioria já não cabia mais nas prateleiras e encontravam-se empilhados em caixas afastadas para os cantos da loja. Aquele cenário me fez pensar mais uma vez como diabos Harvey conseguia algum lucro dali além de conseguir me pagar um salário mínimo. Normalmente não tínhamos mais do que dois clientes ao longo de todo um dia. A loja parecia um negócio abandonado de alguma década anterior. O único motivo de algum dia eu sequer ter notado a sua existência era a pequena e empoeirada placa "procura-se funcionários". Naquela época qualquer placa deste tipo teria me chamado a atenção imediatamente.

— Eu comprei a loja ao lado e vou torná-la uma extensão da Harvey's. Eu irei investir tudo nessa loja ou irei à falência. Durante as obras eu não posso tê-la morando aqui. Mas eu entendo que você realmente precise deste dinheiro, principalmente agora que você precisará encontrar um lugar para morar o mais rápido possível. E é por isso que eu dobrarei o seu salário nos próximos meses para que você consiga se estabelecer e então depois vemos como ficará a situação. — Ele parecia estar falando sério, mas ao mesmo tempo aparentava nervosismo. Acredito que ele pensasse que eu ficaria chateada por ele estar basicamente me expulsando da loja, mas eu entendia completamente.

— Quanto tempo eu tenho...? — perguntei tentando não parecer assustada ou desesperada.

— Eu esperava que na próxima semana, talvez... — Harvey sugeriu.

— Ah, tudo bem, eu acho. — Claro que não estava tudo bem.

Eu estava há quase três semanas morando na loja, revirando todos os tipos de classificados possíveis e imagináveis, impressos e digitais e não havia conseguido encontrar nada. Isso era um resultado das famílias que crescem e envelhecem aqui.

O mais irônico de tudo eram as aulas que começariam no dia seguinte e eu teria que encarar noites mal dormidas para conseguir dar conta das provas, dar conta de trabalhar e ainda procurar um novo lugar para morar. Se isso fosse uma amostra do que seria o meu último ano de escola antes de realmente chegar a uma faculdade que me prometesse alguma mudança na minha vida, eu já estava querendo desistir. E talvez, apenas talvez eu acabasse largando a escola de novo, encontrasse um trabalho em tempo integral e envelhecesse aqui como a velha Fitzgerald.

Normalmente eu não aceitaria um aumento sem sequer estar trabalhando, mas na situação em que eu me encontrava... Como eu poderia ter dito não?

Mais tarde naquele dia, fui jantar no restaurante — que mais parecia um bar — e pedi a coisa mais barata que eles poderiam ter no menu: batatas fritas. E enquanto esperava pelo meu pedido pude ouvir Remy reclamando. Mal pude escutá-lo por conta da visível confusão em que o restaurante se encontrava — pude observar clientes insatisfeitos, pessoas levantando pra ir embora e algumas pessoas até tentando gritar com Remy. No último ano que eu vivi aqui, frequentei diversas vezes o Jimny e ele nunca esteve assim.

— Fazem quase duas semanas desde que Iris foi embora e já estamos nesse estado. Eu não aguento mais isso. José, sai de trás da droga do balcão e vem me ajudar antes que os clientes ponham fogo nisso. — Remy se tornava uma figura particularmente engraçada naquele estado porque ele realmente soltou a franga na frente de todos.

Quando José veio trazer o meu saco e pegar o pagamento, eu admiti que havia escutado a conversa e perguntei se eles estavam procurando alguém pra substituir o cargo da Iris. José tentou explicar rapidamente que sim...

— Sim, se não conseguirmos um novo garçom ou garçonete Remy vai... — e então foi interrompido por Remy em pessoa.

— Remy vai ficar completamente pirado aqui. POR QUÊ? — perguntou grosseiramente lançando um olhar de desaprovação a José por estar conversando.

— Eu estava pensando em tentar o cargo, mas só poderia trabalhar no turno da noite, não sei se é o que vocês procuram... — tentei explicar, sem nenhuma confiança e com medo de deixá-lo ainda mais furioso.

— Apenas esteja aqui às 18h30 amanhã ou antes se possível. — e saiu correndo apresadamente enquanto alguém gritava da cozinha "mesa sete!" e José há muito já havia se afastado.

Voltei pra casa tentando me convencer de que essa seria uma coisa boa e que eu não entraria em parafuso nos próximos dias. A parte boa é que eu provavelmente já estava dispensada das atividades no Harvey, pois tudo começaria a se organizar para a reforma e ele passaria o dia fora então a loja permaneceria fechada. Ainda assim... Um novo primeiro dia de aula se aproximava.

Nesse ponto da minha vida, eu tinha provavelmente dois empregos, uma vida acadêmica pré-faculdade para começar, um futuro a definir e nenhuma casa pra morar. E mais uma vez estava sem teto. Nua e com a mão do bolso.

Notas finais
Obrigada por ter lido a história e ter aguentado a confusão de Connie Connor nesse capítulo. Espero que tenha conseguido intrigar você a ponto de você querer saber mais sobre a sua história. Se você puder comentar as suas impressões eu agradecerei enormemente por isso.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.