Na sala escura eles esperavam, guerreiros perdedores de uma batalha cruel, Á espera da tortura sem fim como punição por sua lealdade.

Todos pendurados ao teto, pelados, como frutos bizarros de alguma árvore satânica.

Um à um eram levados.

Mãos grossas colheram da árvore o primeiro dos frutos, e brutalmente plantaram-no, na escura sala de tortura. Chicotes, correntes, açoites e serrotes, esperando.

Como cães famintos, pelo suco da fruta. Esperando.

Esperando pacientemente até o ataque.

Naquele momento não haviam cores, cheiros ou sabores, apenas a dor, e os gritos desesperados de um guerreiro destruído.

E um por um, cada cão atacou, os chicotes, os martelos e os serrotes, as lâminas e as correntes, espremendo da fruta, o sumo rubro da vida.

No escuro da sala, à frente do homem, havia uma garota, uma criança de cabelos negros e vestido branco. De alguma forma, ela iluminava a escuridão do aposento.

A cada grito, a garota se aproximava mais e mais, sujando seu vestido nas poças vermelhas no chão.

E ela observou cada ataque, e ela ouviu cada grito, e à cada gota que pingava ao chão, dela escorria uma lágrima.

E assim foi, entre gritos e açoites, até o guerreiro, destroçado, cair ao chão. a garota, afetuosamente, ajuda-o a se levantar, e abraçando seu braço, levando-o à porta branca no fim da sala, e voltando para esperar o próximo.

Seu vestido estaria tingido de vermelho até o fim do dia, mas nenhuma palavra seria dita

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